Escola Bíblica
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CAT6227
A
que tipo de Lei Paulo refere-se em Romanos 3:31?
“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei”. (Romanos 3:31 RA).
Certa vez um oponente à lei de Deus em mais um desses sites dos chamados “Centros Apologéticos” teve a ousadia de escrever que a lei moral mencionada em Romanos 3:31 foi abolida. Na sua desesperada tentativa de ‘explicar’ o que já foi “explicado” pelo apóstolo Paulo, que tinha “prazer na lei de Deus” (Rm 7:22), distorceu alguns versos das Escrituras ,em especial o texto de Hebreus 7:12 (veremos adiante) e categoricamente afirmou:
“então vemos que, de acordo com os Adventistas, que
afirmam que em Rm 3:31 a lei é o decálogo, então o é aqui também, pois pode até
ser o mesmo Paulo que esteja falando. Sendo assim, inclusive o decálogo foi
mudado”.
Como disse certa vez Arnaldo B. Christianini:
“Mas, para destruir esta blasfêmia – verdadeira perversão das Escrituras – saltam na arena, de arma em riste, entre muitos, o seguintes teólogos, evangelistas e escritores batistas de renome e responsabilidade”[1]:
“SALOMÃO L. GINSBURG (afamado ministro batista),em seu livro O Decálogo ou os Dez Mandamentos, págs. 4 e 7, diz claramente: “As idéias que alguns fazem da lei de Deus, são errôneas e muitas vezes perniciosas. O arrojo ou a ousadia dos tais, chega a ponto de ensinar ou fazer sentir que a Lei já foi abolida... Os que ensinam a mentira de que a lei não possui mais valor... ainda não leram com certeza os versículos que nos servem de texto (S. Mat. 5:17-19). Deus não muda, nem o seu poder, nem a sua glória; os seus preceitos são eternos
“Vamos mais longe: essa Lei é a base da moralidade social, e será crível que tal base seja abolida, isto é, que se mate, adultere, furte calunie? Não! Essa Lei é toda digna de nossa admiração, respeito e acatamento.
“Jesus veio pôr em prática a Lei e não abolir
“Tão grave se lhe afigura a tese da abolição da lei, que ele a estigmatiza com o verbete terrível: mentira. Chama, sem rebuços, de mentirosos os que sustentam a tese da abolição da lei”[2].
“WILLIAM C. TAYLOR (ministro, escritor e mentor batista de grande projeção) referindo-se também especificamente ao decálogo, no opúsculo de sua autoria Os Dez Mandamentos, entre outras coisas relativas à imutável e inab-rogável lei moral, diz: “Seria uma bênção se cada púlpito no mundo trovejasse ao povo a voz divina do Decálogo, pois a Lei é o aio para guiar a Cristo.
“A lei aqui não é a lei civil, nem a de Israel.Não se trata de cerimônias levíticas. Trata-se de religião, no seu âmago moral, e especialmente trata-se do pecado, de criar uma consciência acera do pecado...
“O decálogo fica. A lei de ordenanças morre na cruz do Calvário e é destruída por Tito, na queda de Jerusalém.
“Os Dez Mandamentos são quase todos repetidos no Novo Testamento ...são aumentados e reforçados no cristianismo” – págs. 5,6 e 42.
“Para Taylor, os mandamentos do decálogo não foram abolidos.
E diz que, além da lei moral, há lei civil e cerimonial. Não há, portanto, uma
só lei, pois distingue inequivocamente os vários códigos...
“A. HOPKINS STRONG (eminente teólogo Batista), em seu conhecido tratado Systematic Theology, vol. 2, pág. 408, diz: ‘Nem tudo na lei mosaica está abolido na cruz. Cristo não encravou em Sua cruz nenhum mandamento do Decálogo”[3].
Na página 548 do mesmo livro, comenta Strong acerca de Romanos 3:31:
“A graça deve ser entendida, contudo, não como abolindo a lei, mas como estabelecendo- a (Rom. 3:31 ‘estabelecemos a lei’)”.
Tal pastor do centro apologético certamente desconhece tais comentários para fazer afirmação tão errada acerca do decálogo.
“CHARLES H. SPURGEON (célebre pregador batista), em um sermão pregado em Londres, em 1898 e publicado na íntegra no jornal australiano Melbourne Age, disse claramente com relação ao Decálogo: “A lei de Deus é perpétua. Nela não se admite ab-rogação ou correção. Não deve ser alterada ou ajustada à nossa condição pecaminosa: mas cada um dos justos preceitos do Senhor permanece para sempre... Para mostrar que Ele jamais pensou e ab-rogar a lei, nosso Senhor Jesus exemplificou todos os seus preceitos em Sua própria vida”.
“Mais ainda. Esse mesmo pregador de fama mundial, em seu célebre sermão publicado The Perpetuity of the Law of god (A Perpetuidade da Lei de Deus), págs. 4 e 5, diz: “Jesus não veio para mudar a lei, mas sim para explicá-la, e justamente por essa circunstância mostra que ela permanece; visto não haver necessidade de explicar o que é abolido. Com essa exemplificação, Ele a confirmou.
“Se alguém me diz: ‘Eis que em substituição aos Dez Mandamentos recebemos dois, que são muito mais fáceis, responder-lhe-ei que essa versão da lei não é de maneira alguma mais fácil. Uma tal observação implica falta de meditação e experiência. Esses dois preceitos abrangem os dez, em seu mais amplo sentido, não podendo ser considerados exclusão de um jota ou til dos mesmos’.
“BILLY GRAHAM, considerado o maior evangelista da atualidade[4], batista e fundamentalista, assim se expressou sobre a lei de Deus. Reproduzimos a pergunta específica de um repórter e conseqüente resposta textual , como estão na coluna de um jornal londrino, e reproduzido em Signs of the Times de 23-8-1955, pág. 4:
“Pergunta: Mr. Graham, alguns homens religiosos que conheço dizem que os Dez Mandamentos são parte da ‘lei’ e não se aplicam a nós hoje. Dizem que nós, como cristãos, estamos ‘livre da lei’. Está certo?
“Resposta: Não, não está certo, e espero que V. não seja desencaminhado por essas falsas opiniões. É de suma importância compreender o que quer dizer o Novo Testamento quando afirma que estamos ‘livres da lei’. Como é evidente, a palavra ‘lei’ é usada pelos escritores do Novo Testamento em dois sentidos. Algumas vezes ela se refere à lei cerimonial do Velho Testamento,que se relaciona com matéria ritualística e regulamentos concernentes a manjares, bebidas e coisas deste gênero. Desta lei, os cristãos estão livres na verdade. Mas o Novo Testamento também fala da lei moral, a qual é de caráter permanente e imutável e ESTÁ SUMARIADA NO DEZ MANDAMENTOS’. (grifos nossos).
“Para esse evangelista, que fala aos maiores auditórios do mundo, a lei de Deus está em vigor, e o Decálogo é um código distinto de outras leis que caducaram.
“Sabemos que os autores supracitados eram ou são observadores do domingo e adversários dos adventistas do 7o dia. (com exceção de Billy Graham que, em várias oportunidades se mostrou amigo dos adventistas). Mas o que é irrefutável é que não advogam a tese da abolição da lei, consideravam o decálogo em vigor e distinguiam as várias leis da Bíblia. E no tocante à vigência da lei de Deus, condensada nos Dez mandamentos, preferimos concordar com estes abalizados mentores batistas, a crer nas infelizes distorções textuais de Canright[5], endossadas pelos modernistas de todos os quilates.
“Ainda subsidiariamente poderíamos citar Weslwy, Moody, Adam Clarke, Albert Barnes e inúmeros outros autores evangélicos...[6]
Talvez o teólogo do centro apologético possa não concordar com os comentários dos ilustres batistas[7]. A seguir irei expor comentários de pastores de sua própria igreja sobre o assunto:
Pr.
Myer Pearlman, pentecostal, professor de muitos pastores, inclusive do Pr. N.
Lawrence Olson, que foi por muitos anos o orador do Programa de Rádio A Voz
das Assembléias de Deus, assim se expressou:
“Os mandamentos representam a expressão décupla da vontade de Jeová e a norma pela qual governa seus súditos”. “Através da Bíblia”, pág. 27.
