Gilson Medeiros da Silva*
Desde os primórdios da humanidade, as sociedades convivem com os mais variados tipos de comportamentos sexuais. O relato bíblico da Criação em Gn 1 e 2[1] mostra que Deus formou o homem e a mulher para viverem em comunhão íntima, tornado-se “uma só carne”. Porém o pecado infiltrou-se nos relacionamentos sexuais entre os seres humanos de tal forma que hoje a sociedade convive com uma variação enorme de perversões sexuais, tais como: narcisismo, homossexualismo, masturbação, sadismo, masoquismo, exibicionismo, pedofilia, gerontofilia, fetichismo, travestismo, incesto, pluralismo, necrofilia, bestialidade, zoofilia, voyeurismo, sexopatia acústica, renifleurismo, coprofagia, frotterurismo, entre outros.[2]
O presente trabalho não vai entrar nos detalhes das diversas anomalias sexuais, limitando-se apenas ao estudo do homossexualismo, pois este é o tema tratado pelo apóstolo Paulo em Rm 1:26 e 27. O artigo será dividido nas seguintes
seções: Estudo da referência paulina em Romanos; conceito e causas da homossexualidade; os motivos pelos quais Deus condena este comportamento sexual; terapia para a regeneração daqueles que apresentam este desvio da sua sexualidade. Ao final, será apresentado um resumo do trabalho e as conclusões encontradas.
Encontramos a declaração de Paulo nas seguintes palavras:
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
Há um consenso geral de que Paulo referia-se aqui à prática do lesbianismo e do homossexualismo masculino.[3] A palavra “natural” (kata physin) em oposição à “contrária à natureza” (para physin) era usada no tempo de Paulo com muita freqüência como uma maneira de estabelecer distinção entre comportamento heterossexual e homossexual.[4] Harrison acrescenta que “Paulo usa linguagem direta, para condenar a perversão do sexo fora do seu justo lugar: dentro do relacionamento conjugal”.[5] Outro teólogo afirma que a contaminação do corpo humano é claramente manifestada no homossexualismo, pois ele é obviamente antinatural, contrário à natureza sexual.[6]
A prática do homossexualismo era comum no mundo pagão, tendo forte presença na sociedade em geral,[7] sendo designado como o “pecado grego”.[8] Paulo escreveu sua epístola aos Romanos na cidade de Corinto, a capital dos vícios gregos, e certamente já vira ali evidências sobre as práticas homossexuais.[9]
Lovelace ainda diz que “contrária à natureza” significa “simplesmente contra a intenção de Deus para o comportamento sexual humano que é explicitamente visível na natureza, na função complementar dos órgãos sexuais e dos temperamentos do macho e da fêmea”.[10]
No verso 27 Paulo emprega o termo arsēn 3 vezes, traduzidos na ARA por “homens”.[11] O substantivo arsenokoitēs (“homossexual masculino”, “pederasta”) é empregado pelo apóstolo como alguém que não herdará a salvação por estar sob a condenação de Deus (1Co 6:9; 1Tm 1:10).[12] Brown ainda acrescenta que aqui a perversão sexual é vista como resultado de (e, até certo ponto, um julgamento sobre) o pecado do homem em adorar a criatura ao invés do criador.[13]
Uma vez comprovado que o tema que Paulo abordou em Rm 1:26-27 foi mesmo a homossexualidade, tanto masculina quanto feminina, faz-se necessário um maior aprofundamento sobre o estudo deste comportamento sexual.
