Semin rio Adventista Latino – americanos de Teologia
Faculdade Adventista da Bahia
Exegese de Judas 3 - 7
Uma exegese apresentada em cumprimento
Parcial dos requisitos da disciplina
Epistolas Universais
por
Francisco Luiz Gomes
Novembro de 2003
Classificado por se‡ões,[1] o Novo Testamento apresenta as ep¡stolas cat¢licas[2], onde dentre as quais figura a carta[3] de São Judas, cuja a aceita‡ão no cƒnon remonta a cita‡ões patr¡sticas.[4]
O autor chama a si mesmo de Judas, servo de Jesus Cristo, irmão de Tiago (v. 1),[5] que com seu estilo[6] direto, incisivo, assinalado pelo gosto por tr¡ades[7] opõe-se aos falsos mestres representantes de uma tendˆncia gn¢stica.[8]
Escrita por volta dos anos 65-70 a.D[9] apresenta prop¢sitos definidos[10] quando contrastados … identifica‡ão dos destinat rios,[11] em um vocabul rio dos mais variados e mais ricos do Novo Testamento.[12]
Ao estudar a carta percebe-se uma estrutura[13] a uniformizar o ensinamento. Ap¢s uma breve sauda‡ão e apresenta‡ão, o autor no verso 3 chama os leitores de “amados”, termo este que se repete outras duas vezes no texto,[14] fala da ocasião em que se encontrava e revela o tema da carta. Estando a escrever acerca da “comum salva‡ão” ( koinē sōtēria)[15] sente-se obrigado (eskon anagk‰n),[16] sendo tal obriga‡ão “uma obriga‡ão de dever moral ou espiritual.”[17] Isto faz com que o autor ao corresponder-se “exorte-os” de maneira “mais pessoal e intensa”[18] a uma posi‡ão ativa: “batalhardes”[19] a favor da f‚, aqui entendida como um corpo de cren‡as.[20]
Esta firme posi‡ão ‚ necess ria devido a infiltra‡ão[21] de falsos mestres que teimam em “transpor”, “transferir”, “trocar de lugar”[22] doutrinas essenciais ao cristianismo: gra‡a e Jesus Cristo, sua soberania e senhorio. Estes falsos mestres distorciam o pensamento de Paulo (por exemplo Rm 6.14), segundo o qual não estamos mais sob o regime da Lei de Mois‚s, mas no ƒmbito da gra‡a de Cristo, como se isso nos permitisse cometer pecados voluntariamente.[23] Esta compreensão revela-se mesmo que de forma p lida a tendˆncia para o dualismo.[24]
Outro aspecto da heresia referia-se a “nega‡ão do nosso Soberano e Senhor, Jesus Cristo”. Exatamente como negavam, Judas não nos diz. Certamente negavam-no ao ensinar uma cristologia que não aceitava sua total humanidade ou sua total deidade.[25]
Russel N. Champlin afirma que esta consistia em reduzi-lo a um dentre muitos “aeons” ou emana‡ões angelicais, não querendo admitir que fosse Ele o “Logos”.[26]
Nos versos 5 a 7, o autor ap¢s ter exposto a acusa‡ão principal[27] volta-se para os leitores e com trˆs exemplos repassa ao Antigo Testamento dando por certo o ju¡zo divino sobre estes hereges, o castigo eterno.
