Liturgia Pentecostal Rompe Barreiras entre o Religioso e o Popular

Vanderlei Dorneles
O culto pentecostal e a Renovação Carismática são o motivo de uma revolução litúrgica hoje em curso em todo o cristianismo. Uma análise sobre o fenômeno mostra que o tipo de música usado no culto é a raiz dessa mudança.
O Louvor no Culto de Renovação
A adoração coletiva, realizada em ritmo festivo e alegre, é
o ponto central da vida espiritual no pentecostalismo. É o momento quando todos
se fazem um, no Espírito Santo, e se preparam para receber os dons espirituais[1].
O clima emocional e envolvente do culto é criado pelo uso de música popular, de
diversos estilos.
Nas igrejas tradicionais a presença dos ritmos musicais
populares é considerada a causa do reavivamento, chamado de Terceira Onda de
poder do Espírito Santo[2].
Para Sandro Baggio, os cristãos, especialmente evangélicos,
estão vivendo uma revolução litúrgica, causada pela presença da música e dos
ritmos populares no culto de adoração. Em sua visão, “um renascimento
espiritual está acontecendo hoje e o Espírito Santo está na raiz disso”[3].
Nesse renascimento, “os jovens estão expressando sua felicidade profunda
através da música rock” e dos diversos ritmos e estilos populares, antes
rejeitados pela igreja. Baggio destaca três itens dessa revolução: os sermões
expositivos, a troca de hinos antigos por canções com melodias contemporâneas e
a recepção da pessoa como está sem pré-requisitos para a salvação[4].
Busca pelas Raízes Culturais
A presença da música popular na igreja é trazida pelo
próprio movimento pentecostal com sua ênfase na emotividade. Mas também é
resultado de uma persistente campanha de rejeição do estilo tradicional de
adoração, desencadeada por pastores, teólogos e músicos. Esse movimento de
rejeição da música tradicional, como herança européia e americana, ocorre em
paralelo com a busca pelas raízes culturais, encorajada pela mentalidade
pós-moderna.
Dentro das igrejas tradicionais, os cristãos estão também
clamando pelo resgate de suas tradições culturais e sua incorporação na
liturgia, como meio de renovar a espiritualidade. Escrevendo no contexto da
América do Sul, Miguel Angelo Darino afirma que cada cultura necessita de uma
prática cultual mais próxima de suas raízes culturais e mais autônoma.
“Reafirmamos, pois, a urgente necessidade de desenvolvimento de um culto mais
autônomo, com expressões culturais inseridas”[5].
Segundo ele, o enfraquecimento da igreja na América Latina está relacionado com
o fato de não haver uma liturgia própria identificada com a cultura nativa.
Isso ocorreria porque “as igrejas protestantes americanas exportam missionários
para a América Latina com o propósito de converter os nativos” e substituir
seus ritmos por ritmos importados. Darino argumenta que uma segunda herança é a
que provém do protestantismo de imigração européia.
“As igrejas componentes dessa corrente propuseram uma fé
evangélica que se manifestou em uma forma mais tradicional e exclusivista. Em
sua maioria eram luteranos, anglicanos e valdenses. Eles não só conservaram seu
idioma natal em seus cultos, mas também continuaram praticando as mesmas formas
litúrgicas usadas em seus países de origem. “Essa liturgia se manteve separada
da cultura local. Se tornou cada vez mais introvertida, conservadora e
irrelevante”[6].
Para Darino, essa liturgia alienadora começou a mudar nos
anos 1960, com os “movimentos sociais nativistas e outros preocupados com a
preservação das tradições dos povos”[7].
A questão levantada por esse movimento cultural é: “Por que usar o órgão e o
piano para adorar a Deus, se o que nos caracteriza é a guitarra, quenas, bumbos
e outros, tanto de sopro quanto de percussão? Por que seguir as práticas
cultuais de outras culturas e não as nossas?”[8].
Jaci Maraschin[9]
propõe que “se Deus não pode ser confundido com doutrinas nem o cristianismo
com dogmas, Seu reino não pode se confinar nas igrejas e sua música não pode
ser (apenas) sacra”[10].
Nessa base, ele propõe que o convite
para adorar a Deus na beleza de Sua santidade, indica “uma santidade diferente
das outras. Uma santidade bela”[11].
Maraschin faz uma distinção entre o conceito popular de santidade e o conceito
de uma santidade bela:
“Na vida comum da Igreja, ‘santidade’ soava como resultado
de censura e vigilância. Santidade era uma espécie de modo de procedimento
inatingíveis. Coisa fora do nosso alcance... Que santidade seria essa? Se ela
realmente fosse o que nos parecia ser à primeira vista, não poderia ser bela.
Seria repugnante. A gente não gostaria dela... Foi assim que comecei a perceber
que ‘santidade’ queria dizer plenitude”[12].
Para Maraschin, essa beleza é um atributo especial do
Espírito Santo, que liberta o coração da repressão e, curiosamente, está
relacionada com a cultura africana:
“A beleza vem de repente. Vem no tempo do Espírito Santo.
Vai chegando aos poucos para que o esplendor profundo de sua iluminação não nos
ofusque. Vem vindo também lá dos lados da África transladada para os lados de
cá pela força e pela injustiça, mas afinal, enraizada aqui à custa de muito
suor e sangue. Vem com seus tambores e cores, com seus ritmos e melodias, com
seus ‘meneios de quadris’”[13].
Maraschin entende que a “santidade bela” esteve ausente da
igreja porque a igreja foi fundada por brancos americanos e europeus. Portanto,
a liturgia importada, desenraizada da cultura nativa, “não têm sabor nem
força”. Os adoradores “assemelham-se a corpos embalsamados e inertes. Não
conhecem a dança nem o riso”[14].
Embora discorde da ênfase pentecostal dada ao Espírito
Santo, que em sua visão, ofusca a economia da trindade[15],
Maraschin propõe que uma liturgia identificada com cultura nativa seja o meio
eficaz de renovação da igreja.
Para Maraschin, a redescoberta do corpo como elemento
fundamental do culto é o que qualifica a liturgia de plenitude e beleza. Isso
está ocorrendo nos movimentos pentecostais, na Renovação Carismática e mesmo
nas comunidades eclesiais de base, no Catolicismo. Nelas, os cristãos “estão
experimentando novos elementos de confraternização litúrgica que vão desde a
liberação da rigidez da postura do corpo, elemento fundamental do culto, até a
expressão do amor fraterno”[16].