O homossexual é considerado uma pessoa com tendência a dirigir o desejo sexual para outra pessoa do mesmo sexo,[14] ou seja, ele (ou ela) sente atração erótico-sexual por parceiro do mesmo sexo.[15] Maranon apresenta uma definição mais completa sobre a homossexualidade nas seguintes palavras:
Por mais classificações que se façam desta anormalidade, a base patogenética é sempre a mesma: uma sexualidade recuada, de polivalência infantil que, por circunstâncias externas, condiciona sob diferentes formas seu objetivo erótico em sentido homossexual.[16]
Baseando-se no relatório de Kinsey, os homossexuais pretendem que sua condição seja considerada “uma espécie de forma alternativa de sexualidade, homóloga e simétrica à heterossexualidade”.[17]
Bergler, porém, vê a homossexualidade como uma espécie de “síndrome neurótica”, caracterizada por alguns estigmas bem definidos, a saber: uma elevada dose de masoquismo psíquico, levando o homossexual a situações de desconfianças e humilhações; medo, ódio, fuga em relação ao sexo oposto; insatisfação constante e insaciabilidade sexual; megalomania; depressão; sentimento patológico de culpa; ciúme irracional; e inadmissibilidade psicopática.[18]
As pesquisas com relação às causas da homossexualidade ainda não são consideradas de todo consistentes; porém, elas podem ajudar na orientação de uma profilaxia social com relação ao homossexualismo.[19] Gius afirma que “não se verificam quadros de aberração cromossômica ligados primitivamente à homossexualidade”,[20] o que descarta sua origem genética, pois “em todos os casos de homossexualidade masculina examinados, o sexo genético correspondia ao sexo fenotípico e faltavam sinais de qualquer alteração cromossômica verdadeira”.[21]
Mesmo os defensores da origem genética da homossexualidade admitem que a eventual “predisposição inata” só se transforma em efetivo desejo homossexual por força de fatores desencadeadores de natureza psicossocial, dentre os quais: obsessiva ligação com uma mãe autoritária ou possessiva; falta de uma figura paterna significativa como modelo de identificação; experiências de iniciação na infância ou adolescência; e fixação ou regressão da personalidade a níveis auto-eróticos, com supervalorização do falo (órgão sexual masculino).[22]
O homossexual é um homem ressentido por acreditar que não tem o corpo que sua mente mereceria.[23] Freud também considerava que o meio onde as crianças se desenvolvem é fator determinante de sua sexualidade.[24]
Snoek divide estes fatores determinantes em três categorias:[25]
1. Fisiológicos - Nenhuma das teorias (genética, hormonal, morfológica) foi comprovada;
2. Familiares - Uma mãe dominante, juntamente com um pai apagado; uma supermãe, tão envolvente que para o filho só existe uma mulher, que é ela; a mãe frustrada no seu relacionamento com o marido, incutindo na cabeça das filhas que homem nenhum tem valor; um superpai que exige uma virilidade impossível de ser alcançada pelo filho; os pais desejam um menino, mas nasce uma menina;
3. Sociais – O unissexismo, que ocorre na forma do segregacionismo ou do igualitarismo;[26] o anarquismo;[27] e a sedução por adultos.[28]
Deus abençoou o homem e a mulher e lhes deu o mandamento de serem fecundos e multiplicarem-se (Gn 1:28). O casamento é a “união de duas pessoas que originalmente foram uma, depois foram separadas uma da outra, e agora no encontro sexual do casamento se uniram novamente”.[29] Lovelace acrescenta dizendo que “não é por acidente que toda forma de expressão sexual fora da aliança do casamento seja explícita ou implicitamente condenada no restante das Escrituras”.[30]
A sociedade atual está cada vez mais perdendo de vista o princípio que Deus definiu para a união sexual entre os seres humanos: um homem e uma mulher, unidos pelo compromisso eterno do matrimônio. Em virtude deste crescente desvio do padrão idealizado por Deus no princípio, é que têm surgido todas estas anomalias sexuais descritas até aqui. Hoje já se convive até mesmo com o “casamento” entre homossexuais e a adoção de filhos por estes “casais”.[31]
