Semin rio  Adventista  Latino-americano  de  Teologia

 

Faculdade  Adventista  da  Bahia

 

 

 

 

 

 

 

VIVENDO  EM  ESPERAN€A

I PEDRO 1:3-12

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma Exegese

Apresentada em Cumprimento

Parcial …s Exigˆncias da Disciplina

Epistolas Universais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por

Pedro Antonio da Paz Neto

Wellington Bartolomeu

Setembro 2003


 

 

 

SUMÁRIO

 

 

 

SUMÁRIO.. 2

 

INTRODU€ÃO............... 3

 

CAPÍTULO I..................... 4

APTO PARA FALAR SOBRE ESPERAN€A............... 4

 

CAPÍTULO II................... 12

UMA MENSAGEM ATUAL................ 12

 

CONCLUSÃO................ 20

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....... 21

 

 


 

 

 

INTRODU€ÃO

 

 

No livro de I Pedro, encontramos uma mensagem muito significativa … vida contemporƒnea.  A carta fala da esperan‡a, a qual os cristãos devem apegar-se num momento de sofrimento e persegui‡ão.

Neste presente trabalho, veremos o contexto hist¢rico da vida cristã no tempo do ap¢stolo Pedro, para descobrimos por quais razões o escritor da carta fala de viver em esperan‡a.

Analisaremos na segunda parte deste estudo, a parˆnese de Pedro sobre “esperan‡a”, que come‡a no verso 3 e vai at‚ o verso 12 do primeiro cap¡tulo.  Fazendo um breve coment rios sobre eles.

 


 

 

 

CAPÍTULO I

 

 

APTO PARA FALAR SOBRE ESPERAN€A

 

A carta[1] de I Pedro,[2] foi escrita entre os anos 60 a 67[3] A D., com o objetivo de confortar, encorajar os cristãos, num momento de perigo infundindo esperan‡a e perseveran‡a.  Provavelmente a carta foi escrita de Roma,[4] que foi chamada de


“Babil“nia”[5] (1Pe 5:13).  Isto pode indicar que a carta foi escrita perto do fim da vida do ap¢stolo.[6]

O ap¢stolo escreveu o que se pode denominar de carta circular endere‡ada aos “forasteiros da Dispersão[7] no Ponto, Gal cia, Capad¢cia, Ásia e Bit¡nia” (1Pe 1:1).  Estas quatro  reas inclu¡am quase toda a região atualmente denominada de Ásia Menor.[8] Os cristãos judeus destas igrejas eram uma minoria, a maioria dos crentes eram gentios.[9]  Como o mission rio para eles designado[10] (Gl 2:9), Pedro estava especialmente interessado nos judeus, mas ele não restringiu suas sauda‡ões e instru‡ões ao grupo minorit rio destas igrejas, conforme ‚ indicado por sua referˆncia aos seus leitores como não participantes do povo de Deus,[11] no passado, e tamb‚m como id¢latras que se converteram (1Pe 2:10; 4:3, 4).[12]

Pedro escreveu num tempo de prova‡ão[13] para a igreja.  Sendo 1Pd escrita em torno do ano de 65 AD, ele deve ter presenciado a persegui‡ão de Nero em Roma no ano 64 AD. [14] Os leitores de Pedro teriam sabido o que ele queria dizer vivendo na Ásia Menor , muitos deles tinham experimentado as pressões do culto ao imperador,[15] que era particularmente forte naquela  rea.

Os cristãos enfrentavam cal£nias (2:12), maledicˆncias (3:16), era considerado crime ser cristão (2:12), enfrentavam inj£rias (3:9), insultos (4:4), ultrajes (4:14), e amea‡as (3:6).  Um dos motivos dessa hostilidade ‚ que os pagãos estranhavam agora, que os cristãos não se entreguem com eles a libertinagem.  Diante disso, os cristãos mais t¡midos podem sentir a tenta‡ão de voltar atr s, … vida outrora (1:14; 4:3) e aos “desejos da carne” (1:14; 2:11).