A beleza as santidade, na visão de Maraschin, só é possível quando se ouve
“além das palavras”. Argumenta ele: “Em vez de lógica, o deslumbramento. Em vez
de discurso bem organizado, a adoração”. “O movimento litúrgico contemporâneo
tem trazido a dança de volta ao culto. Na dança a gente se toca. Trata-se do
toque transcendental. Descoberta do outro como parte de mim mesmo”[17].
Numa espécie de manifesto litúrgico, Maraschin afirma que “a
liturgia precisa se libertar da tirania dos hinários também herdados e do tipo
de música alienígena que trouxeram para as igrejas”[18].
Além dos hinos, ele entende que a renovação litúrgica deve trocar os
instrumentos musicais. “Precisamos mostrar a sacralidade maravilhosa do violão,
dos tambores, dos pandeiros. Experimentar a beleza do nosso samba, de nossa
marcha-rancho, do nosso xaxado”[19].
A Revolução Litúrgica em Curso
Desde os anos 1960 as igrejas cristãs vivem uma revolução na
prática da adoração. Essa revolução é basicamente a introdução de ritmos e
estilos populares no culto de adoração. A incorporação da música popular no
culto foi possibilitada pela informalidade e menor rigidez trazidas pelo culto
pentecostal. Posteriormente, ela começou a cativar também os católicos e os
protestantes históricos. Nas igrejas protestantes históricas, esse movimento
que transforma a música popular em música litúrgica é objeto de prolongadas
controvérsias.
Afred Küen relaciona uma série de mudanças em processo no
culto cristão em decorrência da nova forma de adorar a Deus trazida pelos
pentecostais:
“Nos anos sessenta, alguns elementos da doutrina pentecostal
se estenderam por todos os ambientes eclesiásticos, inclusive na Igreja
Católica Romana. A nova liberdade descoberta no louvor e na adoração, chegou a
ter repercussões sobre a forma de culto: introduziram-se novos cânticos, mais
dinâmicos, mais centrados no louvor, momentos de oração livre. A assembléia
participa mais com palavras e gestos; a comunhão fraternal se expressa por
saudações místicas e uma atmosfera mais acolhedora. O órgão se substitui por
sintetizadores e dispõem de instrumentos como flauta, guitarras elétricas,
bateria. O sermão se suprime em proveito do louvor, que às vezes se adorna com
profecias e orações ou cânticos em línguas”[20].
Sandro Baggio concorda que a “adoração é a grande revolução
na igreja moderna” e que é “também fonte de muita controvérsia”[21].
Nessa revolução, um novo culto cristão é desenvolvido, onde
os cânticos mais do a pregação modulo a crença e o comportamento dos adoradores[22].
Com estilos diversificados, a música litúrgica, chamada
gospel, estende suas raízes nas culturais nativas. Citando Harvey Cox, Waldo
Cesar afirma existir uma ligação íntima entre essa música e o jazz, ligação que
também se estende à prática do falar em línguas.
“A improvisação, como qualidade chave do jazz, está de muitas formas presente tanto no canto pentecostal quanto na glossolalia. Cox cita o paralelo que faz Wollenweger entre uma espécie de ‘scat singing’ (canto disperso), que Louis Armstrong tornou famoso, e a glossolalia – ou seja, a comparação entre a improvisação vocal no jazz e as sílabas desconexas. Embora usados em diferentes contextos, e com fim diverso, ‘ambos são formas de expressão verbal que transcendem a limitação normal da linguagem’. Daí as palmas que em geral acompanham os cânticos, o balanço do corpo na necessidade de expressar o poder da música na totalidade da emoção religiosa. Essa nova forma de cantar também pode ser encontrada em cultos tradicionais, cujos ‘corinhos’ expressam um novo ritmo, têm caráter repetitivo e levam às palmas e à participação do corpo. Como no começo do jazz, talvez se trate de um rompimento com uma determinada ordem melódica e maior proximidade com novos ritmos, influenciados pela dinâmica da música contemporânea – uma ‘sinfonia dissonante ... capaz de criar uma comunidade moral marcada por diversas percepções das dissonâncias, onde se criam e recriam harmonias’”[23].
Defensor da música gospel, Baggio não hesita em concordar
com Cox: “Diferente do spirituals, o
qual está arraigado nos hinos formais protestantes, a música gospel negra é
improvisada, altamente emocional e alegre”[24].
Ele defende que o gospel não é um estilo musical novo, mas uma música de
estilos variados, com letra cristã. “Alguns dizem que existe o jazz gospel, o
reggae gospel, o country, etc.”[25].
Luís de Castro Campos Jr, afirma que “além do rock, o samba, o blues e algumas
melodias de influencia jazzística completam o quadro de ritmos presentes”[26]
no pentecostalismo e na renovação litúrgica religiosa.
Contracultura Cristã
A difusão do movimento de renovação religiosa e uso da
música gospel ocorrem em paralelo com o movimento da contracultura popularizado
na década de 1960, com a música rock e o uso de drogas.
Os próprios defensores do gospel relacionam essa revolução
religiosa com o movimento cultural secular dos anos 1960. Sandro Baggio afirma
que a renovação musical religiosa “é apenas uma forma de adaptar o louvor e a
adoração a formas e estilos contemporâneos”, e que o gospel “é na verdade fruto
de uma revolução espiritual que aconteceu na América do Norte no início dos
anos 70”. Ele afirma que “no meio dessa revolução, houve o processo de
renovação da música cristã para torná-la mais relevante à nova geração”[27].
E conclui: “A música cristã contemporânea nasceu do movimento de contracultura
dos anos 60”[28].
O movimento de renovação litúrgica incorpora o mesmo
espírito de rebelião[29]
e rejeição à autoridade e à tradição visto na contracultura. Baggio diz que
“aqueles jovens (da contracultura dos anos 60) estavam procurando paz, amor,
realidade e vida. Eles estavam rejeitando o consumismo capitalista, a
hipocrisia religiosa e a superficialidade da cultura americana”[30],
e que não é outra coisa que faz a renovação musical religiosa. Luís de Castro
Campos Jr questiona como os “protestantes conseguiram conciliar o rock, um
movimento de protestos, com as letras e mensagens gospel, que falam de Jesus
Cristo e de fé”[31].
O uso indiferenciado de música popular na renovação
religiosa está provocando uma integração em grande escala entre o cristianismo
e a cultura popular.
Rock Gospel
A característica básica da música gospel é a letra religiosa. Há uma predominância de
estilo romântico nas igrejas pentecostais clássicas, e de ritmos populares nas
neopentecostais e protestantes históricas. O que determina, portanto, a música
gospel, segundo seus defensores, não é o estilo nem o ritmo, mas a mensagem
objetiva.
