JESUS, UM SEMIDEUS ?

Quais são as ra¡zes do pensamento unitariano?

 

                   Quem foi Jesus? Uma pergunta importante, pois dela depende muito do pensamento ocidental, pois as leis,  costumes e moral, muitas festividades, vocabul rio, etc. e naturalmente muitas cren‡as vieram direta ou indiretamente de Jesus de Nazar‚.

“Jesus...foi autor de feitos surpreendentes”, escreveu Fl vio

Josefo, citado logo de inicio no livro “Um Judeu Marginal”, de autoria de John P. Meier, um padre americano. O t¡tulo de sua volumosa obra j  diz alguma coisa sobre a questão de quem foi, ou quem ‚, ou mesmo quem poderia ter sido Jesus Cristo.

                   Segundo Bultman, o que podemos saber de Jesus ‚ apenas a opinião dos evangelistas, ou no m ximo da igreja e sua f‚. J  na analise do historiador  Geza Vermes, que nos diz entre tantas observa‡ões que “ao que parece, ele (Jesus) era uma figura familiar nesses c¡rculos (judaicos), como mestre e pregador de grande originalidade muito solicitado, e como operador de curas, carism tico e exorcista altamente admirado.” (A Religião de Jesus, O Judeu, Imago, p g. 21)

                   Mas h  quem discorde, e mesmo não goste de Jesus:

                   “...se estivesse na terra de Israel no s‚culo I, não teria aderido ao circulo de disc¡pulos de Jesus. Eu teria divergido dele, acredito que educadamente, e com certeza com s¢lidos motivos, argumentos e provas.

                   Se tivesse ouvido o que ele disse no Sermão da Montanha, por bons e significativos motivos eu não o teria seguido.” (Um Rabino Conversa com Jesus, pref cio, Imago)

                   “A sala de conferˆncia da Universidade de Middlesex, ao norte de Londres, nada tinha de imponente. Limitava-se a um espa‡o bastante restrito e estreito, com filas de assentos de madeira rangente, dispostos em inclina‡ão ¡ngreme...a sala palpitava de impaciˆncia. Misturados entre as filas dos laicos ingleses, canadenses e americanos, havia monges e monjas budistas, com suas vestes castanhas ou escarlate, as cabe‡as raspadas e lisas, im¢veis no meio da multidão irrequieta. Monges e irmãs beneditinas ocupavam as primeiras filas, alguns vestidos de preto, os olivetanos de branco...

                  Ao centro Sua Santidade, o Dalai Lama, cal‡ando sapatos confort veis, envolto no seu h bito escarlate e amarelo, com um grande sorriso nos l bios...”. Este ‚ o inicio do primeiro cap¡tulo do livro “O Dalai Lama fala de Jesus”, editora Fusos.

                   Quem ‚ esse Jesus que atrai admira‡ão e desprezo? Quem ‚ esse Jesus que aproxima pessoas tão diferentes em busca de ‘harmonia’ e que tantos outros at‚ mataram em Seu nome?

 

 

Problemas a Vista

 

                   Para cristãos b¡blicos como n¢s Adventistas do S‚timo Dia, as Escrituras Sagradas são a fonte primaria para toda pesquisa em torno de quem foi e naturalmente, quem ‚ Jesus de Nazar‚.

                   O conhecimento da Verdade de Deus, cremos, ‚ gradativa, cumulativa e inquiridora.

         Cremos que por ser o pr¢prio Deus a Verdade, nunca haver  tempo em que compreenderemos tudo a Seu respeito, pois sempre haver  novos cumes a escalar, novas faces de Verdades antigas a se conhecer e que parecerão novas a cada minuto, ali s ‘a ciˆncia da salva‡ão ser  o tema dos remidos durante a eternidade.’

         No entanto a Palavra de Deus nos diz que:

         “ As coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a n¢s e aos nossos filhos para sempre...”

 Deut. 29:29 NVI

         Fiquemos então com as reveladas.

         Parece f cil, mas ai ‚ que se avistam os problemas.

          A luz de Mateus 04:01-11, compreendemos que a tarefa de conhecer a Verdade ‚ obscurecida com a mesma intensidade ou mais, pelo acusador de n¢s e de nossos irmãos.

         O Grande Conflito gira em torno da hermenˆutica, isto ‚, a ciˆncia da interpreta‡ão, ou melhor, como us -la para interpretar corretamente os Escritos Sagrados.

         O liberalismo teol¢gico d  margens a um pluralismo de pensamentos, pois “afinal todos os caminhos levam a Deus”, j  a ala mais a direita, questiona as cren‡as e doutrinas; nem tudo est  certo!

O que devemos  crer a respeito de Jesus de Nazar‚? Ele foi um

simples Homem, um profeta, um m¡stico talvez, foi um anjo, um esp¡rito evolu¡do que encarnou com uma missão, um semideus, ou seria Ele, por incr¡vel que pare‡a, Deus encarnado ?