O propósito de Deus é que o homem junte-se com a mulher e os dois formem “uma só carne” (Gn 2:24), constituindo-se numa família heterossexual, na qual os filhos poderão ser educados em meio a um ambiente sadio e livre de preconceitos.[32]
Este ideal está totalmente corrompido na sociedade moderna, e as relações sexuais passaram a ser apenas um meio de obter prazer a qualquer custo, sem atentar para as orientações dadas por Deus no passado, e para os perigos de não seguir estas orientações.[33] A atual sociedade já aprendeu a conviver pacificamente com o outrora chamado “pecado grego”, vendo os homossexuais como apenas “um pouco diferentes”.[34]
Deus condena o homossexualismo porque ele é totalmente contrário ao propósito original das relações sexuais: procriação e/ou prazer.[35] Segundo Boice, apenas em se olhar para a anatomia dos órgãos sexuais do homem e da mulher já deveria haver argumento suficiente para convencer de que as práticas homossexuais não são normais.[36] Tanto o Judaísmo quanto o Cristianismo sempre reconheceram esse fato, defendendo que o homossexual está sob a condenação de Deus.[37]
Após verificar que o homossexualismo está arraigado fortemente na sociedade hodierna, faz-se necessário apresentar ao portador desta anomalia sexual um meio de regeneração e retorno ao ideal divino. A terapia de aconselhamento para o homossexual consiste em “escutar a quem pede ajuda, a fim de facilitar-lhe a decifração, por ele mesmo, de seu próprio discurso... levando a uma convivência mais saudável consigo mesmo e, em vários casos, chega-se à heterossexualidade”.[38]
Talvez o maior problema a princípio seja romper as barreiras da solidão e da incomunicabilidade que a sociedade erige em relação aos homossexuais.[39] Gatti defende que o ponto de partida deve ser a total aceitação do homossexual como pessoa, a plena compreensão de seu drama, e a mais leal solidariedade a seus sofrimentos e a seus problemas.[40] Para o auxílio pastoral ao homossexual são sugeridos os seguintes passos:[41]
1. Reconhecimento e confissão de que sua atitude e conduta são errados;
2. Ele deve admitir e reconhecer seu problema;
3. Deve confessar o pecado a Deus e a um conselheiro espiritual, e depois deve pedir a Deus que o purifique e perdoe;
4. O homossexual que busca a cura deve pedir a Deus que lhe dê um espírito de arrependimento;
5. Pode-se considerar a possibilidade de uma libertação de demônios;[42]
6. O conselheiro deve repetir a promessa de que o indivíduo poderá mudar;
7. O homossexual deve concordar em submeter-se a um plano de disciplina que Deus possa usar para concretizar a mudança desejada;
8. Entre o homossexual e o conselheiro deve haver sinceridade absoluta;
9. O homossexual deve começar a participar de uma comunidade cristã compreensiva;
10. O conselheiro deve ser paciente.
Para o homossexual, como para qualquer outro homem, no fim é apenas a graça do Espírito Santo com seus misteriosos dinamismos que é capaz de tornar a cura do homossexual possível. Acima de todos os meios educativos e terapêuticos, é sempre na graça de Deus que o homem pecador deve confiar.[43]
O Dr. José Maria concorda com o pensamento de que a igreja deve ser o conduto para a ajuda aos homossexuais que desejarem um retorno aos desejos sexuais naturais de cada ser humano. Ele afirma que “a igreja será o último reduto para a consolidação dos conceitos familiares” nos próximos anos.[44]
O homossexualismo está presente na história humana desde o seu princípio. Biblicamente, encontramos referências à homossexualidade já no relato de Sodoma e Gomorra (Gn 19:4-5), de onde advém o termo “sodomia” como referência à homossexualidade e outras anomalias do gênero; bem como no período dos Juízes (Jz 19:22). Moisés também fez referências a esta prática sexual entre o povo de Israel (Lv 18:22; 20:13), condenando-a e considerando-a abominável aos olhos de Deus, punível mesmo com a morte.
