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Apocalipse 3:1-6
3:1 Ao anjo da igreja em Sardes escreve:
Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus,
e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de
que vives, e estás morto.
3:2 Sê vigilante, e confirma o restante, que estava
para morrer; porque não tenho achado as tuas obras
perfeitas diante do meu Deus.
3:3 Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido,
e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares,
virei como um ladrão, e não saberás
a que hora sobre ti virei.
3:4 Mas também tens em Sardes algumas pessoas
que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão
vestidas de branco, porquanto são dignas.
3:5 O que vencer será assim vestido de vestes
brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro
da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai
e diante dos seus anjos.
3:6 Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito
diz às igrejas.
:
Nota: Sardes corresponde à igreja no século
XVII e primeira parte do século XVIII, quando a verdade
bíblica começou a abrir caminho por meio da
pregação dos reformadores. Apocalipse 3:2
profetiza a tragédia vivida pelas igrejas que, após
a morte de seus fundadores, deixaram morrer parte das verdades
descobertas e pregadas pelos reformadores.
O Grande Conflito - A Causa da Degradação
Atual
Capítulo 21
Ao pregar a doutrina do segundo advento, Guilherme Miller
e seus companheiros haviam trabalhado com o único
propósito de despertar os homens ao preparo para
o juízo. Tinham procurado acordar os que professavam
a religião, para a verdadeira esperança
da igreja, e levá-los a sentir a necessidade de
uma experiência cristã mais profunda; trabalhavam,
também, para acordar os não-conversos ao
dever de imediato arrependimento e conversão a
Deus. "Não faziam tentativas para converter
os homens a uma seita ou partido em matéria de
religião. Daí o trabalharem entre todas
as facções e seitas, sem interferências
com sua organização ou disciplina."
"Em todos os meus trabalhos", disse Miller,
"nunca tive o desejo ou o pensamento de criar qualquer
interesse separado do das denominações existentes,
ou de beneficiar uma em detrimento de outra. Pensava em
beneficiar a todas. Supondo que todos os cristãos
se regozijassem com a perspectiva da vinda de Cristo,
e que os que não viam as coisas como eu as via,
não haveriam, por isso, de menosprezar os crentes
nesta doutrina, não pensei em qualquer necessidade
de reuniões separadas. Todo o meu objetivo se concentrava
no desejo de converter almas a Deus, cientificar o mundo
do juízo vindouro e induzir meus semelhantes a
fazer o preparo de coração que os habilitaria
a encontrar-se com seu Deus em paz. A grande maioria dos
que se converteram pelos meus trabalhos, uniram-se às
várias igrejas existentes." - Memórias
de Guilherme Miller, Bliss.
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Como sua obra tendia a edificar as igrejas, foi por algum
tempo olhada com favor. Mas, decidindo-se os pastores
e os dirigentes religiosos contra a doutrina da segunda
vinda de Cristo, e desejando suprimir toda agitação
a respeito, não somente se opuseram a ela, do púlpito,
mas também negaram a seus membros o privilégio
de assistir a pregações sobre o assunto,
ou mesmo falar de tal esperança nas reuniões
de oração da igreja. Assim, encontraram-se
os crentes em grande provação e perplexidade.
Amavam suas igrejas, e repugnava-lhes o separar-se delas;
mas como vissem suprimido o testemunho da Palavra de Deus
e negado o direito de pesquisar as profecias, compreenderam
que a lealdade para com o Senhor lhes vedava a submissão.
Não poderiam considerar os que procuravam excluir
o testemunho da Palavra de Deus como constituindo a igreja
de Cristo, "coluna e base da verdade". Daí
o se sentirem justificados em desligar-se dessas congregações.
No verão de 1844 aproximadamente cinqüenta
mil se retiraram das igrejas.
Por esse tempo, uma assinalada mudança se presenciou
na maioria das igrejas dos Estados Unidos. Havia muitos
anos se vinha verificando uma conformação
cada vez maior, gradual mas constante, com as práticas
e costumes do mundo, e bem assim um declínio correspondente
na verdadeira vida espiritual; mas, naquele ano, evidenciou-se
uma decadência súbita e notável em
quase todas as igrejas do país. Se bem que ninguém
parecesse capaz de indicar a causa, o fato em si mesmo
era largamente notado e comentado, tanto pela imprensa
como do púlpito.
