Responsabilidade
Sexual de Jovens Cristãos
Ellen
G. White

A entrega de todas as faculdades a Deus, simplifica grandemente
o problema da vida. Enfraquece e abrevia milhares de lutas com as
paixões do coração natural. Mensagens aos Jovens, pág. 30.
As afeições juvenis devem ser refreadas, até chegar o período em
que a idade suficiente e a experiência tornarão honrosa e segura
a sua manifestação. Mensagens aos Jovens, pág. 452.
Um pouco de tempo passado a semear joio, queridos amigos jovens,
produzirá uma colheita que lhes fará amarga a vida inteira; uma
hora de irreflexão - o ceder uma vez à tentação - pode lhes desviar
todo o curso da vida para uma direção errada. Não podem ser jovens
senão uma vez; tornem útil essa juventude. Uma vez passado o caminho,
não poderão retroceder para retificar os erros cometidos. Aquele
que se recusa a ligar-se a Deus, colocando-se no caminho da tentação,
há de infalivelmente cair. Deus está provando cada jovem. Mensagens
aos Jovens, pág. 429.
A sensualidade é o pecado da época. A religião de Cristo, porém,
manterá as linhas de controle sobre todas as espécies de liberdade
ilegal; os poderes morais manterão as linhas de controle sobre cada
pensamento, palavra e ato. O engano não será encontrado nos lábios
do verdadeiro cristão. Não condescenderá com nenhum pensamento impuro,
palavra alguma pronunciada que se aproxime da sensualidade, nenhum
ato que tenha a menor aparência do mal.
Não procurem saber quão perto podem andar à beira do precipício
e todavia estar seguros. Evitem a primeira aproximação ao perigo.
Não se pode brincar com os interesses da alma. Seu capital é seu
caráter. Acariciem-no, como fariam a um áureo tesouro. A pureza
moral, o respeito próprio,o forte poder da resistência têm de ser
acariciado firme e constantemente. Medicina e Salvação, págs. 142
e 143.
Toda paixão não santificada deve ser mantida sob o domínio da razão
santificada através da graça que Deus outorga abundantemente em
cada emergência. Porém, que não se crie uma emergência, que não
haja ato voluntário que coloque alguém onde será assaltado pela
tentação, nem dê o menor motivo para que outros o achem culpado
de imprudência. Carta 18, 1891.
Enquanto a vida durar, há necessidade de resguardar as afeições
e paixões com firme propósito. Há corrupção interior, há tentações
exteriores, e sempre que a obra de Deus deve avançar, Satanás traça
um plano para dispor das circunstâncias para que a tentação venha
com força opressora sobre a alma. Em nenhum momento podemos estar
seguros, a menos que confiemos em Deus, e nossa vida esteja oculta
com Cristo em Deus. The Seventh-day Adventist Bible Commentary,
vol. 2, pág. 1.032.
Segundo parece, William está completamente apaixonado por Carol.
Nesta seqüência de cartas, percebemos o contínuo esforço de Ellen
White para tentar ajudá-lo. Carol tem estimulado uma amizade que
absorve quase que totalmente a atenção de ambos. Isso tem ido muito
além dos limites do que é correto e honrado, e eles estão profundamente
envolvidos nas práticas que, como Ellen White disse, devem ser reservadas
para o casamento.
Tal relacionamento ameaça a utilidade futura tanto de William como
de Carol. Ellen White insiste para que eles rompam esse relacionamento,
ou então se casem, para não arruinar a reputação de ambos e o efeito
de seu testemunho como cristãos.
Carta nº 1
Ballardvale, Massachusetts, Agosto de 1879
Estimado
William,
Fui
para minha tenda com o coração quebrantado, a fim de aliviar minha
mente escrevendo a você algumas das coisas que foram-me mostradas
em visão.
O Senhor me mostrou que sua ligação com Carol, não foi, de forma
alguma, planejada para ajudá-lo moralmente ou para fortalecê-lo
espiritualmente. Você fez algumas débeis tentativas para desligar-se
dela, porém logo renovou suas atenções para com ela. Algumas vezes,
ela provocando e você correspondendo.
Você tem gasto horas noturnas em sua companhia porque ambos estão
apaixonados. Ela afirma que o ama, no entanto não conhece o amor
puro de um coração despretensioso.
Foi-me mostrado que você está fascinado, enganado, e que Satanás
se regozija de que alguém que dificilmente possua um traço de caráter
que poderia convertê-la numa esposa agradável e tornar um lar feliz,
tenha influência sobre você para separá-lo da mãe que o ama com
amor constante. Em nome do Senhor, ponha fim às suas atenções para
com Carol ou case-se com ela - não escandalize a causa de Deus.
Você tem seguido seu próprio caminho sem levar em conta as conseqüências.
Seu coração rebelou-se contra sua mãe porque ela não pode, de maneira
alguma, aceitar Carol ou aprovar a atenção que você lhe dedica.
A intimidade formada com Carol não tem propensão a aproximá-lo do
Senhor ou a santificá-lo através da verdade. Você está arriscando
seus interesses eternos na companhia dessa moça.
