Semin rio Adventista Latino – americanos de Teologia

 

Faculdade Adventista da Bahia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exegese de Romanos 3.21 - 26

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma exegese apresentada em cumprimento

Parcial dos requisitos da disciplina

Grego IV

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por

 

Francisco Luiz Gomes

 

Novembro de 2003

 

                Dentre os escritos paulinos, a carta aos romanos “‚ a mais longa e teologicamente mais significativa das cartas de Paulo.”[1]

     As cartas de Paulo seguem sendo um tesouro inesgot vel para a igreja. Por sua profundidade de pensamento, a imensidão de seus horizontes, o realismo de sua expressão e sobre tudo por seu recurso constante ao centro, a Cristo, a somente Cristo, são depois dos evangelhos, os testemunhos mais ricos da revela‡ão.[2]

            À Paulo[3] ‚ atribu¡da a autoria da carta aos romanos,[4] sendo escrita[5] por volta dos anos 56 – 58 a.D[6] em ocasião de sua estada em Corinto.[7] Esta ep¡stola  ‚ dirigida aos cristãos[8] de Roma[9] com objetivos definidos[10] em suas linhas mestras[11] que esbo‡am v rias questões tratadas[12] numa bela linguagem[13] floreada em um vocabul rio bem mais soteriol¢gico  que as outras ep¡stolas.[14]

            Raymond Brown sugere duas divisões, sendo uma formal e outra de acordo com os conte£dos.[15]

            Ap¢s apresentar um quadro terr¡vel sobre a situa‡ão do ser humano (1.18 – 3.20)[16] Paulo partilha a compreensão estimulante e libertadora de que Deus tem um meio muito mais simples de justificar as pessoas: pela f‚ me Cristo.[17]

            Abrindo a se‡ão de 3.21 – 31, o autor volve-se sobre a afirma‡ão de 1.16,17, na qual desenvolve o “agora” da salva‡ão para toda essa humanidade pecadora.[18]

            O plano de Deus ‚ apresentado em Rm 3.21-26. Paulo combina trˆs met foras: da corte judici ria ( justifica‡ão); da institui‡ão da escravatura (emancipa‡ão); e do sacrif¡cio ritual (expia‡ão pelo sangue). Descreve um ato de Deus em favor dos homens, servindo as met foras para real‡ar a mudan‡a de posi‡ão e condi‡ão nele envolvida.[19]

     Mas o que ele est  empenhado em esclarecer ‚ que por nenhum esfor‡o pr¢prio poderia o homem alterar seu status perante Deus, da mesma forma que um preso culpado não poderia justificar-se, ou um escravo libertar-se, ou uma pessoa “impura” purificar-se sem os meios sobrenaturais; mas que Deus, por puro e simples ato de gra‡a tornou poss¡vel tal mudan‡a.[20]

            Entre os eruditos ‚ unƒnime a id‚ia de que a “justi‡a de Deus” ocupa o tema do terceiro capitulo.[21] O verso 21 come‡a da seguinte forma: “mas agora”[22] que introduz o tema da “justi‡a de Deus” predominante (3.22, 25, 26) no par grafo chave.[23] Essa justi‡a, da qual a Lei e os profetas dão testemunho[24] ‚ agora manifesta, expressando na vida do crente “o efeito ou o estado no presente de uma a‡ão no passado”.[25]

     Desde a mesma introdu‡ão do conceito “justi‡a de Deus” no tema da ep¡stola, sente-se o contraste com a justi‡a legal – acentuado pelo fato de que a justi‡a de Deus ‚ denominada tamb‚m “justi‡a pela f‚.[26]

            Para abordar a natureza da salva‡ão e descrevˆ-la como um ato no qual o homem ‚ libertado da condena‡ão, Paulo usa o termo “justifica‡ão”,[27] no entanto, apresenta-o de forma contrastante … concep‡ão judaica.[28]

            Paulo no verso 22 volta a citar o tema central, a “justi‡a de Deus”, a qual torna-se operativa na vida humana por meio da f‚ me Jesus Cristo,[29] e agora acrescenta mais duas verdades a seu respeito.[30]

            O termo portuguˆs “justi‡a”,[31] “referindo-se ao modo equƒnime de Deus tratar com a humanidade em gra‡a”.[32]

     Uma das expressões que definem a efic cia salv¡fica do Evangelho ‚ “justi‡a de Deus”. A f‚ da parte dos seres humanos corresponde `iniciativa salv¡fica de Deus. A f‚, segundo Paulo ‚ a condi‡ão £nica e necess ria para participarmos da for‡a da salva‡ão que se manifesta e se torna presente no Evangelho.[33]

            Este verso consiste na centralidade do desenvolvimento do argumento Paulino, isto ‚ atestado pela ˆnfase em dois termos centrais “justi‡a” (dikaiosynē) e “f‚” (pistis).[34] Tal justi‡a ‚ ao mesmo tempo “objetiva” ou inerente a Deus, cumprida em Cristo, e tamb‚m ‚ “subjetiva”, isto ‚, proporciona ao homem,[35] a entrada em um novo eon (atmosfera).[36]

            A manifesta‡ão da justi‡a como a‡ão divina conduz a justi‡a compreendida como do dom de Deus, ela ‚ deste modo direcionada a todos que tˆm f‚.[37]

            Como podemos interpretar a frase “justi‡a de Deus”? Este ‚ um caso de um genitivo objetivo, ‚ a justi‡a determinada pela pr¢pria natureza.[38] E esta ‚ “por meio da f‚ em Jesus Cristo” ( dia pisteōs Iesou Christou).[39]

            A f‚[40] da qual se trata aqui não ‚, em primeiro lugar, a adesão intelectual a uma lista verdades, mas uma entrega total do homem a Deus, considerado como £nico que pode salvar.[41]