“O homem não pode entender verdadeiramente a Cruz de Cristo sem primeiro entender a Lei de Deus. O pecado é a transgressão da lei pela qual Deus governa, e esta declara que estamos sob a sentença de condenação. O homem é um criminoso diante do tribunal de Deus;... Quando olhamos para a Cruz e vemos Cristo morrendo ali, somos admoestados pelas Escrituras a nos ver, não só perdoados por causa do sangue derramado, mas também condenados á morte em Cristo. Aqui a Lei e a Cruz combinam em divina harmonia. Tanto a Lei de Deus quanto a Cruz de Cristo condena á morte o velho eu egoísta” – (Mesmo autor) “A Lei é Santa”, págs. 136 e 137.
“Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma”. (Pr. Myer Pearlman – Teólogo Assembleano) – “Conhecendo as Doutrinas da Bíblia”, pág. 91.
Veja estas declarações acerca do sábado:
“O Sábado é de obrigação perpétua como memorial instituído por Deus, de sua atividade criadora. A exigência do Sábado é anterior á época do Decálogo, e forma uma parte da lei moral. Feito na criação aplica-se ao homem como homem, em toda a parte e em qualquer tempo, em seu presente estado de existência”[8].
O Pr.
Harold J. Brokke é bastante enfático, e categórico, ao dar uma resposta a esta
questão. Ele proclama "em alto e bom som":
"É
possível que alguém imagina que a transgressão desse quarto mandamento é menos
grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade, porém, é que quem se
dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração a inclinação de
transgredir um ou mais dos outros mandamentos. ...
"Por
que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo! Segue-se aqui o
mesmo princípio de não furtar porque não é justo." — Ob. Cit., págs.
58 e 59.
Referindo-se
a 1 João 2:2-6 e 5:2 e 3, o Pr. Pearlman escreveu, apropriadamente, estas
palavras:
"O
nosso amor a Deus encontra a sua manifestação na observância de Seus
mandamentos. ... Obediência aos mandamentos de Deus em imitação de Cristo. ...
Assim sendo, ele [o apóstolo João] ordena aos homens que dêem prova do seu
conhecimento de Deus. Para saberem de certo se têm ou não o conhecimento de
Deus, a prova é simples — guardam os mandamentos de Deus?" — Através da
Bíblia, págs. 344 e 341.
Isso
está perfeitamente de acordo com as palavras do Senhor Jesus, em João 14:15 e
21, que diz:
"Se
Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. ... Aquele que tem os Meus
mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de
Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele."[9]
A lei de Romanos
3:31.
Como visto anteriormente (pág. 2 e 6
deste estudo), o comentarista Batista Strong concorda com a posição Adventista
– e Bíblica – de que a lei de Romanos 3:31 não foi ab-rogada; isto porque é a
Lei Moral de Deus, uma transcrição de seu caráter justo, santo, imortal e
eterno.
“No
texto grego “lei” não está precedida do artigo “a”. Paulo usa o termo “lei” sem
o artigo definido “a”. Na Epístola aos Romanos “lei” aparece umas 35 vezes com
o artigo e umas 40 vezes sem ele. O
problema de identificar a que lei em particular se faz referência em cada
passagem, tem sido o tema de muitos debates durante longos anos. Para pisar sobre terreno firme, digamos que
nenhuma decisão final deveria basear-se meramente tendo em conta a presença ou
a ausência do artigo para saber se faz-se referência aos Dez Mandamentos, ou à
lei cerimonial ou a algo diferente. Sem
embargo, parece que geralmente se concorda em que a ausência do artigo
determina que a ênfase foi colocada principalmente sobre “lei” como um
principio abstrato e universal. Quando
está presente o artigo, a ênfase recai sobre “a lei” como sobre um código
especial e concreto.
“Como
não há uma regra precisa e singela para determinar a identidade da “lei”
mediante a presença ou a ausência do artículo definido, o mais prudente talvez
seja depender maiormente do contexto para saber qual é a conclusão a que deve
chegar. Em cada passagem importante
onde figure “Lei” ou “a lei’ se mencionará se o artigo está presente ou ausente
no texto grego. Depois se considerará o contexto para que ajude a determinar se
faz referência à lei moral, ou à lei cerimonial, ou lei como um princípio, ou a
outros aspectos da lei.
“No versículo que comentamos não
está o artigo, por tanto a passagem poderia entender-se como uma declaração do
princípio de que os que tem pecado contra uma lei serão julgados pela lei, e
que os que tem pecado sem lei, perecerão sem lei. Sem embargo, pelo contexto é
evidente que Paulo também alude ao código de conduta moral revelado ou escrito,
contra o qual têm pecado os judeus.
Fundamentalmente esta é a lei moral, os Dez Mandamentos; porém Paulo também pode haver tido em conta
todo o sistema do AT que consistia em instruções, regras e normas de conduta
moral que se baseavam nos Dez Mandamentos (ver PP 496-497). Os que têm tido o privilégio de conhecer
esta lei e sem restrições têm pecado contra uma expressão tão clara da vontade
de Deus, devem receber um castigo maior que os que tem tido menos
instrução. A severidade do castigo
corresponde com a medida da culpabilidade, e a medida da culpabilidade depende
da magnitude das oportunidades. Na Bíblia se ensina claramente que há
diferentes graus de castigo (Mat. 11: 21-24; 12: 41-42; Luc. 12: 47-48)”[10].
“
‘...Não, de maneira nenhuma...’. Essa negativa, que no grego é ‘me genoito’,
significa ‘sob hipótese alguma’, ‘nem se conceba’. Essa expressão é usada por
dez vezes neste epístola aos Romanos, e sempre com a idéia de forte aversão por
alguma idéia errônea, numa negação enfática das mais fortes”[11].
“No
texto grego “lei” não está precedida do artigo “a” ... Paulo havia dito que a
justiça de Deus se tem manifestado “independente da lei” (cap. 3: 21) e que o
homem é justificado pela fé “à parte das obras da lei” (vers. 28). É evidente que compreendia que estas
afirmações suas poderiam fazer crer falsamente que a fé anula o princípio de que
haja uma lei, e por isto o apóstolo faz esta pergunta retórica, e se apressa a
dar-lhe resposta com uma negativa imediata e categórica. É certo que Paulo “invalidou” a idéia
judaica de que a lei era um meio para obter a justificação, e a insistência, também
judaica, de que os gentios deviam submeter-se ao mesmo método (Atos 15: 1; Gál.
2: 16-19). Porém a lei, antes que ser
ab-rogada, é confirmada em sua verdadeira função mediante o método disposto por
Deus para justificar aos pecadores (ver com.
Rom. 3: 28).
“Confirmamos
a lei” - “Paulo enfatiza o lugar da lei como um princípio e particularmente, no
contexto deste capítulo, como está incorporada na lei revelada do VT. Ele já se referira ao testemunho do VT dos
ensinamentos que em breve deveriam tornar-se conhecidos no NT (vers. 21). Agora assinala que a lei, vista como uma
revelação da Santa vontade de Deus e dos eternos princípios de moralidade, está
inteiramente vindicada e estabelecida pelo Evangelho de justificação pela fé em
Jesus Cristo. Jesus veio a esta terra
para magnificar a lei (Isa. 42: 21; cf. Mat. 5: 17) e para provar pela Sua vida
de obediência, que o cristão pode, mediante a fortalecedora graça de Deus,
obedecer à Sua lei. O plano de justificação pela fé revela a consideração de
Deus por Sua lei demandando e providenciando o sacrifício expiatório. Se a
justificação pela fé ab-roga a lei, então não haveria necessidade da morte
expiatória de Cristo, para libertar os pecadores de seus pecados e restaura-los
assim à paz com Deus.
“Além
disso, a fé genuína traz em si uma prontidão sem reservas para cumprir a
vontade de Deus em uma vida de obediência à Sua lei... A fé real, baseada em
amor de todo o coração pelo Salvador, somente pode levar à obediência. O fato
de ter Cristo suportado tais sofrimentos por causa de nossa transgressão da lei
de Deus é um dos motivos mais poderosos para a obediência. Nós não seguimos um
rumo de conduta que deixe nossos amigos terrenos em calamidade facilmente e de
bom grado. Igualmente só podemos odiar os pecados que infligiram tais dores
sobre o incomparável Amigo. Uma das maiores glórias do plano da salvação é que,
enquanto o plano torna possível a justificação do pecador mediante a fé, provê
também poderosas influências para leva-lo a um desejo de obedecer.