Carol espera casar-se com você, e você a tem incentivado a esperar
por isso devido às suas atenções. Sua felicidade nesta e na vida
futura está em perigo. Você tem atendido às enganosas e tolas petições
dela e seguido seu próprio juízo, o que não faz de você um cristão
mais firme e um filho mais fiel e consciencioso. Se a atmosfera
que a circunda lhe é a mais aprazível, se ela preenche suas aspirações
a respeito de uma esposa que estará na liderança de sua família,
se em seu julgamento sereno, conduzido pela luz que lhe foi concedida
por Deus, o exemplo dela for digno de imitação, você pode não só
casar-se com ela como também estar em sua companhia e comportar-se
como o marido e a esposa deve comportar-se um com o outro.
Seus atos e conversação são ofensivos a Deus. Os anjos de Deus registram
suas palavras e ações. A luz lhe tem sido concedida, porém você
não a atende. A conduta que tem seguido é uma vergonha à causa de
Deus. Seu comportamento é inconveniente e anticristão. Quando cada
um deveria estar em sua casa dormindo, estão na companhia e nos
braços um do outro quase a noite inteira. Têm seus pensamentos sido
mais puros, mais santos, mais enobrecidos e elevados? Tem uma visão
nítida do dever - um amor maior por Deus e pela verdade?
Sua amiga,
Ellen G. White
Carta nº 2
12 de janeiro de 1880
Prezado
William,
Levantei-me
cedo esta manhã. Minha mente não está em paz no que diz respeito
a você. Seu caso foi-me mostrado. O Livro do Céu se abriu e li um
registro de sua vida.
Você lançava sobre si a mais amarga crítica por ter confiado em
seu próprio juízo e caminhado em sua própria sabedoria. Rejeitou
a voz de Deus e desprezou as advertências e conselhos de Seus servos.
Seguiu com perseverança e persistência seus próprios caminhos perniciosos,
nos quais o caminho da verdade foi blasfemado e almas que poderiam
ter sido salvas por seu intermédio se perderam.
Muito mais poderia relatar a seu respeito, mas isso é suficiente
por ora. Senti-me agradecida quando saí da visão e percebi que não
era a realidade presente, que o tempo de graça se prolongava. E
agora, peço-lhe que se apresse e não brinque mais com as coisas
eternas.
Você se vangloria de ser honesto, mas não é. Por sua conduta tem
estado e ainda está soldando os grilhões que o prenderão na mesma
escravidão com Carol. Tem rejeitado a voz de Deus e tem atendido
a voz de Satanás. Age como um homem destituído de bom senso e por
quem? Por uma moça sem princípios, sem um traço de caráter realmente
digno de amor, arrogante, extravagante, voluntariosa, não consagrada,
impaciente, obstinada, sem afeto natural e impulsiva. Se vocês se
separassem completamente, ela ainda poderia ter uma melhor oportunidade
para examinar-se e humilhar o coração diante de Deus.
Sempre há um período crítico na vida de um rapaz quando se separa
das influências e conselhos sábios do lar e enfrenta novas situações
e provas difíceis. Se, contra sua vontade ou por escolha própria,
é colocado em situações perigosas e depende de Deus para buscar
força, cultivando o amor de Deus em seu coração, será guardado de
ceder à tentação pelo poder de Deus que o colocou naquela situação
difícil.
Que diferença entre o caso de José e o de jovens que aparentemente
forçam sua entrada no terreno do inimigo, expondo-se aos impetuosos
ataques de Satanás!
O Senhor fez José prosperar. Porém em meio à sua prosperidade veio
a adversidade mais sombria. A esposa de seu senhor era uma mulher
licenciosa, que o incitou rumo ao inferno. Renderia José seu áureo
caráter moral às seduções de uma mulher depravada? Lembrar-se-ia
de que os olhos de Deus estavam sobre ele?
Poucas tentações são tão perigosas e fatais para os jovens como
a sensualidade. E quem se render provará ser ela claramente destrutiva
para a alma e para o corpo, no presente e na eternidade. O bem-estar
de todo o futuro de José dependia da decisão de um momento. Calmamente
José dirige seus olhos ao Céu e clama por ajuda, livra-se de sua
capa exterior, deixando-a nas mãos de sua tentadora. E enquanto
seus olhos brilham com determinação resoluta, em lugar de uma paixão
não santificada, ele exclama: "Como posso cometer esse grande mal
e pecar contra Deus?" A vitória está ganha, ele escapa da sedutora;
está salvo.
Você tem tido oportunidade de mostrar se a sua religião é uma realidade
prática. Tem tomado liberdades à vista de Deus e dos santos anjos
que não tomaria na presença de seus amigos. A verdadeira religião
compreende todos os pensamentos da mente, penetrando todas a intenções
secretas do coração e todos os motivos de ação; o objeto e a direção
dos afetos e toda a estrutura de nossa vida.
"Tu és Deus que vê", seja a senha, a sentinela da vida. Você pode
aceitar essas lições. Você necessita aprender. Que Deus o ajude.
Ellen G. White
Carta nº 3
Hornellsville, Nova Iorque
Estimado
William,
Sinto
sincero interesse que esse último apelo não seja tratado com indiferença
como foi o anterior. Se não atender a esse, será o último convite
que receberá.