Na ‚poca, os pr¢prios judeus e outros grupos religiosos, que não concordavam com a sociedade assim como estava, tinham levantado o problema e buscado solu‡ões.[16] Como um movimento religioso deve se posicionar face … sociedade, concretamente face ao imp‚rio romano?  As respostas desses diversos grupos ajudam a entender o problema e a solu‡ão dos cristãos, tinham quatro op‡ões:

1. Tentar sair da cidade, emigrar;[17]

2. Achar que o fim do mundo est  perto, e apenas esperar, são grupos de

vida curta e atribulada, por evidente razões se o fim do mundo não chega, tˆm que escolher: ou formam um novo grupo separado, uma seita,[18] ou se integram novamente na sociedade;

3. Tentar apressar a transforma‡ão, ou ao menos a purifica‡ão da sociedade, lutar pelas mudan‡as desejadas;[19]

4. Interpretar a liberdade em termos menos sociais e pol¡ticos e mais de sentido religioso interior.[20]

A proposta ‚ que 1Pd aconselha aos cristãos a seguirem a quarta op‡ão, os cristãos devem viver na base da liberdade social respons vel, que funciona como cr¡tica da ordem social.[21]

A comunidade cristã, a qual Pedro escreveu, enfrentava problemas externos, com o zelotismo e o isolacionismo judaico.  “Talvez at‚ as autoridades estejam em posi‡ão de suspeitar desse movimento religioso de origem oriental, relacionado de alguma forma com os detest veis judeus”.[22]

Convertidos mais recentes, e mesmo alguns mais antigos, poderiam estar se questionando acerca do novo rumo que deram …s suas vidas pela conversão a Cristo.[23]  Os problemas internos, eram causados pela opressão externa levando a desunião, desconfian‡a m£tua, forma‡ão de grupos, inveja, hipocrisias, causadas pela busca de um lugar na sociedade.[24]

Pedro na sua primeira carta procura dar resposta a estas questões, para isto, ele, utiliza cinco elementos.

1- Mostra o exemplo de Jesus, como Ele sofreu pela humanidade;

2- Dar a razão do sofrimento de Jesus, o ¢dio que tinham dEle;

3- Ilustra como deve ser o povo de Deus;

4- Contrasta o sofrimento com a esperan‡a;

5- Ser santo, fazer o bem.

Pedro era o mais apto para transmitir esperan‡a para aquele povo, ele havia tido uma expressiva experiˆncia, que veio atrav‚s da ressurrei‡ão de Jesus (1Pd 1:3), e por ter sido testemunha ocular dos sofrimentos de Cristo (5:1).  Como galileu, Pedro tinha muita esperan‡a no reino messiƒnico,[25] ele colocou todas as suas expectativas em Jesus, para liberta‡ão do jugo romano do pa¡s.  Mas, com a morte de Cristo, a desilusão bateu forte no cora‡ão do confuso disc¡pulo, por‚m, com a ressurrei‡ão de Jesus renasceu em Pedro a esperan‡a do reino, um reino celestial e eterno.  Isto foi base de seus sermões (At 2:23, 3:18-21; 5:1).  A esperan‡a deu a ele for‡as para enfrentar o sofrimento (At 12:6), e enfrentar a morte[26] como o seu Mestre, na persegui‡ão de Nero.[27]

Por isto que Pedro come‡a sua carta falando da “esperan‡a”, em busca de resolver os problemas internos da igreja, ele mostra que:

Deus os fez nascer para uma nova e viva esperan‡a (1:3-4,23);

E tem lhes preparado plena salva‡ão, e que o presente em sofrimentos ‚ por um “breve tempo”(1:5-6, 13);

Os sofrimentos são para fortalecer a f‚ (1:7-9);

Na vida deles est  se cumprindo aquilo de que falaram os profetas (1:10-12).


 

 

 

CAPÍTULO II

 

 

UMA MENSAGEM ATUAL

 

Uma vez que os contextos, foram explanados a priori, ‚ necess rio entender o que est  delineado no bloco de vers¡culos em estudo.

poss¡vel notar que I Pd 1:3-12 est  dividido em trˆs partes : renascer para esperan‡a ( v. 3-5), regozijo na f‚ (6-9), as testemunhas da salva‡ão (10-12), inserindo a partir desse ponto a id‚ia de louvor … salva‡ão divina ou louvor a Deus por uma viva esperan‡a[28].

A introdu‡ão a esse louvor (v.3) inicia-se com uma forma semelhante a que est  2Co 1:3, Ef 1:3, sendo assim, não se pode afirmar que esta introdu‡ão no caso de Paulo seja de sua autoria,[29] provavelmente uma forma introdut¢ria j  conhecida[30].