Assim da mesma forma que o “Senhor”[28] que havia libertado o povo[29] do Egito e destru¡do os descrentes agir com aqueles falsos mestres.[30] Isso funcionava como um contra-argumento a nega‡ão de Jesus Cristo como Soberano e Senhor.[31] Acrescenta a sua argumenta‡ão o aspecto duplo da salva‡ão do povo. O verbo traduzido por “tirar” ‚ do grego,[32] ele o faz quando “tira” e “destr¢i os ¡mpios”.[33]
Aqui a destrui‡ão dos descrentes no deserto serve como uma advertˆncia para os cristãos, que são os cristãos do ˆxodo, que anseiam pelo Egito ou a terra do paganismo. O autor caracteriza esta puni‡ão dos descrentes como uma “segunda” visita‡ão do Senhor, porque ele tinha em mente a segunda vinda de Cristo, cuja primeira assinalou o chamado da elei‡ão.[34]
A segunda li‡ão tem que ver com uma rebelião contra Deus. A lembran‡a ‚ a estranha e obscura hist¢ria dos anjos (filhos de Deus) em Gn 6.1-4, elaboradamente expandida e interpretada no livro não-can“nico I Enoque 6-8.[35] Judas refere-se ao pecado e ao destino dos anjos ca¡dos. Estes que não guardaram o seu “estado original”(arch‰n)[36] antes “abandonaram” (apolipontas) de forma deliberada para invadir uma outra esfera,[37] e estão “guardados” (tet‚reken)[38] para o ju¡zo. Judas est comparando a conduta dos anjos com aqueles libertinos. “Se os mais elevados seres conhecidos na cria‡ão foram sujeitos a ju¡zo, muito mais homens pecadores.”[39]
Judas em seu terceiro paradigma deixa de lado o dil£vio, L¢ e lan‡a o olhar no exemplo mais v¡vido de julgamento do Antigo Testamento, a destrui‡ão de Sodoma e Gomorra. Apresenta a similaridade do pecado dos homens de Sodoma e Gomorra[40] com a declara‡ão de libertinagem do v. 4.[41]
Esta terceira li‡ão adverte contra a imoralidade sexual (Gn 19.4-25). Para Judas o cl ssico caso de Sodoma e Gomorra, onde os homens alimentavam não s¢ o desejo do homossexualismo, e esta pr tica com seres celestiais,[42] bem como o castigo, fogo eterno,[43] serve como ilustra‡ão do que acontecer …queles falsos mestres.
Ap¢s o estudo deste trecho percebemos um autor preocupado em manter uma atitude conservadora diante do dep¢sito da verdade cristã. Assim esta breve carta ‚ um forte desafio aos seus leitores para que se oponham resolutamente a todos os ensinos e pr ticas dos que professam ser cristãos mas negam a essˆncia da f‚.
Esta carta fala ao mundo contemporƒneo como falou a todas as era precedentes.[44]
[1] O Novo testamento foi composto pelos disc¡pulos de Cristo ao longo do s‚culo l a.D. Ainda que não existam razões de ordem divina para dividirmos a B¡blia em partes, permeia entre os eruditos a divisão do Novo Testamento em quatro se‡ões principais, sendo elas: a) evangelhos; b) hist¢ria; c)ep¡stola; d) profecia; Norman Geisler e William. Introdu‡ão b¡blica (São Paulo: Editora Vida, 1997), 6,8.
[2] As cartas “gerais” são um grupo heterogˆneo. Os termos “cat¢licas” ou “gerais” significam que se dirigem a Igreja como um todo, e não, como as cartas de Paulo, a congrega‡ões espec¡ficas. São elas: Tiago, 1 e 2 Pedro, 1,2 e 3 João e Judas. John B. Gabel e Charles B. Wheeler. A b¡blia como literatura (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 1993), 191,2.
[3] A ep¡stola de Judas se apresenta como carta: traz endere‡o e sauda‡ão (vv.1-2) e doxologia final (vv. 24-25), mesmo faltando nela alguns elementos cl ssicos do gˆnero epistolar. Maurice Carrez, Pierre Dornier, Marcel Dumais e Michel Trimaille. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas (São Paulo: Paulus, 1987), 303.
[4] Judas ‚ mencionado no Cƒnon Muratoriano. A carta ‚ citada por escritores tais como Tertuliano e Clemente de Alexandria. Aparentemente existem vest¡gios desta carta em Clemente de Roma, Hermas, Policarpo, Barnab‚ e talvez no Didaquˆ. D. A. Carson, Douglas J. Moo e Leon Morris. Introdu‡ão ao novo testamento (São Paulo: Vida Nova, 1999), 511.
