Se Você Quer Ter Amigos
Um homem que tem amigos deve também ser amigável. Prov. 18:24 (Nova Versão King James, em inglês).
Vários anos atrás, quando eu atuava como ancião numa comissão
de igreja, nosso pastor trouxe para uma reunião a carta que acabara de
receber de um novo membro. O remetente dizia que a nossa igreja era a mais fria,
mais inamistosa que ele já havia freqüentado. Por mais de um mês,
ninguém o havia cumprimentado com um sorriso ou aperto de mão.
Até mesmo o aperto de mão do pastor, à porta no final do
culto, foi descrito como "descuidado". O homem concluía sua
carta requerendo que seu nome fosse excluído do livro da igreja.
Você já ouviu alguém expressar tais sentimentos? Alguma
vez você já se sentiu da mesma forma?
De todos os grupos humanos, os cristãos devem ser os mais amigáveis.
Os membros de nossa igreja, inclusive da minha, deveriam ter manifestado uma
cordial sociabilidade cristã para com aquele irmão, independentemente
do que pudéssemos pensar acerca da atitude dele. Mas à luz de
nosso verso, não seria o caso de que ele tivesse, pelo menos em parte,
certa medida de responsabilidade pela própria situação
da qual se queixava?
A sociabilidade cristã deve ser sincera, espontânea e apropriada.
Isso quer dizer que certas manifestações de amizade podem ser
inapropriadas. Vou dar um exemplo. Enquanto pastoreava uma igreja em determinada
cidade, recebi um cartão pedindo-me que visitasse um homem que havia
expressado interesse em tornar-se membro da igreja como resultado de ter assistido
a um programa de televisão. Quando cheguei à casa desse senhor,
ele me abraçou e me recebeu como se eu fosse um irmão assumido
por muito tempo. Na primeira vez em que isso aconteceu, aceitei a manifestação
como uma expressão genuína de fraternidade cristã.
Mas aqueles abraços de "urso" não pararam. Todas as
vezes em que eu o visitava, passava por um derramamento efusivo de afeição,
tanto que fiquei sem graça diante de suas repetidas demonstrações
físicas de amor fraternal. Depois de muita oração, escrevi-lhe
o que considerei uma carta diplomática, sugerindo que restringíssemos
as nossas saudações a um amistoso aperto de mãos. Ele aceitou
a sugestão, e posteriormente tive o privilégio de batizá-lo.
Quando você der alguma coisa a um necessitado, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas casas de oração e nas ruas. ... Mas... faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo saiba o que você fez. S. Mat. 6:2 e 3 (BLH).
Perguntaram certa vez a Ernest Shackelton, famoso explorador britânico
da Antártica, qual tinha sido o momento mais terrível que ele
passara no continente gelado. Alguém poderia pensar que ele contaria
a história de alguma terrível nevasca polar, mas não foi
isso. Contou que seu mais terrível momento veio certa noite quando ele
e seus homens estavam amontoados numa cabana de emergência, tendo sido
distribuídas as últimas porções de alimento.
Enquanto seus homens dormiam profundamente, Shackelton permanecia acordado,
com os olhos semicerrados. De repente, viu um movimento sorrateiro de um de
seus homens. Espiando naquela direção, ele viu que o homem furtivamente
ia na direção de outro e retirava um pacote de biscoitos da mochila
de seu companheiro. Shackelton ficou chocado! Até aquele momento, ele
teria confiado a própria vida àquele homem. Agora tinha suas dúvidas.
Mas então, enquanto observava, percebeu que o homem abria seu próprio
pacote de biscoitos, tirava de lá o último bocado de alimento,
colocava-o no pacote do outro homem e o recolocava na mochila do companheiro.
Ao narrar a história, Shackelton disse: "Não ouso dizer o
nome daquele homem. Acho que seu gesto foi um segredo entre ele e Deus."
É assim que acontece com o tipo de amor de que a Bíblia fala.
Ele não realiza boas obras para ser visto pelos homens. Henry Drummond,
grande pregador inglês, disse: "Depois de ter andado pelo mundo inteiro
fazendo suas belas obras, o amor se esconde, até de si mesmo."
O coração humano anseia por reconhecimento. Não deseja
que permaneçam ocultas as suas boas ações - e é
aí que muitos caem na armadilha de Satanás! Depois que Deus efetua
em nós "o realizar, segundo a Sua boa vontade" (Filip. 2:13),
o tentador aparece e nos leva a vangloriar-nos das maravilhosas coisas que fizemos.
Qual é a solução? Nunca pare para vangloriar-se. Fixe a
mente em Jesus e continue a permitir que Deus efetue Sua boa vontade através
de você.
Prova Convincente
Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor
uns aos outros. S. João 13:35.
Quando eu era adolescente, resolvi deixar minha marca no mundo como artista.
Meu pai havia recentemente adquirido uma Bíblia em três volumes,
ilustrada por Paul Gustave Doré, e aquelas ilustrações
tiveram peso importante na minha decisão.