No Novo Testamento, a referência clássica à homossexualidade, tanto feminina quanto masculina, encontra-se na epístola de Paulo aos Romanos (Rm 1:26 e 27). Porém, o apóstolo também faz outras referências à condenação divina sobre esta prática (1Co 6:9-10; 1Tm 1:9-11).
O presente trabalho analisou o texto de Romanos, observando a quase unanimidade entre os teólogos e comentadores de que Paulo realmente referia-se na passagem em estudo ao homossexualismo. Porém, é crescente o grupo de eruditos que não aceitam esta interpretação usual, e tentam reinterpretar as declarações paulinas, aplicando-as aos dias atuais, onde a homossexualidade tornou-se já parte comum do cotidiano das grandes cidades.
Através dos estudos e pesquisas científicas consultadas, verifica-se que é muito pequena a probabilidade de que as tendências homossexuais sejam o resultado de uma “deformação genética” ou algum caractere hereditário. Ao contrário, é grande o número de estudiosos da Psicologia humana que acreditam que este comportamento sexual advém de fatores psicossociais vividos na infância (até os 5 anos de idade, principalmente), e que acarretam traumas e complexos que podem levar o indivíduo a desenvolver o homossexualismo durante sua vida.
Apesar de Deus condenar este comportamento anômalo, em virtude de desvirtuar-se do Seu propósito para o relacionamento sexual e matrimonial, Ele concede ao homossexual desejoso de regenerar-se uma opção de cura, que está disponível através de Sua infinita graça e misericórdia pelas mazelas que atingem a humanidade.
Como representantes de Deus e instrumentos Seus para distribuição de Sua graça ao mundo pecador, os cristãos não devem olhar o homossexualismo como uma doença típica de pessoas “despudoradas”; mas devem encarar o problema com o mesmo amor fraternal e solidariedade que Jesus demonstrou em Seu convívio com o ser humano. Resta ao cristão ouvir e atentar ao conselho do próprio apóstolo Paulo: “Tudo posso, nAquele que me fortalece” (Fp 4:13).
* Gilson Medeiros da Silva é aluno do 1º ano do Curso de Teologia do SALT-IAENE, outubro de 2001.
[1] Salvo indicação contrária, a versão adotada nesta monografia é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), 2ª edição (São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993).
[2] Jaime Snoek, Ensaio de ética sexual (São Paulo: Edições Paulinas, 1981), 270.
[3] A interpretação tradicional de que estes versos descrevem e condenam todo comportamento homossexual, vem sendo contestada pelos movimentos gays. São três os argumentos levantados: Primeiro, dizem que a passagem é irrelevante, considerando-se que o seu propósito não é, nem ensinar ética sexual, nem denunciar o vício, mas sim retratar a maneira como se manifesta a ira de Deus. Em segundo lugar, afirmam que tudo indica que Paulo estaria pensando somente na pederastia já que não havia outra forma de manifestação homossexual masculina no mundo greco-romano, e que ele estaria se opondo a ela por causa da humilhação e exploração vivenciadas pelos jovens envolvidos. Em terceiro lugar, os grupos “pró-gays” questionam o que Paulo quis dizer por “natureza”, pois alegam que as suas relações não podem ser descritas como “contrárias à natureza”, já que elas lhes são perfeitamente naturais. Eles alegam que as pessoas que Paulo está condenando são as declaradamente não-homossexuais, ou seja, ele condena os atos homossexuais cometidos por pessoas aparentemente heterossexuais. Para uma melhor análise e refutação da argumentação utilizada por estes movimentos de homossexuais, ver: John Stott, Romanos (São Paulo: ABU, 2000), 84-85. Stott cita as seguintes obras como base para a argumentação dos movimentos gays: Robin Scroggs, The New Testament and Homosexuality (Fortress, 1983), 115, 130; John Boswell, Social Tolerance and Homosexuality (University of Chicago Press, 1980), 107.