            Na verdade Paulo exclui a imagem judeu-rabinica de um Deus fiscal, descobrindo pelo contr rio seu verdadeiro rosto de Pai que atua por amor e que interv‚m em favor da humanidade pecadora.[42] No sentido Paulino o ato decorrente da atua‡ão da “justi‡a de Deus” não indica uma senten‡a exterior, mas uma mudan‡a radical operada por uma atividade transformadora de Deus,  que atinge o ser humano em seu intimo.[43]

            Dando seguimento … sua argumenta‡ão expositiva, o autor afirma que esta justi‡a de Deus que tem como canal a f‚ em Jesus Cristo “‚ para todos os que crˆem” ( eis pantas tous pisteiontas )[44] evidenciando assim de forma cumulativa o corrente pensamento que reconhecia uma diferen‡a no m‚todo de salva‡ão entre judeus e gentios,[45] que o autor tendo em mente estes dois povos diz que não h  “diferen‡a”[46] entre ambos, cujo estado moral ou rela‡ão com Deus e sua necessidade de salva‡ão continuam at‚ o fim

            no verso 23 que Paulo esclarece o motivo da inexistˆncia de distin‡ão, quando afirma que “todos pecaram e carecem da gl¢ria de Deus”. O ap¢stolo ao dizer que todos “pecaram”, usa o verbo grego harmatano [47]  no tempo aoristo,[48] que pelo fato de ser “um tempo pontilear, representa uma a‡ão como um fato ou evento sem definir a maneira de sua ocorrˆncia ou dura‡ão,”[49] que ‚ melhor assimilada pelo seguimento frasal “carecem”[50] da gl¢ria.

            Peter Stuhlmacher afirma que

     Desde a expulsão de Adão e Eva do para¡so eles careceram da gl¢ria de Deus, que ‚, o car ter da existˆncia da inocente cria‡ão de Deus, que de acordo com a tradi‡ão judaica ‚ identificada com justi‡a. Esta perda não pode ser revertida pelo esfor‡o humano.[51]

            Na B¡blia, “gl¢ria” ‚ usada com freqˆncia para significar “honra”, “fama”, “reconhecimento”,[52] que ao assumir a reflexão judaica sobre Adão e Eva, por seu pecado, foram despojados do vestido esplendoroso divino (gl¢ria equivalente a justi‡a) com o qual Deus os havia vestido.[53]

            Depois de haver mostrado a realidade que afirma que somos pecadores e necessitamos da justi‡a de Deus, o autor no v. 24 confirma que estes judeus e gentios são justificados[54] gratuitamente[55], o que nos indica algo imerecido.

            Em seguida … apresenta‡ão da fonte da justi‡a, Paulo especifica o atributo divino do qual emana tal justi‡a, a gra‡a.[56]

            O que Deus faz mediante a cruz, Paulo explica atrav‚s de trˆs palavras-chave[57]: reden‡ão (apolytrōsis)[58], propicia‡ão (hilastērion)[59] e demonstra‡ão (endeixeis).[60]

            Por meio do uso destas duas primeira palavras, o autor relembra o objetivo da morte de Cristo.[61]

     bem poss¡vel que Paulo tinha escolhido um tema que era comum para ambos, a fim de demonstrar que a morte de Cristo ‚ o £nico meio definitivamente v lido de propicia‡ão mediante o qual tanto os ritos v‚tero-testament rios quanto as cren‡as judaicas contemporƒneas acerca das mortes dos m rtires eram ultrapassadas de uma vez para sempre.[62]

            no evento cruz que Deus lan‡a sua justi‡a sobre os pecados deixado “impunes”, que para o leitor deve soar não como uma impunidade de Deus, senão o “passar por alto”.[63] Este verso lan‡a nosso olhar para tr s com o objetivo de compreender a total hist¢ria do pecado humano e vˆ-lo julgado na cruz.[64]

     O fato dos pecados serem passados por não diz que Deus não mantinha diante dos seus olhos, pois Ele sempre olhava para a satisfa‡ão da quebra da Lei no evento. De fato a cruz tinha que vir, pois sua justi‡a deveria ser satisfeita e seu governo mantido. Por este evento o crente pecador não ‚ salvo unicamente pela miseric¢rdia de Deus, mas por sua justi‡a.[65]

            No entanto, tal passividade divina visava uma finalidade £ltima, a manifesta‡ão da justi‡a de Deus num ponto do tempo, aqui traduzido como tempo presente.[66]

            A reden‡ão realizada por Cristo tem efic cia retrospectiva, bem como prospectiva,[67] que evidencia um autor “justo e justificador”.[68]

            Deste modo para Paulo tudo funde-se em uma grande unidade: o ponto de partida ‚ a justi‡a de Deus por Cristo, a “justi‡a de Deus”, que ‚ a sua pr¢pria pessoa, que tem vindo a n¢s e se convertido em realidade manifesta em nosso mundo.[69]

            Diante do que foi exposto ‚ razo vel citar um pensamento de um erudito aprofundado em NT:

     A doutrina da justifica‡ão significa que Deus pronunciou o veredito escatol¢gico de absolvi‡ão sobre o homem de f‚ no presente, antecipando-se ao ju¡zo final. A justi‡a resultante não ‚ uma perfei‡ão ‚tica; ‚ “impecabilidade” no sentido de que Deus não mais conta o pecado de uma homem contra ele (2 Co 5.19). O homem justo não ‚ “visto como se ele fosse justo”; ele ‚ realmente justo, est  absolvido do pecado pelo veredito de Deus.[70]

            Ao estudarmos a se‡ão (vv. 21 – 26) percebe-se nitidamente uma crucial significƒncia no desenvolvimento Paulino e exposi‡ão do seu evangelho, como ‚ confirmado pela ˆnfase repetida sobre palavras-chave de sua prim ria declara‡ão tem tica (1.17). Nos seis verso, “justi‡a” e seus cognatos ocorrem não menos que sete vezes, enquanto “f‚” (substantivo e verbo) aparece quatro vezes.[71]

            Assim Paulo mostra que por for‡a dessa (justi‡a de Deus), o fiel em Cristo torna-se pessoa nova, que experimenta em profundidade o perdão dos pecados, o resgate da submissão … for‡a do pecado, a parceria com o Deus da alian‡a, e a fraternidade com os outros.[72]



[1] D. A. Carson, Douglas J. Moo e Leon Morris. Introdu‡ão ao novo testamento (São Paulo: Vida Nova, 1997), 267.