Doré obteve fama com as suas gravuras de personagens religiosos e históricos.
Passei horas estudando as técnicas dele e, embora meu interesse pela
arte se desvanecesse com o tempo, ainda guardo vívidas imagens mentais
daqueles desenhos.
Certa ocasião, viajando pela Europa, Doré perdeu seu passaporte.
Quando ele chegou à alfândega seguinte, o guarda lhe pediu os documentos
de viagem. Doré tentou explicar o que tinha acontecido.
- Eu sou Paul Gustave Doré - disse ele - e perdi meu passaporte. Apreciaria
que fizesse a gentileza de deixar-me passar. Tenho de atender a compromissos
importantes.
- Não tente fazer-nos de bobos - disparou o guarda. - Você não
é a primeira pessoa que perde o passaporte e tenta fazer-se passar por
alguém importante.
Doré suplicou a compreensão do guarda, mas em vão. Finalmente,
um oficial aproximou-se e disse:
- Se o senhor é realmente Doré, tome este lápis e papel
e desenhe aquele grupo de camponeses ali.
Dentro de alguns minutos, o grande artista produziu uma figura de semelhança
impressionante com o grupo. Mesmo antes de concluído o desenho, o oficial,
convencido de que aquele era realmente o famoso artista, permitiu-lhe a entrada
no país.
Algumas pessoas, hoje, tentam fazer-se passar por cristãs, mas falta-lhes
o amor fraternal que, segundo Jesus, caracterizaria Seus seguidores. Os cristãos
primitivos viveram numa época em que a prática do cristianismo
podia significar o martírio, mas ainda assim demonstravam o seu amor
fraternal, arriscando a vida para ajudar seus irmãos perseguidos; em
alguns casos, obtinham inclusive a relutante admiração dos perseguidores.
Tertuliano, um escritor cristão do segundo e terceiro séculos,
citou a declaração de um oficial pagão desta maneira: "Veja
como esses cristãos se amam uns aos outros."
O amor fraternal não é um manto que se "veste" para
convencer os incrédulos, mas uma qualidade que brota naturalmente de
um coração amorável.
Sincero Interesse Pelas Almas
Só Deus sabe como é profundo o meu amor e a saudade que tenho
de vocês - com a ternura de Jesus Cristo. Filip. 1:8 (A Bíblia
Viva).
Em nosso versículo, Paulo declara que ele nutria tanto amor pelas almas
dos crentes filipenses como Jesus. Você e eu precisamos de mais desse
tipo de amor pelas almas.
Certa ocasião, no tempo da Sociedade de Amigos, um membro da seita dos
quacres cavalgava por um urzal quando ouviu o som de cascos de cavalo atrás
de si. Num momento, um salteador o alcançou e, apontando-lhe a pistola,
exigiu:
- O dinheiro ou a vida!
Sem hesitar, o quacre puxou sua carteira e entregou-a ao homem.
- O senhor tem um belo cavalo - observou o ladrão. A seguir ordenou:
- Desça! Vou levá-lo.
Calmamente, sem uma palavra de protesto, o quacre desmontou e o ladrão
trocou de cavalo. Enquanto o salteador se virava para ir embora, o quacre se
colocou na frente dele e, segurando as rédeas, começou a falar.
- Como é que pode - observou ele com terna sinceridade - um homem criado
à imagem de Deus, ser feliz vivendo uma vida de crime e violência?
Arrependa-se, meu amigo, antes que seja tarde demais!
O assaltante tirou a pistola e, apontando-a para a cabeça do quacre,
rosnou:
- Como se atreve a me pregar um sermão, seu... Mais uma palavra, e vou
abatê-lo aí mesmo.
O quacre nem piscou.
- Amigo - disse ele sorrindo - eu sei muito bem que poderia matar-me. Eu não
arriscaria a vida para salvar minha carteira ou meu cavalo, mas alegremente
a entregaria se pudesse salvar a sua da condenação eterna!
Sem uma palavra, o assaltante colocou novamente a pistola no coldre, saltou
do cavalo do quacre e o devolveu, juntamente com a carteira. Depois, montando
em seu próprio cavalo, foi embora dizendo:
- Se a sua preocupação por minha alma é tanta, não
vou levar nada.
Embora sem ter certeza, podemos esperar que a mudança de idéia
do assaltante tenha produzido também uma mudança de coração.
Mas uma certeza podemos ter: se demonstrássemos tanto interesse por uma
alma como aquele quacre, veríamos muito mais milagres da graça
hoje em dia.
Largar o Peso Todo
Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. I S. Ped. 5:7.
A seguinte anedota pode ser fictícia, mas ilustra um fato. De acordo
com a história, quando um montanhês completou seu septuagésimo
quinto aniversário, um piloto de avião ofereceu-se para levá-lo
a um passeio aéreo e sobrevoar as terras onde ele havia vivido. Apreensivo
a princípio, o idoso senhor finalmente aceitou o convite. Depois que
ele retornou à terra firme, um de seus amigos perguntou:
- E daí, o senhor não ficou com medo, Tio Dudley?