[5] Seu nome ‚ a forma grega de “Jud ”, nome hebraico que quer dizer “louvado”. Entre os v rios portadores (cerca de seis) do nome Judas conhecidos no NT, não h d£vidas que seu irmão Tiago, seja o Maior, bastante conhecido, irmão do Senhor (Tg 1.1; Gl 1.19; 2.9; 1 Co 15.7). Sendo que Judas ‚ citado entre os irmãos de Jesus: em Mc 6.3 mencionado em terceiro lugar; em Mt 13. 55 ocupa o quarto lugar. Werner Georg Kmmel. Introdu‡ão ao novo testamento (São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 1982), 561. Nesse caso, Judas tamb‚m ‚ um dos irmãos de Jesus. Indagamos por que ele não afirma de imediato seu parentesco, mas logo percebemos em Tiago (1.1) a mesma atitude. D. A. Carson afirma que os irmãos preferiam se ver como servos ao inv‚s de declarar seu parentesco, o que demonstrava um esp¡rito de verdadeira humildade cristã. D.A. Carson, 509.
[6] O autor mostra um estilo de quem era multicultural, mas de ra¡zes judaicas. Grande conhecedor do grego, ao fazer alusões ao Antigo Testamento usa a tradu‡ão grega, LXX, burilando sua forma de expor o tema que mais se assemelha … “hagad judaica”, ou seja, modo peculiar rab¡nico de expor e defender verdades religiosas, aproximando no centro da carta com similaridade aos midraxes judaicos – modo como os mestres judeus explicavam e aplicavam a B¡blia a vida. Jos‚ Bertolini. Como ler a carta de Judas (São Paulo, Paulus, 2001), 14.
[7] Percebe-se na sauda‡ão (v. 2), nos trˆs casos de ju¡zo extra¡dos do Antigo Testamento (vv. 5-7), nas figuras de Caim, Balaão e Core (v. 11), e na tr¡plice classifica‡ão de pessoas que precisam de ajuda (vv. 22,23). En‚as Tognini e João Marques Bentes. Janelas para o novo testamento (São Paulo: Louvores do cora‡ão, 19992), 343. O autor demonstra uma grande atra‡ão pelas tr¡ades de pensamento. Esta ep¡stola tem seis se‡ões principais dispostas em trˆs pares: a) as duas primeiras apresentam o pensamento; b) as segundas discutem a apostasia; c) e as duas £ltimas apresentam a conclusão. O autor descreve a si pr¢prio de trˆs formas: o seu nome, Judas; a sua fun‡ão, servo de Jesus Cristo; a sua rela‡ão com a comunidade cristã, o irmão de Tiago. Sa£da os seus leitores chamando-os de “chamados”, “queridos” e “conservados”, e na sua sauda‡ão deseja-lhes: “miseric¢rdia, paz e amor”. Estes exemplos assinalam uma caracter¡stica mental do autor. Merril C. Tenney.O novo testamento, sua origem e an lise (Lisboa: Vida Nova Edi‡ões, 1960), 357.
[8] Tal tendˆncia sustenta e afirma que uma existˆncia verdadeiramente pneum tica de maneira alguma ‚ afetada pelo que a carne faz. Kmmel, Introdu‡ão ao novo testamento, 560.
[9] Esta probabilidade ‚ mais aceita, pois de maneira alguma poderia ter sido escrita depois do ano 70, quando Jerusal‚m foi destru¡da, pois Judas dificilmente deixaria de mencionar esse evento junto com os outros exemplos de puni‡ão, vv. 5-7. J. B. Tidwell. Visão panorƒmica da b¡blia (São Paulo: Vida Nova, 1997), 222.
[10]
São aceitos os seguintes prop¢sitos: a) alertar a igreja quanto a instrutores
que pervertem a f‚ e dividem os fi‚is; b) exortar os crentes a levantarem-se
firmes em f‚; crescer em gra‡a; c) chamar crentes a renovarem-se na
miseric¢rdia que Cristo mostra a eles. Fred B. Craddock. First and second Peter and Jude (Louisville,
Kentucky: Westminster John Knox Press, 1995), 132.