                   Ora Ele parece ter pretensões Divinas, os escritores b¡blicos parecem endossar tal posi‡ão, ora Ele parece Se submeter a Deus o Pai, d  impressão de inferioridade, como entender estas por‡ões das Escrituras igualmente inspiradas?

                   Grande parte dos problemas com rela‡ão a pessoa de Jesus ‚ a falta de no‡ão em se distinguir quando se fala dEle como homem, e quando se fala dEle como Deus.

                   A confusão chega a ser tão grande que surgem grupos que dizem que somente o Pai ‚ Deus, Jeov , e do outro lado da linha, h  quem ensine que Jesus ‚ o Deus £nico, sem a existˆncia do Pai e do Esp¡rito Santo.

                   S¢ falta uma linha religiosa defender que o Esp¡rito ‚ que ‚ Deus, e que não h  Pai e nem Filho!!!

 

Acendam uma luz por favor !

 

          H  uma cita‡ão de um de nossos livros que nos diz:

          “Sempre devemos conservar em mente que a B¡blia ensina com toda a clareza que Ele possui natureza dual. Ao mesmo tempo que as Escrituras O identificam como Deus (João 01:01) e dirigem a Ele como “¢ Deus” (Heb. 01:08), tamb‚m declaram que “o Verbo Se Fez carne” (João 01:14) e O descrevem como “Cristo Jesus, homem” (I Tim. 02:05).

                   Em outras palavras, quando consideramos qualquer texto referente a Jesus, poder  ser £til perguntar se a passagem tem em mente Sua divindade ou a Sua humanidade encarnada.

                   Max Hatton situa a questão em termos um pouco diferentes:

                   “O verso (em estudo), se aplica … natureza de Cristo? Ou se aplica ele … Sua posi‡ão? (Hatton, p g. 76). O autor prossegue, então, fazendo esta sens¡vel observa‡ão: “Se esta regra for aplicada, v rias passagens aparentemente dif¡ceis irão se demonstrar causa de pequena preocupa‡ão”.

                   Algumas passagens que parecem indicar uma posi‡ão de subordina‡ão de Cristo em rela‡ão ao Pai podem muito bem estar falando a partir da perspectiva de Sua encarna‡ão, em vez de se referirem a Seu estado glorificado (tanto antes quanto depois de Sua peregrina‡ão pela “carne” humana).” Trindade, Whidden, Moon, Reeve, p gs. 106,107

         Temos aqui algumas luzes acesas, talvez muita luz, no entanto estas observa‡ões sofrerão um s‚rio descredito dependendo de quem esteja as lendo.

 

Qual ¢culos vocˆ usa? I

 

                   Friedrich Nietzsche, um pensador morto … algum tempo, definiu que “o processo de concep‡ão da realidade, da vida e da moralidade ‚ assunto arbitr rio e de foro individual.”

                   Isto quer dizer, aplicando ao assunto em pauta, que o homem tornou-se não aquele que descobre as verdades, mas sim aquele que as cria, e tudo dependendo de suas pressuposi‡ões.

                   E aqui pode estar a raiz do problema, n¢s j  nos perguntamos se nossos pressupostos são v lidos?

                   Vocˆ j  se perguntou, por quem vocˆ ‚ influenciado?

                   Quando descobrirmos isto, poderemos reconhecer o grau das lentes que usamos para compreender a vida, a B¡blia, e o tema sobre a pessoa de Jesus Cristo.

                   Ningu‚m ‚ isento de influˆncias, at‚ mesmo eu ao escrever este artigo estou refletindo um aprendizado de pensamento, o fato então ‚ que cada um de n¢s vive por certos princ¡pios que acreditamos serem os corretos, e não estamos dispostos a abrir mão deles. Mas seriam eles corretos? Estaria eu interpretando “Sola Escriptura”, realmente?

                   Que ¢culos vocˆ como religioso usa?

 

Historicistas

 

                   na hist¢ria que as profecias se cumprem, e a defini‡ão b sica da hist¢ria como ciˆncia, ‚ que ela ‚ o estudo do passado para se compreender o presente. Então os ¢culos que usamos hoje para interpretar a pessoa de  Jesus, foram transmitidos de gera‡ão em gera‡ão at‚ chegarem a n¢s na atualidade.

                   muito comum ouvir daqueles que não acreditam na doutrina da Trindade, que esta ‚ um ensino cat¢lico derivado da idade m‚dia, e que todos os que a endossam estão apostatados, desviados da Verdade B¡blica.

                   No entanto estes parecem não refletir a respeito do que pode estar por tr s de seu pr¢prio unitarismo.