“O
plano da justificação pela fé coloca a lei no seu devido lugar. A função da lei é a de convencer do pecado
(v. 20) e revelar o grandioso padrão de justiça. O pecador que se confronta com
a lei, não vê apenas seu pecado; ele vê também sua falta de qualidades
positivas. A lei o leva então a Cristo e ao Evangelho (Gál. 3:24). Portanto a
fé e o amor produzem uma nova obediência à lei de Deus, a obediência que brota
da fé (Rom. 1:5; 16:26), a obediência do amor (cap. 13;8,10).
“O
Conflito final na grande controvérsia entre Cristo e Satanás será sobre a
questão da autoridade e função da lei divina. O último grande engano que
satanás trará sobre o mundo é o de que não se faz mais necessário dar completa
obediência à todo preceito da lei do Senhor (Apoc. 12:17; 14:12; cf. DTN, pág.
569).
“S.
Paulo diz de modo claro e insofismável: ‘Anulamos a lei pela fé? De
modo nenhum, antes ESTABELECEMOS a lei’. Mas o oponente desafia a S.
Paulo... Preferimos ficar com o apóstolo S. Paulo. A lei mencionada nos
primeiros capítulos de Romanos, inclusive o 3o, é a lei moral¸
decálogo, queira ou não o nosso confuso oponente. Rom. 2:21 e 22, fala do
decálogo (não furtar, não adulterar, não praticar idolatria). Rom. 3:20 explica
que “pela lei vem o conhecimento do pecado” (A alusão circunstancial à
circuncisão, ou incircuncisão, é a judeu e gentio, pois o verso 30 diz que
tanto um – o circunciso – como o outro – o incircunciso – só se justificam pela
fé). Rom. 7:7 e 8 há alusão inequívoca ao decálogo. Porque não o seria
no texto em lide?”.[12]
Que dizer de Hebreus 7:12?
“Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei”. (Hebreus 7:12 RA).
Eis a conclusão do oponente acerca da santa lei de Deus e do ponto de vista Adventista: “...de acordo com os Adventistas, que afirmam que em Romanos 3:31 a lei é o decálogo, então o é aqui também (Em Hebreus 7:12)... Sendo assim, toda a lei, inclusive o decálogo, foi mudado”.
A seguir veremos o quanto esta conclusão não vem apoiada de
um insofismável “Assim Diz o Senhor”, mas sim de um obstinado “Assim Diz o Ser
Humano”:
“A lei ordenava que unicamente os levitas podiam servir no
tabernáculo e que só os filhos de Arão podiam ser sacerdotes... Se fosse eleito
um sacerdote de outra tribo (vers. 13) haveria sido necessário mudar a lei, e
com isto se houvera introduzido uma nova ordem de coisas (cap. 8: 13)”.[13]
Esta lei neste texto de Hebreus refere-se à Lei do
Sacerdócio Levítico; nem de perto faz menção ao decálogo, os Dez Mandamentos.
“A Epístola aos Hebreus trata quase
exclusivamente do ritual do santuário, da função sacerdotal, e da exaltação de
Cristo como Sumo Sacerdote. Basta ler o livro para ver que não alude ao
decálogo. As pouquíssimas alusões indiretas a ele são acidentais; mesmo assim
não cabe, nem remotamente, a idéia obtusa de que foi abolido”.[14]
Portanto, a tentativa do oponente em
‘dizer’ que a lei mencionada em Hebreus é a moral fica pulverizada pela própria
Bíblia; o contexto de Hebreus, o objetivo pelo qual foi escrito o livro, jamais
apoiaria a conclusão de que a lei moral foi abolida.
O autor desonestamente (talvez em
sua ignorância do assunto... só Deus pode avaliar seus objetivos...) juntou o
texto de Romanos 3:31 com o de Hebreus 7:12 a fim de apoiar sua crença na
abolição da lei. Isto é injustificável pelo fato de que ao estudarmos um verso
em seu contexto devemos usar outros textos que tratem do mesmo assunto.
A Bíblia de Estudo Plenitude
(note-se que os comentaristas desta Bíblia de estudo não são Adventistas) fez o
seguinte comentário acerca do texto de Romanos 3:31, em uma de suas notas de
rodapé:
“As leis morais de Deus não são
abolidas pelo evangelho de Cristo. Ao invés disso, todo o plano de salvação,
incluindo a obediência de Cristo à lei por nós e sua morte para pagar a
penalidade por termos violado a lei, mostra que os padrões morais de Deus são
eternamente válidos”.
Não há necessidade de dizer mais
nada sobre Romanos 3:31...
Paulo e a Lei.
O Apóstolo Paulo era contra a lei
de Deus?
Assim
como o seu Deus Jesus Cristo (ver Mt 5:17-19; Lc 16:17; Jo 14:15; Jo 15:10; Mt
19:17-19, etc) o apóstolo Paulo de forma alguma poderia ser contra a lei moral
de Deus.
Certo
é que em algumas ocasiões ele demonstrou-se contra:
-
A vigência da lei cerimonial (Ef 2:13-15; Cl
2:14-16, etc)
-
A maneira errada como era observada a lei moral.
(no caso dos Gálatas e em outras ocasiões).
“O
que Paulo fez foi condenar terminantemente crenças errôneas dos judeus como as
seguintes: a lei para eles era equivalente ao plano divino para a salvação do
mundo; o homem era aceito por Deus guardando os mandamentos”[15]
Que o
apóstolo nunca foi contra a lei Moral de Deus consubstanciada nos Dez
Mandamentos é evidente pelos seguintes textos:
TEXTO 1.
“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus”. (Mateus 5:17-19 RA).
Se Jesus não era contra a lei (disse para não mudar uma
letra sequer) Paulo também não o seria.
TEXTO 2.
“Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (Atos 24:14 RA).
Paulo, mesmo sendo um crente na salvação pela graça, acreditava em
“todas as coisas que estavam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas”.
Sendo assim, ele nunca foi contra a lei (o Pentateuco), inclusive a guarda do
sábado bíblico, que remonta da criação do mundo sem pecado.
“Paulo desmente desta forma o argumento de que o antigo testamento tem
perdido seu valor para os cristãos. Todos os que como Paulo fixam seus olhos em
Cristo para a salvação, fariam bem em imitar seu exemplo de crer em “todas as
coisas que na lei e nos profetas estão escritas” (ver Lc 24:27)”[16]
TEXTO 3.
“Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados”. (Romanos 2:13 RA).
Paulo não defende aqui a justificação pelas obras.
“Do Comentário Adventista merece destaque esta parte:
“Justificados. Ou ‘considerados justos’, ‘declarados justos’. Paulo está ainda contrastando a posição no julgamento daqueles que conhecem a vontade de Deus, e ainda assim são relutantes em obedecer-lhe, com a posição daqueles que não somente conhecem a vontade de Deus mas a ela se submetem totalmente. Que tal obediência pode vir somente através da fé já tem sido mencionado na epístola (cap. 1:5, 17; conf. cap. 3:20). Este verso dá mais ênfase ao fato de que os homens são julgados, não pelo que eles alegam saber ou professam ser, mas pelo que realmente fazem (cap. 2:6)”.
“O objetivo de Paulo é condenar o procedimento daqueles que pensam que por serem conhecedores da lei podiam alegar justiça diante de Deus. Adverte-os de que necessitam praticar a lei conforme o seu conhecimento. Em outras palavras orienta os seus leitores para esta verdade: a justificação pela fé não nos desobriga do cumprimento da Lei ou das orientações dadas por Aquele que justifica”[17].
TEXTO 4.
“E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!” (Romanos 6:15 RA).
Pelo fato de não estarmos “debaixo da lei” isto não
significa que possamos continuar pecando, ou seja, transgredindo abertamente a
Lei de Deus. “Pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4) e a conseqüência do
mesmo é a morte do pecador (Rm 6:23), pois desobedecer conscientemente à lei de
Deus é tornar-se escravo do pecado (I Jo 3:4) e torna-se seu servo (Jo 8:34).
Se formos servos de obediência ao pecado, iremos morrer; sendo servos de
obediência à lei seremos servos para a justiça (Rm 6:16).
Paulo diz que, “uma vez libertos do pecado” (Rm 6:18),
fomos feitos “servos da justiça” (Idem, última parte). Isto claramente ensina
que a graça de Cristo, ao libertar-nos do pecado, não nos dá a liberdade de
sermos transgressores conscientes.
Ser servos da justiça significa termos um caráter reto. “Os
atos de obediência produzem hábitos de obediência, e tais hábitos constituem um
caráter reto”[18].
“Muitos evangélicos citam a expressão de Paulo – “não
estamos debaixo da lei” (Rm 6:14-15; Gál 5:18) querendo significar que a lei
moral foi abolida.