[2] Am‚d‚e Brunot. Los escritos de san Pablo (Estella, Navarra: Editorial Verbo Divino, 1991), 9.

[3] Em sua vida podemos perceber uma educa‡ão mesclada pela influˆncia da cidade grande, dom‚stica, na escola sinagogal, em Jerusal‚m e farisaica. Jos‚ Bertolini. Introdu‡ão a Paulo e suas cartas (São Paulo: Paulus, 2001), 9-16.

[4] H. J. Brokke. Romanos, o evangelho do cristo ressureto (Belo Horizonte: Editora Betƒnia, s.d ), 13.

[5] Apesar da hist¢ria textual da epistola indicar algumas dificuldades acerca dos dois £ltimos cap¡tulos. A melhor conclusão ‚ aceitar-se a integridade da carta que abrange 1.1 – 16.27. O texto completo apresenta menos problemas que outras teorias. Todos os manuscritos gregos existentes tˆm os cap¡tulos 15 e 16. Broadus David Hale. Introdu‡ão ao estudo do novo testamento (São Paulo: Editora Hagnos, 2001), 211-3.

[6] Algumas datas diferentes são propostas, mas esta ‚ a de aceita‡ão mais comum. H. B. Bardwell. Pablo, su vida y sus ep¡stolas (Terrassa, Barcelona: Editora CLIE, s.d), 235.

[7] Segundo o relato de At 20.3, tendo completada a evangeliza‡ão do Oriente por ocasião de sua terceira viagem mission ria e prestes a partir para Jerusal‚m, Paulo transcorre um per¡odo de trˆs meses em Corinto. Guilherme Bellinato. Paulo, cartas e mensagens (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 1979), 163.

[8] De acordo com escritos de Suet“nio, historiador romano, o imperador Cl udio havia expulsado os judeus de Roma por causa de perturba‡ões causadas por “Crestos”. Tendo ficado os cristãos gentios na igreja de Roma. No entanto, com a ascensão de Nero, que era favor vel aos judeus, estes voltaram e tentaram direcionar a igreja a seguir o evangelho da Lei. Daniel Patte. Paulo, sua f‚ e a for‡a do evangelho (São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 1987), 340. 

[9] Com rela‡ão … composi‡ão da igreja romana na ‚poca em que Paulo escreveu, sugere-se um questionamento se ela era predominantemente judeu-cristã ou gentio-cristã. No entanto a opinião comum ‚ que dirigia-se a uma comunidade principalmente gent¡lica. C. E. B. Cranfield. Carta aos romanos (São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 1992), 10 Ver tamb‚m: Jos‚ Maria Gonzalez – Ruiz. O evangelho de Paulo( São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 1980), 128.

[10] fato not vel que a ocasião favor vel para a reda‡ão de Romanos e o objetivo desta provieram da situa‡ão e dos planos do ap¢stolo. Com base na situa‡ão biogr fica e hist¢rica, o car ter especifico da ep¡stola aos romanos pode ser contrastantes com as outras epistolas paulinas: um “testamento”, e simultaneamente, uma mensagem concreta dirigida … igreja de Roma. Werner Geor Kmmel. Introdu‡ão ao novo testamento (São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 1982), 404,7.

[11] Ao escrevˆ-la estava com o fito de fazer aos crentes certa comunica‡ões, dar-lhes certeza de sua projetada visita depois de desincumbir-se da missão que o levaria a Jerusal‚m e de oferecer-lhes sistem tica e compreensiva exposi‡ão do evangelho de Cristo. Charles R. Eerdman. Coment rios de romanos (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, s.d), 13.

[12] Tais como a situa‡ão de pecado da humanidade; a gratuita miseric¢rdia de Deus que, me Jesus Cristo interpele cada ser humano; o papel da f‚ no processo de justifica‡ão; a fun‡ão da Lei na economia da salva‡ão; o batismo; o dom do Esp¡rito Santo; a incredulidade de Israel. Alberto Casalegno. Paulo (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 2001), 109

[13] Que evidencia seu poderoso intelecto, a sua vasta cultura, a sua rica experiˆncia da gra‡a de Deus no cora‡ão e os anos frut¡feros de evangeliza‡ão de judeus e gentios. A. R. Grabtree.  Introdu‡ão ao novo testamento (Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, s.d), 238.

[14] Palavras como “lei”, “gra‡a”, “justi‡a”, “justifica‡ão”, “pecado”, “ira”, “f‚”, “crer”, Esp¡rito”, “esperan‡a”, “circuncisão e incircuncisão” aparecem por muitas vezes na ep¡stola. Em nenhuma outra das epistolas o plano da salva‡ão ‚ exposto de modo tão completo e exaustivo. En‚as Tognini e João Marques Bentes. Janelas para o novo testamento (São Paulo: Louvores do Cora‡ão, 1992), 209.