Resta agora ver se você seguirá o caminho de paixão que escolheu,
e se Carol, após sua confissão fará o mesmo que tem feito. Foi-me
mostrada sua conduta como segue: ela admitiria e depois atrairia
suas simpatias da maneira mais comovente por meio de cartas e conversação.
Você fora novamente atraído por ela para lhe oferecer simpatia e
estímulo, pois estava tão fraco e completamente cego que outra vez
fora enredado por ela mais firmemente do que antes.
Foi-me mostrado que você estava em sua companhia altas horas da
noite; você sabe muito bem de que modo essas horas foram gastas.
Pediu-me para dizer se você havia transgredido os mandamentos de
Deus. Pergunto-lhe: Não os está transgredindo? Como foram empregadas
as horas que passaram juntos noite após noite? Foram sua postura,
atitude e afetos tais que desejaria que fossem registrados no Livro
do Céu? Vi e ouvi coisas que deixariam os anjos ruborizados.
Nenhum rapaz deve fazer o que você fez com Carol, a menos que esteja
casado com ela. Fiquei muito surpresa ao saber que você não vê esse
assunto em sua verdadeira luz. Escrevo-lhe agora para implorar,
por amor a sua alma, que não brinque mais com a tentação. Apresse-se
para pôr fim a esse encanto que, como um pesadelo horrível, o tem
envolvido. Liberte-se agora e para sempre se tiver algum anseio
pelo favor de Deus.
O caminho que tem seguido é suficiente para destruir a confiança
em você como um homem honesto e cristão. Você não faria o que fez
se não estivesse sob o sedutor poder de Satanás. Continuo, porém,
em dúvida se você mudará seu comportamento. Conheço a força que
mantém o encantamento sobre você e espero que a perceba e a sinta
antes que seja tarde demais. Você fará uma mudança completa e romperá
a ligação com Carol? Ela fará a parte dela? Se não fizer isso, então
case-se com ela de uma vez e desonrem a vocês e não mais a causa
de Deus.
Você tem falhado significativamente em quase todos os aspectos.
Agora, no resto de sua vida procure recuperar o que perdeu. Que
o Livro do Céu ofereça um registro diferente de sua conduta.
Deus o abençoe.
Ellen G. White
Carta nº 4
Setembro de 1880
Querido
William,
Fiquei
contente em receber sua carta e apreciei ler suas sugestões de permanecer
onde está até que tenha recuperado ou desfeito a influência errônea
que exerceu. Fico feliz de que se sinta assim. Como você sabe, escrevi
explícita e claramente da forma que as coisas foram-me mostradas.
E a consideração que tenho por sua alma levou-me a relatar o seu
caso do modo como foi me mostrado, como de grande perigo. Será difícil
para você enxergar dessa maneira, mas em um sonho que tive na noite
passada, você estava dizendo para a sua mãe: "Se as coisas são realmente
desta forma, não adianta eu me esforçar, pois vou falhar."
Eu disse, William, que quando você tentar com toda perseverança
e determinação voltar atrás e se libertar da armadilha de Satanás,
se livrará de sua escravidão e será um homem livre. Exigirá muita
força de vontade, no poder de Jesus, para romper a força do hábito
e abandonar o adversário das almas que você tem acolhido por tanto
tempo. Troque de hóspedes e convide Jesus para tomar posse do templo
de sua alma. Ele, porém, não divide o coração com Satanás. Você
pode agora mesmo, nesse instante, fazer um esforço decidido, não
por seu poder, mas pelo poder de Jesus.
Abra seu coração diante de Deus, confesse e abandone as coisas que
o têm separado dEle. A obra do arrependimento deve começar com sua
mãe. Nunca se aproximará da luz se não fizer isso. Não deixe de
fazer o que deve ser feito para corrigir os erros, pois agora você
chegou ao momento decisivo.
Terá a provação porque será provado por Deus. Se sair puro como
o ouro, então Deus o usará. Não seja incrédulo e sim confiante.
Sua provação não será deleitosa no presente, mas muito dolorosa.
Mais tarde, porém, produzirá o pacífico fruto da justiça. "Pois
o Senhor corrige ao que ama, e açoita o que recebe por filho. É
para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois
qual é o filho a quem o pai não corrija?" Heb. 12:6 e 7.
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Agora seus passos devem descer profundamente pelo vale da humilhação.
Você tem pensado: "Minha montanha permanece firme. Posso suster-me."
No entanto, sua experiência passada e sua situação presente é que
deve lhe dar um claro discernimento da depravação do homem por causa
de seu afastamento de Deus.
Meu querido jovem, por amor a Cristo, não continue se enganando
em sua conduta. Trabalhe como se fosse para a eternidade. Não consulte
a si mesmo. Abra o coração perante Deus para que não caia sobre
você aquela rocha e o reduza a pó.
Que mais devo lhe dizer? Que posso dizer? Desejo que seja salvo.
Desejo que seja perfeito diante de Deus.
Com amor,
Ellen G. White
Carta 50, 1880.
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