Baggio afirma que há diferenças entre o rock cristão e a
música pop ou secular. Porém, “essas diferenças não estão no estilo nem no
ritmo, estão principalmente nas letras das canções e no estilo de vida dos
músicos cristãos”[32].
Popularizado a partir da Inglaterra e dos Estados Unidos, o
rock tem uma história enraizada na religiosidade africana, onde uma música
primariamente percussiva enriquecia os rituais. Dan Johnson diz que “o ritmo
rock, depois de uma longa viagem da África... [onde fora usado] muitas vezes
nas cerimônias, ritos religiosos e outras celebrações com tambores, chocalhos,
varetas, cabaças e outros instrumentos de percussão”, chegou finalmente às
grandes cidades[33]. E afirma:
“O estilo do ritmo rock existia na África séculos antes da música clássica ter
aparecido na Europa”[34].
Sandro Baggio alega que, embora “a música rock contenha
elementos de estilos musicais africanos, não é correto dizer que o ritmo do
rock é demoníaco por este motivo. Isso seria insultar a diversidade cultural da
criação de Deus”[35]. Toda
criação musical do espírito humano, sejam ritmos ou estilos, é um dom dado por
Deus. Nesse caso, Satanás teria poder apenas de perverter e de usar para o mal
as coisas que Deus cria, mas não de criar algo. Para Baggio, “a música
africana, assim como todos os estilos musicais, é fruto da capacidade criativa
que Deus deu ao homem. Em cada cultura esta capacidade se expressa de uma forma
diferente”[36].
O mal uso de que fala Baggio está apenas na letra das
músicas, que encorajam a rebelião aos padrões morais ou religiosos. Mas se esse
mesmo ritmo é usado com mensagens positivas, que exaltem a Deus, torna-se uma
arma para o bem. A única força de toda música seria definida pelo conteúdo de
sua letra e não por seu estilo ou ritmo.
Com o gospel, os cristãos acreditam estar descobrindo o
poder de comunicação[37]
da música popular na pregação do evangelho. Desta forma, conclui Baggio,
“estamos resgatando para Deus um veículo de comunicação que há muito estava nas
mãos do diabo”[38].
A informalidade do culto pentecostal abriu espaço para as
manifestações emocionais e o desenvolvimento de uma música religiosa com
estilos diferenciados facilitou as manifestações culturais dentro da igreja.
Considerando a liturgia festiva, a música alegre, os rituais
de exorcismo e a informalidade da reunião pentecostal, Waldo Cesar analisa que
“o que se passa, então, no interior de um templo pentecostal parece relativizar
a distinção clássica entre imanente e transcendente, espaço sagrado e profano”,
o que considera “um paradoxo, tomando em conta a aparente alienação de uma
doutrina que prega a separação de um mundo perdido, entregue ao pecado e aos
demônios”[39]. “O
ajuntamento no interior dos templos, esteticamente mais próximo das classes
pobres, assemelha-se à composição diversificada do mundo profano, incluindo
bêbados, prostitutas, drogados, homossexuais – que não se sentem rejeitados no espaço sagrado”[40].
Não apenas o espaço sagrado recebe e abriga as manifestações
culturais[41] do mundo
profano, mas o próprio adorador já não entende que haja oposição entre o Deus
santo e o comportamento pessoal[42].
A aproximação entre o sagrado e o profano, possibilitada
pela inserção da igreja no mundo[43],
e pela presença do mundano na igreja, torna o culto atrativo. A antropóloga
Regina Novaes considera que “hoje assistir a uma missa tornou-se um lazer”[44].
A aproximação dos pólos sagrado e profano tem permitido
levar a religião para festas populares como o carnaval e as folias de rua, onde
a Igreja serve-se dos recursos profanos para encomendar sua mensagem ao coração
das pessoas[45], ao mesmo
tempo em que os foliões descrentes procuram exibir sua religiosidade através de
figuras sagradas no alto dos trios elétricos[46].
O pentecostalismo encoraja a total inserção da igreja no mundo da política, da comunicação, da prosperidade, da cultura. Com a música ritmada, os aplausos, a dança, o pentecostalismo junta sagrado e profano e desfaz as barreiras entre o humano e o divino.
Tem sido lançada em todo mundo grande quantidade de livros
sobre as vantagens espirituais de uma vida de adoração e louvor, principalmente
por parte de evangélicos identificados com a Terceira Onda de poder do Espírito
Santo[47].
No meio evangélico e católico, desenvolve-se um culto
centrado no louvor. O conceito é que através do louvor Deus fala com o fiel. É
na hora de adorar que o Espírito Santo se aproxima para curar doenças e
transformar corações. Joseph S. Carroll afirma que a mudança de vida começa com
o louvor: “Adorar a Deus é indispensável para que sejamos pessoas adequadas. Se
você não gasta tempo em adoração... quando for trabalhar, não somente será
inútil, como também será um tremendo estorvo”[48].
Oswald Chambers diz que “adorar não é algo simples, porque as recompensas são
imensas. À medida que aprendemos a dedicar-nos a adoração ao Senhor, Ele se
fará mais próximo e real a nós. ... As recompensas na verdade são grandes”[49].
Embora defensor de uma prática de adoração, com expressões
culturais inseridas, Miguel Angelo Darino entende que a adoração não pode ser
fim em si mesma. “Não é um meio para alcançar algo. Se adoramos para ter
benefícios, não adoramos”[50].
Terry Law, um expoente pensador da nova liturgia evangélica,
fala de louvor em termos quase sacramentais: “Louvor silencia o demônio. Louvor
é um traje do Espírito. Louvor conduz os crentes no triunfo de Cristo. Louvor
traz revelação. Prepara-nos para milagres. É a maneira de entrar na presença de
Deus”[51].
Don Hustad afirma, porém, que o excesso de expressividade
emocional e a exacerbada ênfase no louvor, em detrimento da pregação, têm
levado os crentes a “louvar o louvor e cultuar o culto”[52].
Um característica comum no louvor pentecostal e nas igrejas
da chamada Terceira Onda é que a letra dos hinos se concentra na pessoa de Deus
e pouco falam de seus atos salvíficos[53].
Para Paul Wairmann Hoon, “o conceito da dignidade de Deus não poderia ser o
primeiro ponto de partida, porque a categoria de valor no pensamento bíblico é
secundária diante das categorias de ser, decisão e ação”[54].