Estas palavras iniciais ou sauda‡ões são dirigidas diretamente a Deus e bastantes similares com as ora‡ões da liturgia judaica, possivelmente uma f¢rmula batismal que lhe j  era familiar[31]. Embora haja semelhan‡as com a forma introdut¢ria


de outros autores (Paulo), Pedro orienta este in¡cio … uma expectativa escatol¢gica de salva‡ão, portanto mais perto do “Shemonˆ Esrˆ[32] uma ora‡ão memorial da salva‡ão de Deus usada pˆlos judeus.  O fator escatol¢gico, portanto se refere a consuma‡ão de trˆs elementos vitais para a vida dos crentes, uma esperan‡a viva, heran‡a imarcesc¡vel, uma salva‡ão que ser  revelada.[33]

Essas expectativas são poss¡veis pelo novo nascimento outorgado por Deus, essa a‡ão do Senhor, isto ‚, Gerou vem do grego anagenennesas[34], traz em seu significado a id‚ia de regenerou, fazer novamente, gera‡ão mediante novo nascimento e isto com infusão de vida divina, nascer outra vez por meio de renascimento espiritual (Jo 3), uma nova cria‡ão. Por causa dessa restaura‡ão ou recria‡ão ‚ poss¡vel entender por que Deus ‚ Bendito.

Uma vez renascidos ou regenerados esse fato tem um alvo, uma viva esperan‡a eis elpida zosar[35] Pedro usa o termo “viva” como um partic¡pio presente ativo, acusativo, feminino, singular,[36] ‚ uma qualidade ou caracter¡stica da esperan‡a, qualidade ativa, da raiz Zaw uma esperan‡a vivente e dinƒmica.[37]

Pela ressurrei‡ão de Cristo o homem tem a garantia de um bem vivo esperado, esta ‚ a fonte pela qual o indiv¡duo pode haurir a vida eterna.

Deus arrancou o homem da morte eterna a qual se dirigia, e assim uma esperan‡a dinƒmica ‚ a for‡a que sem cessar guia o cristão diante dos problemas da vida.

A expectativa escatol¢gica no v. 4 ‚ apresentada como heran‡a.[38]  O conceito de heran‡a tem dimensões soteriol¢gicas e escatol¢gicas,[39] ‚ um termo veterotestament rio que originalmente indicava Canaã como a terra que Deus sob juramento prometera aos patriarcas, vincula-se aos atos salv¡ficos de Deus.[40]

Em Qumrã (1Qs 11.7) a palavra ‚ usada para indicar a vida futura junto a Deus, esta tamb‚m se faz presente na prega‡ão de Jesus (Mt 5:5, 25, 34), que indicou que a terra prometida do Antigo testamento ‚, substitu¡da pelo conceito do reino de Deus.  No que diz respeito as promessas cujo cumprimento sejam no futuro, e encaradas como heran‡a, exemplo: salva‡ão vis¡vel, vida eterna e etc.[41]

Essa heran‡a não ‚ como as realidades terrestres, sujeitas ao gasto e a aniquila‡ão,[42] a palavra aqui ‚ a;{fqarton imperec¡vel, outro substantivo usado ‚ a?mivanton - imaculada ou seja não pode ser atingida por contamina‡ão ou iniquidade,[43] nem fora adquirida por meios il¡citos e, tamb‚m imarcesc¡vel - a?mavranton - acusativo, singular feminino ou um adjetivo aliterativo verbal,[44] uma palavra que aparece uma vez no Novo Testamento, esse termo refere-se a uma flor de longa dura‡ão que leva esse nome, pois, essa destaca-se por não murchar mesmo quando seca.[45]  A heran‡a que nos ‚ dada ap¢s a regenera‡ão feita por Deus foi adquirida merecidamente pela morte e ressurrei‡ão de Cristo.  imaculada pois não pode ser burlada ou adulterada a vit¢ria de Cristo torna essa por‡ão como duradoura, vigorosa, isto ‚, embora as dificuldades sejam presente essa esperan‡a não se esvanece, ‚ resistente e est  guardada.[46]

