9. Conheço a tua tribulação
e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia
dos que dizem ser judeus, e não o são, porém
são sinagoga de Satanás.
10. Não temas o que hás de padecer.
Eis que o Diabo está para lançar alguns de
vós na prisão, para que sejais provados; e
tereis uma tribulação de dez dias. Sê
fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
11. Quem tem ouvidos, ouça o que o
Espírito diz às igrejas. O que vencer, de
modo algum sofrerá o dado da segunda morte.
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Quando Jesus revelou a Seus discípulos a sorte
de Jerusalém e as cenas do segundo advento, predisse
também a experiência de Seu povo desde o
tempo em que deveria ser tirado dentre eles até
a Sua volta em poder e glória para o seu libertamento.
Do Monte das Oliveiras o Salvador contemplou as tempestades
prestes a desabar sobre a igreja apostólica; e
penetrando mais profundamente no futuro,
Seus olhos divisaram os terríveis e devastadores
vendavais que deveriam açoitar Seus seguidores
nos vindouros séculos de trevas e perseguição.
Em poucas e breves declarações de tremendo
significado, predisse o que os governadores deste mundo
haveriam de impor à igreja de Deus (Mat. 24:9,
21 e 22).
Os seguidores de Cristo deveriam trilhar a mesma senda
de humilhação, ignomínia e sofrimento
que seu Mestre palmilhara. A inimizade que irrompera contra
o Redentor do mundo, manifestar-se-ia contra todos os
que cressem em Seu nome. A história da igreja primitiva
testificou do cumprimento das palavras do Salvador. Os
poderes da Terra e do inferno arregimentaram-se contra
Cristo na pessoa de Seus seguidores. O paganismo previa
que se o evangelho triunfasse, seus templos e altares
desapareciam; portanto convocou suas forças para
destruir o cristianismo. Acenderam-se as fogueiras da
perseguição. Os cristãos eram despojados
de suas posses e expulsos de suas casas. Suportaram "grande
combate de aflições". Heb. 10:32. "Experimentaram
escárnios e açoites, e até cadeias
e prisões." Heb. 11:36. Grande número
deles selaram seu testemunho com o próprio sangue.
Nobres e escravos, ricos e pobres, doutos e ignorantes,
foram de igual modo mortos sem misericórdia.
Estas perseguições, iniciadas sob o governo
de Nero, aproximadamente ao tempo do martírio de
Paulo, continuaram com maior ou menor fúria durante
séculos. Os cristãos eram falsamente acusados
dos mais hediondos crimes e tidos como a causa das grandes
calamidades - fomes, pestes e terremotos. Tornando-se
eles objeto do ódio e suspeita popular, prontificaram-se
denunciantes, por amor ao ganho, a trair os inocentes.
Eram condenados como rebeldes ao império, como
inimigos da religião e peste da sociedade.
Grande número deles eram lançados às
feras ou queimados vivos nos anfiteatros. Alguns eram
crucificados, outros cobertos com peles de animais bravios
e lançados à arena para serem despedaçados
pelos cães. De seu sofrimento muitas vezes se fazia
a principal diversão nas festas públicas.
Vastas multidões reuniam-se para gozar do espetáculo
e saudavam os transes de sua agonia com riso e aplauso.
Onde quer que procurassem refúgio, os seguidores
de Cristo eram caçados como animais. Eram forçados
a procurar esconderijo nos lugares desolados e solitários.
"Desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o
mundo não era digno), errantes, pelos desertos,
e montes, e pelas covas e cavernas da terra." Heb.
11:37 e 38. As catacumbas proporcionavam abrigo a milhares.
Por sob as colinas, fora da cidade de Roma, longas galerias
tinham sido feitas através da terra e da rocha;
o escuro e complicado trama das comunicações
estendia-se quilômetros além dos muros da
cidade. Nestes retiros subterrâneos, os seguidores
de Cristo sepultavam os seus mortos; e ali também,
quando suspeitos e proscritos, encontravam lar. Quando
o Doador da vida despertar os que pelejaram o bom combate,
muitos que foram mártires por amor de Cristo sairão
dessas sombrias cavernas.
Sob a mais atroz perseguição, estas testemunhas
de Jesus conservaram incontaminada a sua fé. Posto
que privados de todo conforto, excluídos da luz
do Sol, tendo o lar no seio da terra, obscuro mas amigo,
não proferiam queixa alguma. Com palavras de fé,
paciência e esperança, animavam-se uns aos
outros a suportar a privação e angústia.
A perda de toda a bênção terrestre
não os poderia forçar a renunciar sua crença
em Cristo. Provações e perseguição
não eram senão passos que os levavam para
mais perto de seu descanso e recompensa.
Como aconteceu aos servos de Deus de outrora, muitos "foram
torturados, não aceitando o seu livramento, para
alcançarem uma melhor ressurreição".
Heb. 11:35. Estes se recordavam das palavras do Mestre,
de que, quando perseguidos por amor de Cristo, ficassem
muito alegres, pois que grande seria seu galardão
no Céu, porque assim tinham sido perseguidos os
profetas antes deles. Regozijavam-se de que fossem considerados
dignos de sofrer pela verdade, e cânticos de triunfo
ascendiam dentre as chamas crepitantes. Pela fé,
olhando para cima, viam Cristo e os anjos apoiados sobre
as ameias do Céu, contemplando-os com o mais profundo
interesse, com aprovação considerando a
sua firmeza. Uma voz lhes vinha do trono de Deus: "Sê
fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da
vida." Apoc. 2:10.
Nulos foram os esforços de Satanás para
destruir pela violência a igreja de Cristo. O grande
conflito em que os discípulos de Jesus rendiam
a vida, não cessava quando estes fiéis porta-estandartes
tombavam em seus postos. Com a derrota, venciam. Os obreiros
de Deus eram mortos, mas a Sua obra ia avante com firmeza.
O evangelho continuava a espalhar-se, e o número
de seus aderentes a aumentar. Penetrou em regiões
que eram inacessíveis, mesmo às águias
romanas. Disse um cristão, contendendo com os governadores
pagãos que estavam a impulsionar a perseguição:
Podeis "matar-nos, torturar-nos condenar-nos. ...
Vossa injustiça é prova de que somos inocentes.
... Tampouco vossa crueldade... vos aproveitará".
Não era senão um convite mais forte para
se levarem outros à mesma persuasão. "Quanto
mais somos ceifados por vós, tanto mais crescemos
em número; o sangue dos cristãos é
semente." - Apologia, de Tertuliano, parágrafo
50.
Milhares eram aprisionados e mortos, mas outros surgiam
para ocupar as vagas. E os que eram martirizados por sua
fé tornavam-se aquisição de Cristo,
por Ele tidos na conta de vencedores. Haviam pelejado
o bom combate, e deveriam receber a coroa de glória
quando Cristo viesse. Os sofrimentos que suportavam, levavam
os cristãos mais perto uns dos outros e de seu
Redentor. Seu exemplo em vida, e seu testemunho ao morrerem,
eram constante atestado à verdade; e, onde menos
se esperava, os súditos de Satanás estavam
deixando o seu serviço e alistando-se sob a bandeira
de Cristo.