[15] Importando para n¢s a divisão por conte£dos;

a) 1.1 - 15 – Destinat rios, sauda‡ão e agradecimento;

b) 1.16 – 11.36 – SE€ÃO DOUTRINÁRIA

Parte I  1.16 – 4. 25 – Retidão de Deus revelada atrav‚s do evangelho;

                               1.18 – 3.20 – A ira de Deus e os pecados dos gentios e judeus;

                               3.21 – 4.25 – justifica‡ão pela f‚ aparte da Lei;

Parte II 5.1 – 8. 39 – Salva‡ão de Deus para aqueles justificados pela f‚;

Parte III 9.1 – 11.36 – Promessas de Deus para Israel;

c) 12.1 – 15. 13 – SE€ÂO EXORTATÒRIA

Parte I 12.1 – 13.14 – Recomenda‡ões autorizadas para a vida cristã;

Parte II  14. – 15.13 – A for‡a do amor par o fraco;

                     15.14 – 33 – Planos de viagem de Paulo e uma ben‡ão;

                     16.1 – 23 – Recomenda‡ão a Febe e sauda‡ões para o povo em Roma;

                     16.25 – 27 – Conclusão / doxologia;

Raymond E. Brown. An introduction to the new testament (New York: Doubleday, 1997), 560.

 

[16] Todos os seres humanos, de todas as ra‡as e classes sociais e culturas, não importando sua origem geogr fica ou educa‡ão filos¢fica ou ideol¢gica – todos, sem exce‡ão são pecadores culpados, indesculp veis e sem defesa diante de Deus. John Stott. Romanos (São Paulo: ABU, 2000), 122.

[17] Diane Bergant e Robert J. Karris. Coment rio biblico (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 1999), 3: 180.

[18] O centro do interesse ‚ de novo, a universalidade: a igualdade de judeus e gentios no ƒmbito da f‚. Sen‚n Vidal. Las cartas originales de Pablo (Madrid: Editorial Trotta, 1996), 396.

[19] Wielfrid J. Harrington. Chave para a b¡blia (São Paulo: Paulus, 1985), 526.

[20] R. Schnakenburg. The gospel according to St. John (New York: Herder & Herder, 1968), 1: 19-25.

[21] Destacam-se Karl Barth. The epistle to romans (New York: Oxford University Press, s.d.), 77; Ernest Kasemann. Commentary on  romans (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1980), 78. Ver tamb‚m : Peter Stuhlmacher. Paul’s letter to the romans (Louisville, KY: John Knox Press, 1994), 14.

[22] As palavras paulinas em grego (nuni de) referem-se a: a) transi‡ão l¢gica – a elabora‡ão do argumento; b) transi‡ão/contraste temporal – onde Paulo no momento presente divide o tempo em duas partes (o tempo antes da revela‡ão do meio no qual Deus coloca homens justos consigo pr¢prio e o tempo depois dela). Para transi‡ões similares, ver 1 Co 15.20, Ef 2.13, Hb 9.26; c) dimensão escatol¢gica – evoca um evento escatol¢gico que toma lugar no presente. C. K. Barret. The epistle to the romans (London: A & C Black Limites, 1991), 69; Barclay M. Newman e Eugene A. Nida. A translator’s handbook on Paul’s letter to the romans (London: Unites Bible Socities, 1973), 54; John Stott, 122. Esta constru‡ão frasal mostra que o cerne das mensagens proclamadas por Paulo e os outros mensageiros do Evangelho. Aqui elas introduzem o esbo‡o deste ensinamento: a) Deus tem provido uma justi‡a de Si pr¢prio para homens e mulheres, uma justi‡a que n¢s não possu¡mos em n¢s mesmos; b) Esta justi‡a ‚ pela gra‡a; c) Ela ‚ obra do Senhor Jesus Cristo em morrer por seu povo, redimi-lo do pecado, que tem feito esta gra‡a de Deus poss¡vel; d)Esta justi‡a que Deus tem gratuitamente provido torna-se nossa atrav‚s da simples f‚. James Montgomery Boice. Romans (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1995), 1: 348.

[23] Para a teologia de Paulo como expressada particularmente em Romanos, a frase “justi‡a de Deus” provˆ o foco inicial da declara‡ão tem tica que define seu evangelho, 1.16 – 17. James D. G. Dunn. The theology of Paul the apostle (Grand Rapids, MI: Eerdman Publishing House, 1998), 340.

[24] A Lei de Deus sempre demandou duas testemunhas para qualquer fato. Paulo evoca nesta frase que ocorre diversas ocasiões na Palavra de Deus (Dt 17.6; 19.15; Mt 18.16; 2Co 13.1; 1 Tm 5.19, Hb 10.28) esta mesma id‚ia. Donal Grey Barnhouse. Romans, God’s remedy (Grand Rapids,MI: Eerdmans Publishing Company, 1995), 2: 20.

[25] O verbo “manifestar” ‚ do grego  fanerōu que aqui aparece est  no tempo perfeito do modo indicativo. Este tempo combina a a‡ão pontilear ( . ) e a durativa  ( __ ), indicando assim uma a‡ão  completa. Louren‡o Stelio Rega. No‡ões do grego b¡blico (São Paulo: Vida Nova, 1995), 123. Em 1.17, Paulo diz que a justi‡a de Deus ‚ “revelada” (apocaliptetai / tempo presente ). Aqui ele diz: a justi‡a de Deus tendo sido “manifestada” ( pefanerotai ). Existe uma pequena diferen‡a. Enquanto o tempo presente enfatiza a continua‡ão do processo na proclama‡ão do Evangelho, no tempo perfeito o fato daquele processo tem um inicio. Ele ‚ encontrado na morte de Jesus. C. K. Barret, “3.21”, 69.