Que pelo poder de Deus sois guardados...” (1:5), poder de Deus aqui ‚ dunavmei qeou[47] semelhante a forma encontrada em Rm 1:16, o poder que opera para salvar agora em 1Pd opera para guardar,[48] Deus protege o crente a todo custo,[49] para com isto entregar aos justos a salva‡ão que ser  revelada no £ltimo tempo.[50]

“Nisto vos exultais” [51] (v.6), regozijar-se , exultar com alegria, com um exuberante contentamento, com profunda alegria ou tamb‚m pode ser saltar de gozo, Pedro enfatiza que os sofrimentos do crente são breves.[52]

Este ‚ o paradoxo do cristianismo.  O cristão pode gozar de profunda alegria, enquanto ‚ assaltado por toda esp‚cie de prova‡ões, por exemplo, calunias pela sua convic‡ão cristã, isso nos tempos de ocasionavam persegui‡ões reais, as prova‡ões são relacionadas com as dificuldades dos £ltimos dias antes da consuma‡ão final, dessa forma então ‚ poss¡vel ao crente sentir alegria mesmo em agonizantes prova‡ões, pois, sabe que o Deus que o regenerou, salvou e guardou ter  a £ltima palavra no grande conflito entre bem e o mal.

Essas prova‡ões são para confirmar o valor da vossa f‚ (v. 7), “dokimion” da raiz “dokimos”, provado, um termo usado para prova de metais como ouro[53] os resultados de toda tenta‡ão ‚ uniforme para todo fiel, isto ‚, uma medida de purificar e atestar a imparcialidade e qualidades de seus cora‡ões, se o ouro um material qual ‚ perec¡vel se beneficia com o calor do fogo,[54] mais ainda deve ser a situa‡ão do homem “imperec¡vel”.  O fogo das afli‡ões atingem os acidentes de sua condi‡ão externa, isto preparar  o crente para o estado de gra‡a, e ingress -lo-  nas recompensas, as quais procedem da gra‡a.

Não visto, por‚m conhecido (v. 8), Pedro est  trazendo um contraste entre ele mesmo e seus leitores , h  uma forma de admira‡ão do autor, evidente em algumas frases, teve ele o privil‚gio de andar com o Senhor quando este esteve aqui em sua vida terrenal, o audit¢rio de Pedro, embora, não o tivessem o conhecido pessoalmente[55] o amavam tudo mediante a f‚ .

A f‚ dirigida a Jesus ‚ que produz amor e alegria nos cristãos, desta forma mesmo em meio a provas desfrutavam de uma união pessoal com o Salvador e uma paz que não podiam descrever com palavras.

Recebendo o fim- objetivo...(v. 9) “telos” consuma‡ão, o fim, a performance perfeita, realiza‡ão final, est gio final, £ltimo destino, resultado, objetivo pr tico, conclusão, meta (ver Rm.10.4; Tm.1.5), ‚ o resultado final de todas as lutas e ou a‡ões, não somente as do crente, mas, as de Deus em nosso favor.

A salva‡ão de vossas almas... “psiquon” não est  abordando o dualismo grego de estrutura de vida,[56] e sim usando a forma sem¡tica[57] de um “ser”, “pessoa”, ou seja o indiv¡duo por completo , uma salva‡ão completa[58].

O resultado final da f‚ ‚ que o povo de Deus de todas as ‚pocas ser  por fim libertado do pecado(v.5) e receberão a Heran‡a(v.4), da¡ a conexão de, salva‡ão, esperan‡a e recompensa.

Foi sobre esta salva‡ão que os profetas h  muito tempo j  haviam falado e esta ‚ proveniente de  uma gra‡a j  oferecidas durante os tempos(v.10)

Os profetas pesquisaram com toda a aten‡ão o tempo vindouro e com a guia de o Espirito de Cristo ou Espirito Santo, pois ‚ sugerido que esse termo ‚ um paralelo uma vez que Cristo era aquEle que atuava pessoalmente nos pensamentos dos profetas do A.T. Quanto aos seus deveres presentes e os acontecimentos futuros, assim pode-se at‚ traduzir como o Esp¡rito enviado por Cristo.

No v.12 podemos encontrar o autor afirmando que toda atividade prof‚tica ‚ orientada para o povo de Deus, os pregadores anunciavam a realiza‡ão daquele que j  fora esperado pˆlos seus antepassados.  Os profetas falavam como arautos das boas novas, a grandiosidade dessa salva‡ão ‚ ainda acentuada pela observa‡ão dos anjos que, tamb‚m são mensageiros de Deus, toda via, em um lugar divino inclinam-se com grande anseio para entender a razão vivencial de um pecador salvo em Jesus.