“Os Adventistas ensinam que “debaixo da lei” significa
“debaixo da condenação da lei”. Não estar debaixo da lei não quer dizer estar
desobrigado de cumpri-la, mas sim não ser culpado de sua transgressão. A única
maneira de não estarmos debaixo da lei é cumpri-la. Se transgredirmos uma lei,
incorremos em multa, prisão, ou qualquer punição enfim.
“A graça divina não erradica a lei dando ao homem licença
para pecar. Isto é amplamente expresso em Romanos 6-8”[19]
“O texto diz que não estamos debaixo da “maldição da lei”. Isto quer dizer que não estamos debaixo da “condenação” da mesma, que é a morte eterna. Note que Paulo fala que fomos libertados da maldição (morte) e não da guarda. Devemos obedecer aos mandamentos não para sermos salvos, pois a graça de Jesus nos salvou; mas sim, obedecer por amor, demonstrando que aceitamos tal salvação. A obediência por amor demonstra o tipo de fé que temos, se é uma fé forte e verdadeira (pela obediência) ou se é fraca e falsa (pela desobediência)”.
O próprio Apóstolo Paulo disse que “tinha prazer na lei de Deus” (Romanos 7:22)[20]
Vejamos este outro estudo
sobre a passagem:
“Leiamos
tal como está escrito, o texto que é chave deste estudo: ‘Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais
debaixo da lei, e sim da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos
debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!’ (Romanos 6:14-15 RA).
Descobrimos imediatamente que, fosse o que fosse que Paulo desejasse
compreendêssemos por meio desta passagem, não queria ele que concluíssemos que
o reino da graça nos liberta da lei. “E daí?” diz ele; “havemos de pecar”, isto
é, quebrantaremos a lei, “porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da
graça? De modo nenhum”.
“O
versículo imediato torna claro que estar “debaixo da lei significa estar
debaixo da sua condenação, e que estar “debaixo da graça” significa estar
vivendo debaixo do plano que Deus ofereceu para salvação do domínio do pecado.
Essa é a razão pela qual Paulo assevera: “Não
sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse
mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da
obediência para a justiça? E, uma vez libertados do pecado, fostes feitos
servos da justiça”. (Romanos 6: 16 e 18 RA).
“O contraste está entre ser servos “do pecado” e servos “da
obediência pra justiça”...”[21]
Podemos comparar a lei ao um espelho. Quando estamos
com nosso rosto sujo, vamos ao espelho a fim dele nos mostrar onde está a
sujeira. Se não tivéssemos o espelho, não saberíamos que estamos sujos. O
espelho não limpa; apenas mostra onde estamos sujos; quem limpa é
a água.
O mesmo se dá com a lei. Ela serve para nos mostrar
o pecado, mas não limpa. Quem limpa é Jesus Cristo através de sua
graça.
Assim como ao nos limparmos não devemos jogar fora o
espelho após ele nos mostrar a sujeira, não devemos jogar fora lei após ela nos
mostrar a sujeira do pecado. Se o fizermos, não teremos mais o espelho
que nos mostra onde está o pecado para podermos ir a Cristo, que nos limpa do
pecado.
A lei é um padrão moral estabelecido por Deus para nos proteger.
Fazemos nossas palavras a palavra do Pr. Batista Strong:
“A graça, contudo, não deve ser entendida como se ab-rogasse a lei, mas sim como reafirmando-a e estabelecendo-a (Romanos 3:31 ‘estabelecemos a lei’). A graça assegura o perfeito cumprimento da lei, removendo da mente de Deus os obstáculos do perdão, e habilitando o homem a obedecer (Romanos 8:4 ‘para que a justiça da lei se cumprisse em nós’).”[22]
TEXTO 5.
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”. (Hebreus 10:26-27 RA).
“A flexão do verbo grego que se usa indica continuar
pecando voluntariamente. "Se continuamos pecando deliberadamente”
Quando vivemos em um estado contínuo de rebelião contra
Deus (temos uma disposição mental rebelde), estamos negando a Cristo e
certamente entraremos em Juízo[23]
O texto é uma prova inequívoca de que ao aceitarmos a graça do Senhor, não devemos manter uma disposição de rebeldia contra Deus pecando conscientemente e constantemente.
TEXTOS 6 E 7.
“Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom”. (Romanos 7:12 RA).
“Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa”. (Romanos 7:16 RA).
Como uma lei santa, que possui mandamentos bons, santos,
justos e bons pode ser uma abolida?
Paulo está confirmando o que aprendeu lendo nas Escrituras
do AT.
“A lei[24] do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos”. (Salmos 19:7-8 RA).
“A tua justiça é justiça eterna, e a tua lei é a própria verdade”. (Salmos 119:142 RA).
“A minha língua celebre a tua lei, pois todos os teus mandamentos são justiça”. (Salmos 119:172 RA).
Pode-se ver claramente que o apóstolo extraiu e aprendeu
estes conceitos no livro de Salmos; isto é uma forte indicação de que os
Escritos dos Profetas (conhecidos como Antigo Testamento, o que na verdade não
o é) não foram abolidos. Veja a semelhança entre os textos.
“Permita-me repetir as palavras de Paulo mais uma vez: Lei
Santa, Lei justa, Lei boa. É inegável que Paulo faz alusão a leis
diferentes, porque jamais poderia afirmar que uma lei boa não presta e seja boa
ao mesmo tempo. Que foi anulada, e é santa, justa e boa. Que é maldição e que
tenha uma promessa de longa vida ao se observa-la”[25].
Se a lei é boa, é certo concluirmos que ela contribui para que homem
torne-se espiritual.
Uma lei Santa e boa não pode ser considerada o “ministério da morte” (2
Co 3:7) como quer o opositor. Na Bíblia jamais poderia haver tal contradição.
Quando achamos vemos uma ‘contradição’ nas Escrituras o erro está em nós e não
no livro sagrado.
Voltemos à questão de ser a lei ou não o ‘ministério da morte’
mencionado em 2 Co 3:7. O oponente afirma que “o ministério da morte era os Dez
Mandamentos”. Estudando porém o contexto do verso e outros textos paralelos do
apóstolo Paulo onde lei é exaltada por ele, vê-se a infelicidade desta
declaração. O apóstolo disse que a lei é “santa, e o mandamento santo, justo e
bom” (Rm 7:12) e “o que é bom de modo nenhum se tornou em morte” (v. 13). Se o
mandamento do Senhor “não se tornou em
morte”, chega-se à fatal conclusão de que o “ministério da morte” não é
a lei moral.
Antes de estudarmos a expressão “ministério da morte”, faremos um breve
estudo acerca do que é o “Novo Concerto”.
Há uma grande confusão na cristandade acerca do Novo Concerto. Acham
que pelo fato do Velho Concerto ter sido abolido, a lei dos Dez mandamentos
também o foi; sendo assim, se estamos no Novo Concerto, não precisamos mais
observar a lei de Deus. Mas isto está longe de ser verdade, conforme veremos a
seguir em um estudo feito pelo escritor Arnaldo B. Christianini:
“Afirmamos que os Dez Mandamentos eram a base do velho concerto, como
igualmente o são do novo. Os oponentes, tomando o conteúdo pelo continente,
concluem que se o velho concerto caducou, também caducou a lei de Deus. Mas não
é assim.
“De fato, em Deuteronômio 4:13 se afirma que os Dez Mandamentos (dez
palavras, no original) eram o concerto, porém essa maneira de expressar é um
modismo[26]
hebraico. Do mesmo modo Moisés dissera aos israelitas: “... eu tomei o
vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei”. Deut. 9:21. Em
linguagem exata, o pecado era o volver deles para um falso deus – um ato da
vontade rebelde – mas o bezerro era a base daquele pecado, era apenas
aquilo em relação ao qual fora o pecado cometido. Assim também, o concerto fora
feito pela vontade dos israelitas em resposta a Deus (Êxo. 19:5-8); os
dez mandamentos eram a base – o ponto de referência sobre o qual fora o
concerto feito. Esta é a legítima relação do decálogo com o concerto. Nada
mais claro.
