O Espirito Santo, Meu Amigo e o Ponto Cego

 

 

                                    Me pergunto, o que o Esp¡rito Santo fez para que algumas pessoas deixassem de acreditar nEle? O que esta por tr s de uma posi‡ão como esta?

                                    Me parece que a pessoa do Esp¡rito Santo ‚ apenas o “bode expiat¢rio”, onde pessoas descontentes com outras coisas desembocam sua angustia e descontentamento. como se procurassem alguma coisa para se entrincheirar, dedicar suas energias e se opor ao status estabelecido na igreja, aquela mesma igreja, que nunca, segundo eles os ouviu e os compreendeu plenamente.

                                    Em minha experiˆncia ministerial, que ali s não ‚ muita, tenho observado pessoas aqui e ali, que renunciam parcialmente a f‚ que aderiram no come‡o da vida cristã. Surge um ponto cego que com o decorrer do tempo os leva a se rebelarem.

                                    Mas preciso reconhecer que temos uma parcela de culpa nesta hist¢ria, que acabou por facilitar o “deslocamento espiritual” destas pessoas. 

                          Temos muitas vezes ficado sem ver aquilo que Deus deu  para a congrega‡ão, atrav‚s dos dons por Ele concedidos a seus membros. Vocˆ pode perguntar, como assim? Vou tentar explicar.

                        O Esp¡rito Santo concede a toda pessoa que se converte primeiramente o Dom de Si mesmo, a pessoa torna-se o Templo do Esp¡rito Santo, pois Ele ensina, lembra, testifica, (João 14:26,15:26) etc., e consequentemente o fruto do Esp¡rito (G l. 05:22) come‡a a amadurecer, amor, alegria, paz, ...fidelidade...dom¡nio pr¢prio, e isto ‚ obra de uma vida inteira.

                         Mas o crente não vem para a igreja para ficar sentado no banco somente ouvindo e ouvindo, o Espirito agora distribui dons espirituais(I Cor. 12), isto ‚, capacita‡ões para diversas obras, diversos servi‡os, diversos minist‚rios, segundo o que Ele quer.

                        No entanto, o ap¢stolo chama nossa aten‡ão para cinco dons espec¡ficos em Ef‚sios 04:11-16, e ‚ interessante observar,  que “quando Ele (Cristo) subiu em triunfo …s alturas...deu dons aos homens”(vs. 08), Jesus e o Esp¡rito (I Cor.12:11) partilhando de uma mesma atividade. “ E Ele designou alguns para ap¢stolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do minist‚rio, para que o corpo de Cristo seja edificado.” (vs. 11,12).

                        “...trata-se de dons formativos, que devem servir para equipar o povo de Deus para o minist‚rio divino...essa distribui‡ão de dons leva as pessoas a tornarem-se formadores, treinadores e pais espirituais de outros...”.(Wolfgang Simson, “Casa que transformam o mundo, editora Evang‚lica Esperan‡a,, p g. 124)

                        E ai creio esta nossa for‡a, mas não podemos esquecer que a sombra de toda for‡a se esconde um perigo a altura, uma tenta‡ão muito forte, que por vezes apaga muitas estrelas, este ‚ ponto cego.

 

O Ponto Cego

                       

                                    O que tenho pensado ‚ que estas pessoas que um dia estiveram conosco e que hoje estão fazendo “oposi‡ão” dentro e fora da igreja mantinham um ou mais destes dons que um dia o Esp¡rito lhes concedeu, eles estavam a frente ocupando o p£lpito, o ancionato, o pastorado, a escola sabatina e outras fun‡ões mais, não eram irmãos de retaguarda, mas apreciavam a linha de frente, os seus dons os impeliam a isto.

                                    Tais irmãos vieram com todo o entusiasmo para a igreja, e a ela aderiram firmemente com muita convic‡ão, foram agraciados com a presen‡a e atua‡ão do Esp¡rito de Deus em suas vidas, e por fim não se aquietaram nos bancos, colocaram a “mão na massa”. Foram capacitados para isto atrav‚s dos dons espirituais, Ef‚sios 04:11,12

 

 

 

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O Minist‚rio Qu¡ntuplo

 

O primeiro ‚ o Dom do pastorado, não confunda necessariamente com o 

pastor da igreja.

Para quem tem este Dom “ em geral os relacionamentos são tudo,

simplesmente porque ele tem um vivo interesse no bem-estar  a longo prazo do rebanho.