 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

O ap¢stolo Pedro escreveu sobre “esperan‡a”, orientando seus leitores a confiar em Deus, vivendo um união como os irmãos na f‚ e, com a sociedade de seu tempo.

Viver em esperan‡a era um contraste com o viver em revolta do zelotismo, o viver em isolamento dos essˆnios e, o viver em extremismo dos judeus, exemplos de comportamentos que colidiam com o governo romano. E impediam que a mensagem do Cristo ressurrecto fosse avante.

Viver em esperan‡a ‚, contribuir para o bem estar da na‡ão, para o crescimento espiritual do irmão, sem julg -lo ou invej -lo por sua posi‡ão social.  Viver com um firme compromisso com a ‚tica cristã, as verdades de Deus, tendo a certeza estar  a cada dia ajudando a todos a, superar os sofrimentos desta “breve vida”.


 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

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[1] Eus‚bio colocou esta carta no grupo denominado  omologouvmena (homolog¢umena), aqueles escritos cristãos universalmente reconhecidos e aceitos pelas igrejas (H.E., iii, 25,2). Embora Irineu (c. 180) tenha sido o primeiro escritor patr¡stico a citar esta carta e nomear Pedro como o autor (Adv. Haer., IV, ix, 2; IV, xvi, 5; V, vii,2), existem  tra‡os claros de seu uso mesmo por Clemente de Roma em sua carta … igreja em Corinto (c.95). Policarpo (c. 125) citou profusamente de I Pedro, e Bas¡lides (c. 130) tamb‚m fez uso da carta, sem mencionar o nome do autor.  Broadus D. Hale, Introdu‡ão ao Estudo do Novo Testamento (São Paulo; SP: Hagnos, 2001), 376. John Stott, Homens com uma Mensagem (Campinas; SP: Cristã Unida, 1996), 128.

[2]  A pr¢pria carta menciona Pedro como autor (1,1). Essa nome refere-se sem d£vida a Pedro membro do col‚gio dos Ap¢stolos. Conforme as listas dos ap¢stolos nos evangelhos, ele era a pessoa mais importante deste grupo (Mt 15:15; 16:16-22; 17:4-24; 18:21-27; 26:33-40; Jo 13:6-36). Em At, atua tamb‚m como chefe da igreja de Jerusal‚m (At 15:7). Conforme tradi‡ões antigas, foi para Roma no fim de sua vida. A¡ teria sido martirizado, entre 64 e 66 d.C.  G. Thevissen, J. J. A. Kahmann, e B. Dehandschutter, As Cartas de Pedro, João e Judas (São Paulo: Loyola, 1999), 15.  Veja os argumentos contr rios a autoria petrina e, as suas refuta‡ões em: E. Mueller, “I Pedro S‚rie cultura b¡blica (São Paulo: Mundo Cristão, 1991), 12-25.

[3] Data mais prov vel ‚ o ano 65 d.C., Cf. Archibald T. Robertson, Im genes verbales en el Nuevo Testamento – las ep¡stolas universales y el apocalipse de Juan (Barcelona: Clie, 1989), 6:85-87.  Partindo do pressuposto que a persegui‡ão subentendida na ep¡stola j  era a persegui‡ão neroniana.  Alguns datam o ano 63 d. C. no m ximo.  Ver E. Tognini e J. Bentes, Janelas para o Novo Testamento (São Paulo: Louvores do Cora‡ão, 1992), 313.

[4] Exatamente antes da persegui‡ão de Nero. George Eldon Ladd, Teologia do Novo Testamento (São Paulo; SP: Hagnos, 2001) 549.

[5] “Babil“nia” ‚ um pseud“nimo para Roma. Em certos ap¢crifos judaicos (Or culos Sibilinos 5, 158; 4Esdr; ApBaruc) Roma ‚ indicada por esse nome. Tal pseud“nimo deve ter surgido na literatura apocal¡ptica sob o impacto da destrui‡ão de Jerusal‚m pˆlos romanos, portanto depois de 70. Tamb‚m em Ap 14:8. 16-18, Roma tem esse apelido.  Thevissen, 17.