“Por aquele concerto, Israel prometera guardar o decálogo. O
concerto dependia do
decálogo, mas o decálogo não dependia do concerto. Sem dúvida, o concerto – o trato que Israel
fizera – podia ser quebrado um milhão de vezes, porém isto não afetaria a
lei de Deus...vamos ilustrar esta verdade. Um estrangeiro pode prometer
guardar a lei do nosso país, sob a condição de que seja aceito como um cidadão
brasileiro. Há então como que um concerto, uma promessa formal da parte dele, e
aceita pelas nossas autoridades máximas. A lei do país (Constituição, códigos
etc.,) seria no caso a lei que serviria de base a esse convênio ou
promessa. Pois bem, esse indivíduo poderia quebrar sua promessa, ou violar seu
convênio; isso, porém, não aboliria e de modo algum afetaria a lei do país. Ela
permaneceria em vigor quer ele a observasse ou não. O seu convênio dependia da
lei, mas a lei não dependia do convênio.
“A promessa do novo concerto não prediz uma época em que a graça
suplantaria a lei de Deus, mas ao contrário, refere-se claramente a um tempo em
que a lei de Deus seria escrita no coração dos homens, e isto, sem
dúvida, pela graça de Deus atuando nos seus corações. Jer. 31:33; Heb. 8:10;
10:16. Assim é evidente que, longe de ser a lei de Deus abolida, ela é guardada
no interior daquele que recebeu um novo coração. Ela é, portanto, reafirmada,
e não ab-rogada.
“É oportuno lembrar que o insucesso do velho concerto não estava
na lei de Deus, mas no povo. Em Hebreus 8:9 se diz que Deus os repreendeu,
porque eram repreensíveis. A tradução inglesa diz: “Porque sendo eles (o povo)
achado em falta...”.
“O velho concerto era um pacto de obras, feito sobre promessas humanas,
e seu fracasso demonstrou a falibilidade do homem em pretender, por esforço
próprio, guardar os mandamentos de Deus, ou pôr-se em harmonia com a lei do
Céu. Quão significativas as palavras de Paulo, ao dizer que “a inclinação da
carne” – a mente carnal que caracterizou o Israel rebelde – “não está sujeita à
lei de Deus, nem em verdade o pode ser”. Rom. 8:7. Isto significa que, quando,
pelo evangelho, somos transformados do carnal para o espiritual,
então a lei de Deus pode ser escrita em nossos corações, e o novo concerto –
ratificado com o precioso sangue de Cristo – é efetivado em nossa vida. Quem
não tem um novo coração e não se põe em harmonia com a lei do Céu, nunca nasceu
de novo, pois quem vive transgredindo a lei de Deus continua no pecado, porque
“pecado é a transgressão da lei”, segundo a melhor da tradução de I João 3:4 e
o mais autorizado conceito teológico.
“As leis civis e cerimoniais eram derivação de lei de Deus, para os
judeus. Primeiro, porque eram, na época, depositários dos oráculos divinos,
e assim entendemos que, enquanto não surgisse o Messias – o cordeiro de
Deus que Se imolou pelos pecadores – as leis cerimoniais com suas prefigurações
consistentes em símbolos, holocaustos, ofertas, sacerdócio, ritos e
festividades que apontavam para Ele, tinham que vigorar. Em segundo lugar,
porque Israel, como nacionalidade teocrática[27],
tinha o seu código civil de certo modo relacionado ao decálogo.
“Se o velho concerto ligava o Israel literal a Deus, é obvio que,
embora a base daquele concerto fosse o decálogo, logicamente abrangia as
leis acessórias. É elementar que os estatutos civis e cerimoniais eram, para
Israel, acessórios ao decálogo; eles deviam sua existência e significado ao
decálogo, mas este não era dependente deles.
“Sabido é que o novo concerto a rigor, remonta à queda do homem – com
a promessa de redenção que seria efetuada pela Semente da mulher; e que o
concerto fora reafirmado a Abraão, Isaque, etc., e teve sua vigência suspensa
quando os israelitas apresentaram o concerto do Sinai, denominado velho
concerto. Porém o novo concerto foi restabelecido depois da falácia do velho,
sendo eficazmente ratificado com o sangue de Cristo, e extensivo aos gentios,
aos filhos de Deus, ao Israel. Gál.3:29. A base desse pacto da graça
continua sendo a lei de Deus escrita nos corações. Como é evidente, permaneceu
a base, o decálogo. As leis acessórias são peremptas (extintas), pois o código
civil judaico deixou de vigorar desde o ano 70 A.D., e o cerimonialismo com
suas festividades caducou, quando o “véu do santuário rasgou-se de alto a
baixo”.
“É fatal a conclusão de que não há o mais leve indício, na doutrina dos
concertos, de que a lei de Deus tenha sido abolida.
“Que o novo concerto abrange a todos os homens, e que todos os
crentes se unem sob o mesmo está claramente demonstrado em Efésios 2:11-13. Diz
o apóstolo aos crentes de Éfeso (não eram só judeus) que eles em outros tempos
estavam sem Cristo, “estranhos aos concertos da promessa”, mas “agora em Cristo
Jesus...pelo sangue de Cristo chegastes perto”. É disparatada a conclusão de
que o novo concerto se aplica somente ao Israel literal, principalmente pelo
fato de que este povo, como povo de Deus, fora formalmente rejeitado nos tempos
apostólicos, e jamais tornará a ser povo de Deus.
“Não se deve passar por alto o fato de o chamado novo concerto ter
sido feito antes do velho. Era, como foi dito, a promessa da graça
redentora, que provia o perdão dos pecados. Fora feito a Adão, renovado a Noé,
Abraão e a Israel. Ora, se era um concerto que, no entender do autor do livro[28]
desobriga a guarda da lei de Deus, então os patriarcas também não precisavam
guardar os dez mandamentos, por aí se vê como é palpável o absurdo da tese
antinomista construída sobre os concertos.
“A lei ‘dada 430 anos depois’, significa que ela foi dada em forma
escrita ou solenemente promulgada
nessa época, como lembrete a um povo que, pelo convívio com o paganismo, estava
perdendo a noção da vontade divina, porém a lei moral existia desde o
princípio. Ela revela o pecado, portanto, desde que existe o pecado, ela
existe também.
“A lei de Deus consubstancia-se nos dez mandamentos; resume-se no
decálogo, e sua observância subordina-se à aceitação dos homens. Por isso é
chamada a “lei de liberdade” em S. Tia. 2:12. Também Cristo dissera ao mancebo:
“se quereres... guarda dos mandamentos”. Certamente as ordenanças
ritualísticas da lei cerimonial e os preceitos civis não seriam escritos nos
corações, porque tais leis não dependiam do arbítrio dos homens, mas
eram-lhes impostas. Não eram de caráter moral. E note-se que a lei
escrita no coração é a mesma lei que Jeremias conhecia seiscentos
anos antes de Cristo. E isto vem em abono da permanecibilidade da santa lei
de Deus. Como admitir-se a sua ob-rogação?
“Note-se cuidadosamente o que Deus disse através de Jer. 31:33: ‘Porei
a Minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração’. Donde se conclui
que o novo concerto é uma providência para pôr o homem novamente em harmonia
com a vontade divina, ou seja, pô-lo em situação em que possa guardar a lei de
Deus. Não há dúvida que ‘as melhores promessas’ conferem perdão aos pecados,
dão graça e poder para obedecer à lei de Deus, coisas que o velho concerto não
tinha.
“Está é a verdadeira doutrina bíblica dos concertos, na qual a lei de
Deus é exaltada. Porém a tese de que o novo concerto nos desobriga de viver em
harmonia com a vontade divina revelada no decálogo, não passa de mais um
subterfúgio dos inimigos da lei de Deus”[29].
Entendendo a expressão
‘ministério da morte’ em 2 Coríntios 3:7.
“E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente”. (2 Coríntios 3:7 RA).
Lendo atentamente todo o capítulo de 2 Co 3, pode-se perceber que Paulo
fala de “ministério” e não de “lei”. O termo ‘lei’ não é empregado, o que será
fundamental para nossa análise do texto, pois se o mesmo não mencionando a lei
de Deus, então não podemos dizer, que a mesma tenha sido abolida.
“O apóstolo estabelece vários contrastes entre os concertos, que, em
resumo, são os seguintes:
|
VELHO
CONCERTO |
NOVO
CONCERTO |
|
1. “ministério da morte” |
1. “ministério do espírito” |
|
2. “ministério da condenação” |
2. “ministério da justiça” |
|
3. “letra que mata” |
3. “espírito que vivifica” |
|
4. “foi abolido”
|
4. “permanece” |
|
5. “em glória” |
5. “em excelente glória”[30] |
|
6. Está fora do homem (II Co 3:6) |
6. Está dentro do homem. Concerto do espírito (II Co3:6)[31]. |
“Vamos analisar estes contrastes, para melhor esclarecimento.