- Não, não cheguei a ter medo. Sabe, eu não larguei todo
o meu peso no banco do avião!
Nós sorrimos, mas não é assim que acontece conosco muitas
vezes? Não confiamos completamente em Deus e podemos ser comparados ao
homem que se arrastava ao longo de uma estradinha carregando um pesado fardo
às costas. Um fazendeiro passou por ele de carroça e ofereceu-lhe
carona. O andarilho aceitou. Depois de algum tempo, o fazendeiro observou que
o homem havia erguido o seu fardo. Quando o fazendeiro insistiu para que ele
o colocasse no chão da carroça, o homem teria respondido: "Não
creio que o pobre cavalo agüente sozinho."
Sustentando a Causa de Deus
Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. Ora as mãos de Moisés eram pesadas, ... Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um dum lado e o outro do outro: assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. E Josué desbaratou a Amaleque. Êxo. 17:11-13.
A batalha que esses versos descrevem foi travada há mais de 3.400 anos,
em Refidim, um vale rochoso na península do Sinai. Visitei Refidim em
1959, com um grupo que viajava pelas terras bíblicas. Alguns do grupo
subiram até o topo de um monte que dominava a região. Pediram-me
que me assentasse sobre uma pedra, assim como Moisés fez, enquanto dois
do grupo me seguravam as mãos para que outros tirassem uma fotografia.
Geralmente é verdade que, para o sucesso de um empreendimento, deve haver
apoio por parte daqueles que não desempenham um papel "heróico".
Sem essa sustentação, muitos empreendimentos fracassam.
Um exemplo desse fracasso ocorreu alguns anos atrás, ao largo da costa
da Nova Escócia. Uma embarcação havia sido atingida por
terrível tormenta e feita em pedaços, com lamentável perda
de vidas. Um único sobrevivente, agarrado a destroços do naufrágio,
podia ser visto pelas pessoas ansiosas que se haviam reunido na praia.
Um rapaz, conhecido como grande nadador, amarrou a extremidade de uma corda
em torno de sua cintura e instruiu as pessoas a segurarem a outra ponta, enquanto
ele nadava para resgatar o sobrevivente. Lutou contra as ondas até alcançar
o homem em perigo e, depois de segurá-lo, fez sinal para que as pessoas
na praia os puxassem. Justamente naquele momento, as pessoas levantaram as mãos
com um brado de triunfo e - por um instante apenas - soltaram a corda! Antes
que pudessem agarrá-la novamente, a corda foi levada pelo mar e tanto
o resgatador como o sobrevivente pereceram! Por um momento apenas os auxiliares
do resgatador se esqueceram da importância vital de seu papel "sem
charme".
Observe que, em nosso texto, Israel vencia quando as mãos de Moisés
eram levantadas, e a vantagem passava para Amaleque quando ele as baixava. Essa
foi uma parábola encenada, mediante a qual Deus quis ensinar a Israel
- e também a nós - a verdade de que, embora nossa função
não pareça atraente, os líderes da causa de Deus, bem como
a "tropa de combate", necessitam de nosso apoio para levar a obra
avante.
A Bondade Compensa
Não se esqueçam de ser bondosos com os estranhos, porque alguns que fizeram isso hospedaram anjos sem percebê-lo! Heb. 13:2 (A Bíblia Viva).
Tarde da noite, muitos anos atrás, um casal de idade encaminhou-se ao
encarregado da portaria no turno da noite, em um hotel de terceira categoria
em Filadélfia.
- O senhor teria um quarto onde pudéssemos passar a noite? Já
andamos por toda a cidade procurando um lugar onde hospedar-nos, e nada encontramos.
Por favor, não nos diga que não tem um quarto onde possamos pernoitar.
- Bem - respondeu o encarregado. - Não tenho um único quarto disponível
no hotel, mas podem ficar no meu próprio quarto. Não é
tão bom como alguns outros quartos, mas é limpo e para mim será
um prazer recebê-los como hóspedes.
- Que Deus o abençoe - suspirou a esposa.
Na manhã seguinte, na hora do desjejum, o marido pediu que um dos garçons
chamasse o funcionário da noite. Queria tratar de um assunto importante
com ele. Quando este chegou, o marido agradeceu-lhe a bondade e pediu que ele
se assentasse.
- Eu sou John Jacob Astor - informou o hóspede. - O senhor é uma
pessoa nobre demais para passar o resto de sua vida como porteiro noturno de
um hotel de terceira categoria. O que acharia de ser o gerente geral de um grande,
belo e luxuoso hotel na cidade de Nova Iorque?
- Isso é maravilhoso demais! - gaguejou o homem.
E assim a bondade de um obscuro funcionário do período noturno
de um hotelzinho foi recompensada quando ele se tornou o gerente geral do famoso
Hotel Waldorf-Astoria.