Foi demonstrado que a música gospel, cantada nas igrejas
pentecostais e predominante nas igrejas evangélicas que se declaram
participantes da Terceira Onda de Poder do Espírito Santo, é de estilo variado,
incluindo rock, jazz, música romântica, country, etc. Os defensores do uso da
música popular na adoração entendem que esse tipo de música tem um papel
positivo no culto em virtude da letra que exalta a Deus.
Vários estudos têm sido feitos sobre os efeitos dos estilos
musicais sobre o comportamento[55]
e sobre a mente[56]. Outros
estudos comprovam o efeito da música sobre a consciência religiosa.
David Tame defende que houve uma mudança moral e política no
Ocidente, desde os anos 1960, com a florescência do rock e com o aumento do
número de estilos musicais. Sua idéia é que a variedade de estilos musicais
aumenta a influência da música sobre o comportamento da sociedade e estimula a
rejeição à tradição. Citando Scott, ele diz:
“Onde quer que tenha prevalecido a maior variedade dos estilos musicais, o apego à tradição e ao costume tem sido proporcionalmente menos marcado; e onde os estilos musicais são limitados, como, por exemplo, na China, o apego – e até o culto – à tradição prepondera em grau acentuado. ... Uma inovação no estilo musical tem sido invariavelmente seguida de uma inovação na política e na moral. ... Ao declínio da música (no Egito e na Grécia) seguiu-se o completo declínio das próprias civilizações egípcia e grega”[57].
A variedade de sons e estilos musicais do século 20 não é
superada por nenhuma outra fase da história. Tame acrescenta que “quase todas
as formas de música do século 20 são destituídas de genuíno valor espiritual e
regenerativo”[58]. Outra
característica da música do século 20 é sua vinculação ao entretenimento,
diferente do período clássico, quando a música estava quase invariavelmente
ligada aos ideais espirituais.
Qual a origem dos estilos e ritmos musicais do Ocidente? Estudos mostram invariavelmente sua relação com a música africana, mais especialmente com o vodu, música praticada em cerimônias religiosas dos nativos. Tame diz que
“Durante o período em que se praticava o comércio de escravos, o vodu cruzou o Atlântico nas pessoas dos negros que o praticavam, e deitou raízes no Caribe e nos Estados Unidos. Posto que os registros históricos sobre o assunto sejam vagos, o vodu original de estilo africano parece ter chegado mais ou menos intacto às Índias Ocidentais. Já em 1619, promulgaram-se leis contra a execução dessa música, mas com escassos resultados. Tampouco pôde ser o rito do vodu destruído no continente americano. ... Musicólogos e historiadores não têm dúvidas de que os ritmos dos tambores da África foram transportados para a América e ali transmitidos e traduzidos no estilo de música que veio a ser conhecido como o jazz. Visto que o jazz e o blues foram os pais do rock and roll, isso também significa que existe uma linha de descendência direta entre as cerimônias do vodu africano, através do jazz, e o rock and roll e todas as outras formas de música de rock hoje existentes”[59].
Sobre a influência do vodu, Tame afirma que “se esquadrinhássemos o globo em busca da música mais agressiva e indisfarçavelmente perniciosa que existe, é mais do que provável que nada encontrássemos, em parte alguma, que sobrepujasse o vodu nesses atributos”[60]. Ainda praticado em rituais e orgias satânicas na África e no Caribe, o vodu, na avaliação de Tame “é a quintessênia do mal tonal”. “Seus múltiplos ritmos, em lugar de unir num todo integrado, são executados como se conflitassem entre si”[61].
Segundo as tradições da África, as cerimônias vodu misturavam feitiçaria, sacrifícios humanos e orgias sexuais.
Através da adaptações sofridas na formação do jazz, blues e rock, o vodu saiu das cerimônias religiosas satânicas para tornar-se uma música de entretenimento em todo o Ocidente. Tame afirma que “de uma combinação do blues com o ragtime nasceu o jazz”, e que “Buddy Bolden é reconhecido como tendo sido pelos menos um dos primeiros, senão o primeiro indivíduo, a tocar a música que, mais tarde, veio a chamar-se jazz”[62]. Bolden nasceu em Nova Orleans em 1868, e naquele tempo a cidade ainda mantinha o status de o centro ostensivo de vodu nos Estados Unidos. “A música de Bolden tinha um som estranho, excitante, novo e revolucionário”[63].
Citando Frank Tirro, que escreveu Jazz, A História, Tame diz que o autor “admite: ‘tornou-se o jazz símbolo do crime, da debilidade mental, da insanidade e do sexo, e esteve sob constante ataque da imprensa desde o início da décadas de 1920’”[64].
A ampla difusão, em todo o Ocidente, da música rock e do
jazz, ocorre em paralelo com o movimento da contracultura dos anos 1960,
período em que se assiste a uma rejeição sem precedentes de toda e qualquer
tradição. No meio religioso não é diferente o efeito da música popular com
letra religiosa. O movimento de renovação do culto, com a liturgia
culturalizada encoraja uma persistente rejeição à tradição cristã, na área do
comportamento e das verdades doutrinárias.
Escrevendo sobre a igreja evangélica brasileira, Scott
Horrell, que entende ser a tradição “o processo mediante o qual as verdades
religiosas normativas são transmitidas de uma geração para outra”, afirma que
“em princípio, os evangélicos quase sempre rejeitam a tradição”[65].
A rejeição à tradição está ligada à proposta básica da
liturgia pentecostal: a estimulação das emoções. Para Afred Küen, “uma das
características dos primeiros cultos pentecostais é a reação contra a rigidez
dos cultos protestantes”[66].
Nesse culto, a formalidade tornou-se “anátema” e deve ser evitada a qualquer
preço. “O culto tem de ser informal, espontâneo, de forma que encoraje a
participação e desperte grande intensidade emocional”[67],
conclui Küen.
Busca pelo Êxtase
Desde os primórdios do pentecostalismo, a
experiência de unidade com o divino é a meta primeira do culto. Essa
experiência, inicialmente, podia ser manifestada pelo falar em línguas. Hoje, o
êxtase pode manifestar-se através de sinais diversos desde o falar, orar ou
cantar em línguas, até o arrebatamento ou descanso no espírito. A liturgia
pentecostal, bem como a carismática, é
programada com o propósito de levar o adorador a experimentar o Espírito e
vivenciar seus efeitos na mente e no corpo[68].
Luís de Castro Campos Jr. afirma que a experiência do êxtase
é favorecida pelo culto menos centrado na objetividade e no intelecto. “O
desenvolvimento de uma liturgia menos racional, onde a emoção e o sobrenatural
ocupam maior destaque, é uma preocupação constante”[69].