[26] Paulo expressa clara e redundantemente que a justi‡a de Deus se faz “sem lei” ou “a parte da lei”. Anders Nygren. La epistola a los romanos (Buenos Aires: Editorial La Aurora, s.d.), 128.

[27] W. T. Conner. La f‚ do nuevo testamento (Texas: Casa Bautista de Publicaiones, s.d.), 367.

[28] Segundo a teologia judaica, o homem ‚ cria‡ão de Deus dotado de capacidade de escolher a obediˆncia ou a desobediˆncia … lei revelada de Deus, e, assim escolher as conseqˆncias de vida ou morte (Dt 30.11-20). O principal objetivo do homem na vida era cumprir os mandamentos de Deus e manter todas as pr ticas que foram prescritas para o povo. Merril Teney. O novo testamento, sua origem e an lise (São Paulo: Vida Nova, 1972), 115.

[29] Esta declara‡ão ‚ mais explicita que a men‡ão inicial da f‚ em conexão com o evangelho (1.16,17), visto que ela especifica Jesus Cristo como objeto necess rio da f‚. Kenneth L. Barker & John R. Lohlenburg,”3.22”,  NIV Bilbe commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1994), 2: 536.

[30] A primeira ‚ que ela vem mediante a f‚ em Jesus Cristo para todos que crˆem. Al‚m disso ‚ oferecida para todos porque todos tˆm necessidade dela. John Stott,“v. 22”, 123.

[31] Do grego dikaiosynē , “justi‡a”, “retidão”. Este substantivo ocorre em Rm 1.17; 3.5, 21-22, 25-26; 10.3; cf. 2 Co 5.21; Fp 3.9; Rm 4.3, 5, 9, 22; cf. Gl 4.6; Tg 2.22. Paulo ‚ quem faz o emprego mais freqente desta palavra e de suas varia‡ões, dando-lhe uma gama mais longa de sentidos. De todos os escritos do NT, ‚ ele quem estabelece a conexão mais estrita com o AT, ao falar da justi‡a de Deus, e da justifica‡ão dos pecadores da parte de Deus. Podem-se distinguir as seguintes linhas de pensamento: a) mediante as obras dalei, com base na perfeita obediˆncia ningu‚m poder  ser justificado (Rm 3.20, 28; Gl 2.16, 3.11); b) Paulo conclui que o homem pode ser justificado somente, mediante a f‚ em Cristo (Rm 3.26, 28; 5.1; Gl 2.16); c) J  que crente morreu com Cristo no que diz respeito ao pecado e agora ‚ justificado (Rm 6.7) vive somente para Deus. Lothar Coenen e Colin Brown.”justi‡a”, Dicion rio internacional de teologia do novo testamento  ( DITNT ), (São Paulo: Vida Nova, 2000), 1: 1117 – 1140.

[32] F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker. “ëικàιοåύνη”, L‚xico do novo testamento grego/portuguˆs (São Paulo: Vida Nova, 2000), 57

[33] A “justi‡a” de Deus e a “f‚” do ser humano são as duas palavras-chave do anuncio pragm tico de Paulo sobre a dinƒmica salv¡fica do Evangelho. Rinaldo Fabris. Paulo, ap¢stolo dos gentios (São Paulo: Edi‡ões Paulinas, 2001), 214,5.

[34] Tais termos aparecem na declara‡ão tem tica de 1.17.  Dikaiosynē  (3.21, 22, 25, 26) e pistis (3.22, 25 – 28, 30, 31). O Termo dikaiosynē ocorre no NT 91 vezes, tendo em Paulo seu uso 57 vezes e somente em Romanos 33 vezes. David A. Hubbard e Glenn W. Baker. Word biblical commentary (Dallas, Texas: Word Books Publisher, 1988), 28A: 163. James D. G. Dunn, 341.

[35] Neste ponto ‚ caracterizada por uma s‚rie de ant¡teses: ‚ independente da lei, contudo ‚ autenticada pela lei e pelos profetas (v. 21); ‚ livremente outorgada ao crente, contudo inteiramente paga pelo pre‡o da reden‡ão em Cristo (v. 24); ‚ intrinsecamente santa, e no entanto, justifica o pecador (v. 26). Russel N. Camplin.”3.21”. O novo testamento interpretado ( NTI ),  (São Paulo: Editora Candeia, s.d), 3: 619.

[36] Paulo adota dialeticamente a visão judaica de dois “eons”. Para ele a manifesta‡ão da “justi‡a de Deus”, o novo eon quebrou o velho eon (da ira) em Cristo, e este novo eon (atmosfera da gra‡a) expande-se com sua morte. Ernest Kaseman, 92.

[37] Ver “v. 22”. C. K. Barret, 70.

[38] James Montgomery Boice. Romans, justification by faith in romans 1-4 (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1995), 1: 349.

[39] A agencia intermedi ria (dia) e a f‚, ‚ um genitivo objetivo que temos aqui, “em Jesus Cristo”, não subjetiva, “de Jesus Cristo”. Archibald T. Robertson. ,“v.22”, “Las Epistolas de Pablo”.Im genes verbales em el nuevo testamento (Barcelona: Libros CLIE, s.d), 4: 463,4. O  termo “por meio” ‚ dia, uma proposi‡ão de agˆncia intermedi ria. Ela, “f‚” ‚ o meio atrav‚s do qual esta justi‡a ‚ dada. Kenneth S. Wuest. “v.22”. Word studies in greek new testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1995), 1: 59.