Nosso verso faz alusão à hospitalidade demonstrada por Abraão
aos três viajantes que na verdade eram anjos. Sim, a bondade compensa.
Mas o pagamento nem sempre é recebido nesta vida. Em muitos casos, o
dia do pagamento não chegará antes daquele dia em que Jesus dirá:
"Vinde, benditos de Meu Pai! entrai na posse do reino que vos está
preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e Me destes
de comer; tive sede e Me destes de beber; era forasteiro e Me hospedastes; estava
nu e Me vestistes; enfermo e Me visitastes; preso e fostes ver-Me." S.
Mat. 25:34-36.
Ação Não é Passatempo de Espectadores
Ela [Maria] deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-O e O deitou
numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria. S. Luc.
2:7.
A insensibilidade e a indiferença não são qualidades confinadas
aos tempos antigos. Podem ser vistas em nossos dias também.
No dia 6 de dezembro de 1964, uma jovem senhora deu à luz uma criança
na calçada de uma movimentada esquina em Oklahoma, Estados Unidos. Uma
multidão de curiosos transeuntes parou para observar, mas ninguém
prestou auxílio. Depois de algum tempo, um turista sentiu pena e chamou
um táxi, mas o motorista recusou-se a levar a mãe e o bebê
ao hospital porque sujariam o veículo. O prestativo turista chamou a
polícia. Esta informou que estava ocupada demais, com chamados mais urgentes.
A essa altura, Bob Cunningham, ex-deputado federal, passou ali por acaso e telefonou
aos bombeiros para que enviassem uma ambulância. O pedido não foi
atendido. Enquanto isso, Cunningham pediu que um espectador buscasse um cobertor
no hotel do outro lado da rua, mas também foi em vão. Finalmente,
Cunningham colocou a senhora e o bebê em seu próprio carro, levando-os
para o hospital.
Essa inacreditável história nos faz pensar no que aconteceu com
Jesus e Sua mãe há dois mil anos. Seria possível que tivéssemos
expressado a mesma indiferença se fôssemos proprietários
de hospedarias em Belém?
Vivemos numa época em que as pessoas são relutantes para envolver-se,
especialmente se o "próximo" for um estranho ou indigente.
Um exemplo disso ocorreu anos atrás em Nova Iorque. Kitty Genovese retornava
ao seu apartamento tarde da noite, quando foi atacada e esfaqueada várias
vezes. Pelo menos 38 pessoas ouviram os gritos dela por socorro. Finalmente,
alguns levantaram as persianas para ver o que estava acontecendo. Uns poucos
gritaram com o agressor, mas ninguém chamou a polícia ou prestou
ajuda, e a infeliz moça faleceu.
Quando saímos do caminho para prestar ajuda a alguém necessitado,
na verdade o fazemos para Cristo, pois Ele disse: "Sempre que o fizestes
a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes." S. Mat. 25:40.
Lance a Corda salva-vidas
Quando estou entre os fracos na fé, eu me torno fraco também a
fim de ganhá-los. Assim eu me torno tudo para todos a fim de poder, de
algum modo, salvar alguns. I Cor. 9:22 (BLH).
Por volta do ano de 1875, a traineira Gertrude foi apanhada por uma tempestade
violenta a uns 65 quilômetros de Lowestoft, na costa da Inglaterra. Cinco
homens do mar, bem como tudo o que se movia no convés, foram jogados
ao mar. Somente um marinheiro e o cozinheiro do barco permaneceram vivos. A
traineira Alfred aventurou-se a chegar perto para ver se podia ajudar. Repetidas
vezes os homens do Alfred jogaram cordas para Gertrude, mas cada vez que o faziam,
ou elas não alcançavam os sobreviventes, ou estes, paralisados
pelo frio, não conseguiam segurá-las.
Anoiteceu. O Alfred manteve contato com o barco à deriva por meio de
sinais luminosos. Quando amanheceu, Alfred Freeman, um rapaz de 18 anos e aprendiz
de marinheiro, ofereceu-se voluntariamente para ir até à embarcação.
Sozinho na furiosa tormenta, ele remou seu barquinho até ao Gertrude
e subiu a bordo. Mas a onda seguinte esfacelou o seu barquinho a remo contra
o lado de Gertrude. Numa tentativa final e desesperada, a tripulação
do Alfred jogou mais uma corda. Freeman conseguiu apanhá-la e os homens
foram salvos.
Em inglês há um hino com o título "Lance a Corda Salva-vidas".
Alguns acham que o autor comemora, com a letra desse hino, o incidente do resgate
do Gertrude pelo Alfred.
Paulo, que escreveu as palavras de nosso verso, viajou muito por mar. A caminho
de Roma, seu navio foi apanhado por uma tempestade e afundou. Mas, com tormenta
ou sem tormenta, ele testemunhava por seu Senhor. Mesmo enquanto rugia a tempestade,
Paulo testificou: "Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou
e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas. ... Deus por
Sua graça te deu todos quantos navegam contigo. Portanto, senhores, tende
bom ânimo; pois eu confio em Deus, que sucederá do modo por que
me foi dito." Atos 27:23-25.