O culto pentecostal e carismático dão forte ênfase na
imanência, presença viva de Deus no culto. Eles “compreendem que Deus está
verdadeiramente presente no culto, e esperam vivenciar o encontro com Ele,
encontro produtor de milagres e grande regozijo”[70].
Esse encontro com o divino é favorecido, segundo a ótica pentecostal, pela
participação coletiva. Assim, eliminam-se as apresentações do tipo solo e canto
coral, em favor da participação total da congregação. A pessoa como um todo
deve estar envolvida no culto, e isso se faz através de “expressão corporal –
levantar de mãos, bater palmas, abraços e danças”[71].
Peter Wagner afirma que “bater palmas ao ritmo da música é
comum nos cultos pentecostais da América Latina. Isso aumenta a participação
pessoal na liturgia, suspende em diversos decibéis o nível de barulho e eleva o
tom da dramaticidade”[72].
Na Renovação Carismática, o culto participativo e as experiências de transe são comuns mesmo entre jovens, que “resumem sua mística apaixonada num breve bordão: Deus é dez”[73]. Os jovens carismáticos “promovem encontros em domicílio, cantam em torno da imagem da virgem Maria e têm transes místicos”[74]. Mesmo os iniciantes “participam de catarses coletivas e transes místicos, deflagrados nos cultos. Choram muito, curva-se ao chão, erguem as mãos para o céu”[75].
Luís de Castro Campos Jr. afirma que os pentecostais
herdaram dos grupos reavivalistas a prática das vigílias. Nessas reuniões, “os
fiéis passam noites inteiras em oração e cânticos, e as manifestações de êxtase
vão ocorrendo. ... Alguns caem, ou se deitam, significando que estão ‘cheios do
Espirito Santo’”[76].
Há uma progressão no nível emocional das reuniões, planejada
para conduzir os adoradores à experiência do êxtase:
“Nesse processo, o líder do culto é muito importante. Essa
pessoa, acompanhada de outros cantores e orquestra, inclusive instrumentos de
percussão, conduz o cântico de acordo com uma bem planejada mas aparentemente
espontânea progressão, encorajando o povo a ‘abandonar-se a si mesmo ao
Espírito’, em cânticos, palmas e dança. Finalmente, o prolongado e excitante
canto dá lugar à respeitosa quietude, quando os crentes entram na santa
presença de Deus, podendo expressar livremente sua adoração de qualquer maneira
que escolher: falando ou cantando em línguas, interpretando, profetizando, ou
qualquer outra forma”[77].
O momento do encontro coletivo com Deus é chamado de
“santíssimo”, e a preparação, constituída de cânticos, tem o nome de “átrio
interior”[78].
“No ‘átrio interior’, o louvor se concentra no que Deus é e
no que significa naquele momento para cada pessoa. Se expressa através de
‘cânticos extravagantes’, ruídos de alegria. ‘O culto envolve a pessoa por
inteiro em sua resposta a Deus: a inteligência, os sentimentos e o corpo. As
expressões emocionais e gesticulações estão destinados a completar o
intelecto’. ... As ações de graças
pelas bênçãos do Senhor inspiram a participação de todo o corpo: palmas,
cantos, gritos de alegria, música, dança”[79].
“No ‘lugar santíssimo’, a adoração se traduz normalmente
pelo ‘cântico em espírito’, canto ‘aleatório’, ou cantos em línguas’”[80].
Nesse momento as “orações simultâneas são comuns. ... todo mundo fala e o
barulho se eleva até tornar-se um ruidoso estrondo”[81].
Como as experiências de êxtase ocorrem mais comumente no
contexto do louvor, a maior ênfase do culto é dada ao louvor. Segundo Luís de
Castro Campos Jr, “O louvor passa a ter maior importância do que a pregação” e
“geralmente nos ajuntamentos em que a música é o ponto central ocorrem
manifestações extáticas”[82].
“Mas há de se considerar que os instrumentos usados influem no comportamento da
platéia. As ondas sonoras em ambientes fechados e o clima de forte emoção
tornam-se perfeitos para criar um ambiente favorável”[83]
às manifestações extáticas.
Do caminho do “átrio interior” (cânticos) até o “santíssimo”
(êxtase), “a pessoa é atingida na mente (a consciência, o espírito) e no corpo
(gestos, dança, transes), com efeitos imediatos sobre a comunidade (catarse
coletiva). Cada participante parece mergulhado em si mesmo”[84].
Waldo Cesar entende que na experiência do êxtase se cumpre a
maior proposta do pentecostalismo: juntar o transcendente e o imanente,
proporcionando uma força espiritual a quem busca desesperadamente a
sobrevivência num mundo marginalizado. Diz ele:
“Todas as partes do culto enfatizam o miraculoso e alimentam as almas na sua trajetória secular. ... Diante de tantas manifestações extraordinárias, a resposta comunitária é sempre festiva e dispensa a formalidade litúrgica. O fiel se apossa do transcendente – ou o transcendente dele se apossa – e o resultado é o êxtase, o arrebatamento”[85].
O êxtase pentecostal e carismático, porém, não é uma
experiência nova na religião. Embora atribuído ao Espírito Santo, e
interpretado como uma repetição do fenômeno bíblico de Atos 2, o êxtase é uma
incidência comum a várias religiões. Luís de Castro Campos Jr. afirma que
“Algumas das manifestações emocionais que ocorrem entre em
grupos carismáticos católicos e pentecostais protestantes, como a queda e o
transe, não são restritas a cultos ligados ao cristianismo. As religiões
mediúnicas e de origem africana também possuem momentos mágicos, com
procedimentos semelhantes aos observados nos reavivamentos cristãos”[86].
Com a ênfase dada à participação coletiva, ao louvor, e a decorrente redução do espaço da pregação no culto, o pentecostalismo favorece a emotividade litúrgica como um meio de se desenvolver a experiência com o divino. Tanto católicos quanto evangélicos entendem que o culto tradicional é por demais racional, objetivo, e que portanto não atinge a essência do ser humano.
Alberto Moreira afirma: “Nós católicos somos analfabetos em matéria de oração, falamos com Deus, pensamos sobre Deus, mas não sabemos o que significa Deus falar em Nós... O excesso de racionalismo na experiência católica empobrece a nossa experiência mística”[87].
A renovação da liturgia inaugura um novo culto, com destaque para a alegria. Enquanto o culto tradicional é definido como culto da mente, e a liturgia assemelha-se a uma aula, o culto renovado é o culto do corpo, e assemelha-se a uma festa. O católico Luiz Vieira defende que a “a dimensão festiva da liturgia precisa ser restaurada”. Para ele, “a liturgia é festa”, e deve ser entendida como tal porque só a festa “envolve a totalidade do ser humano”[88].