[11] A designa‡ão quanto a indica‡ão geogr fica ‚ quase sem solu‡ão. A descri‡ão dos leitores inclui todos os crentes, isto ‚ atestada pelos vv. , mas alguns eventos espec¡ficos mencionados nos versos 3-4 parecem indicar mais provavelmente que Judas tinha em vista algum circulo particular de igrejas. Conjecturas tˆm localizado-as no Egito, Ásia Menor e S¡ria. E quanto ao contexto ‚tnico, a probabilidades mais aceita ‚ que as comunidades cristãs as quais foram endere‡adas na ep¡stola inclu¡am membros de v rios cen rios raciais. Esta diversidade da origem racial pode ser validada por dedu‡ão da inten‡ão original de Judas endere‡ada: “nossa comum salva‡ão” (v. 3) e est de acordo com a designa‡ão de leitores no verso inicial. Muitas igrejas fora da Palestina não mantinham distin‡ão entre judeus e gentios convertidos; eles aceitavam sua unidade em Cristo, em quem não havia nem judeu nem gentio (Gl 3.28). Edmond Hiebert. Second Peter and Jude: an Expositional Commentary (Greenville, CA: Unusual Publications, 1989), 200,1. Archibald T. Robertson. “Las Epistolas Universai y el Apocalipsis de Juan”, Im genes verbales en el Nuevo testamento (Barcelona: Libros CLIE, 1990), 6: 208.
[12]
Com propor‡ão excepcional de termos raros ou £nicos. Contendo um cap¡tulo de 25
versos, esta carta ‚ uma das mais curtas com um vocabul rio de 227 palavras
mesclado com f¢rmulas tern rias repetidas que podem constituir o ind¡cio das
origens judaicas de seu autor. Andrew
Chester e Ralph P. Martin. The theology of the letters of James, Peter, and
Jude (Cambridge University Press, 1994), 65. Maurice Carrez. As
cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas, 303.
[13] Tal estrutura, chamamos de esbo‡o da carta:
I. Sauda‡ões vv. 1-2
II. Exorta‡ão: Defesa da f‚ vv. 3-4
III. Ilustra‡ão: Dissidentes da f‚ vv. 5-16
IV. Admoesta‡ão: Progresso na f‚ vv. 17-23
V. Conclusão: Uma doxologia vv. 24,25
Walter M. Dunnet. Broadening your biblical horizons new testament survey. (Wheaton, Illinois: Evangelical Training Association, s.d), 81
[14] O que nos faz perceber que ele não somente teoriza o amor, mas demonstra-o tanto no trato (vv. 3,17,20) quanto ao longo da carta a mesclar suas advertˆncias s‚rias e severas repreensões. Michael Green. II Pedro e Judas: introdu‡ão e coment rio( São Paulo: Vida Nova, 1993), 151.
[15] A expressão não ocorre em outro lugar do NT, mas tem uma paralela – “comum f‚” – mencionada em Tt 1.4. Em nenhuma outra expressão o termo “comum”(koinē) tem um senso de “inferior”, mas preferivelmente descreve o verdadeiro povo de Deus escolhido em todos os lugares. “Salva‡ão” (sōtēria) ‚ um termo compreensivo no NT, e provavelmente Judas estava pensando em preparar uma apresenta‡ão de todas as bˆn‡ãos envolvidas no conceito. Edmond Hiebert. Second Peter and Jude, 217.
[16] O verbo “sentir” vem do grego έχω (‚ko)e aqui aparece no tempo aoristo, o que indica a a‡ão ou evento sem referir-se diretamente … sua dura‡ão. Olha o evento como um ponto. Sendo constativo, contempla a a‡ão como uma totalidade. Louren‡o Stelio Rega. No‡ões do grego b¡blico (São Paulo: Vida Nova, 1995), 59. O substantivo “obriga‡ão” prov‚m do termo grego àνάγκην (an gken) que significa “necessidade” Hb 7.12; “compulsão, pressão” 2 Co 9.7. F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker. L‚xico do NT grego/portuguˆs (São Paulo: vida Nova, 2000), 19.
[17] Harold K. Moulton, ed., “àνάγκην”. The analytical greek lexicon
revised (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1980), 21.
[18] Este ‚ um dos quatro verbos usados para peti‡ões. Era a palavra “mais pessoal e intensa”. O verbo favorito em cartas pessoais. David A. Hubbard e Glenn W. Barker. Word biblical commentary. “Jude, 2 Peter”. Richard J. Bauckham (Waco, Texas: Word Books Publisher, 1983), 50:29. O verbo parakalon (ãàρàκàλων) – que significa “exortar”, “rogar”, “encorajar”- ‚ a palavra usada para discurso de lideres e de soldados que se encorajam mutuamente. a palavra usada entre os que enviam soldados e marinheiros medrosos corajosamente para a batalha. William Barclay. Palavras chaves do novo testamento (São Paulo: Vida Nova, 1985), 134.
