|
ADULTÉRIO:
DEFINIÇÃO, CAUSAS, CONSEQÜÊCIAS, SOLUÇÕES
E A POSIÇÃO ADVENTISTA
O
adultério sempre foi uma prática criticada e punida nos tempos antigos.
Existem documentos que provam que babilônicos, assírios, persas,
egípcios, gregos e romanos castigavam esta pratica sexual. [43] Também na Bíblia, desde cedo o adultério é mencionado
e punido, devido a ser uma pratica odiosa a Deus (Ml 2:16). A primeira
punição mencionada na Bíblia para os adúlteros é no caso de Judá
e Tamar, em Gn 38:24, onde a punição é a fogueira. [44] Outro castigo mencionado na Bíblia é o da mutilação
(Ez 23:25). [45] Um meio Talmúdico posterior
é o estrangulamento. [46] Porém, o método mais usado e com apoio bíblico
era o apedrejamento, sendo o único confirmado por lei (Jo 8:5, Dt
22:22, Ez 16:40). [47] Deve-se notar que as penas
variavam conforme o caso.
[48] O primeiro passo ao se pegar os adúlteros em flagrante,
era levá-los ao tribunal da cidade, e na presença de duas testemunhas,
era aplicada a pena de morte. [49] Se os acusados
de tal prática fossem ambos casados, os dois seriam apedrejados
(Lv 19:20). [50] Caso a relação
fosse entre uma virgem desposada e um homem casado, ela tivesse
sido seduzida na cidade, ambos também seriam apedrejados (Dt 22:20-22). [51] Caso a relação fosse entre
um patrão e uma escrava desposada, receberiam ambos chibatadas,
visto este ato ser considerado não estritamente um adultério, devido
à escrava ser propriedade do dono (Lv 19:20-22). [52] Quando os adúlteros morriam, ocorria a extinção
da linhagem familiar da parte masculina.
[53] Caso a opção fosse dar carta de divórcio, se a
mulher fosse a adúltera, um rito de desnudação precedia a expulsão
do lar, sendo em seguida lhe dado um documento de divórcio (Os 2:12,
Jr 13:26-27, Ez 16:37).
[54] A mulher cujo marido mantinha suspeitas de infidelidade,
passava pelo teste da sota, ou a lei de ciúmes de Nm 5:11-31,
onde ela era obrigada a beber água com terra do tabernáculo, jurando
que caso mentisse que as maldições bíblicas caíssem sobre ela. [55]
No
Novo Testamento as punições já são mais brandas. Devido à perda
de autonomia, os judeus não mais matavam os adúlteros, embora ocasionalmente
ocorressem apedrejamentos (Jo 8:5).
[56] Porém, esta prática foi abandonada pela Igreja
Cristã. A primeira referencia ao adultério é de forma velada, onde
o concílio de Jerusalém recomenda os cristãos de que se abstenham
de relações sexuais ilícitas, onde a palavra grega utilizada no
verso inclui o sentido de adultério (At 15:20).
[57] O castigo dado para o adultério nas cartas de
Paulo é a exclusão ou a disciplina na Igreja, segundo I Co 5:1-6,
além de perda da salvação conforme I Co 6:9-10.
Além
das conseqüências vistas anteriormente, existem hoje as conseqüências
emocionais, físicas e espirituais que afetam tanto à parte traída
como a parte infiel.
A
parte enganada do casamento é a que mais sofre. Devido à confiança
perdida nos anos de investidos no casamento, à parte traída sofre
de quatro tipos de sentimentos: A) A parte traída fica paralisada
diante da situação. O cônjuge enganado fica imóvel diante da recusa
de que seu cônjuge tenha sido infiel. B) A segunda conseqüência
é a autojustificação. O cônjuge traído começa a perguntar o que
ele tem de errado, já que é um bom cônjuge, pai ou mãe. O amor
próprio é ferido, sobrevindo sentimentos de incapacidade e desamor
de si mesmo, ou então passa como mártir. C) Os que se dão por vencidos
são aqueles que se escoravam na parte infiel, e ao se deparar com
o adultério perdem toda à vontade de viver. D) A vontade de vingança
leva a pessoa traída a trair também.