[6] Os eruditos que negam a autoria petrina da ep¡stola usualmente datam a ep¡stola como pertencentes ao per¡odo das persegui‡ões movidas por Domiciano (81-96 D.C.) ou as movidas por Trajano (98-117) D.C.  Não obstante, durante esses citados per¡odos de persegui‡ão a questão dominante era a recusa dos cristãos em oferecer sacrif¡cios em honra ao imperador.  Mas, visto não figurar esse t¢pico em I Pedro, torna-se prefer¡vel a data mais antiga, juntamente com a aceita‡ão da autoria petrina.  Robert H. Gundry, Panorama do Novo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2001), 390.

[7] “Di spora”: isto parece indicar que elas eram minorit rias e bem modestas no seio de um mundo que não os tinha em grande estima. Certamente eram pessoas de condi‡ões humilde, j  que a exorta‡ão aos “criados” não ‚ seguida, como em outros textos, de exorta‡ão aos “senhores”:  parece que ningu‚m deles exercia alguma fun‡ão na sociedade civil nem tinha feito fortuna ao ponto de criar problema comunit rio, contrariamente ao que lemos na ep¡stola de Tiago.  M. Carrez e cia, As Cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas (São Paulo: Paulos, 1987), 272.  Contudo a di spora pode significar tamb‚m simplesmente a vida dos cristãos no mundo, que não ‚ a p tria do povo de Deus (cf. Tg 1:1).  E. Lohse, Introdu‡ão ao Novo Testamento (São Paulo, Sinodal, 1982), 227.

[8] Se os lugares citados pretendiam indicar prov¡ncias romanas, depois a carta foi dirigida a cristãos da Ásia Menor como um todo, ainda que não se mencionem a L¡cia, a Panf¡lia e a Cil¡cia localizada no sul. Werner G. Kmmel, Introdu‡ão ao Novo Testamento (São Paulo: Paulinas, 1982), 549.  Cf., Robertson, 85-89.

[9] Os destinat rios da carta são cristãos rec‚m-batisados.  Kmmel, 550.

[10] Pedro recebeu o encargo de pastor do rebanho eclesial, isto ‚, a responsabilidade pastoral sobre o conjunto dos cristãos. O papel que ele desempenhou durante o minist‚rio de Jesus e nos in¡cios da Igreja de Jerusal‚m.  Carrez, 279.

[11] A carta dirige-se aos destinat rios como “os eleitos que vivem como forasteiros na dispersão” (1:1). Originalmente, tal expressão era usada para indicar judues. Por isso, alguns autores fulgam que a carta se dirija a judeu-cristãos ou pelo menos a convertidos do grupo dos “tementes a Deus”. Mas a descri‡ão da situa‡ão desses cristãos antes de sua conversão contradiz tal interpreta‡ão. Pois a carta fala de sua “ignorƒncia anterior” (1:14), de “sua vida em libertinagem” etc. (4:3). Cristãos que poderiam ser qualificados dessa maneira. mais l¢gico, pois, enxergar os destinat rios como convertidos do paganismo. A jovem Igreja assimilou os t¡tulos de elei‡ão do juda¡smo, na convic‡ão de ser sua leg¡tima herdeira. Thevissen, 18.

[12] “Autorship”, Seventh-day Adventist Bible Commentary (SDABC), ed. Francis D. Nichol (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1976), 7:547.

[13] A situa‡ão de conflito espalhada em 1Pd não parece supor uma persegui‡ão oficial ao cristianismo mas sim todo tipo de hostilidade que ‚ comum a n¡vel local a um grupo que ‚ separado e tem padrões diferentes da conduta. Poderia se pensar numa persegui‡ão das autoridades, que tamb‚m podiam não ver com muitos bons olhos o movimento cristão, mas nem isso ‚ exigido pelo texto da carta, como se nos apresenta.  Mueller, 33.  Pedro chega a referir-se ao governo como uma prote‡ão (3:13 e 2:13-17).  Ver Tognini, 313.

[14] No dia 19 de julho de 64 irrompeu um incˆndio em Roma junto ao Circo M ximo, e p“s a culpa nos cristãos.  Ver, Bo Reicke, Historia do Tempo do Novo Testamento: o mundo b¡blico de 500 a.C. at‚ 100 d.C. (São Paulo: Paulus, 1996), 268-278.