[19]
Significa “lutar por”, “contender”, “exercer grande esfor‡o” Esta palavra (epag”nizestai ) era usada para as
disputas atl‚ticas e para o esfor‡o dos atletas nos jogos. J. N. Kelly. A commentary on the epistles of Peter and Jude (London: Adam and
Charles Black, 1969), s.p.
[20]
“F‚” traduzida do termo grego “pistēo”,
aqui não significa um senso de confian‡a, mas antes o senso de crer em alguma
coisa, como ‚ apontado no versos 20 e em Gl 1.23; 3.23; Fl 1.27. Archibald T.
Robertson. “pistei”. Word pictures in the new testament
(Nashville, Tenesse: Broadman Press, s.d), 6:186
[21] “Introduzir-se secretamente”, “entrar furtivamente”. Fritz Rienecker. “v. 4”,598. Do verbo grego (pareisdu”) significa “infiltrar-se fraudulentamente ou introduzir inadvertidamente”. F. Wilbur Gingrich, 158.
[22] O verbo original ‚ (metatith‰mi ) que nesta passagem aparece no tempo aoristo, que pode ser constativo que traz a seguinte tradu‡ão: “eles estão tentando transformar”. Fritz Rienecker, 598.
[23] Jos‚ Bertolini. Como ler a carta de Judas (São Paulo: Paulus, 2001), 29. Evidentemente a sua compreensão de “gra‡a e perdão” dos pecados levaram-nos a uma total liberdade em todos as forma de deprava‡ão sexual (cf. 2 Pe 2.2). Kenneth L. Barker e John R. Kohlenberger.”v. 4”. NIV Bible commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing house, 1994), 2: 1120. O voc bulo “dualismo” em contraposi‡ão ao “monismo” afirma a existˆncia de duas substƒncias, a material e espiritual, enquanto que os monistas admitem senão uma. Estes voc bulos caracterizam-se por posi‡ões muito fundamentais no problema da rela‡ão alma e corpo. F. Ferrater Mora. Dicion rio de filosofia (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 1994), 1: 772-3. Ver : F. Felipe Alonso. “Dualismo”. Dicion rio de sectas, creencias, religiones (Madrid: Gr fica Urpe, 1994), 196. Sobre sua caracteriza‡ão geral e presen‡a na filosofia e teologia, ver: Russel N. Champlin e J. M. Bentes. Enciclop‚dia de b¡blia, teologia e filosofia (São Paulo: Editora Hagnos, 2001), 2: 238-9.
[24]
Estes mestres interpretavam erroneamente a gra‡a, de modo que a Lei moral
encontrava-se distante deles e que como verdadeiramente pessoal “espiritual”
deveriam livremente ceder a seus apetites f¡sicos (vv. 18,19). Eles ensinavam
que o corpo e esp¡rito são independentes cada um do outro e salva‡ão como tendo
rela‡ão exclusivamente com esp¡rito. George Arthur Buttrick. “v. 4”.The
interpreter’s bible (New York: Abingdon Press, s.d.), 12: 324
[25] Kenneth L. Barker, NIV Bible commentary, 2:1120.
[26] Seria apenas um salvador, um mediador, um deus entre tantos outros que teriam contato com a terra. Tamb‚m faziam isso negando a validade da encarna‡ão, que para eles, nenhum “aeon” poderia encarnar, o que seria metafisicamente imposs¡vel, pois duas naturezas não poderiam fundir-se numa s¢. Russel N. Champlin.”v. 4”. O novo testamento interpretado (São Paulo: Editora Candeia, 1983), 6:332
[27]
Desta forma o v. 3, o apelo, ‚ a declara‡ão do tema para uma se‡ão exortat¢ria
vv.20-23, enquanto que o v.4, o contexto forma a declara‡ão do tema para uma
se‡ão de midrash, vv. 5-19. Estes relacionamentos são refor‡ados por conexões
gregas deixadas ao longo texto grego. David A. Hubbard e Glenn W. Barker.”Jude, 2 Peter”. Richard J. Bauckham.