                            Por causa do trabalho nos relacionamentos e do cuidado pelos detalhes do aconselhamento ele perde rapidamente a visão geral, panorƒmica.” (idem)

                         E ai, pode estar o problema, muitas destas queridas pessoas, devido a v rios fatores, não conseguem desenvolver um bom relacionamento, podem come‡ar a cobrar demais, podem exigir por parte da comissão da igreja ou do pastor local uma a‡ão mais decidida contra o pecado segundo sua opinião e como as vezes isto demora ou mesmo não acontece do jeito que ele imagina, então se recente e se amargura, a dire‡ão para a revolta esta apontada.

                        O segundo Dom em questão ‚ o de profecia, ‚ necess rio uma explica‡ão para não sermos mal entendidos, cito então a li‡ão da escola sabatina do inicio de 1997, muito boa por sinal, p gina 3, da li‡ão 10:

                                    “O Dom de profecia se destaca na B¡blia. H  dois tipos gerais de profecia: as “cl ssicas” e as “preditivas”. A profecia cl ssica tem a ver com uma situa‡ão contemporƒnea. Os escritos de Isaias e Jeremias são exemplos. Esses homens receberam algumas mensagens que foram basicamente dirigidas …s pessoas do seu tempo, e outras mensagens que continham elementos referentes apenas ao futuro. Daniel e Apocalipse contˆm muita profecia preditiva.”

                                    Quando falamos aqui em Dom de profecia entre nossos irmãos na igreja, falamos especificamente do Dom cl ssico, que ‚ manifesto em prega‡ões que vem ao encontro das nossas dificuldades. Todos conhecemos pessoas que quando pregam, realmente parecem transmitir a Palavra de Deus.

                         “...ele vˆ coisas que ningu‚m mais vˆ...bem poucos realmente o compreendem. O profeta est  menos interessado no que as pessoas pensam. Quer saber o que Deus tem a dizer sobre a situa‡ão...pouco sistem tico e geralmente não muito organizado. Gosta de deixar isso por conta de outros....

                          A perspectiva do profeta ‚ radicalmente diferente da do pastor. Obt‚m uma instru‡ão de Deus, (as vezes ‚ sua mesma, obs. do autor) e depois, nessa perspectiva, questiona tudo o que lhe atravessa o caminho de forma bastante implac vel, incluindo o pastor...” (Wolfgang, p g. 126)

                        Certamente muitos irmãos não conseguiram administrar suas caracter¡sticas ministeriais, vocˆ e eu conhecemos pessoas com estas caracter¡sticas, que são por vezes considerados radicais, o ponto cego surge, a revolta pode tomar seu rumo certeiro.

                                    O terceiro Dom ‚ o do apostolado

                                    necess rio uma boa explica‡ão tamb‚m. A palavra grega “ap¢stolo” significa enviado. “O Dom do apostolado na igreja atual corresponde melhor ao dos pioneiros que penetram em novas  reas, fundando igrejas e dando assistˆncia a grupos de igrejas recentemente organizadas. (Li‡ão E.S. 01 a  03/97, p g. 04, li‡ão 08)

                                    “... A partir dessa posi‡ão de comando ele consegue ter uma visão geral, reconhecendo as correla‡ões amplas, estudar seus mapas e procurar por novas pastagens verdes para os rebanhos... como Paulo, tamb‚m ele nunca est  realmente satisfeito: depois de visitar Roma ele j  planeja seguir imediatamente para a Espanha! Seu conceito central ‚ “estrat‚gia”, seu cora‡ão bate pela “missão”...

                                   O minist‚rio apost¢lico ‚ um servi‡o fundador, fundamental. capaz de criar coisas “do nada”, lan‡ar fundamentos no deserto e, sob diversos aspectos, unifica em si todos os demais dons. O ap¢stolo pode exercer a fun‡ão de solucionar problemas e descobrir talentos espirituais...” (Wolfgang, p g. 126,127)

                                Olhando desta perspectiva não ‚ dif¡cil reconhecer em pessoas que se tornaram problem ticas, as qualidades apontadas acima. Quem sabe as estruturas da igreja não conseguiram assimila-los suficientemente, quem sabe suas id‚ias não eram aceitas pela lideran‡a, ai podem surgir a magoa, o ressentimento, e novamente o norte pode ser a revolta, e a partir da¡ come‡am a usar toda a capacidade e engenhosidade de maneira err“nea, vocˆ pode perguntar se isto ‚ poss¡vel, ‚ claro que sim, leia I Corintios 14, e ali ver  pessoas com dons formid veis usando-os de maneira equivocada, ‚ uma pena.

                                    O pr¢ximo Dom ‚ o de Mestre, aquele que ensina.