[58]
Porém,
o cônjuge infiel também passa por crises emocionais, vindo todas
em seqüência. O primeiro sentimento é o da culpa. Embora a parte
infiel esteja vivendo no erro, ela se sente culpada pela situação
em que chegou. A pessoa fica desesperada ao pensar nas conseqüências
de suas atitudes e no quanto poderá magoar seus filhos e seu cônjuge,
o que faz com que a consciência a acuse mais e mais, até que diga
a verdade ou estreite ainda mais seus vínculos com a(o) amante.
[59] O segundo
sentimento
é o da vergonha. O cônjuge infiel sente cada vez mais vergonha
de si mesmo, da sua situação, e do que a igreja e a sociedade irão
pensar dele caso seja descoberto. A partir daí ele passa para o
terceiro sentimento, que é a perda da auto-estima, onde ele se acha
a margem da sociedade, e caso não tenha ajuda, ele irá
afundar-se
ainda mais no pecado.
[60] Outra conseqüência é a perda da confiança e respeito
de seus filhos por ele, que o passam a ver como uma pessoa imoral
e sem crédito. [61]
O
terceiro aspecto de um adultério é a conseqüência física, que vem
através das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). [62] Após a revolução
sexual dos anos
sessenta,
a propagação do sexo livre levou às práticas sexuais irresponsáveis
e à dimensões nunca vistas, aumentando também o número de DSTs. [63] E, através do
aumento da prática do bissexualismo, doenças que eram restritas
a comunidade homossexual, como a AIDS, passaram a contaminar também
os heterossexuais.
[64] Fazer sexo com uma pessoa promíscua é entrar num
terreno perigoso, já que é difícil de se saber com quantas pessoas
ela teve relações sexuais, e se algumas delas estavam contaminadas.
E o pior de tudo é que, além do parceiro infiel se contaminar, a
parte inocente também será contaminada sem o saber, sofrendo também
as conseqüências de um ato impensado de seu cônjuge.
Finalmente,
a pior conseqüência que pode vir ao adúltero é o afastamento de
Deus. Quanto mais o pecador procura preencher seu vazio espiritual
com sexo ilícito, mais afastado ele se acha da comunhão íntima com
Deus. Devido ao Senhor ser um Deus santo, ele pede que Seus filhos
também sejam santos (Lv 11:45). Visto o adultério ser um ato impuro
e abominável, automaticamente o pecador se distancia de Deus, o
que se não for notado e consertado, poderá causar a perdição eterna.
O
adultério repercute na vida do traidor, do traído, dos filhos (se
existirem), das famílias, da igreja, etc. Esta parte limitar-se-á
a procurar soluções para o problema na perspectiva dos cônjuges
e o papel do pastor na situação.
A
culpa que o adúltero abarca diante de Deus pode ser suprimida.
Se aceitar o dom do perdão de Deus, “nenhuma condenação há” (Rm
8:1). As conseqüências, porém, ele leva com o cônjuge e talvez
com outras pessoas.
Depois
de perdoado por Deus, uma coisa a fazer é decidir se confessará
o erro à pessoa atingida e pedirá perdão ou não. A vontade de confessar
deve surgir da vontade de fazer o que é certo e não cair novamente.
Às vezes a mulher ou o homem pode fazer isso com a intenção de causar
dor no cônjuge, fazê-lo agir em prol do casamento ou dissolvê-lo.
Nesse caso pode ser melhor que o traidor leve isso sozinho pelo
resto da vida e poupe o parceiro de uma pancada do ego. [65]
Um
cônjuge traído também pode pressionar para saber os detalhes, ficar
ressentido permanentemente, agir violentamente, tratar o parceiro
como de segunda categoria por estar manchado pelo ato imoral ou
até buscar vingança na mesma moeda, etc. [66]
Mas
em alguns casos, principalmente se o parceiro pode saber do ocorrido
por outra fonte, é melhor que se abra sobre o assunto. Se o cônjuge
é perdoado, experimenta o profundo amor revelado pelo perdão e voluntariamente
reage com gratidão e apreço.