 

[40] Paulo coloca o conceito de pistis no centro de sua teologia, no entanto, sua concep‡ão ‚ contrastante … do juda¡smo. O voc bulo grego pistis  e erga nōmon expressam a novidade da rela‡ão com Deus, a qual ‚ encerrada pela pistis como uma volta e constante referˆncia ao ato salvador de Deus. Paulo conecta a ben‡ão da salva‡ão estritamente, consistentemente e exclusivamente pela f‚. Descreve esta ben‡ão como dikaiosynē, mas isto leva Paulo fazer uma declara‡ão que ‚ paradoxal ao juda¡smo, isto ‚, que  dikaiosynē ‚ pela pistis, e que não ‚ conseqentemente atribu¡da ao homem sobre as bases de suas obras. Neste ponto de vista a rejei‡ão paulina das obras devera ser tomada como aquela aplicada unicamente como obras da Lei Mosaica, por‚m f‚ como um ato de obediˆncia sem requerer uma medida segura da atividade sobre a parte do homem. Acima de tudo ‚ claro que quando Paulo demanda do crente um cumprimento da Lei, o faz em um novo senso, a saber do amor (Rm 13. 8-10; Gl 5.14). Paulo deixa claro o porque de rejeitar obras. O meio de erga nōmon  (obras da Lei) ‚ um falso meio de salva‡ão devido o homem buscar por si pr¢prio estar em p‚ diante de Deus. A pistis ( f‚ ) genuina, como atitude b sica s‚ ‚ poss¡vel pelo ato gracioso de Deus em Cristo. Gerhard Kittel. Theological dictionary of the new testament ( TDNT) (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1980), 6: 174 – 228.

[41] importante notar que Paulo nunca diz que a f‚ justifica (como se o crente, pela f‚ fosse o autor de sua justi‡a). Ele afirma sempre que ‚  Deus quem justifica “pela” f‚ ou que o homem  ‚ justificado (subtendida por Deus) “pela”, “mediante” a f‚. Maurice Carrez e outros. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas (São Paulo: Paulus, 1987), 172.

[42] Santiago Guijarro Oporto e outros. Coment rio al nuevo testamento (Madrid: La Casa de la B¡blia, 1995), 425.

[43] Ao contr rio do sentido rab¡nico-forense normalmente concebido do AT. Era a senten‡a de absolvi‡ão do tribunal humano que declarava justa uma pessoa, embora nem sempre ocorresse um julgamento segundo a verdade. Alberto Casalegno, 203.

[44] Por isto agora, em forma que a principio pareceria redundante: “para todos os que crˆem”. Talvez este agregado fora originalmente mais explicito, detalhado e mais acentuado. Os manuscritos mostram neste ponto variantes diferentes e muitas indica‡ões para crer na forma mais longa – eis pantas kai epi pantas tou pisteiontas – “para todos e sobre todos os que crˆem” ‚ a variante original. Em vista de que qualquer agregado pode parecer redundante e sup‚rfluo, ‚ mais f cil supor que uma das frases bastante parecidas – eis pantas e epi pantas – se tem omitido por descuido, e no o agregado original fora ampliado mediante a combina‡ão de duas frase tão semelhantes. Por demais, ‚ caracter¡stico de Paulo repetir um nome com preposi‡ões distintas quando se trata de real‡ar uma coisa de modo especial. Um exemplo disto temos em 1.17 com sua combina‡ão de expressões – ek pisteo e eis pistin – “por f‚ e para f‚”.  Se ‚ correta nossa conclusão de que a variante mais explicita  ‚ o original, surge a pergunta: que queria Paulo expressar ao empregar as duas preposi‡ões eis e epi ? Que queria dizer ao afirmar “para todos os que crˆem” e que mais queria agregar ao continuar “sobre todos os que crˆem’? Não ‚ evidente por si mesmo que com cada uma destas expressões Paulo queria real‡ar uma coisa distinta. Queria com certeza aumentar a ˆnfase. A palavra que se repete ‚ “todos”. O efeito mais evidente da repeti‡ão ‚ acentuar a universalidade da justi‡a por f‚. Que pode significar que a justi‡a divina se revela “sobre todos os que crˆem”? Podemos falar a resposta em 1.18 onde figura um exato paralelo do verso em considera‡ão. Me ambos os casos a palavra epi refere-se a algo que desce sobre o homem. Apodera-se dele e o domina. Deste modo a expressão “sobre todos os que crˆem” se converte num novo testemunho da natureza da justi‡a revelada por Cristo. Não ‚ uma qualidade interior de n¢s mesmos, sem uma interven‡ão ativa de Deus por meio da qual ela transforma nossa existˆncia e põe abaixo outras condi‡ões. Anders Nygren, 130,2.

[45] Charles Hodge, 90.

[46] Do grego diastol‚ significa “diferen‡a”, “distin‡ão” ( Rm 3.22; 10.12; 1 Co 14.7 ), sendo tamb‚m relativo ao cora‡ão. F. Wilbur Gingrich, 55. Tendo provido que judeus e gentios são iguais diante da Lei, ele ‚ pronto em argumentar que a diferen‡a entre eles ‚ tamb‚m removida atrav‚s da f‚, não pelo absorvimento dos gentios no juda¡smo, mas pela participa‡ão destes como tamb‚m judeus na promessa da salva‡ão. Hendrickus Boers. The justification of the gentiles: Paul’s letters to the galatians and romans (Peabody, Massachusetts, 1994), 108. O AT conhece uma distin‡ão entre judeu e gentio (Ex 5.1a), mas ‚ a lei que faz esta distin‡ão, tanto que em uma situa‡ão definida sem lei ela deixa de existir; e no que diz respeito ao pecado judeu e gentio vivem em culpa diante de Deus. C. K. Barret, 70.