                   Um dos maiores defensores do unitarismo, foi o BispoCat¢lico’ Ário, nascido na L¡bia em meados do terceiro s‚culo d.C., atuou como presb¡tero da igreja de Alexandria, assim como em muitas outras cidades do imp‚rio.

                   Ao “redor” dele como personagem hist¢rico de relevƒncia para a id‚ia de que Jesus fora criado, e por isto não ‚ Deus, muitos outros te¢logos se reuniram.

                   Houve ‚poca que por quase 50 anos, cada novo imperador havia assumido diferentes compromissos com os v rios grupos teol¢gicos, incluindo o unitarismo, ou arianismo. O £ltimo imperador a assumir abertamente o arianismo e dar apoio a te¢logos arianos, foi Valˆncio, que morreu em 378.

                   O Concilio de Nic‚ia no ano de 325 d.C., que formulou uma declara‡ão sobre a Trindade,  recebeu apoio do Imperador Constantino, que tinha o interesse pol¡tico de unir a igreja cristã, para ajud -lo a manter unido o imp‚rio.

                   Os unitarianos dizem então que seguimos uma falsa doutrina que teve tamb‚m apoio de um imperador pagão.

                   No entanto pense comigo, e se este Concilio tivesse sido realizado pouco antes de  378 d.C., tendo como presidente, o imperador Valˆncio, ariano de carteirinha, qual teria sido o resultado?

         Ou se, no posterior Concilio de Constantinopla, 381 d.C., que estabeleceu as cren‡as trinitarianas, recebendo o apoio do novo imperador, Teod¢sio, Valˆncio estivesse vivo?

                   Naturalmente os te¢logos arianos teriam mais for‡a e maiores facilidades com o apoio oficial. Imagine, hoje poder¡amos ter um Catolicismo unitariano, e n¢s (trinitarianos) estar¡amos do outro lado dizendo que aquela ‚ uma doutrina pagã, da idade m‚dia, apoiada e defendida por um imperador. Que ironia seria!

                   Assim, não somente a id‚ia da Trindade, como querem os unitarianos atuais, foi desenvolvida na antigidade em meio ao catolicismo, mas tamb‚m a id‚ia de que Jesus não ‚ Deus, teve o mesmo ber‡o.

                   Conclu¡mos então, que a id‚ia que o Pai ‚ o £nico Deus, Jesus uma criatura e o Esp¡rito Santo uma energia, ou for‡a, ‚ tão cat¢lica quanto a id‚ia da Trindade, isto levando em conta a origem dos conceitos e debates sobre o tema, mesmo que não tenham sido aceitos oficialmente.

                   Mesmo que o arianismo não fora aceito oficialmente pelo cristianismo de então, houve tempo, e muito tempo, que te¢logos mantiveram vivas estas id‚ias dentro da igreja. Por quˆ somos então acusados de seguir uma doutrina cat¢lica?

O arianismo, unitarismo ou seja l  o que for ‚ tão cat¢lico

quanto o trinitarianismo, se assim o querem considerar.  

 

Qual ¢culos vocˆ usa? II

 

                   Qual o pensamento que pode estar por detr s do pensamento unitariano?

          O que pode ter modelado sua forma de pensar desde a antigidade?

          Teria este racioc¡nio uma origem não cristã, e mesmo pagã?

          O unitariano nem quer pensar sobre isto, pois por dentro teme.

                   Mas a hist¢ria esta ai, devemos pesquisar, pensar e ficar com a Verdade B¡blica. A doutrina da Trindade como originada da idade m‚dia não representa o que defendemos hoje, ela ‚ b¡blica, e não fruto de pensadores cat¢licos, como vocˆ mesmo  poder  estudar neste site, naturalmente se vocˆ tiver a ousadia de pensar.

                   Agora, de onde podem ter vindo as influˆncias que levaram homens pensantes a considerar Jesus, um deus gerado? Os Testemunhas de Jeov  são bem francos em dizer isto, o Pai ‚ o Deus todo poderoso, j  Jesus ‚ um deus poderoso, e o Esp¡rito uma for‡a impessoal, ‚ como se fosse um polite¡smo hier rquico, um Deus maior, todo poderoso, e um deus menor, mais fraco, gerado em algum momento da eternidade.

                   Naturalmente para toda Verdade de Deus existe uma mentira do inimigo, que se parece com a Verdade, que usa uma “l¢gica b¡blica” mas que no entanto na sua base, existe uma sustenta‡ão falsa.

                   Somos sabedores que tanto Paulo (II Tes. 02:01-07), quanto Pedro (II Pedro 02:01-03), profetizaram a entrada de falsos mestres no cristianismo, que subtilmente introduziriam mentiras que afastariam o povo da Verdade b¡blica, o unitarismo ‚ uma delas.