Mão Ajudadora
Ora, nós que somos fortes, devemos suportar as debilidades dos fracos,
e não agradar-nos a nós mesmos. Rom. 15:1.
Alguns anos atrás, um amigo meu passou por uma cirurgia em sua mão
esquerda, a fim de corrigir uma condição conhecida como contratura
de Dupuytren. A cirurgia prejudicou a circulação do sangue naquela
mão. Como resultado, ele descobriu que, quando o tempo esfriava, sua
mão direita parecia procurar automaticamente a esquerda para aquecê-la.
É esse o tipo de cooperação em nível espiritual
de que Paulo está falando em nosso texto. Em várias de suas epístolas,
o apóstolo compara a igreja de Cristo a um corpo, e suas várias
partes a membros da igreja (ver Rom. 12:4-6; I Cor. 12:13-27 e Efés.
4:11-13).
Aplicando a experiência de meu amigo à analogia de Paulo, descobrimos
que, se observarmos o amor de um membro começando a esfriar (S. Mat.
24:12), nós que somos espiritualmente saudáveis faremos tudo o
que estiver ao nosso alcance para "aquecê-lo".
Mão Amiga
Pedro... ficou cheio de pavor e começou a afundar. "Salve-me, Senhor!"
gritou ele. No mesmo instante Jesus estendeu-lhe a mão e o salvou. S.
Mat. 14:29 e 30 (A Bíblia Viva).
Muitos anos atrás, a escuna Tomas M. N. Stone afundou ao largo da costa
oriental dos Estados Unidos. O Comandante Newcomb e sua tripulação
de seis pessoas escaparam num bote salva-vidas. Foram resgatados alguns dias
mais tarde pela embarcação África, que os levou a Nova
Iorque.
Newcomb registrou uma queixa junto às autoridades da Marinha, declarando
que enquanto se encontravam à deriva, um barco a vapor de casco preto
e uma só chaminé passara por eles a uns três quilômetros
de distância, sem ter parado para prestar socorro. A tripulação
do barco tinha obviamente visto o internacionalmente conhecido sinal de perigo
(um cobertor preso a um remo), pois o vapor havia tocado três vezes a
sua buzina - mas prosseguira sem parar. Disse Newcomb: "Se eu soubesse
o nome daquele barco e o de seu capitão, o mundo inteiro ficaria sabendo!"
Acho que nem sempre nos damos conta de que muitos náufragos no mar da
vida são ignorados como aquele comandante e sua tripulação.
Minha esposa e eu visitamos recentemente o nosso filho Don e família,
na cidade de Paradise, Califórnia. Eu havia sido aspirante ao ministério
40 anos antes, naquela mesma cidade. Enquanto andávamos por locais familiares
para mim, mostrei para minha esposa o lugar onde havia morado uma família
de membros da igreja (vou chamá-los de Clark). Quando os visitei, a Sra.
Clark pediu-me que visitasse o seu filho de 19 anos de idade, que morava numa
cabana próxima. Ela contou que ele não tinha amigos, nunca saía
e estava simplesmente jogando a vida fora.
Quando bati e a porta se abriu, fui recebido pelo rosto mais triste que me recordo
de ter visto na vida. Momentos depois, o rapaz se desfazia em lágrimas.
Devido a minha inexperiência, eu não sabia o que fazer. Li um versículo
das Escrituras, fiz uma breve oração e fui embora. Pouco tempo
depois, fui transferido para outro distrito e não dei continuidade àquela
visita inicial, mas isso não era desculpa realmente para negligenciar
o rapaz. Eu poderia pelo menos ter-lhe escrito uma carta animadora. A inexperiência
não deve ser usada como pretexto para deixar de atender os que se encontram
em necessidade.
Por todos os lados, ao nosso redor, há pessoas como aquele rapaz. Necessitam
de um amigo. De alguém solícito. De alguém que as leve
a Jesus, que nunca deixa de estender a mão para salvar.
Bênçãos Disfarçadas
Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Gên. 50:20.
Nosso verso refere-se à experiência de José. Quando foi
vendido como escravo, os seus irmãos tiveram a certeza de que os sonhos
proféticos dele jamais se cumpririam. Mas deixaram de considerar o fato
de que Deus pode tomar uma situação má e convertê-la
em algo bom. Ele fez isso por Seus filhos fiéis inúmeras vezes.
Wallace Johnson estava com 40 anos de idade em 1939. Achava que tinha estabilidade
em seu emprego na serraria. Então um dia o seu patrão o chamou
e disse-lhe que estava despedido. Isso não podia ter acontecido numa
época pior. Os Estados Unidos da América estavam justamente saindo
da grande depressão financeira da década de 30, e Johnson tinha
esposa e filhos para manter. Como, perguntava-se ele, poderia a família
sobreviver financeiramente agora?