                         “...Seu lema ‚: “A Verdade, nada al‚m da Verdade!” O  mestre est  interessado na qualidade, nos detalhes, que …s vezes o fascinam mais que as grandes correla‡ões. Na melhor das acep‡ões, ele ‚ uma “pessoa das notas de rodap‚”, que visa um conhecimento bem exato. Não apenas tem paixão por ensinar, mas seu Dom carism tico reside em conferir poder a outros, ensinando-os como se ensina...” (idem p g. 127)

                                    Aqui temos um estudioso, e em dias onde vocˆ pode comprar todo tipo de literatura, e acessar na Internet todo tipo de id‚ias, isto pode ser desastroso. Desastroso no sentido que muitas pessoas não tem o discernimento e maturidade necess rios, não buscam conselhos e se contaminam com ensinos estranhos e falsas doutrinas.

                                    Surge então o orgulho da opinião que come‡a a atrapalhar a luz da Verdade. “Reiterando persistentemente a falsidade, e isso contra toda a evidˆncia, chegam finalmente a crer ser ela verdade. Ao mesmo tempo que se esfor‡am por destruir a confian‡a do povo nos homens que por Deus foram designados, acreditam realmente que se acham empenhados em uma boa obra, fazendo em verdade servi‡o para Deus.” (PP 404)

                                    Finalmente o ultimo Dom, o de evangelista.

                                    A poucos dias estive visitando um diretor de grupo de meu distrito e fal vamos exatamente sobre este assunto, quando citei o nome de determinada pessoa que fora finalmente, depois de muita luta, removida do rol de membros da igreja, ele me contou que tal irmão, era tremendamente mission rio, a pr¢pria fam¡lia do diretor fora ganha por ele a mais de vinte e tantos anos atr s, que coisa!

                        “ O evangelista tˆm trˆs paixões reais: que pessoas encontrem a Jesus, que elas encontrem a Jesus e, por fim, que encontrem a Jesus. Estabelece um saud vel foco para fora nas igrejas e participa na ajuda aos novos fi‚is, quando “lˆ o evangelho” para os iletrados, que ‚ sua fun‡ão original, plenificando assim cristãos e não-cristãos com o evangelho, ou seja “evangelizando-os”.

Na B¡blia os evangelistas não são os que impulsionam a propaga‡ão do

reino de Deus ou que at‚ se responsabilizam por ela, mas que colaboram com as pessoas apost¢licas e prof‚ticas, os quais lan‡am os fundamentos das comunidades eclesiais.”(Wolfgang, p gs. 127)

                                    A colabora‡ão e parceria com outros dons ‚ a dificuldade de muitos daqueles que não estão mais em nosso meio, são muito capazes, mas de dif¡cil relacionamento, precisam de inteligˆncia emocional, aquela que faz que uma pessoa mesmo de inteligˆncia m‚dia produza muito, pois consegue interagir com outras pessoas em seu ambiente.

                        Por fim todos estes que hoje estão do outro “lado da rua” gritando slogans contra n¢s, acabaram sendo vitimas do esgotamento espiritual, e n¢s não soubemos prevenir isto, e consequentemente não conseguimos tratar quando a “doen‡a” se  manifestou.

 

Esgotamento Espiritual

 

                                    “O Dr. Herbert Freudenberger descreve a pessoa esgotada como “algu‚m que est  num estado de fadiga ou frustra‡ão em conseqˆncia de sua devo‡ão a uma causa, seu estilo de vida, seus relacionamentos, coisas que não lhe trouxeram a recompensa esperada.” ( citado em Esgotamento Espiritual, Malcolm Smith, Ed. Vida, p g. 09)

Chegam então a conclusão de que tudo o que tinham crido at‚ então

falhou quando eles mais precisavam de ajuda, procuram então se recompor investindo sua capacidade contra o causador de sua infelicidade, que pode ser uma doutrina mal entendida, uma pessoa em especial, ou tudo referente ao seu passado religioso.

 

 

 

 

O que mais acontece?

 

                                    No passado algu‚m que se desviava por discordƒncia doutrin ria, arrumava suas “malas” e ia embora, quem sabe para uma outra denomina‡ão, ou mesmo mantinha uma posi‡ão “independente”.

                                    No entanto, outros de “tempos para c ”, assumiram uma posi‡ão diferente, embora não concordem com isto ou aquilo permanecem na igreja, mas trabalham contra a mesma, inflamando aqui e ali, at‚ que se chega ao ponto de serem removidos do rol de membros da mesma.

                                    E ai esta o ponto, nasce o complexo de m rtir, o que eles precisavam para dizer que estavam certos, e que foram perseguidos pela igreja agora apostatada. Se antes voltavam sua armas contra a lideran‡a e alguns pontos teol¢gicos, agora apontam uma artilharia contra a igreja, e o mais incr¡vel, sempre tem algu‚m disposto a apoiar e dar cr‚dito, esta armada a confusão.