Word biblical commentary (Waco,
Texas: Word Books Publishers, 1983), 50:29.
[28]
Dentre alguns problemas dif¡ceis com o texto, o verso 5 ‚ um exemplo. A forma
textual que est mais fortemente atestada ‚ “Jesus”. D. A. Carson, 511.
“Senhor” ‚ o titulo favorito de Judas para Jesus (vv. 4, 21, 25) junto com uma
t¡pica afirma‡ão judaico-cristã de sua messianidade. Andrew Chester e Ralph P. Martin. The theology of the letters of James, Peter
and Jude (Cambridge University Press, 1996), 78.
[29] Do grego ( la¢s ) geralmente um termo de honra, o povo peculiar de Israel ou dos cristãos, …s vezes como neste caso, significa “gente”, “multidão”, “turba”. William C. Taylor. “ λàός ”. Dicion rio do novo testamento grego (Rio de Janeiro: junta de Educa‡ão Religiosa e Publica‡ões, 1983), 123. A palavra ‚ usada sem artigo definido, indicando que nem todos os que deixaram o Egito eram crentes. Fritz Rienecker, 599. Isto ‚ confirmado por Ellen G. White. Patriarcas e profetas (Tatu¡, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1993), 281.
[30] A jornada do deserto foi marcada pela idolatria, imoralidade sexual e o colocar Deus em teste. O ˆxodo apesar de apresentar como tema central a liberta‡ão, aqui Judas acrescenta mais um tema … hist¢ria: puni‡ão daqueles que não acreditam em Deus e não vivem pela f‚. Fred B. Craddock, 138.
[31] A conexão com v.4 ‚ forte, e est em paradoxo com o ensino de Judas. Enquanto os falsos mestres negam-no, Judas biblicamente embasa a autoridade de Jesus Cristo. Andrew Chester e Ralph P. Martin, 78.
[32] O termo usado ‚ “ åώåàς ” . Harold K. Moulton. The analytical greek lexicon revised (Grand Rapids, MI; Zondervan Publishing House, 1980), 396. Geralmente traduzido por “conservar são e salvo”, “preservar”, “salvar”, “não matar”, “perdoar”. Isidoro Pereira. Dicion rio grego-portuguˆs e portuguˆs-grego (Portugal: Livraria Apostolado,s.d.), 563.
[33]
A constru‡ão frasal da l¡ngua original difere da portuguesa, apresentando ap¢s
o verbo “salvar”( åώåàς ) o adjetivo pronominal ordinal – que
aparece no acusativo- ( ëîύçîρον / deuteron ), o que indica uma
repeti‡ão da a‡ão verbal. B rbara Friberg e Timothy Friberg. O novo testamento grego anal¡tico, 736.
Ver Fritz Rienecker, 599. Para coment rio semelhante ver: Francis D. Nichol.
ed., “El Se¤or” e “Despu‚s”, Coment rio b¡blico adventsta del s‚ptimo dia
(CBASD), (Buenos Aires: Casa Editora Sudamericana, 1996), 7: 723. Os
descrentes faziam parte da comunidade que havia sido salva, mas a salva‡ão não
era para eles. Estes foram postos sob julgamento. Se, como Paulo ensina, estes
antigos eventos forma lembrados na escrita de admoesta‡ão, então n¢s temos uma
solene advertˆncia aqueles indiv¡duos que não escaparão de serem percebidos na
multidão. Um membro descrente da igreja não participa na salva‡ão do crente. Ronald A. Wara. The epistles of John and Jude (Grand Rapids, MI: Baker Books House,
1970), 79.
[34] Bo Reicke. “v.5a ” The epistles of
James, Peter and Jude”. The anchor bible
(Gorden City, NY: Doubleday & Company, 1978), 199.