Numa reunião do presbitério de Filadélfia,
o senhor Barnes, autor de um comentário largamente
usado e pastor de uma das principais igrejas daquela cidade,
"declarou que estava no ministério fazia vinte
anos e nunca, até à última comunhão,
tinha administrado a ordenança sem receber na igreja
novos membros, ora mais ora menos. Agora, acrescentou,
não há despertamento nem conversões,
tampouco se evidencia crescimento em graça por
parte dos que professam a religião, e ninguém
chegava ao seu gabinete de estudo a fim de falar a respeito
da
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salvação da alma. Com o prosperar dos negócios
e as brilhantes perspectivas do comércio e da indústria,
aumentou o espírito de mundanismo. Isto se dá
com todas as denominações". - Congregational
Journal, de 23 de maio de 1844.
No mês de fevereiro do mesmo ano, o Prof. Finney,
do Colégio Oberlin, disse: "Temos tido perante
o espírito o fato de que, em geral, as igrejas
protestantes de nosso país são, como tais,
ou apáticas ou hostis a quase todas as reformas
morais da época. Há algumas exceções,
todavia insuficientes para que isso deixe de ser geral.
Nota-se, além disso, a falta quase universal de
influência revivificadora nas igrejas. A apatia
espiritual invade quase tudo, e é terrivelmente
profunda; assim testifica a imprensa religiosa de todo
o país. ... Quase que geralmente, os membros da
igreja estão-se tornando seguidores da moda: dão
mãos aos descrentes nas reuniões de prazer,
nas danças, nas festas, etc. ... Mas não
necessitamos de nos expandir neste assunto lastimável.
Basta que as provas se intensifiquem e se abatam pesadamente
sobre nós, para mostrar que as igrejas em geral
se estão degenerando lamentavelmente. Elas se têm
afastado muito do Senhor, que Se retirou delas.
E um escritor, no Religious Telescope, testificou: "Nunca
testemunhamos declínio religioso tão generalizado
como no presente. Em verdade, a igreja deveria despertar
e pesquisar a causa desta situação aflitiva;
pois, como aflito é que deveria ser encarado este
estado de coisas por todo aquele que ama a Sião.
Quando nos lembramos de quão poucos e espaçados
casos de verdadeira conversão existem, e da insolência
e obstinação dos pecadores, quase sem precedentes,
exclamamos como que involuntariamente: 'Esqueceu-Se Deus
de ser misericordioso? ou está fechada a porta
da graça?'"
Semelhante condição nunca prevalece sem
causa na própria igreja. As trevas espirituais
que caem sobre as nações, igrejas e indivíduos,
são devidas, não à retirada arbitrária
do socorro da graça divina, por parte de Deus,
mas à negligência ou rejeição
da luz divina por parte dos homens. Exemplo
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frisante desta verdade vê-se na história
do povo judeu no tempo de Cristo. Pelo apego ao mundo
e esquecimento de Deus e Sua Palavra, tornou-se-lhes obscurecido
o entendimento, e o coração mundano e sensual.
Daí estarem em ignorância quanto ao advento
do Messias e, em seu orgulho e incredulidade, rejeitarem
o Redentor. Mesmo assim, Deus não privou a nação
judaica do conhecimento das bênçãos
da salvação, ou de participar delas. Aqueles,
porém, que rejeitaram a verdade, perderam todo
o desejo do dom do Céu. Tinham "posto as trevas
pela luz, e a luz pelas trevas", até que a
luz que neles estava se tornou em trevas; e quão
grandes eram as trevas!
Convém à política de Satanás
que os homens conservem as formas da religião,
embora falte o espírito da piedade vital. Depois
de terem rejeitado o evangelho, os judeus continuaram
zelosamente a manter seus antigos ritos; preservavam com
rigor o exclusivismo nacional, ao mesmo tempo em que não
podiam deixar de admitir que a presença de Deus
não mais era entre eles manifesta. A profecia de
Daniel apontava tão insofismavelmente para o tempo
da vinda do Messias, e tão diretamente lhes predizia
Sua morte, que eles desanimavam o estudo dessa profecia,
e finalmente os rabis pronunciaram a maldição
sobre todos os que tentassem uma contagem do tempo. Em
sua cegueira e impenitência, o povo de Israel tem
permanecido, por mil e novecentos anos, indiferente ao
misericordioso oferecimento de salvação,
despreocupado das bênçãos do evangelho
como solene e terrível advertência do perigo
de rejeitar a luz do Céu.
Onde quer que exista causa idêntica, os mesmos efeitos
se seguirão. Aquele que deliberadamente abafa as
convicções do dever, pelo fato de se achar
este em conflito com as tendências pessoais, perderá
finalmente a faculdade de discernir a verdade do erro.