Johnson saiu da serraria com a sensação de que seu pequeno mundo
desabara. A caminho de casa, entretanto, orou por orientação divina.
Quando entrou em sua casa e contou à esposa o que havia acontecido, o
seu estado de ânimo já era melhor.
- O que é que você vai fazer agora? - quis saber a esposa.
- Vou hipotecar a casa e entrar no negócio de construções
- anunciou ele.
Sua primeira tentativa foi a construção de duas pequenas estruturas.
Dentro de cinco anos, a família Johnson estava multimilionária.
Wallace foi o fundador da rede de hotéis Holiday Inn e ficou conhecido
como o "albergueiro da América". Mais tarde ele declarou: "Se
eu pudesse encontrar o homem que me despediu do emprego, eu teria de agradecer-lhe.
Quando fiquei desempregado, não pude ver a mão de Deus naquela
circunstância, mas posteriormente vim a entender que Ele o permitira para
que eu pudesse contribuir financeiramente para a manutenção de
Sua obra na Terra, enquanto ao mesmo tempo me dava condições de
oferecer emprego a mais de 100.000 pessoas."
Depois de Muitos Dias
Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos
dias o acharás. Ecle. 11:1.
Em 1568, quando a rainha Maria da Escócia fugiu para a Inglaterra, levou
consigo um colar de raras pérolas negras. Dezenove anos mais tarde, quando
foi executada, o ornamento desapareceu. O governo britânico ordenou uma
busca, mas o colar jamais foi encontrado. Depois de muito tempo e considerável
esforço, teve de ser suspensa a busca, mas o caso não foi esquecido.
Mais de 350 anos depois, duas mulheres americanas, viajando pela Grã-Bretanha,
entraram numa velha loja de presentes à procura de uma lembrancinha para
levar para casa. O encarregado da loja mostrou-lhes um colar de contas pretas
encardidas, que ele ofereceu por um xelim (vigésima parte da libra).
As senhoras o adquiriram e o levaram a um joalheiro, para que limpasse as continhas.
Vários dias mais tarde, quando as mulheres passaram por lá para
retirar o "souvenir", um representante do governo britânico
informou-lhes que as contas constituíam o colar da Rainha Maria, perdido
fazia tanto tempo. Para reavê-lo, o governo pagou às senhoras a
quantia de cinco mil libras esterlinas.
Caráter
Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências. Rom. 13:13 e 14.
Enquanto eu cursava a faculdade, Walter B. Clark era o preceptor dos rapazes.
Certa noite, enquanto dirigia o culto, ele disse: "O caráter é
aquilo que você é no escuro." Ele poderia ter acrescentado:
"E também o que você é de dia, quando acha que ninguém
está olhando."
Vários anos atrás, John Gosson se dirigia de moto a uma oficina
de carros em Syracuse, Nova Iorque. Ele havia lido o anúncio de uma Honda;
queria dar uma olhadinha e, quem sabe, comprá-la. Sem que ele o percebesse,
o vento abriu o bolso de sua jaqueta, que continha 7.500 dólares - suas
economias dos últimos sete anos.
As notas se espalharam pela rodovia. Os motoristas que passavam, pararam e se
serviram daquela "chuva de dinheiro". Um motorista honesto, que conseguiu
recolher 3.120 dólares, devolveu-os a Gosson. Outro, contudo, acrescentou
um insulto ao dano, não apenas por ficar com o dinheiro que havia recolhido,
mas ainda mandando ao infeliz jovem um cartão postal ofensivo, no qual
se gabava de ter passado "férias pagas" na Califórnia.
O cartão dizia: "Eu me senti no sétimo céu, juntando
e guardando aquele 'troquinho' na rodovia, o qual, segundo descobri, pertencia
a você."
Caráter de Prata Refinada
Vai sentar-se, como o purificador de prata, vigiando com atenção,
até que todo o refugo tenha sido queimado. Purificará os levitas,
os servos de Deus, e os limpará como se limpa o ouro e a prata. Assim,
eles servirão a Deus com corações puros. Mal. 3:3 (A Bíblia
Viva).
A parte de trás de objetos feitos com prata da melhor qualidade em geral
traz estampada a palavra "sterling" (esterlina). Você sabe como
se originou a palavra "esterlina"?
Segundo Walter de Pinchebek, que viveu por volta do ano 1300, havia na cidade
de Hanse, no norte da Alemanha, um estabelecimento mercantil chamado Easterling.
Os sócios dessa firma eram reconhecidos como sendo tão íntegros
em suas transações, que receberam privilégios especiais
no comércio e nos bancos. Os comerciantes da filial inglesa dessa firma
obtiveram permissão para cunhar moedas com seu próprio nome. Essas
moedas eram cunhadas com a palavra "Easterling". Compunham-se de 92,2%
de prata e menos de 8% de liga (esta última era necessária para
evitar que a prata se desgastasse muito rapidamente). Por fim, a palavra Easterling
foi encurtada para "sterling" (esterlina) e daí em diante toda
prata que atinge essas especificações passou a ser marcada como
esterlina.