Embora de defensor de uma liturgia identificada com a
cultura local, Miguel Angelo Darino observa no pentecostalismo e na Renovação
Carismática um extremo perigoso. Segundo ele,
“Tem-se caído no extremo de considerar que um culto em que
não há êxtase emocional é um culto morto, que não tem valor. De certa forma
tem-se perdido o rumo deixando de lado o aspecto racional e adotando o outro
extremo, o subjetivo, emocionalista, e com um toque especial de mistério”[89].
Com a estimulação da emoções, o culto pentecostal ronda
pelos extremos, entre alegria e suspense. Nos cultos com excessos emocionais,
são comuns o histerismo, convulsões, risos e danças. Darino resume que nesse
culto há “marcada provocação emocional, música com notável ritmo que provoca
expressão corporal, pregação reduzida à apresentação de um Deus poderoso que
cura doenças e resolve problemas”[90].
Para o pentecostalismo, a emotividade, mais do que a
racionalidade, proporciona a experiência religiosa, a todo o ser. Luiz Vieira
entende que “experiência”, é uma palavra-chave de toda a análise do fenômeno
religioso, uma vez que só é possível falar de religião a partir de uma
experiência sensível[91].
A redução da experiência religiosa ao nível do sentimento primeiro foi feita por F. Schleiermacher, no século 18.
Judson Cornwall fala da emotividade da liturgia renovada
como uma experiência de transe:
“Que conforto e vigor espiritual recebemos quando, em meio à
adoração, nosso espírito tem contato com o Espírito de Deus! Há momentos em que
nosso espírito parece assumir o controle de todo o nosso ser e se acha tão
achegado ao Espírito de Deus, que temos a impressão de estar tendo uma
experiência fora do corpo. ... O êxtase espiritual faz isso. Atingimos novas
dimensões, novos picos de gozo, e nosso espírito paira tão livre que temos a
sensação de não mais estar no corpo e na terra. ... Mas a adoração não liberta
apenas o espírito do adorador. Ela é um meio pelo qual nossa alma também pode
extravasar-se. Na presença do Senhor liberamos as emoções reprimidas durante
longo tempo. É que na adoração tudo é valido: lágrimas, suspiros, gritos,
cânticos e até o silêncio”[92].
Para Cornwall, a experiência do louvor, ao descarregar as
emoções, cumpre uma função de catarse no culto: “Nós precisamos descarregar a
energia emocional para que nosso espírito tenha a calma necessária e possa
entrar em comunhão com Deus”[93].
Jose Comblin acentua que a renovação vem desfazer no meio católico um dualismo antigo, que apresentava um evangelho escolástico para o clero e um evangelho pietista, devocional, para os leigos. “A Renovação Carismática apareceu exatamente na hora certa: na hora em que os católicos esperavam ansiosamente a proposta de um novo pietismo”[94]. No entanto adverte: “O evangelho que proclama e vive torna-se muito subjetivo. A referência à verdadeira tradição bíblica e patrística é muito fraca. O destaque dado à emoção religiosa individual e coletiva não deixa de ser uma fraqueza muito grande”[95].
Conclusões
Estimulando a emoção e introduzindo no culto a música popular, o pentecostalismo e a Renovação Carismática rompem as barreiras entre sagrado e profano e inauguram um culto festivo, que supervaloriza o êxtase emocional, mas não ilumina a mente com a verdade bíblica nem com a consciência da santidade de Deus. A verdade é trocada pela sensação, a santidade é invertida pela alegria irreverente. No culto do corpo, a mente é embotada pelo florescimento das emoções, tornando-se incapaz de diferenciar a verdade do engano.
Deus criou o ser humano com uma distinção primordial: a racionalidade. É por ela que dominamos e direcionamos os sentimentos. E Só a partir de sua integridade é que nosso culto pode ser aceitável a Deus. O culto bíblico é o culto da mente.
Deus recebe o culto da mente porque esta possui o dom do livre-arbítrio. Só a partir da escolha, podemos servir a Deus genuinamente.
Satanás quer o culto do corpo, o culto das sensações, a festa. Ele desenvolveu uma liturgia capaz de obscurecer a mente e liberar o corpo, pois sabe que, em perfeito juízo, a mente humana jamais o servirá.
(Texto extraído e adaptado do terceiro capítulo de TRANSE MÍSTICO: O FATOR DE IDENTIFICAÇÃO ENTRE O CULTO CARISMÁTICO E O CULTO PRIMITIVO, uma dissertação de Mestrado em preparo por Vanderlei Dorneles, editor na Casa Publicadora Brasileira)
[1] Charles Manson, que fundou a Igreja de Deus em Cristo (em 1885), uma das maiores denominações pentecostais dos Estados Unidos, encorajava a música ritmada na igreja como parte da busca pela experiência imediata com o Espírito Santo” (Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, [São Paulo: Exodus, 1997], 22).
[2] Os protestantes tradicionais têm-se confessado abençoados pelo Espírito Santo, não exatamente nos mesmos moldes do pentecostalismo, mas no que chamam de Terceira Onda de poder do Espírito Santo, que se caracteriza pela ênfase no louvor com estilo e ritmo culturais. Peter Wagner (professor do Seminário Teológico Fuller, na Califórnia) define a evolução do pentecostalismo, falando da Primeira Onda como o próprio movimento pentecostal que começou no princípio do século, da Segunda como o movimento carismático que começou na década de 1960, e da Terceira Onda, surgida no último quarto do século, sendo “a manifestação do mesmo poder miraculoso do Espírito Santo em igrejas e instituições tradicionais. (Peter Wagner, Por que Crescem os Pentecostais? uma análise do espantoso avanço pentecostal na América Latina (São Paulo: Vida, 1884), 7.
[3] Sandro Baggio, A Revolução na Música Gospel, (São Paulo: Êxodos, 1997), 65.
[4] Idem, 60.
[5] Miguel Angelo Darino, La Adoración: analisis e orientación (California: Dime, 1992), 17.
[6] Miguel Angelo Darino, La Adoración: analisis e orientación, 18.
[7] Idem, 87.
[8] Idem, 87.
[9] Maraschin é coordenador do programa de estudo, pesquisa e experimentação “Liturgia e Arte”, ligado ao Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências e Religião do Instituto Metodista de Ensino Superior, em São Bernardo do Campo, SP.