[15] C‚sar Augusto combinou as id‚ias do culto ao imperador e culto aos antepassados no culto imperial. Nas prov¡ncias, seus s£bitos adoravam Roma e Augusto como sinal de lealdade ao imperador. ...O culto ao imperador continuou como religião pagã oficial do imp‚rio at‚ que o cristianismo foi reconhecido por ordem do imperador Constantino (305-337 d. C.).  J. L. Packer, Merril C. Tenney, e Willian White Jr.,  O mundo do Novo Testamento  (São Paulo: Vida Nova, 1991), 75.  J. Stott salienta que, recentemente tornou-se claro que se tratava, na realidade de um movimento popular, embora tamb‚m incentivado pelas autoridades.  Em gratidão pˆlos benef¡cios recebidos do governo romano, as popula‡ões locais financiaram a constru‡ão desses templos, e institu¡ram festas nas quais o imperador era adorado como um deus. Naturalmente eles olhavam com muita desconfian‡a as pessoas que se recusavam a aderir.  Stott, 134.

[16] Ver Reicke, 272-278.

[17] Um exemplo desta atitude tão radical era os “essˆnios”, viviam em col“nias de acordo com o ideal sacerdotal. Estes £ltimos como nos atestam as descobertas de Qumrã, apesar do silˆncio do Novo Testamento, desempenham ao redro de Jesus e dos ap¢stolos um papel importante. Ibid., 185.

[18] Em 54, come‡ou na Palestina o terrorismo dos Zelotes e dos sic rios e como o procurador Felix não gozava mais do apoio do governo imperial, tinha dificuldade em conter os agitadores judeus.  Ibid., 270.

[19] o que v rios grupos judeus tentaram fazer na Palestina e principalmente em Jerusal‚m nos anos que precedem imediatamente o ano 70.  “A pol¡tica cultural do imperador e as medidas financeiras do procurador levaram … desesperada rea‡ão dos judeus em 66 d.C. Em 61 Nero decidiu o conflito cultural entre gregos e judeus em Cesar‚ia Mar¡tima claramente a favor dos cidadãos gregos.  Na primavera de 66 ocorreram lutas nas ruas desta cidade e depois persegui‡ões contra os judeus em v rias cidades do Oriente.”  Ibid., 282.  As revoltas romanas aconteceram nos anos 68 e 69 d.C., e em 70 deu-se o aniquilamento dos rebeldes judeus.

[20] Depois da queda de Jerusal‚m, em 70 d.C., apesar das perdas da popula‡ão, não foi desjudaizadas, mas perdeu sua independˆncia e autonomia relativa e permaneceu o pa¡s dos judeus apenas etnicamente, não mais politicamente.  Ibid, 293.

[21] Chama a aten‡ão o fato de que at‚ a primeira ep¡stola de Pedro, de 64 d.C., … semelhan‡a do que fez Paulo na ep¡stola aos Romanos, exorta‡ão … lealdade pol¡tica e os previne em rela‡ão … agressividade zel¢tica (1Pd 2:13; 3:13). ...As ep¡stolas petrinas sugerem que tamb‚m Pedro estava preocupado com este zelo e viajou da Jud‚ia para a It lia a fim de contribuir para a paz.  Apesar disso, tais agitadores zel¢ticos provocaram a persegui‡ão de Nero, da qual foram v¡timas Pedro e Paulo.  Ibid., 249.

[22] Mueller, 38-39.

[23] “A nossa conversão a este movimento religioso trouxe alguma melhora para as circunstƒncias da nossa vida?  Não continuamos n¢s a ser aqueles mesmos estrangeiros isolados e inferiores, sem lar e sem ra¡zes que ‚ramos antes?  Por que dever¡amos nos separar de pessoas e institui‡ões …s quais est vamos vinculados anteriormente, que são tão vener veis e tão necess rias para o nosso trabalho, especialmente quando tal isolamento leva a uma rea‡ão p£blica tão hostil?  Não seria nosso sofrimento um sinal de nossa aliena‡ão at‚ do poder e da presen‡a  de Deus?  Qual a certeza de nossa salva‡ão?”  Algumas das v rias perguntas imagin rias de Elliott empregadas ao contexto de 1Pd, citados em:  Muller, 40.

[24] Cf. Mueller, 39.