                   O pensamento grego dominou o mundo romano, que por sua vez foi romanizado, que por sua vez tamb‚m inundou a igreja cristã com v rios conceitos religiosos, e um deles a no‡ão de um Deus £nico, acima de outros deuses, isto pelo menos j  … 300 anos antes de Cristo.

                   Agora veja a sutileza do inimigo:

                   “Nessa ‚poca, Platão escreveu em sua obra Timeu a respeito de um Deus transcendente que criara o mundo por meio de um agente identificado como “demiurgo”, Arist¢teles chamou esse “Deus acima de todos os demais” de “Inamov¡vel Movedor”...

                   Por volta do segundo e terceiro s‚culos da era cristã, aspectos de todas essas filosofias, ao lado de v rias outras, haviam se combinado numa ecl‚tica visão de mundo helen¡stica, que envolvia uma forma de monote¡smo, ou em alguns casos um polite¡smo hier rquico, liderado por um deus supremo...

                   Os pensadores judaico-cristãos conseguiram usar a cren‡a greco-romana em um deus completamente transcendente como ponto de contato com os amigos e conhecidos pagãos. Uma das formas pelas quais o monote¡smo judaico se adaptou … visão helen¡stica sobre a divindade foi pela introdu‡ão de agentes semelhantes ao demiurgo de Platão na historia da Cria‡ão, protegendo assim a Deus de um envolvimento direto com a substƒncia material.

                   Por exemplo, numa das par frases aramaicas do Gˆnesis, conhecida como Targum Neofiti, encontramos not vel n£mero de inser‡ões, nas quais um agente de Deus efetua as coisas f¡sicas que o Gˆnesis atribui diretamente a Deus. Observe esta cita‡ão de Gˆnesis 1 do Targum Neofiti:

                   “No principio, com sabedoria o Memra do Senhor criou e aperfei‡oou os c‚us e a terra...E o Memra do Senhor disse: ‘Haja luz’. O Memra atua aqui como agente de Deus, de modo que o pr¢prio Deus, que ‚ transcendente, não precisa ser retratado como contaminando-Se a Si mesmo com as coisas materiais da Cria‡ão...” idem, p gs142,143

                   Filo de Alexandria, um intelectual judeu, contemporƒneo de Jesus e Paulo, fez um sincretismo entre sua f‚ de nascen‡a e a visão greco-romana, segundo ele Deus agia no mundo f¡sico atrav‚s de seus agentes: Justi‡a, Sofia (Sabedoria) e, Logos.

         Note ai o elo de liga‡ão, a contrafa‡ão sedutora, Satan s sabedor de quem era Jesus, lan‡a sementes de uma id‚ia “pr¢xima” a verdadeira, movimentando-se estrategicamente para influenciar o cristianismo nascente.

                   “Em seu tratado Sobre a Forma‡ão do Mundo, Filo retratou o Logos...(ele, o Logos) contudo, não foi apenas um modelo passivo, mas tamb‚m participou ativamente, realizando aquilo que Deus planejara dessa forma, o Logos foi um agente criador, ou demiurgo, aquele que criou o mundo visualizado pela mente do Deus transcendente.

                   A preocupa‡ão filos¢fica greco-romana em ver o Deus supremo como transcendendo as atividades mundanas e as caracter¡sticas antropom¢rficas (isto ‚, semelhantes …s de seres humanos) veio a ser compartilhada por int‚rpretes cristãos das Escrituras... este ‚ um importante fator em v rias tentativas primitivas err“neas de descrever Cristo e a Divindade, e que se tornou parte integral dos pontos de vista arianos a respeito do Filho, no quarto s‚culo.  Idem, p g. 144

                   Veja a sutileza, a B¡blia nos ensina que Jesus o “Verbo (Logos em grego), estava com Deus...e todas as coisas foram criadas por Ele.” (João 01:01-03)

                   Os fil¢sofos chamavam o “demiurgo” de agente criador, para os unitaristas Jesus fora s¢ um arquiteto trabalhando com o poder de Deus.

                   Notou a influˆncia?

                   Termos como sabedoria, justi‡a, foram associados a Jesus que por sua vez tinham sua parte na filosofia greco-romana.

                   Qual a conclusão que podemos chegar então?

                   A doutrina unitarista tem suas bases hist¢ricas e filos¢ficas no pensamento greco-romano, que adentrou ao cristianismo nos primeiros s‚culos de apostasia, que levou alguns te¢logos antigos e atuais a ver a Deus o Pai como transcendente e por não conseguirem adequar o pensamento b¡blico com rela‡ão a Cristo como Deus, passaram a enxerga-Lo somente como o agente criador pelo poder da energia divina chamada Esp¡rito Santo, no m ximo um deus, com d min£sculo, gerado do Pai, um semideus.   

 

 

                                                        Pr Wladimir Gon‡alves de Souza prwladi@ig.com.br