[35] Nesse livro h um relato de duzentos anjos que entraram em uma conspira‡ão para abandonarem o c‚u, descer … terra e entrar em união sexual com mulheres. Por causa do mal que eles trouxeram para o mundo, Deus enviou os arcanjos Rafael e Gabriel … terra para prender os anjos rebeldes e os confinar em regiões inferiores de trevas at‚ o dia do ju¡zo. Esta forma de usar uma ilustra‡ão de um livro não can“nico não constitui grande problema. Judas usou esta hist¢ria dos anjos ¡mpios para ilustrar o ju¡zo de Deus contra os homens ¡mpios de sua ‚poca. Clifton J. Allen.ed.,”vv. 5-7”. Coment rio b¡blico broadman (Rio de Janeiro: Junta de Educa‡ão Religiosa e Publica‡ões, 1990), 12: 279. Ver “los hijos de Deus”. CBASD, 1: 262
[36] O termo grego ( àρχήν ) significa “dom¡nio”, “oficio”, “autoridade”. Esta palavra pode indicar ou o oficio dos anjos ou seu dom¡nio, isto ‚, a esfera de dom¡nio ou ainda, pode indicar o estado espiritual em que foram criados. Fritz Rienecker, 599.
[37] Esta declara‡ão implica que eles tornaram-se descontes e voluntariamente preferiram mud -la por qualquer um. Edmond Hiebert, 234.
[38] O verbo “çîçήρηκîν” aqui aparece no tempo perfeito do modo indicativo. Este tempo combina a a‡ão pontilear ( . ) e a durativa ( __ ) para expressar geralmente no indicativo o efeito ou o estado no presente como resultado de uma a‡ão no passado . Louren‡o Stelio Rega, 123. A palavra ‚ usada aqui num sentido negativo com a id‚ia de puni‡ão. Fritz Rienecker, 599.
[39] Ronald A. Ward, “v. 6”, 81.
[40]
A infƒmia que dominou estas cidades tem feito os nomes de “Sodoma e Gomorra”
prov‚rbio para a grosseira imoralidade. Isto ‚ ilustrado pelo fato que algum
judeu ou cristão algum tempo antes da erup‡ão de 79 a.D, rabiscou sobre um muro
em Pomp‚ia: “Sodoma Gomorra”. E. M. Blaiklock, “Sodom”. Zondervan pictorial bible dictionary ( Grand
Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1963), 800.
[41] Esta terceira e final li‡ão adverte contra a imoralidade sexual, uma advertˆncia que envolve algo mais que homossexualidade, e sim o desejo de sexo com seres sobrenaturais, uma fascina‡ão doentia. Semelhante atitude não era estranha para os primeiros anos do 1§ s‚culo, pois haviam ritos de fertilidade nos quais aos devotos era prometida a participa‡ão na vida dos deuses e deusas, o que seria uma das pr ticas destes falsos mestres. Fred Cradock, “v. 7”, 139.
[42]
Ritos de fertilidade nos quais aos devotos eram prometidos participa‡ão na vida
de deuses e deusas eram largamente difundidos. A no‡ão de sexo como ato espiritual
havia perecida na terra. Ibid. Com base no estudo da expressão “outra carne” (sarkos heteras), Crnsfield endossa a
opinião de Cradock. C. E. B.
Cranfield, “I and II Peter and Jude”, Torch
bible commentaries (London: SCM Press, 1960), 159-0. Huther sugere
que a referˆncia ‚ ao intercurso com animais (LV 18.23). John Huther, “Critical and Exegetical Handbook
to the General Epistles of Peter and Jude”, Meyer’s
critical and exegetical commentary on the new testament (Edinburgh: T&T
Clarck, 1881), 408. J Lenski toma o termo para significar homens que
eram estranhos aos sodomitas. R.
C. H. Lenski. The interpretation of the
epistles of St. Peter, St. John
and St. Jude (Columbus, Ohio: Lutheran Book Concern, 1938), 634.
[43] O fogo que destruiu as cidades era um tipo de ju¡zo que cair sobre os rebeldes. O termo usado “puni‡ão” ( dikēn ) tem significado prim rio de “reto” ou “justi‡a” e denota a execu‡ão de uma senten‡a em total acordo com as demandas da justi‡a divina. A puni‡ão divina dos pecados não ‚ arbitr ria, mas sim vindicativa. Edmond Hiebert, 239. O fogo a muito deixou de arder, por‚m seus efeitos continuam. Francis D. Nichol. ed., “fogo eterno”, CBASD, 7: 724.
[44] D.A. Carson, 514.