[47] O mesmo verbo que ‚ usado em 3.23 aparece no em 5.12 e no mesmo tempo. Deus est  olhando para tr s no plano do pecado l¡der de Adão que envolve todos n¢s. William R. Newll. “3.23”. Romans verse-by-verse (Grand Rapids, MI: Kregel Classics, 1998), 113. Segundo Isidoro harmatano significa “não acertar”, “errar”, “apartar-se”, “não alcan‡ar”. Isidoro Pereira, “άμàρçàνο “. Dicion rio grego/portuguˆs e portuguˆs/grego, 29. Desde Homero harmatano significava orpginalmente “errar”, “errar o alvo”. O substantivo cognato harmatia significa “erro” e “falta de alcan‡ar um alvo”. Colin Brown, DITNT, 2: 1602-08. O pecado como indica a palavra grega harmatia, ‚ a “falha em alcan‡ar o ponto pr‚-estabelecido, o alvo”. Clifton J. Allen, ed.,”3.23”, Coment rio biblico broadman (Rio de Janeiro: Junta de Educa‡ão Religiosa e Publica‡ões, 1994), 10:26. Para mais coment rios ver Kittel, TDNT , 1: 267 – 316.

[48] O tempo do verbo, o aoristo, transporta-nos ao ponto do tempo quando o resultado da vida humana aparece como fato completo. William R. Newell, 113.

 

[49] Louren‡o S. Rega, 59. Ver tamb‚m: William D. Chamberlain. Gram tica exeg‚tica do grego neo-testament rio (São Paulo: Casa Editora Prebiteriana, 1989), 101-3.

[50] O termo verbal “carecer” ‚ do grego hystereisthai ‚ usado para denotar que uma meta sido mostrada e aspirada não ‚ alcan‡ada. Adolf Schlatter. Romans: the righteouness of god, 96. Este aparece no presente do indicativo, denotando assim uma a‡ão cont¡nua ou um estado incompleto. Louren‡o S. Rega, 17.

[51] Peter Stuhlmacher, 60.

[52] Se Paulo est  usando o pensamento neste sentido, então “a gl¢ria de Deus” significa a “honra”, “o louvor ou aprova‡ão de Deus”, e da qual estão destitu¡dos os homens. Sendo assim estar destitu¡do da gl¢ria de Deus, significa haver  deixado de alcan‡ar a sua perfei‡ão, haver perdido sua imagem e estar sem a sua semelhan‡a. Francis D. Nichol. ed., Coment rio b¡blico adventista Del s‚ptimo dia, (CBASD), (Buenos Aires: Casa Editora Sudamericana, 1996), 6: 498,9.

[53] Sen‚n Vidal, 397.

[54] A tradu‡ão portuguesa atesta “sendo justificados”. O verbo “justificar” ocorre nesta passagem no partic¡pio presente, o que indica-nos que esse ato ‚ recebido de forma passiva e ‚ expresso como a‡ão durativa. Louren‡o S. Rega, 93.

[55] “Sem qual quer coisa feita de nossa parte para merecˆ-la” (comp. 2 Ts 3.8). Robert Jamieson, A. R. Fausset e David Brown. “v. 24”, A commentary on the old and new testaments (Peabody, MA: Hendrickson Publisher, 1997), 3: 208. O acusativo de dorēan usado como adv‚rbio. Ele ocorre no NT, 09 vezes (Mt 10.8; 15.25; 2Co 11.7; Gl 2.4; 2Ts 3.8; Ap 21.6; 22.17). Ele descreve aqui a maneira de sua justifica‡ão, como algo de um livre dom, gr tis. J. A.  Emerton, C. E. Cranfiel e G. N. Stanton, “The Epistle to the Romans”, The International Critical Commentary (Edinburgh: T & T Clarck, 1998), 1: s.p.

[56] Aqui ch ris não ‚ uma disposi‡ão divina e nem um ato, mas sim um poder escatol¢gico. O uso de dorēan , qual ‚ materialmente sup‚rfluo e não – paulino fortifica-a. Ernest Kasemann, 96.

[57] Todas as trˆs referem-se, não ao que acontece agora, enquanto o evangelho est  sendo pregado, mas ao que aconteceu de uma vez por todas em Cristo e atrav‚s dele na cruz, sendo a expressão seu sangue uma clara referˆncia … sua morte sacrifical. Associadas … cruz, portanto, vemos uma reden‡ão dos pecadores, uma propicia‡ão da ira de Deus e uma prova de sua justi‡a. John Stott, 128.

[58] Vem palavra grega lytron “pre‡o da soltura”, “resgate”, “pre‡o do resgate”. Denota os meios ou o dinheiro para um resgate. A raiz lyō significa “soltar”, “desligar”, “livrar”, “libertar”. O sufixo tron afirma o instrumento ou o meio mediante o qual se leva a efeito a a‡ão verbal. Entre os gregos um resgate freqentemente era pago para soltar escravos, mas a palavra ocorre raramente em contextos rituais. A palavra  apolytrōsis ocorre 10 vezes no NT. A £nica ocorrˆncia no evangelhos acha-se em Lc 21.28. As outras ocorrˆncias acham-se nos escritos paulinos. Estas apari‡ões atestam a preferˆncia helen¡stica pela forma composta (apo + lytron) em compara‡ão com a forma simples, lytrōsis. Nos escritos de Paulo sua ocorrˆncia designa a liberta‡ão do pecado e de sua penalidade, levada a efeito pela morte propiciat¢ria de Cristo. Realidade presente em Cristo (Rm 3.23) que ‚ pelo seu sangue (Ef 1.7) para remissão dos pecados (Cl 1.14) para sermos de Deus (1 Co 1.30). E tal reden‡ão tem um aspecto futuro, na parousia (Rm 8.23, cf Fp 3.21). Colin Brown, DITNT, 2: 1973 – 1996. Mais informa‡ões ver “àãολύçρåις” Gerhard Kittel. TDNT, 4: 328 – 335, 351 – 6.