“1 e 2. Que vinha a ser este “ministério da morte” ou “ministério da condenação?” Certissimamente não significa ‘lei’, porque ministério ou ministração jamais foi sinônimo de lei. Uma coisa é a ministração de uma lei, outra coisa é a lei em si mesma. A ministração, ou ministério, nada mais é do que os meios pelos quais a lei é aplicada, ensinada e vivida e só muita má vontade poderia confundi-la com a própria lei. Portanto, é fora de dúvida que o “ministério da morte” ou “ministério da condenação” refere-se inequivocamente ao antigo ministério ou ministração da lei que fora “gravadas com letras em pedra” – ou seja o concerto com base no decálogo, concerto este que, pela incapacidade dos israelitas, precisou ser abolido. Ao novo concerto, em contraste, Paulo chama de “ministério do espírito” ou “ministério da justiça”. Salta à evidência que, em linguagem vívida e comparativa, o apóstolo procura demonstrar que Cristo e o Seu ministério são a glória refulgente, ao lado da qual a glória do ministério dos tempos anteriores empalidecia e desaparecia. O livro de Hebreus está cheio desses contrastes, livro que fora escrito para os crentes judeus, os quais até aceitarem Cristo criam naturalmente que a glória do Sinai – a ministração (ministério) da lei divina pelos sacerdotes, levitas e governadores – era a última palavra no plano celestial. No entanto, viam depois que a glória de Cristo a superava em muito.
“É evidente também que a metáfora comparativa “tábuas de pedra” e “tábuas de carne do coração” é indicativo do contraste entre os dois concertos. Compare-se cuidadosamente com Jer. 31: 31-34 e Ezeq. 11:19 e 20. Mas não se pode encontrar aí a mais leve alusão à ab-rogação da lei de Deus. Convém lembrar também que há expressões na Bíblia que devem ser entendidas pelo que de fato significam e não tanto pela forma das palavras. Por simples figura literária, o ministério da lei no velho concerto é denominado de “morte” ou “condenação”, isto porque a transgressão da lei (pecado) tinha o seu salário de morte ou condenação. Também nos dias de Eliseu, certa vez, os filhos dos profetas ajuntaram-se em torno da “panela grande” em que se cozeu colocíntide. Evidentemente eram ervas venenosas porque os que as comiam clamaram: “Homem de Deus, há morte na panela”. II Reis 4:38-40. Em linguagem exata, queriam dizer que havia algo no interior da panela que iria causar a morte, mas, trocando a causa pelo efeito, gritaram, expressando-se daquela forma. Mas fácil é encontrar-se o sentido. Basta ser sincero,e querer descobri-lo. Assim a relação de Paulo com as “tábuas de pedra”.
3. Consideremos a “letra que mata”, em contraste com o “espírito que vivifica”. Um ministério de lei, baseado em sua letra, resulta somente em morte para os seus transgressores; mas um ministério de lei, baseado na justiça de Cristo através da ação do Espírito no coração do pecador, resulta em vida. O primeiro ministério foi letra morta, por inadimplemento por parte do povo; o último, espírito que vivifica, por ser Cristo que habilita o homem a obedecer. Sempre em foco os dois concertos. Nada sugere a abolição do decálogo.
4. Quanto ao que “foi abolido”, o versículo 14 diz, no original, que foi o velho concerto (diatheke) e não a lei de Deus. O novo permanece. Se a Bíblia diz que permanece, é porque permanece mesmo, queiram ou não os inimigos da verdade. Não se desmente a Palavra de Deus com malabarismos exegéticos. Nada é aqui afirmado com relação ao decálogo.
5. Finalmente, com relação
à “glória” mencionada por Paulo, diz respeito à glória proporcional aos dois
ninistérios. A justiça divina refulgiu de modo terrível no monte Sinai,
quando foi solenemente proclamada a lei. Deus era um fogo consumidor. Porém,
quão incomparavelmente maior, infinitamente maior, a glória de Deus jorrando
sobre a terra seus raios vivificantes, quando Cristo desceu para “salvar
o povo dos seus pecados”. S. Mateus 1:21. A última “glória” empalideceu a
primeira. Aquela primeira – que produziu reflexos no rosto de Moisés – foi
abolida, superada que foi pelo resplendor inigualável da segunda. Claramente
diz a Bíblia que o véu foi posto no rosto de Moisés, e não nas tábuas da lei.
Era a sua face que brilhava, não as tábuas; e foi o brilho do seu rosto que
feneceu, não o decálogo.
“Comentando este capítulo, escreveram os eruditos e fundamentalistas Jamieson, Fausset, na Brown: ‘A lei moral do dez mandamentos, sendo escritas pelo dedo de Deus, é tão obrigatória agora como sempre o foi; mas ainda sob o evangelho com espírito de amor, do que sob a letra de uma obediência servil; agora com espiritualidade muito mais intensa e mais profunda (S. Mateus 5:17-48;Rom. 13:9)’.
“Portanto, II Coríntios 3 reafirma a vigência da lei!”[32].
Veja que o Novo Concerto não abole o decálogo. O fato de estarmos na Nova Aliança não termina com o mandamento de Deus. Veja:
“Porque esta é a aliança que
firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente,
lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu
serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.
(Jeremias 31:33 RA).
“Porque esta é a aliança que
firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua
mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as
inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. (Hebreus 8:10 RA).
Percebeu? No Novo Concerto não guardamos a lei “na letra”, mas no espírito, ou seja, de coração, interiormente. Na Nova Aliança a lei será escrita por Deus em nossa mente e coração para obedecermos automaticamente, através da comunhão com o Criador.
Onde nestes textos vê –se a abolição da lei só porque estamos na Nova Aliança? Ora, se no Novo Concerto a lei será escrita no ‘coração e na mente’, como pode ser anulada? O Novo Concerto reafirma a lei de Deus; põe a lei de Deus em uma nova perspectiva, que não é a de salvar mas sim direcionar a vida do crente para que se afaste do pecado e torne para Deus. Na Nova Aliança a lei brota do coração porque foi o Espírito Santo quem a colocou ali; não é como na Velha Aliança cuja obediência era pela “letra da lei” (e não interiormente), apenas exteriormente.
“Um estudo cuidadoso de ambos os concertos revela que a diferença entre eles não estava na lei, mas sim em como a humanidade se relacionava com a lei... A lei foi escrita em tábuas de pedra durante o antigo concerto. Sob os termos do novo concerto, está escrita no coração. Em Hebreus 8:10, Paulo usa as palavras de Jeremias para o novo concerto, explicando que agora a lei está escrita, não em pedras, mas “porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração”. Ele não aboliu a lei, nem a modificou. Ele a escreveu nas mentes daqueles que O seguem”[33].
Nada mais claro...
O que seria a “Lei do
Espírito”?
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”. (Romanos 8:2 RA).
O oponente, no mesmo artigo onde comenta acerca de Romanos 3:31 (que esta lei foi abolida...) também faz a seguinte afirmação: “...Não ficamos sem lei, mas recebemos juntos com o novo pacto uma lei mais tremenda e superior... do que algum Adventista jamais sonhou... a nossa nova lei é a do Espírito de vida...”. A seguir ver-se-á a infelicidade desta argumentação:
“Essa lei é o exercício do Espírito Santo no íntimo do crente individual, bem como os resultados decorrentes dessa presença habitadora”[34].
“A lei do Espírito é o poder vivificador do Espírito Santo, regendo
como uma lei na vida... O Espírito traz vida e liberdade, em contraste com a
lei do pecado[35] que somente
produz morte e condenação”[36]
Onde neste texto há a menção da ab-rogação da lei de Deus? Em parte
alguma. Paulo está ensinando que o crente, após ser guiado pela lei do
Espírito, está livre da lei do pecado; quem está livre da lei do pecado não
deve andar segundo a carne (v. 4 –6). Isto quer dizer que quem é regido pela
lei do Espírito não pode viver pecando, pois “pois o pendor da carne é
inimizade contra Deus por não estar sujeito à lei de Deus” (v. 7). Se o que
vive na lei do Espírito não pode cogitar as coisas da carne por que isto seria
“estar em inimizade contra Deus porque não estar sujeito à lei”, isto prova
indiscutivelmente que a lei de Deus continua em vigor.A lei do Espírito (poder
do Espírito Santo que no rege) nos “capacita” a obedecer.