[10] Jaci Maraschin, A Beleza da Santidade: ensaios de liturgia (São Paulo: Aste, 1996), 118.
[11] Idem, 9.
[12] Jaci Maraschin, A Beleza da Santidade: ensaios de liturgia, 9.
[13] Idem, 15.
[14] Idem, 16.
[15] Idem, 57.
[16] Idem, 62.
[17] Idem, 128.
[18] Idem, 135.
[19] Idem, 136.
[20] Afred Küen, El Culto en la Biblia e en la Historia (Vol. 5. Barcelona: Clie, 1994), 270.
[21] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 11.
[22] Afred Küen, El Culto en la Biblia e en la Historia, 270
[23] Waldo Cesar, Pentecostalismo e Futuro da Igrejas Cristãs, 89.
[24] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 15.
[25] Idem, 17.
[26] Luís de Castro de Campos Jr., Pentecostalismo, 152.
[27] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 40.
[28] Idem, 52.
[29] Luís de Castro Campos Jr. afirma que “os integrantes dessas bandas (rock gospel) vestem roupas similares as dos grupos heavy metal norte-americanos e usam som em alto volume. Nos shows de rock evangélico são cobrados ingressos, como naqueles das bandas comuns” (Pentecostalismo, 153).
[30] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 54.
[31] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 152.
[32] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 82.
[33] Ao descrever o surgimento do rock e sua conquista da juventude das grandes cidades, Renne Ferri e Maria Alice contam que “o velho blues é superaquecido e chega ao rythm and blues. O caldeirão do spirituals, gospels, country e western e hillbilly ferve como nunca se viu e numa rapidez alucinante. ... A velha guarda, porém, reage e taxa o novo som de demoníaco e incontrolável. Mas é inútil. O comportamento da juventude já é outro, suas roupas são diferentes das dos pais. No início a rebeldia é apenas doméstica, mas se amplia e passa a contestar os valores vigentes, chegando, um pouco mais tarde, a se constituir na contracultura. ... O rck’n’roll, já devidamente eletrificado, tem o seu expoente máximo: Chuck Berry, esse sim a verdadeira encarnação do demônio incontrolável. ... Uma nova postura de contestação vigora, nascem os topetes, os rabos-de-cavalo, o movimento ensandecido dos quadris, a juventude se solta e passa a ter voz própria, veste blue jeans, blusões de couro, bebe cuba-libre e hi-fi e anda de lambreta” (Renne Ferri e Maria Alice, Quarenta Anos de Rock: período pré-jurássico - 1955-1961 (Vol. I. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995), 10-11.
[34] Citado por Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 104.
[35] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 109.
[36] Idem, 109.
[37] O padre carismático Jorjão, da paróquia N. Senhora da Paz, no Rio, afirma que junta “duas coisas essenciais: praia e música”, e assim “a mensagem corre fácil” (“Nos embalos do Senhor”. Revista Época, 7/7/1998, 44). Falando sobre o sucesso da evangelização, Luciano Manga, pastor da Igreja Cristo Salva e vocalista da banda Oficina G-3, diz: “Temos sucesso no trabalho de evangelização porque o nosso pop santo fala a língua dos jovens” (“A revanche de Deus”. Revista IstoÉ, 18/12/1991, 38). Na mesma página, a matéria dizia que “bandas evangélicas como a Atos II, Martíria, Complexo J (de Jesus), Rebanhão, Katsbarnea e Apocalipse estão aí para confirmar que o rock não privilégio apenas do demônio” .
[38] Sandro Baggio, Revolução na Música Gospel, 50.
[39] Waldo Cesar e Richard Shaull, Pentecostalismo e Futuro das Igrejas Cristãs (Petrópolis: Vozes, 1999), 94.
[40] Idem, 94.
[41] Na matéria “A cultura pop chegou para ficar” (Revista Ultimato, mar-abr/1999), Ricardo Gondim, pastor da Igreja Assembléia de Deus Betel, afirma que a igreja está invadida pela cultura pop. “A igreja foi afetada por essa cultura de massas. ... Pastores e padres abandonaram sua vocação de portadores de boas novas. Assumiram novos papéis: animadores de auditórios e levantadores de fundos. O púlpito transformou-se em mero palco. A igreja, simples platéia” (Revista Ultimato, mar-abr/1999, 44).
[42] A celebração “Em nome do Pai”, festa promovida pela Renovação Carismática Católica e pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, no dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, foi narrada assim: “Maracanã lotado. Como não se via há quase uma década, 170 mil pessoas pulavam e cantavam no maior estádio do país. Não era um show de rock ou um clássico do futebol carioca. Da arquibancada, o povo gritava: ‘Ahá, uhu, o Maraca é de Jesus’ e ‘Ê, ô, ê, ô, Jesus é um terror’. ... Entre as atrações, padres cantores popularíssimos como Marcelo Rossi e Zeca” (“A força católica”. Eduardo Nunomura. Revista Veja, 20/10/1999, 150). Nota sobre personalidades convertidas de vidas não mudadas. Igreja de homossexuais.
[43] O católico Gianni Baget Bozzo afirma que depois do Concílio Vaticano II houve uma rápida secularização da igreja, em conseqüência da reforma litúrgica, recomendada pelo Concílio (“Quando a secularização tocou o povo”. Revista 30 Dias, janeiro de 1997, 50).
[44] “Nos embalos do Senhor”. Revista Época, 7/7/1998, 44.
[45] “O fenômeno deste Carnaval (ano 2000), maior do que a Tiazinha, foi o padre Marcelo Rossi. Em seu reduto, na periferia de São Paulo, ele reuniu dezenas de milhares de pessoas no que chamou de Folia do Senhor. Consistiu esse evento numa celebração à baiana, em que o padre ia à frente montado num trio elétrico, e a multidão atrás, maciça, compacta. ... Foi como se o padre quisesse tirar uma lasquinha da festa do Diabo. Como se se dispusesse enfrentar o inimigo em seu próprio território, e com suas próprias armas: o ritmo, o corpo, a dança. O Demônio é que costuma fazer essas coisas” (“Deus e o Diabo atrás do trio elétrico”. Ensaio de Roberto Pompeu de Toledo. Revista Veja, 24/2/1999, 142).
[46] Semanas antes do Carnaval do ano 2000, as Arquidioceses de São Paulo e do Rio de Janeiro foram à Justiça para garantir a proibição de uso de imagens sagradas nos desfiles do Carnaval. Matéria sobre o assunto dizia que o “uso de símbolo religioso na avenida” foi a polêmica daquele carnaval (“Caça ao profano”. Jornal A Folha de S. Paulo, 3/3/2000, 3.1).