Alguém
que é traído deve saber lidar com os sentimentos negativos. Uma
sensação de que o mundo desabou, um senso de dor alternado com entorpecimento,
um golpe na auto-estima por ser trocado. O homem questiona sua
adequação sexual, lhe vem à mente que é incompetente. Seu auto-respeito,
baseado na sua vocação, rui e ele perde a motivação para fazer face
a outros homens. [68]
A
primeira coisa que uma pessoa nessa situação deve fazer é encarar
a realidade o mais objetivamente possível. É natural que tente
se apegar ao casamento e negar a realidade por causa do medo, falta
de confiança própria e esperança em Deus. Isso estimula o adultério
e dá a parecer ao cônjuge que não o ama.
[69]
Se
isso já foi superado, não deve, então, se autojustificar. Há a
tendência de, ardendo de auto-compaixão e justiça própria, lançar
toda culpa no parceiro. [70] Não é conveniente despertar
no infiel um sentimento de culpa. É provável que já se sinta culpado
e, além disso, dessa forma, o muro de separação aumentará piorando
a situação. É melhor ter uma conversa aberta e ouvir com compreensão
e firmeza. [71]
Há a oportunidade de auto-avaliar e talvez encontrar
em si algo que tenha facilitado o caminho do adultério.
[72] É provável que “as leis do amor, quando [foram]
negligenciadas, facilita[ra]m o caminho para a ‘Causa Estatuária’”.
[73]
O
que foi traído deve continuar a sua vida, não deixar seu trabalho
nem abandonar sua casa. Deve levantar os fatos antes de decidir
se vai ou não continuar casado. Deve buscar conselho, principalmente
de Deus. [74] Deus é soberano, tem tudo sob
controle e vê as lágrimas daqueles que sofrem. [75]
O
pastor deve agir na prevenção de causas e na correção e minimização
das conseqüências. Na prevenção, promovendo encontros, seminários,
aconselhando os casais. Se houver esse problema envolvendo um casal,
ou quando um dos cônjuges é o traidor, o pastor dever visitar e
averiguar os fatos. O próximo passo é conscientizar o membro envolvido
da posição e procedimento da Igreja, advertindo que o passo que
a Igreja terá de tomar será a exclusão da pessoa do rol de membros
da igreja . [76]
Como
se pode ver, o adultério tornou-se algo comum entre homens e mulheres
de qualquer idade. Sabendo-se que “este é o pecado especial deste
século”, [77] a Igreja Adventista procura
tratá-lo de acordo com as normas bíblicas dadas por Deus. Estas
são claras em mostrar que Deus não aprova o adultério. [78] O propósito de Deus é que o
homem, deixando pai e mãe, torne-se uma só carne com a sua mulher
(Gn 2:24). “Em sua manifestação exterior, essa unidade refere-se
à união física do matrimônio”, [79] portanto, se
a igreja constatou que um cônjuge quebrou essa união, que deve ser
única e exclusiva, ela coloca-lo-á em disciplina e “mesmo que o
transgressor esteja genuinamente arrependido, ele (ou ela) será
posto sob censura por um determinado período de tempo”. [80] Se o ato provocou “opróbrio
público para a causa de Deus, a igreja (...) demitirá o indivíduo
ainda que haja prova de arrependimento”. [81] O cônjuge culpado, que se divorciou, “não tem
o direito moral de casar-se com outra pessoa enquanto o cônjuge
inocente ainda vive e permanece sem casar-se”. [82] Se ele (o cônjuge
culpado) casar-se será eliminado da igreja junto com sua nova esposa
se forem membros da igreja.
[83]
Durante
o presente artigo analisou-se o adultério em si e as suas causas
e conseqüências. Começou-se com a definição do adultério bíblico
no Antigo e Novo Testamento, realçando a importância dada a ele
pelos profetas e apóstolos. Em seguida veio a causa emocional e
psicológica do adultério, seguida das conseqüências bíblicas e modernas.
Houve também as soluções para diversos casos de adultérios, além
da posição final da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
A
conclusão que se chegou no presente estudo é a de que o adultério
ainda hoje é considerado pecado diante de Deus. Além de ele ter
uma conotação sexual, ele também é visto como um ato que desobedece
a um dos primeiros mandamentos de Deus, encontrado em Gn 2:24.