Os Adventistas vivem sim a lei do Espírito. O fato de sermos guiados
pelo Espírito não nos torna livres transgressores da lei de Deus; muito pelo
contrário! Nos faz sim praticantes da mesma pelo poder de Deus. Prova de que os
Adventistas vivem a lei do Espírito está no fato de guardarem os 10 mandamentos
de Deus, pois o Senhor Jesus disse que o Espírito Santo “nos guiaria a toda a
verdade” (João 16:13) e a lei de Deus, (assim como Ele – Jo 14:6; Sl 31:5; Is
65:16, etc) “é a verdade”. (Sl 119:142). Se ao sermos guiados pelo Espírito
Santo o somos guiados a toda verdade e esta verdade é Deus e também Sua lei,
isto nos leva a crer que somos verdadeiramente regidos pela lei do Espírito,
pois é Ele quem capacita a todo ser humano a obedecer.
TEXTO 8.
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. (Romanos 7:14 RA).
Aqui é-nos dito que a lei é espiritual. Como abolir uma lei
que é espiritual?
TEXTO 9.
“Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa”. (Romanos 7:16 RA).
Sem sombra de dúvidas a lei é aprovada (‘consinto
com a lei) pelo apóstolo.
TEXTO 10.
“Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Romanos 7:22 RA).
Compare esta declaração Paulina com os versos seguintes:
“Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia”. (Salmos 119:92 RA).
“Sobre mim vieram tribulação e angústia; todavia, os teus mandamentos são o meu prazer”. (Salmos 119:143 RA).
“Abomino e detesto a mentira; porém amo a tua lei”. (Salmos 119:163 RA).
“Suspiro, SENHOR, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer”. (Salmos 119:174 RA).
Assim como Davi, Paulo também tinha prazer na lei de
Deus; deleitava-se em toda a vontade revelada de Deus; e o decálogo está
incluído nesta verdade revelada.
Como Paulo iria chamar de ministério da morte uma lei na
qual ele próprio tinha prazer? Se esta lei não fosse para ser guardada pelos
que são guiados pela lei do Espírito, porque Ele disse que interiormente
deleitava-se nesta lei?
“A expressão “prazer” (na lei de Deus) vem da palavra grega sunedomai,
e literalmente significa “regozijo-me”; esta é a única ocorrência desta palavra
grega no NT. Ela é talvez mais forte do que “consinto com” do v. 16”[37].
TEXTO 11.
“Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”. (Romanos 7:25 RA).
Paulo diz que mentalmente (e espiritualmente) é escravo da lei de Deus,
ou seja, reconhece a excelência da lei
divina.
TEXTO 12.
“Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”. (Romanos 8:7 RA).
Fixar a mente nas coisas da carne é estar em inimizade com Deus, pois ao fazer tal coisa a pessoa não está sujeita á lei de Deus. Se tal coisa pode acontecer, como iremos considerar a lei de Deus inválida, sendo que ao não estarmos sujeitos a mesma estamos andando na carne?
TEXTO 13.
“A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus”. (1 Coríntios 7:19 RA).
“A circuncisão nada é, e a incircuncisão nada é. O que vale é a observância dos mandamentos de Deus”. (1 Coríntios 7:19 BJ)
“Não faz diferença estar circuncidado ou não; o que importa é obedecer aos mandamentos de Deus”. (1 Coríntios 7:19 BLH).
Pelo fato de neste capítulo a circuncisão ser distinta
dos “mandamentos de Deus”, isto mostra-nos que o texto fala da lei
moral.
“Guardando as ordenanças de Deus, como se aplica o texto
aqui, deve ser interpretado através dos olhos paulinos. É impossível que a
expressão possa ser interpretada legalisticamente. Paulo não volta, num momento
de descuido, para a noção de ‘salvação através das obras’. Ele fala de guardar
os mandamentos de Deus pelo poder transformador do Espírito, e os mandamentos
aqui são a exigência moral divina escrita no coração. Obviamente este tipo de
guardar ordenanças é necessário à salvação, porque isto é somente outra maneira
de dizer, ‘o Espírito trabalha em nós para formar a imagem de Cristo na alma’.
Isto é a própria essência da salvação”[38].
Ainda poderiam ser comentados os textos bíblicos que nos
mostram que Paulo observada o sábado, mesmo crendo na salvação pela graça (At
13:14; 42-44 - em Antioquia, 14 anos após a cruz; 16:13[39]
– em Filipos, 22 anos após a cruz; At 17:2 – em Tessalônica, também 22
anos após a cruz; 18:4 e 11 – 78 sábados guardados em Corinto 24 anos após
a cruz[40],
etc...) O livro de Atos menciona um total de 84 sábados guardados entre os
cristãos da igreja primitiva, incluindo o apóstolo Paulo.
Paulo jamais foi contra a lei de Deus; era contra sim a
forma errada como muitos judaizantes a guardavam. A lei, quando colocada em seu
devido lugar (não como meio de salvação mais sim como um guia de conduta que
nos orienta e um espelho que nos mostra nossa condição pecaminosa para que
possamos ir a Cristo e ser salvos – ver Gl 3:24), é uma bênção. Faço minha a
conclusão do Apóstolo Paulo sobre o assunto:
“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” (1 Timóteo 1:8 RA).
Como harmonizar o pensamento bíblico da salvação
pela graça com a importância da obediência?
As obras não salvam, mas devem ser uma conseqüência de nossa conversão.
Façamos a seguinte análise:
Todos sabemos que a Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo (II Pedro 1:21). Portanto, como é um livro sagrado, não pode se contradizer. Para entendermos este assunto, vamos analisar estes dois versos seguintes:
“Porque pela graça sois
salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios
2:8).
“Eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:12).
Pelo que pudemos ver no texto acima o apóstolo Paulo fala que somos salvos pela fé.
Noutra passagem Jesus Cristo afirma que seremos julgados pelas obras.
Como harmonizar isto?
As duas declarações estão certas. Não há nenhuma contradição nestes versos. Apenas temos de entender porque precisamos obedecer a lei.
Quando guardamos a lei, não devemos faze-lo com o intuito de obter a salvação, pois esta só vem pela graça de Jesus; temos de obedecer como uma conseqüência de estarmos convertidos.
A experiência da salvação pela graça resulta em obediência à lei de Deus (Romanos 8:1-4). As obras da fé demonstram que a graça de cristo está operando na vida para nos colocar em harmonia com os retos princípios da lei.
Portanto, podemos concluir que as obras devem acompanhar a fé porque somente assim demonstramos que realmente cremos. “Porque, assim como o copo sem o espírito (fôlego de vida da boca de Deus) é morto, assim também a fé sem obras é morta”. (Tiago 2:26).
A obediência é também uma “demonstração de amor a Jesus”.
Veja o que Ele mesmo disse: “Se me amais, guardareis os
meus mandamentos” (João 14:15).
Todo o cristão que verdadeiramente ama a Jesus deve obedece-lo, não para ser salvo, mas como resultado da salvação já recebida e como prova de seu amor e obediência.
Nós seremos julgados pelas obras porque Deus nos dá a sua graça para obedecemos. E quando não guardamos seus mandamentos, estamos mostrando quem não aceitamos sua graça.
Não
somos salvos pelas obras, mas para praticarmos as boas obras.
Isto é bem claro nas Escrituras: “Porque pela graça
sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras,
para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus
para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos
nelas”. (Efésios 2:8-10 RA – grifos nossos). Outro texto esclarecedor acera da
harmonia que há entre a justificação pela graça e a prática das boas obras é o
seguinte:
“a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens”. (Tito 3:7-8 RA – grifos meus).
Não há contradição entre a graça e as obras.
Jesus complementa isto:
“Nem todo o que me diz:
Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu
Pai, que está nos céus. Muitos, naquele
dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em
teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos
muitos milagres? Então, lhes direi
explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniqüidade”. (Mateus 7:21-23 RA).
O diabo crê em Deus; mas ele será salvo? Claro que não, pois ele não prova que ama a Deus e que aceitou a sua graça através da obediência.
Vem então a seguinte pergunta:
“Anulamos, pois, a lei pela
fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei”. (Romanos 3:31 RA).
“E daí? Havemos de pecar
porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum! Não sabeis
que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a
quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a
justiça?” (Romanos 6:15-16 RA).
Paulo diz nestes versos que a fé e a salvação pela graça não anulam a lei. Porque? Porque ao sermos salvos, como fruto de nossa conversão e santificação, iremos obedecer, pela graça de Jesus, aos seus mandamentos. Não para ser salvos; mas porque já estamos salvos.