No verso de hoje, o Senhor é retratado como refinador de metais preciosos.
Os refinadores de ouro e prata dos tempos bíblicos são descritos
como estando assentados diante de uma fornalha, observando atentamente o processo
de purificação, para que nada se perdesse do precioso metal (ver
Isa. 1:25). Para que o resultado fosse o melhor, o refinador não aplicava
calor de mais nem de menos. Quando o minério chegava ao ponto de fundir-se,
a escória era removida sem danificar o precioso metal.
Deus freqüentemente usa provas que parecem "ardentes" para refinar
o nosso caráter. Como o salmista diz: "Tu nos colocaste no fogo
para nos purificar, como se faz com a prata." Sal. 66:10 (A Bíblia
Viva).
"Esterlina" está para a prata assim como "cristão"
deve estar para o caráter.
Alegria por Ocasião da Colheita
Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes. Sal. 126:6.
Thomas Johannes Bach, estudante de Engenharia, caminhava por uma rua de Copenhague
certo dia, quando um juvenil se aproximou dele com um folheto na mão.
- Aceita este folhetinho? - perguntou o menino. - Ele tem uma mensagem para
o senhor.
Olhando para o folheto, Thomas viu que era religioso. Não estava interessado
e não gostou de ter sido parado na rua por causa de um folheto.
- Por que você incomoda as pessoas com a sua religião? - quis saber
ele. - Sou perfeitamente capaz de tomar conta de mim mesmo.
Como o rapazinho continuasse com a mão estendida, Thomas pegou o folheto
de modo grosseiro, rasgou-o e colocou-o no bolso. O garoto virou-se e foi embora
muito triste. Mas Thomas não conseguiu tirar os olhos do menino.
Dirigindo-se ao vão de uma porta, o juvenil curvou a cabeça e
orou silenciosamente. Thomas observava e percebeu que lágrimas corriam
pela face do menino. O coração de Thomas foi tocado. Ali estava
alguém que se importara tanto com sua alma, a ponto de oferecer-lhe um
folheto, e ele o havia rejeitado. A partir daquele momento, a vida de Thomas
tomou um rumo diferente. Em vez de tornar-se engenheiro, tornou-se missionário
na América do Sul.
Alguns, lendo acerca do método que o juvenil usou para testemunhar, podem
acusá-lo de "impor" sua religião aos outros
- e talvez ele o estivesse fazendo. Alguns podem concluir que as lágrimas
dele provinham de sentimentos feridos, e não de preocupação
pela alma de Thomas - e podem estar certos! Mas outros ainda podem ver nas lágrimas
do rapazinho um interesse genuíno pelas almas, como se estivesse clamando:
"Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos
salvos" (Jer. 8:20) - e talvez estejam certos! Por que não dar ao
garoto o benefício da dúvida?
Testemunhar por Cristo deve ser feito de modo cativante e inofensivo; as lágrimas
derramadas devem provir de preocupação pelas almas e não
de sentimentos feridos. Mas quem pode contestar o fato de que o Espírito
Santo usou o testemunho do menino para ganhar uma alma para Cristo? Estamos
nós fazendo a mesma coisa por Ele?
Não posso deixar de crer que no grande dia da colheita, no fim do mundo
(ver S. Mat. 13:39), aquele rapazinho virá com regozijo, trazendo seu
"feixe" de almas!
A Solução de Deus Para o Desalento
Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos pó. Sal. 103:13 e 14.
Se já houve alguém com boas razões para sentir-se no topo
do mundo, foi Elias. Por sua palavra, havia deixado de chover por três
anos e meio (ver S. Tiago 5:17). Em resposta à sua oração,
um relâmpago cortou um céu sem nuvens e consumiu o sacrifício
sobre o altar. Ele orou, e choveu outra vez (ver o versículo 18 e I Reis
18:36-39 e 45). Exuberante com o sucesso, Elias correu na frente da carruagem
de Acabe, desde o cume do Carmelo "até à entrada de Jezreel".
I Reis 18:46.
Pouco depois dessa experiência no alto do monte, entretanto, Elias encontrou-se
atolado no lamaçal do desalento. Como se pode explicar essa mudança
de estado de ânimo? Seria possível que, após ter o Senhor
atuado tão poderosamente através dele, Elias começasse
a pensar que o poder para fazer todas aquelas coisas era seu próprio?
Ou estaria simplesmente passando por uma reação natural ao esforço
físico depois de correr do Carmelo até Jezreel? Ou teria sido
um caso de autopiedade devido à ingratidão de Acabe e Jezabel?
Seja qual for o motivo, gosto da maneira como Deus lidou com Seu desalentado
servo. Você recorda: Ele falou com Elias no Monte Horebe, numa voz tranqüila
e suave.