[4] Richards B. Hays, Relations Natural and Unnatural: A Response
to John Boswell’s Exegesis of Romans 1, Journal of Religious Ethics,
Primavera 1986, p. 192, citado em Stott, 85.
[5] Everett F. Harrison, ed., Comentário bíblico Moody (São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1983), 5:12.
[6] Dale Moody, “Romanos”, Comentário bíblico Broadman, ed. Clifton J. Allen (Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1994), 10:204.
[7] Ibid.
[8] Russell N. Champlin, O Antigo Testamento interpretado (ATI), (São Paulo: Milenium, 1980), 3:583. Champlin cita Vincent, que diz que “nos estados dóricos (Creta e Esparta), essa prática era favorecida como um instrumento educativo, sendo algo reconhecido pelas leis”. Porém, Willian Barclay, afirma que embora a homossexualidade permeasse a sociedade grega, “era considerada anormal, e nunca foi legal”, ver: William Barclay, The Ten Commandments for Today (Nova Iorque: Harper, 1973), 154, citado em Bob Davies, e Lori Rentzel, Deixando o homossexualismo (São Paulo: Mundo Cristão, 1997), 254.
[9] Ibid.
[10] Richard F. Lovelace, Homosexuality: What Should Christians Do About? (Old Tappan, NJ: Revell, 1984), 92, citado em Davies e Rentzel, 254.
[11] Colin Brown, “Homem”, Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento (DITNT), eds. Lothar Coenen, e Colin Brown (São Paulo: Vida Nova, 2000), 1:972.
[12] Ibid.
[13] Ibid. Para outros comentários sobre o
homossexualismo em Rm 1:26-27, ver: F. F. Bruce, Romans (Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans Publishing Company, 1975),
85; “Men with men” [Rm 1:27], Seventh-day
Adventist Bible Commentary, ed. Francis D. Nichol (Washington, DC: Review
and Herald, 1957), 6:480; Kenneth L. Barker, e John R. Kohlenberger III, “New
Testament”, NIV Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House,
1995), 2:528-529; Donald G. Barnhouse, “Man’s Ruin”, Romans (Grand Rapids, MI: W. B. Eerdmans Publishing Company, 1995),
1:270-280; F. E. Hirsch, e J. K. Grider, “Homosexual
Relations”, The International
Standard Bible Encyclopedia, ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: W.
B. Eerdemans Publishing Company, 1988), 1:816; B. L. Bandstra, e A. D. Verhey, “Homosexuality”, The International Standard Bible Encyclopedia, ed. Geoffrey W.
Bromiley (Grand Rapids, MI: W. B. Eerdemans Publishing Company, 1988), 4:435.
[14] Júlio Severo, O movimento homossexual (Venda Nova, MG: Betânia, 1998), 133.
[15] Snoek, 272.
[16] G. Maranon, L’evoluzione della sesualitá e gli stati intersessuali (Bolonha, 1934), 178-179, citado em Guido Gatti, Moral sexual – educação ao amor (São Paulo: Editora Salesiana Dom Bosco, 1985), 150. Apesar de a homossexualidade ser encarada quase sempre como uma “anomalia de comportamento”, alguns estudiosos, entre os quais figura Kinsey, querem enquadrá-la como uma “forma de comportamento difundida e sociologicamente normal”. Em seu relatório, Kinsey estabeleceu seis graduações intermediárias, passando da heterossexualidade pura para a homossexualidade exclusiva e total, do qual chegou à conclusão de que cerca de um terço da população americana masculina não seria nem hetero nem homossexual exclusivamente. Ver: H. Kinsey, Il comportamento sessuale dell’uomo (Milão, 1950), citado em Gatti, 149.
[17] Gatti, 150.