[59] Aqui h  uma “apresenta‡ão em imagens” com a qual estão ligadas id‚ias c£lticas sacrificiais que proporcionam uma melhor compreensão do significado de ser “justificado em seu sangue” e “reconciliado pela morte de seu filho”, a saber quando Deus põe abertamente Cristo “como propicia‡ão”. Aqui surge claramente o aspecto escatol¢gico absolutamente £nico da morte de Cristo como uma morte expiat¢ria. Por‚m a revela‡ão desta justi‡a divina leva tamb‚m a caracter¡stica de um veredicto judicial escatol¢gico, pois se vˆ acompanhada pela manifesta‡ão da justi‡a vindicativa e condenat¢ria. Herman Ridderbos. El pensamiento Del ap¢stolo Pablo (Buenos Aires: Ediciones, Certeza, 1979), 200, 202 e 206.

[60] Da palavra grega endeixin. encontrada no grego secular desde os pr‚-socr ticos e Her¢doto at‚ as inscri‡ões do s‚culo II a.C, em certo n£mero de sentidos correlacionados: a) “exposi‡ão” ou “demonstra‡ão” de um inqu‚rito ou argumento; b) “prova”, na demonstra‡ão ret¢rica, ao exibir uma amostra ou a evidˆncia   document ria, em argumento dedutivo, ou numa realiza‡ão impressionante. Tamb‚m ocorre com o sentido de “tornar conhecido”, “nomear”, “exibir”, ou “comprovar” um item como exemplo ou instƒncia de outra coisa. Colin Brown. DITNT, 1: 1332-3.

[61] Em outra palavras, a morte de Cristo responde um grande n£mero de importantes finalidades no governo de Deus. Ela expõe “sua multiforme sabedoria” (Ef 3.10, 11); ela foi designada “para purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14); deixar abaixo a distin‡ão entre judeus e gentios (Ef 2.15); efetivar a reconcilia‡ão de ambos perante Deus (Ef 2.16). “para nos desairragar deste mundo perverso” (Gl 1.4); asseguram perdão dos pecados (Ef 1.7); vindicar seus meios ao homem e reconciliar o exerc¡cio da miseric¢rdia com os requisitos da justi‡a. Estes fins não são inconsistentes, mas perfeitamente harmoniosos. Charles Hodge, 95.

[62] Ao mesmo tempo ressalta mais uma vez a importƒncia  da f‚. As palavras “no seu sangue [ em tō autou hamati ]” relembram a ultima Ceia (Mt 26.28 par. Mc 14.24; Lc 22.20; 1 Co 10.16; 11.25) que serviu como proclama‡ão primitiva do Kerygma (1 Co 15.3). Colin Brown. DITNT, 2: 1945 – 1962.

[63] “Impunes”, do grego paresis, palavra cujo significado principal não ‚ perdoar. Francis D. Nichol, “3.25b”, CBASD, 6: 503. Para informa‡ão acerca da semelhan‡a desta palavra e outra, ver: Richard Chenevix Grench. Synonyms of the new testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1975), 114 - 9. Leitura de uma solu‡ão proposta a um poss¡vel problema de exegese, ver: C. K. Barret, 175. O quebra-cabe‡a que Paulo parece armar com esta declara‡ão, ‚ solucionado pelo estudo da palavra paresis, que ocorre unicamente aqui na B¡blia grega, que significa “passar por alto”, mas não no sentido de “contempla‡ão do alto, negligenciando”. O que est  claro ‚ que a justi‡a de Deus era expressa no “passar por cima” do pecado. James D. G. Dunn, 215.

[64] William R. Newell, “3.25b”, 116.

[65] Kenneth S. Wuest. Wuest’s word studies (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1995), 1: 62,3.

[66] O termo kair¢s aqui denota não meramente um momento no tempo ou a passagem do tempo, mas tempo prof‚tico com significƒncia – tempo designado, tempo de oportunidade, cujas decisões e a‡ões determinarão o futuro. Em Paulo, ver particularmente 13.11; 1 Co 7.29; 2 Co 6.2; Gl 6.10, este termo tem especificamente for‡a escatol¢gica (como tamb‚m 8.18; 11.5; 2 Co 6.2) tão menos em 2 Co 8.14, como denotando o tempo entre a morte e ressurrei‡ão de Cristo e a consuma‡ão – o tempo quando as promessas escatol¢gicas estão sendo realizadas, mas ainda não completamente. David A. Hubbard e Glenn W. Barker. Word b¡blical commentary, 38¦: 174,5.

[67] F. F. Bruce. “3.25b”.Romanos, introdu‡ão e coment rio (São Paulo: Vida Nova, 2001), 88

[68] Estas palavras são coordenativas, representado a essˆncia da justi‡a de Deus que ‚ trazer o homem para um est gio de simpatia consigo pr¢prio. O objetivo de Paulo não ‚ mostrar como Deus ‚ vindicado, mas como o homem ‚ feito justo com Deus justo. Marvin R. Vincent. “3.26”, Word studies in the new testament (Peabody, MA: Hendrickson Publishers, s.d.), 3: 49.

[69] Aqui percebemos, talvez com maior esclarecimento que em outra parte, como que o conceito de Paulo tem da “justi‡a de Deus” rompe totalmente a alternativa tradicional: “a justi‡a de Deus ou a justi‡a do homem”. A justi‡a da nova era ou do novo eon ‚ a justi‡a pr¢rpia de Deus que nos ‚ conferida por meio de Jesus Cristo. Anders Nygren, 139.

[70] George Eldon Ladd. Teologia do novo testamento (São Paulo: Hagnos, 2001), 417.

[71] David A. Hubbard e Glenn W. Barker, 38A: 183.

[72] Guissepe Barbaglio. As cartas de Paulo II (São Paulo: Edi‡ões Loyola, 1991), 178.