Embora as suas causas sejam naturais e até explicáveis (de certo
modo), deve-se lembrar que a natureza humana é pecaminosa, e aos
olhos de Deus os pecados não têm justificativa, o que atrai conseqüências
físicas, morais e emocionais. Embora este pecado tenha solução,
deve-se lembrar que Deus perdoa o pecador e não o pecado. Embora,
devido às condições culturais de promiscuidade no Brasil, isto não
é desculpa para os que caem em pecado, sendo o papel da Igreja discipliná-los,
e até excluí-los, caso tragam escândalo, porém tratando-os com amor
para que permaneçam no aprisco do Senhor.
Apolinário,
Pedro. Grego para o curso teológico. São Paulo: Instituto
Adventista de Ensino – Seminário Adventista Latino-Americano de
Teologia, 1986.
Curvelo,
Ari M. Preceptor do Residencial Masculino da Faculdade Adventista
da Bahia, Cachoeira, Bahia. Entrevista em 2 de outubro de 2002.
Hagner,
Donald A. Matheus 1-13. Word Biblical Comentary. Dallas,
TX: Word Books, 1998.
Hauch,
F. “Moichueuo”. Theological Dictionary of the New Testament.
Ed. Gerhard Kittel. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1979. 4:729-735.
Kohlenberger
III, John R., Edward W. Goodrick, e James A. Swanson. The Exaustive
Concordance Greeck to the Old Testament. Grand Rapids, MI:
Zondervan Publishing House, 1995. Ver “Epithumeo” e “Moicheuo”.
Mateos,
Juan. O evangelho de Mateus. São Paulo: Edições Paulinas,
1993.
Rarper,
Robert A. Extramarital Relations.
New York: Hawthorn Books, 1967.
Reisser,
Horst. “Adultério”. Dicionário internacional de teologia
do Novo Testamento. Eds. Lothar Coenen, e Colin Brown. São
Paulo: Vida Nova, 2000. 1:300-302.
Sayão,
Luís A. T. ed. O Novo Testamento trilíngüe: grego, português,
inglês. São Paulo: Vida Nova, 1998.
Strong,
James. New Exaustive Concordance. Nashville, TN: Thomas
Nelson Publishers, 1990. Ver “Adultery”.
The
Babylonian Talmud. Editado por Isidore Epstein.
Londres: Soncino Press, 1994.
Vine,
W. E. Vine. Colômbia: Caribe, 1999.
Wittschiebe,
Charles. God Invented Sex. Nashville, TN: Southern Publishing
Association, 1974.
[9] Luís A. T. Sayão, ed., O Novo
Testamento trilíngüe: grego, português, inglês (São Paulo:
Vida Nova, 1998), 11.
[10] Juan Mateos, O evangelho de
Mateus (São Paulo: Edições Paulinas, 1993), 8.
[11] Donald A. Hagner, Matheus 1-13, Word Biblical Comentary (WBC),
(Dallas, TX: Word Books, 1998), 118-121.
[12] Pedro Apolinário, Grego para
o curso teológico (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino
– Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, 1986), 78.
[13] John R. Kohlenberger III, Edward
W. Goodrick e James A. Swanson, The Exaustive Concordance Greeck
to the Old Testament (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing
House, 1995), ver “Epithumeo”. James Strong, New Exaustive
Concordance (Nashville, TN: Thomas Nelson Publishers, 1990),
ver “Adultery”. W. E. Vine, Vine (Colômbia: Caribe,
1999), 24.
[15] Horst Reisser, “Adultério”,
Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento
(DITNT), eds. Lothar Coenen, e Colin Brown (São Paulo:
Vida Nova, 2000), 1:300-302.
[16] Hagner, WBC, 118-121.
[17] F. Hauch, “Moicheuo”, Theological Dictionary of the New
Testament (TDNT), ed. Gerhard Kittel (Grand Rapids,
MI: Eerdmans, 1979), 4:729-735.
[19] Kohlenberger, ver “Moicheuo”.
[20] Hauch, “Moicheuo”,TDNT,
120.
[65] Charles Wittschiebe, God Invented Sex (Nashville, TN: Southern
Publishing Association, 1974), 214.
[69] Robert A. Rarper, Extramarital Relations (New York: Hawthorn
Books, 1967), 385-391.
[72] Ibid., 3:11. Wittschiebe, 214.
[76] Entrevista com Ari M. Curvelo,
Preceptor do Residencial Masculino da Faculdade Adventista da
Bahia, Cachoeira, Bahia, 2 de outubro de 2002.
Páginas
1 -
2
|