[18] E. Bergler, Psicoanalisi dell’omosessualitá (Roma, 1970), 154, citado em Gatti, 150-151. Bergler também observa que presencia-se no homossexual sempre uma certa forma de imaturidade psicossexual, a “ausência da progressão rumo à maturidade. A base infantil do homossexual não é suficientemente elástica para permitir essa progressão. A mesma atitude estática, infantil, pode ser observada nas conversas semifrívolas, semicínicas e pseudobrincalhonas, mas completamente adolescentes, dos homossexuais, quando se encontram reunidos”.
[19] Gatti, 151.
[20] E. Gius, Una messa a punto della omossesualitá (Turim, 1972), citado em Gatti, 152.
[21] Gatti, 152. Ele comenta sobre a obra de Maranon, o qual observou que nenhum dos casos de homossexualidade tratados por ele apresentava ginecomastia e nenhum dos casos de ginecomastia comportava homossexualidade. Segundo Maranon, a sexualidade dos “invertidos” na maior parte dos casos não se assemelha tanto à sexualidade feminina quanto à infantil.
[22] Ibid.
[23] José M. N. Pereira, “Aconselhamento pastoral a homossexuais”, Palestra no Salão de Atos do Seminário, SALT, 04 de outubro de 2001 [VHS].
[24] S. Freud, Tre saggi sulla sessualitá (Roma, Newton Compton, 1976), 26, citado em Gatti, 153. Ele afirmou que “em todos os casos examinados, estabelecemos o fato de que os futuros invertidos [homossexuais] nos primeiros anos da infância atravessaram uma fase de intensa mas breve fixação por uma mulher (comumente a mãe) e que, após tê-la superado, tendem a identificar-se com ela, assumindo a si próprio como objeto sexual, isto é, partem de uma base narcisista”.
[25] Snoek,
274-276. Um estudo detalhado sobre o Homossexualismo, suas causas, os fatores
determinantes e sua história dentro e fora da Bíblia, e a visão adventista
sobre este tema podem ser encontrados em: Ronald M. Springett, Homosexuality in History and the Scriptures
(Washinton, DC: Review and Herald, 1988). Ver também: Sakae Kubo, Theology
& Ethics of Sex (Washington, DC: Review and Herald, 1980), 73-86.
[26] Ibid., 275. “Era o caso da Grécia antiga, onde o menino era tirado bem cedo da companhia da mãe e educado por homens. Na história recente constatou-se um índice elevado de homossexualismo entre os ex-militantes da juventude hitlerista”.
[27] Ibid. “Constata-se uma freqüência maior do homossexualismo em épocas de grande convulsão social, principalmente entre os intelectuais anarquistas”.
[28] A pederastia pode ser fatal, se houver envolvimento emocional forte e se o menor ainda não estiver bem definido sexualmente. Segundo Pereira, existem catalogados na Polícia de Chicago cerca de 16000 pedófilos. Admite-se que aos cinco anos de idade a estrutura hetero ou homossexual já esteja sedimentada. Ver: Snoek, 275.
[29] John Stott,
Homosexual Partnership’s? Why Same-Sex Relationships Are Not a Christian Option (Downers Grove, IL: Inter
Varsity Press, 1985), 15-16, citado em Davies e Rentzel, 256.
[30] Lovelace, 104, citado em Davies e Rentzel, 256-257.
[31] Anna P. Buchalla, “Meu pai é gay. Minha mãe é lésbica”, Veja, 11 de julho de 2001, 66. Nesta matéria, faz-se um amplo estudo sobre a crescente adoção de crianças brasileiras por casais de homossexuais. Estima-se que “nos Estados Unidos 22% dos homossexuais assumidos tenham a guarda de crianças. Na Dinamarca, Suécia e Noruega a lei já admite casais homossexuais, conferindo-lhes quase todos os direitos de que gozam os heterossexuais. Na Holanda, a equiparação é total, e a certidão de nascimento da criança adotada apresenta a filiação “mãe e mãe” ou “pai e pai”. A lei brasileira, por exemplo, permite que homens e mulheres solteiros adotem crianças, sem fazer referência à sua orientação sexual. É nesse vácuo que gays e lésbicas conseguem um filho.
