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A expressão Nova Ordem Mundial, como diz Clifford Goldstein,
tem sido usada há muito tempo, em diferentes contextos e com sentidos
variados. Já foi usada até mesmo para indicar que o socialismo seria
uma pretensa nova ordem mundial para substituir a ordem cristã.
No entanto, o uso mais sugestivo da expressão foi feito pelo então
presidente americano George Bush, no início dos anos 1990. A nova
ordem, para ele e para os religiosos conservadores republicanos,
aponta para uma realidade mais objetiva, que expressaria um mundo
novo, construído sob a influência direta dos EUA e com base em seus
valores políticos, religiosos e culturais.
Talvez a mais antiga incidência do termo Nova Ordem
Mundial tenha ocorrido por ocasião da independência dos EUA, em
1776. A expressão está estampada na cédula de um dólar, abaixo do
símbolo da maçonaria, com o olho que tudo vê, escrita em latim:
“Novus Ordo Seclorum”. O ideal de um regime mundial alicerçado nos
valores americanos, na verdade, existe desde os primórdios da Nação,
mas tornou-se um projeto após sua independência. O uso da expressão,
com tanto fervor, pelo presidente George W. Bush, e por seu pai,
quando presidente americano, somado à associação da expressão com
o símbolo da maçonaria na cédula de um dólar, pode sugerir que,
nesse ideal, a maçonaria e os evangélicos americanos estão alinhados.
De qualquer forma é no governo do Bush filho, após os
atentados de 11 de setembro de 2001, que o ideal e o projeto de
uma Nova Ordem se materializa, na política americana. O presidente
americano divulgou no dia 20 de setembro de 2002, o que passou a
se chamar “Doutrina Bush”, oficialmente a Estratégia de Defesa do
Governo Bush, um documento que todo presidente americano apresenta
ao Congresso. Esse documento afirma que os Estados Unidos passariam
a adotar a estratégia de ataques preventivos no combate aos terroristas
e possíveis inimigos. Os americanos dizem literalmente que, quando
os interesses e a segurança da América estiverem em questão, “não
vamos hesitar em agir sozinhos”, referindo-se a uma independência
em relação aos aliados e à própria ONU. Diz ainda que “o presidente
dos EUA não pretende permitir que qualquer potência estrangeira
diminua a enorme dianteira militar assumida pelos EUA desde a queda
da União Soviética”. Noutro trecho afirma: “Nossas forças terão
poder suficiente para dissuadir potenciais adversários de empreender
uma escalada militar na esperança de igualar, ou mesmo superar,
o poder dos EUA”. O trecho mais crucial do documento tem a ver com
a estratégia preventiva: “Quanto maior a ameaça, mais forte o argumento
para tomar medidas antecipatórias para nos defender, mesmo se há
incertezas sobre o momento e o local do ataque inimigo. Para evitar
esse tipo de atos hostis de nossos adversários, os EUA vão, se necessário,
agir preventivamente” (documento disponível em 21 de setembro, em
www.whitehouse.gov/nsc/nss.pdf).
Curiosamente, um documento de conteúdo semelhante tinha
sido apresentado em 1992 pelo então secretário de Defesa do governo
americano Dick Cheney ao então presidente George Bush (o pai), que
esperava ser reeleito. Curiosamente, Cheney é hoje o vice-presidente
do governo de Bush filho.
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