                                    Agora que se sentem livres do compromisso com qualquer forma externa, come‡am a seguir e propagar aquilo que acham certo, sua “teologia” ‚ definida principalmente em termos de negativas.

                                    Negam o compromisso de seguirem l¡deres e pastores, tornam-se anticlericalistas, individualistas.

                                    Negam a autoridade da igreja estabelecida, e ficam atirando barro na organiza‡ão, mesmo ficando com as mãos todas sujas. E passam a montar uma “c¢pia da igreja” que condenam, usam o mesmo nome, os livros e gostam de abordar seus antigos irmãos com a “nova luz”.

                                    Negam a identidade do remanescente, tornam-se separatistas, seu movimento ‚ de protesto contra o oponente, da¡ que precisam sadicamente ficar buscando erros aqui e ali para alimentar  e incrementar sua ideologia. Escƒndalos ‚ o que alimenta suas p ginas, seu estado de ƒnimo ‚ fun‚reo.            Sem eles sua pr¢pria existˆncia não se justifica.

Criam disc¢rdia, por causa de seu ci£mes, são irados, e causam

dissensões e fac‡ões,  (Gal. 05:19-21), são caracterizados por uma atitude “anti-tudo”.

                                    Na ƒnsia de escapar da apostasia imagin ria tornam-se prisioneiros dela, sua identidade anterior sempre os persegue e dali precisa sempre tirar o motivo de sua pr¢pria existˆncia, ‚ semelhante ao  cão que corre atr s do pr¢prio rabo.

                          “ como o filho do padeiro que teimosamente se recusa a ser padeiro; h  o perigo de que passe toda a sua vida considerando-se como um não-padeiro. A figura de seu pai – mesmo que seja negativa – continua influenciando todas as suas decisões. Assim, mesmo na rebelião ele continua dependente do pai, um perigo t¡pico em qualquer tipo de posi‡ão escapista.” (Christian  A. Schwarz, Mudan‡a de Paradigma na Igreja, Ed. Ev. Esperan‡a, p g. 37)

 

Quais são os sentimentos de Deus?

 

                                    O meu amigo Espirito Santo certamente fica triste (Ef. 04:30), pois uma Sua de Suas fun‡ões ‚ contender com o homem (Gˆn. 06:03), embora Suas advertˆncias (Neemias 09:30) quase sempre não sejam ouvidas.

                                    Mas eu acredito que Sua capacidade de convencer (João 16:07,08), ‚ infinitamente maior que toda rebeldia, embora Ele nunca use a for‡a, (Zac. 04:06), mas mesmo assim Ele fala  e anuncia tudo que a pessoa precisa ouvir (João 16:13).

                                    Quem dera que nunca ment¡ssemos ao Esp¡rito (Atos 05:03,04), quem dera que nunca resist¡ssemos a Ele, (Atos 07:51), para que Ele pudesse nos ajudar em nossa comunhão com Deus (Rom. 08:14-16,26), e nos guiasse a toda Verdade (João 16:13).

                                    No entanto se quisermos ter um curso de a‡ão correto, Ele esta pronto a nos ajudar (Atos 15:28), se quisermos juntar nossa vontade a dEle, Ele poder  nos impedir de seguirmos dire‡ões de nosso pr¢prio cora‡ão (Atos 16:06,07). Ele ‚ a garantia (II Cor.05:05), que Deus nos salvara de nossas mis‚rias e dissensões.

                                    O fato ‚ que o Senhor não desistiu de n¢s, mesmo quando os homens do passado ouviram Sua voz tremendamente alta, que falava do fumegante monte Sinai, e

aprenderam a ignor -La.

                                    Quando a voz de Deus tornou-Se uma voz humana comum, e mesmo que falasse com autoridade, poderia suscitar oposi‡ão, e tamb‚m não ser ouvido, e at‚ quiseram mat -Lo, e o fizeram, Ele não desistiu de n¢s. Ele ressuscitou.

                                    Agora Ele esta presente com uma voz suave, tão pr¢xima como um cochicho, no entanto muito intima e pessoal. Jesus identificou o Esp¡rito Santo, o nosso amigo, como Consolador, Conselheiro, Ajudador, Intercessor, todas estas caracter¡sticas nos mostram que as coisas não seriam f ceis.

                                    A revela‡ão sobre a Divindade ‚ progressiva, diferenciada e cumulativa,

não ‚ de se estranhar, que sendo Deus quem Ele ‚, que o conhecimento de Sua Pessoa trouxesse algumas vezes ‘clareza rudimentar em mist‚rio leg¡timo’.

                                    Ele fala, s¢ não ouve quem não quer. (Apoc. 02:07,11...)

                                     

 

                                                                        Pastor Wladimir Gon‡alves de Souza prwladi@ig.com.br