[32] Ibid., 68. Em famílias de homossexuais, as crianças sofrem uma pressão muito grande dos colegas, que muitas vezes é-lhes traumático para toda a vida. Buchalla cita casos de filhos de homossexuais que tiveram de mudar de escola ou mentir para os colegas sobre a opção sexual dos seus “pais”. Ocorreu uma verdadeira reviravolta na psicologia infantil concernente a este assunto, pois até pouco tempo atrás, a maioria dos profissionais dessa área recomendava que se escondesse tudo dos pequenos, mas, agora, afirmam que quanto mais cedo a criança souber, mais fácil será para ela assimilar a notícia e encarar as manifestações preconceituosas. Isto mostra o quanto o desejo inicial de Deus para um lar heterossexual já está longe da realidade vivida atualmente pela sociedade.
[33] Uma pesquisa realizada pelo Hospital Gaffré e Guinle (Rio de Janeiro/RJ), um centro nacional de referência em AIDS, revelou que em mais da metade dos 662 casais entrevistados, os maridos são bissexuais. Segundo o Dr. Carlos Alberto Morais de Sá, “talvez isto explique por que o Brasil tem um dos maiores índices de contaminações entre heterossexuais masculinos”. Ele afirma que de 196 mulheres entrevistadas, 54% foram infectadas com o vírus da AIDS por maridos bissexuais. Hoje existem cerca de 200 mil doentes registrados pelo Ministério da Saúde e acredita-se que haja entre 500 e 600 mil infectados em todo o Brasil. Ver: Celina Córtes, “Sexo perigoso”, Isto É, 26 de julho de 2000, 74-75. Isto mostra porque Paulo diz em Rm 1:27 que os homossexuais receberiam em si mesmos a punição pelo seu erro.
[34] Mais de 200 mil pessoas estiveram presentes à “Parada do Orgulho Gay”, realizada em São Paulo, e que contou até mesmo com a presença da Governadora Marta Suplicy, que é autora de um projeto de lei para reconhecimento legal do casamento entre homossexuais no Brasil. Ver: Tahís Oyama, “Dias alegres”, Veja, 27 de junho de 2001, 71.
[35] Notas em sala de aula, Matéria Lar e Família, SALT, Cachoeira, Bahia, agosto de 2001.
[36] James M. Boice, Romans (Grand Rapids, MI: Baker Book
House, 1991), 1:181.
[37] Margot J. Fromer, Ethical Issues in Sexuality &
Reproduction (St. Louis, MO: C. V. Mosby Company, 1983), 92.
[38] Snoeck, 281. Segundo este autor, um homossexual desejoso de mudar tem boa chance de conseguir esta mudança.
[39] Gatti, 156.
[40] Ibid., 155.
[41] Brick Bradford e outros, Cura para o homossexual (Venda Nova, MG: Betânia, 1989), 64-67.
[42] Vê-se por este conselho que alguns teólogos e pastores vêem no homossexualismo o possível resultado da possessão demoníaca.
[43] Gatti, 159.
[44] José M. N. Pereira, “Aconselhamento pastoral a homossexuais”, Palestra no Salão de Atos do Seminário, SALT, 04 de outubro de 2001 [VHS]. Ele sugere os seguintes passos para o aconselhamento de homossexuais que estejam integrados a alguma comunidade religiosa: 1. Mostrar-lhes a necessidade da atuação do Espírito Santo em todo o processo; 2. Perseverança em continuar as reuniões; 3. Não colocar o homossexualismo como sendo o “centro” do problema, pois ele é apenas a “periferia” do desajuste; 4. O homossexual deve admitir a sua cumplicidade na situação, não se colocando sempre no lugar de vítima; 5. Não entrar em detalhes sobre o relacionamento sexual do homossexual e seu (sua) parceiro(a); e 6. Utilizar o conhecimento da graça divina em benefício do pecador arrependido.