[47] Alguns desses títulos publicados no Brasil são: Atilano Muradas, Decolando nas Asas do Louvor, (São Paulo: Vida, 1999); Joseph S. Carroll, Como Adorar o Senhor Jesus Cristo (São José dos Campos, SP: Fiel, 1991); e Don Gossett, A Força Explosiva do Louvor (São Paulo: Vida, 1997).
[48] Joseph S. Carroll, Como Adorar o Senhor Jesus Cristo (São José dos Campos, SP: Fiel, 1991), 11.
[49] Citado por Joseph S. Carroll, Como Adorar o Senhor Jesus Cristo, 11.
[50] Miguel Angelo Darino, La Adoración: analisis e orientación, 101.
[51] “Mudanças no culto cristão”. Don Hustad, Revista Ministério, mar-abr/1996, 14.
[52] Idem, 15.
[53] “Os carismáticos e seus imitadores raramente cantam dos atos de Deus; falam apenas da pessoa de Deus” (“Mudanças no culto cristão”, 13).
[54] “Mudanças no culto cristão”, 14.
[55] Citando Aristóteles, David Tame afirma que “emoções de toda espécie são produzidas pela melodia e pelo ritmo; através da música, por conseguinte, o homem se acostuma a experimentar as emoções certas; tem a música, portanto, o poder de formar o caráter, e os vários tipos de música, baseados nos vários modos, distinguem-se pelos seus efeitos sobre o caráter – um, por exemplo, operando na direção da melancolia, outro na da efeminação, um incentivando a renúncia; outro o domínio de si, etc” (O Poder Oculto da Música (São Paulo: Cultrix, 1984, 19).
[56] Segundo David Tame “é difícil encontrar uma única fração do corpo que não sofra a influência dos tons musicais. As raízes dos nervos auditivos estão mais amplamente distribuídas e possuem conexões mais extensas que as de quaisquer outros nervos do corpo. ... A música influi na digestão, nas secreções internas, na circulação, na nutrição e na respiração. ... A pressão sangüínea é baixada pelos acordes ininterruptos e elevada pelos acordes secos e repetidos. ... Se o músico estiver tocando o seu instrumento, poder-se-á dizer também que ele está tocando o corpo e a mente do público” (O Poder Oculto da Música, 147). Afirma ainda que “o ritmo, com efeito, nos atinge não só o corpo, a mente e as emoções, mas até o subconsciente” (148). “Os ritmos acelerados elevam as pulsações do coração e, portanto, a excitação emocional” (149).
[57] David Tame, O Poder Oculto da Música, 25-26.
[58] Idem, 30.
[59] Idem, 205.
[60] Idem, 205.
[61] Idem, 205.
[62] Idem, 206.
[63] Idem, 206.
[64] Idem, 209.
[65] J. Scott Horrell (ed.), Ultrapassando Barreiras: novas opções para a igreja brasileira na virada do século XX (São Paulo: Vida Nova, 1994), 124.
[66] Afred Küen, El Culto en la Biblia e en la Historia, (Vol. 5. Barcelona: Clie, 1994), 273.
[67] Idem, 273.
[68] Em visita a cultos pentecostais, o pesquisador Waldo Cesar afirma: “Ao entrar nos templos, quase sempre repletos, estávamos imbuídos de nossa qualidade de pesquisadores de um fenômeno religioso e social. Mas a emoção que envolvia a multidão de fiéis sempre nos tocava. De um modo diferente, é certo. Mas não era possível ficar alheios à força contagiante do movimento coletivo – gestos, gritos, orações, cânticos, coletas, abraços, confissões; ou às manifestações que explodiam ao nosso lado” (Waldo Cesar, Pentecostalismo e Futuro da Igrejas Cristãs, 34). As manifestações de êxtase assustam a princípio os visitantes, mas o ambiente festivo e alegre termina por envolvê-los também. Waldo César ouviu de uma fiel pentecostal esse testemunho: “No começo também não gostei porque era muita gritaria, gente caindo no chão e eu fiquei assustada... Mas depois fui me acostumando e gostei” (Waldo Cesar, Pentecostalismo e Futuro das Igrejas Cristãs, 41). Peter Wagner relata este testemunho de um pentecostal: “Certa vez estava orando em uma reunião. Eu cria muito pouco nessa história de línguas, e tinha dúvidas. Mas no dia 20 de maio de 1967, em uma reunião de oração da igreja, eu estava orando com muita concentração. Senti de repente como se alguém tivesse colocado um poderoso holofote sobre mim e senti-me queimando. Nada conseguia ver além de labaredas de fogo em toda a minha volta, e senti-me a queimar. A seguir, comecei a falar em línguas – estava consciente, mas em êxtase” (Peter Wagner, Por que Crescem os Pentecostais?, 110-111).
[69] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 100.
[70] “Mudanças no culto cristão”, 13.
[71] Idem, 13.
[72] Peter Wagner, Por que Crescem os Pentecostais?, 113.
[73] “Nos embalos do Senhor”. Revista Época, 7/7/1998, 43.
[74] Idem, 44.
[75] Idem, 46.
[76] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 70.
[77] “Mudanças no culto cristão”, 14.
[78] As designações para os momentos do culto vêm da terminologia do santuário hebraico que chamava de “santíssimo” o lugar da presença de Deus, onde ficava a arca do pacto (ver Hb 9:3-4 e Êx 26:31-33).
[79] A. W. Harvey, citado por Afred Küen, El Culto en la Biblia e en la Historia, 273.
[80] Idem, 273.
[81] Peter Wagner, Por que Crescem os Pentecostais?, 106.
[82] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 157.
[83] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 157.
[84] Waldo Cesar, Pentecostalismo e Futuro das Igrejas Cristãs, 80.
[85] Idem, 62.
[86] Luís de Castro Campos Jr., Pentecostalismo, 98.
[87] Alberto Moreira e Renée Zicman (orgs.), Misticismo e Novas Religiões (Petrópolis: Vozes, 1994), 101.
[88] Luiz Vieira, em Liturgia e Subjetividade (Caderno de Liturgia, da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, São Paulo: Paulus, 1998), 9.
[89] Miguel Angelo Darino, La Adoración: analisis e orientación, 87.
[90] Idem, 96.
[91] Luiz Vieira, em Liturgia e Subjetividade, 11.
[92] Judson Cornwall, Adoração Como Jesus Ensinou (Venda Nova, MG: Betânia, 1995), 101.
[93] Idem, 101.