Vejamos este exemplo:
Digamos que um dia eu saia com meu carro e ande em alta velocidade, superior à permitida. Um guarda me para e me dá uma multa porque transgredi as leis de trânsito.
Em seguida, vou pagar a multa.
Será que ao pagar a multa eu estou livre para continuar transgredindo as leis de trânsito? De modo nenhum, pois isto seria negligência de minha parte e certamente seria multado novamente.
O mesmo se dá com a lei de Deus. Jesus pagou o preço por nós transgredirmos os mandamentos de Deus (pecado); mas será que por ele ter pago o preço estamos livres para continuar transgredindo sua leis? Também não, pois seria o mesmo que eu não precisar mais obedecer às leis de trânsito após pagar a multa.
Outro exemplo é no que diz respeito á saúde. Vamos supor que eu tenha fumado toda a minha vida. Como conseqüência, adquiri um câncer, por sorte, benigno.
Depois de meses de tratamento, fui curado. Será que pelo fato de eu estar agora curado do câncer me dá o direito de continuar a transgredir as leis de saúde? Dá-me o direito de continuar fumando e ficar com a consciência tranqüila? NÃO, pois se continuar fumando certamente irei contrair um câncer ainda pior.
Jesus,
o médico divino, nos curou do pecado e suas conseqüências (morte eterna)
através de seu sacrifício na cruz. Não devemos por causa disso continuar
“fumando” (pecando) só por que ele nos salvou pela sua graça; temos de obedecer
para não continuar em pecado e não ficarmos doentes novamente: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de
Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Romanos 6:23 RA).
“Porque, se vivermos
deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da
verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo
vingador prestes a consumir os adversários.
Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem
tiver rejeitado a lei de Moisés. De
quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou
aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi
santificado, e ultrajou o Espírito da graça?
Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu
retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. (Hebreus 10:26-31 RA).
Conclusão:
Somos salvos pela graça e não pela guarda dos mandamentos em si.
Mesmo assim, temos de obedecer à lei de Deus (os Dez Mandamentos), porque:
Um lindo testemunho.
Durante este tempo em que trabalho aqui na Escola Bíblica,
pude ver o poder de Deus em operação na transformação de muitas vidas e também
na direção de muitas pessoas ao conhecimento das verdades Bíblicas. Um destes
testemunhos que me chamou muito a atenção foi-me enviado de uma pessoa que
pertence à Igreja Assembléia de Deus (mesma igreja do pastor do centro
apologético). O irmão Evandro autorizou-me a contar seu testemunho a outros.
Veja a seguir:
“’A
verdade tem seu preço’. Lembro-me quando há 2 anos atrás orei a Deus pedindo
que revelasse o que estava errado em minha conduta. Estava disposto a mudar,
mesmo que viesse a sacrificar a minha vida. Foi quando Deus fez aflorar a
verdade do Sábado em minha vida. Verdade esta que não me fora ensinada na
Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Precisei orar e estudar muito sobre o
assunto, pois não é fácil deixar de crer em algo que nos fora ensinado durante
anos. Não é como tirar uma camisa e em seguida vestir outra. Foi doloroso
libertar-me deste engano (santidade do domingo). Mas agora estou feliz porque
Deus me respondeu e não me deixou confundido. Portanto, é o sábado (o 7o
dia) e não o domingo (1o Dia) é “o dia a ser lembrado”! Amém.
Finalizo com as palavras do Senhor Jesus, onde Ele nos dá a razão mais forte pela qual devemos obedecer a Deus: o Amor.
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. (João 14:15 RA).
E assim, fica desmantelada mais uma heresia contra a santa lei do Senhor...
Leandro Soares de Quadros.
“A Voz da Profecia” e “Está Escrito”.
[1] Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, Santo André SP: Casa Publicadora Brasileira, 1965, p. 61.
[2] Idem, p. 62.
[3] Idem.
[4] Na época em que estava sendo escrita esta citação; hoje continua sendo um dos melhores.
[5] Escritor de muitas críticas contra os adventistas do 7o dia.
[6] Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, Santo André SP: Casa Publicadora Brasileira, 1965, p. 63 e 64.
[7] Mesmo sendo guardadores do domingo, tais pregadores reconhecem que a lei moral de Deus é eterna. Percebe-se que há também uma contradição entre eles próprios quando afirmam que os dez mandamentos são eternos e dizem que ‘a guarda do sábado foi transferida para o domingo’. O estudante sincero das Escrituras que tire suas conclusões...
[8] A.H. Strong, Systematic Theology (Ed. Three Volumes in One, The Judson Press). Pág. 408.
[9] Vários dos comentários destes autores foram extraídos do excelente site do Pr. Carlos Ferreira.Vale a pena visitar. Eis o endereço: http://br.geocities.com/carlos2_br/
[10] Comentário Bíblico Adventista do 7o Dia (Espanhol) – Vol. VI; estudo acerca de Romanos 2:12.
[11] Russel Norman Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Volume III, p. 628.
[12] Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, (1a Edição), p. 258.
[13] Comentário Bíblico Adventista do 7o Dia, Vol. VII.
[14] Arnaldo B. Christianini, “Sutilezas do Erro”, 1a Edição, p. 259.
[15] Pedro Apolinário, Explicação de Textos Difíceis da Bíblia, (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino) 4a Edição Corrigida, 1990, p. 70.
[16] Comentário Bíblico Adventista do 7o Dia, Vol. VI. (Cd –Rom em espanhol).
[17] Pedro Apolinário, “Leia e Compreenda Melhor a Bíblia”, (Instituto Adventista de Ensino, Agosto de 1985) 2a Edição Ampliada, p. 83.
[18] Comentário Bíblico Adventista do 7o Dia, volume VI. – Comentário de Romanos.
[19] Pedro Apolinário, Explicação de Textos Difíceis da Bíblia, (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino) 4a Edição Corrigida, 1990, p. 70.
[20] Explicação tirada de uma carta de meus arquivos.
[21] Francis D. Nichol, Objeções Refutadas, Primeira Edição, pág. 14.
[22] A.H. Strong, op. cit. pág.
548.
[23] Grego Krisis – execução da sentença, condenação final.
[24] O termo “lei” corresponde ao hebraico torah, que significa "ensinamento" "instrução", etc... Todas as instruções de Deus são perfeitas; toda a vontade moral de Deus, resumida nos Dez Mandamentos são válidas para nós.
[25] Lourenço Gonzáles, Assim Diz o Senhor, (7a Edição), p. 77.
[26] Segundo o Dicionário
Universal, modismo é “modo de falar próprio de uma língua e admitido pelo uso,
mas contrário às regras gramaticais”... É peculiar ao idioma hebraico este modo
de expressar-se.
[27] Teocracia: governo em que os chefes da nação pertencem à classe sacerdotal. (Fonte: Dicionário Universal On-line).
[28] Adaptando à nossa ocasião presente, ao “pastor oponente à lei de Deus...”.
[29] Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, (1a Edição) p. 57-60.
[30] Idem, p. 120. Adaptado.
[31] Pedro Apolinário, Leia e Compreenda Melhor A Bíblia (2a Edição Ampliada, Agosto de 1985), p. 139.
[32] Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, (1a Edição) p. 120 – 122.
[33] Henry Feyerabend, Um Evangelista Responde as 101 Perguntas Mais Freqüentes, (Artur Nogueira – SP: União Central Brasileira da Igreja Adventista do 7º Dia, ano 2000), p. 73.
[34] Russel Norman Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Volume III, p. 703.
[35] “Isto é, a autoridade exercida pelo pecado que acaba na morte”. (São Paulo: IAE, Comentário de Romanos Traduzido do The Seventh – day Adventist Bible Commentary, por Azenilto G. Brito e Ivo S. Cardoso, 1969). 116.
[36] Idem, p. 115.
[37] Comentário de Romanos Traduzido do The Seventh – day Adventist Bible Commentary (São Paulo: IAE, 1969) p. 112. Adaptado.
[38] Russel Norman Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Volume IV, p. 106.
[39] Alguns dizem que Paulo ia às sinagogas para agradar os judeus. Isto é insustentável, sendo que nesta ocasião ele estava em território macedônico. Ele não entrou na sinagoga, mas saiu da cidade. Este é um dos “pontos fortes em favor do sábado” reconhecidos por Billy Graham.
[40] Alberto R. Timm, O Sábado Nas Escrituras (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino, 1990) p. 62.