Obscurece-se o entendimento, a consciência se torna
calejada, o coração endurecido, e a alma
se separa de Deus. Onde a mensagem da verdade divina é
desdenhada e tratada levianamente, ali a igreja se envolve
em trevas; esfriam a fé e o amor; entram a separação
e a discórdia. Os
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membros da igreja centralizam seus interesses e energias
em empreendimentos mundanos, e os pecadores se tornam
endurecidos em sua impenitência.
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A mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14, anunciando
a hora do juízo de Deus e apelando para os homens a
fim de O temer e adorar, estava destinada a separar o povo
professo de Deus das influências corruptoras do mundo,
e despertá-lo a fim de ver seu verdadeiro estado de
mundanismo e apostasia. Deus enviou à igreja, nesta
mensagem, uma advertência que, se fosse aceita, teria
corrigido os males que a estavam apartando dEle. Houvessem
os homens recebido a mensagem do Céu, humilhando o
coração perante o Senhor, buscando com sinceridade
o preparo para estar em pé em Sua presença,
o Espírito e poder de Deus ter-se-iam manifestado entre
eles. A igreja de novo teria atingido o bendito estado de
unidade, fé e amor, que houve nos dias apostólicos,
em que "era um o coração e a alma"
dos crentes, e "anunciavam com ousadia a Palavra de Deus",
dias em que "acrescentava o Senhor à igreja aqueles
que se haviam de salvar". Atos 4:32 e 31; 2:47.
Recebesse o professo povo de Deus a luz tal como lhe refulge
da Sua Palavra, e alcançaria a unidade por que Cristo
orou, a qual o apóstolo descreve como "a unidade
do Espírito pelo vínculo da paz." "Há",
diz ele, "um só corpo e um só Espírito,
como também fostes chamados em uma só esperança
da vossa vocação; um só Senhor, uma só
fé, um só batismo." Efés. 4:3-5.
Foram estes os benditos resultados fruídos pelos que
aceitaram a mensagem adventista. Vieram de denominações
várias, e as barreiras denominacionais foram arremessadas
ao chão; credos em conflito eram reduzidos a átomos;
a esperança de um milênio terreal, em desacordo
com a Escritura Sagrada, foi posta de lado e corrigidas opiniões
falsas sobre o segundo advento; varridos o orgulho e a conformação
ao mundo; repararam-se injustiças; os corações
se uniram na mais doce comunhão, e o amor e a alegria
reinaram supremos. Se esta
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doutrina fez isto pelos poucos que a receberam, o mesmo teria
feito a todos, se todos a houvessem recebido.
Mas as igrejas, em geral, não aceitaram a advertência.
Os pastores, que, como "vigias sobre a casa de Israel",
deveriam ter sido os primeiros a discernir os sinais da vinda
de Jesus, não quiseram saber a verdade, quer pelo testemunho
dos profetas, quer pelos sinais dos tempos. À medida
que as esperanças e ambições mundanas
lhes encheram o coração, arrefeceram o amor
para com Deus e a fé em Sua Palavra; e, quando a doutrina
do advento era apresentada, apenas suscitava preconceito e
descrença. O fato de ser a mensagem em grande parte
pregada por leigos, era insistentemente apresentado como argumento
contra a mesma. Como na antiguidade, ao claro testemunho da
Palavra de Deus opunha-se a indagação: "Têm
crido alguns dos príncipes ou dos fariseus?" E
vendo quão difícil tarefa era refutar os argumentos
aduzidos dos períodos proféticos, muitos desanimavam
o estudo das profecias, ensinando que os livros proféticos
estavam selados, e não deveriam ser compreendidos.
Multidões, confiando implicitamente nos pastores, recusaram-se
a ouvir a advertência; e outros, ainda que convictos
da verdade, não ousavam confessá-la para não
serem "expulsos da sinagoga". A mensagem que Deus
enviara para provar e purificar a igreja revelou com muita
evidência quão grande era o número dos
que haviam posto a afeição neste mundo ao invés
de em Cristo. Os laços que os ligavam à Terra,
mostravam-se mais fortes do que as atrações
ao Céu. Preferiam ouvir a voz da sabedoria mundana,
e desviavam-se da probante mensagem da verdade.
Rejeitando a advertência do primeiro anjo, desprezaram
os meios que o Céu provera para a sua restauração.
Desacataram o mensageiro de graça que teria corrigido
os males que os separavam de Deus, e com maior avidez volveram
à busca da amizade do mundo. Eis aí a causa
da terrível condição de mundanismo, apostasia
e morte espiritual, que prevalecia nas igrejas em 1844.
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