Posso imaginar Deus colocando o braço em torno de Elias e dizendo:
- O que é que você está fazendo aqui, Elias? Você
está tentando fazer Meu trabalho, em vez de permitir que Eu tome conta
do caso. Deixe Jezabel e seus ímpios seguidores comigo; sei como cuidar
disso.
E posso ouvir a resposta de Elias:
- Senhor, tenho sido muito zeloso em Sua causa, e o único fiel que resta
em todo o Israel; mas veja agora: estão procurando matar-me!
Ouço a resposta de Deus:
- O que você não percebe, Elias, é que ainda tenho 7.000
em Israel que não dobraram os joelhos a Baal. Meu filho, esqueça-se
disso. Ainda tenho muito trabalho para você fazer.
Alguma vez você já se sentiu como Elias? Não é maravilhoso
ter um Pai celestial que conhece a nossa estrutura e trata os desanimados com
compaixão?
Crie Raízes Profundas
E agora, assim como vocês confiaram em Cristo como Salvador, confiem nEle também para os problemas de cada dia; vivam em união vital com Ele. Deixem que as raízes de vocês se aprofundem nEle e extraiam dEle a nutrição. Cuidem de continuar a crescer no Senhor, e tornem-se fortes e vigorosos na verdade. Col. 2:6 e 7 (A Bíblia Viva).
Uma árvore absorve água e nutrição através
de suas raízes. Por meio de inumeráveis apófises e filamentos,
cada ramificação do sistema de raízes aumenta a superfície
absorvente. Essas minúsculas raízes são cobertas por uma
espécie de "pele" especialmente designada pelo Criador para
absorver os elementos vitais dissolvidos na água, assim como um mata-borrão
absorve a tinta.
Algumas árvores não apenas tiram do solo a umidade e nutrientes
para seu crescimento, mas também os guardam para uso futuro. Uma árvore,
na ilha de Madagáscar, desenvolve protuberâncias parecidas com
uma salsicha para servirem de reservatórios, retendo água para
a árvore durante a estação seca.
Embora não passe de um arbusto, a tamargueira envia sua raiz principal
a uma profundidade de 30 metros! Por outro lado, um cacto gigante pode enviar
sua raiz principal a apenas um metro, mas suplementa-a com um sistema de raízes
que se espalham horizontalmente até uns 27 metros em todas as direções.
Ambos os sistemas procuram umidade e nutrientes. Calcula-se que um único
tufo da grama de Kentucky lance em sua fase de desenvolvimento mais de 80.000
pequenas raízes, às quais se ligam um milhão de pêlos
radiculares.
É só mediante seu sistema radicular que uma planta pode absorver
os elementos essenciais necessários para a vida e o crescimento. O mesmo
ocorre na vida cristã. Recebemos vida espiritual de Cristo quando nascemos
de novo. Isso é justificação. Mas não paramos aí.
Crescemos em Cristo. Isso é santificação. Esse processo
resulta em uma transformação do caráter que continua enquanto
durar a vida.
O crescimento na vida espiritual não é algo que realizemos por
nós mesmos. É obtido mediante o viver de Cristo em nós
(ver S. João 15:4-7). Cristo efetua em nós o querer e o realizar,
segundo Sua boa vontade.
Esperando Orientação do Alto
A Ti, que habitas nos Céus, elevo os meus olhos! Como os olhos dos servos
estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na
mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no Senhor,
nosso Deus. Sal. 123:1 e 2.
Muitos anos atrás, no Sul dos Estados Unidos, uma senhora nascida na
cidade e sua prima do campo viajavam numa charrete no meio de densa floresta,
quando anoiteceu. Não havia luar; só algumas estrelas. Em pouco
tempo, ficou impossível enxergar a estrada. A moradora da cidade ficou
um pouco assustada pensando que estavam perdidas, mas sua prima do interior
não parecia nem um pouco preocupada. Ela parou o cavalo, pisou no chão,
caminhou um pouquinho ali por perto e voltou, dizendo que havia encontrado a
estrada. De volta à charrete, continuaram a jornada.
Enquanto prosseguiam, a moradora da cidade observou, pela fraca luz das estrelas,
que sua companheira, em vez de olhar para o chão, olhava para cima.
- Por que você está olhando para cima, sendo que a estrada está
aqui embaixo?
- Porque só assim posso saber para onde vai o caminho - explicou a prima.
- As árvores foram cortadas para dar lugar à estrada. Numa noite
como esta, é impossível ver o caminho, mas olhando para cima eu
posso saber para onde vamos ao enxergar o céu pela clareira das árvores.
Assim acontece também na estrada da vida. Enquanto prosseguimos, há
ocasiões em que as provas e perplexidades nos cercam, tornando a escuridão
tão densa e impenetrável como a de uma floresta em noite sem luar.
É nessas ocasiões que muitos se perdem, mas isso não precisa
acontecer!
Quando ao nosso redor tudo é sombrio e ameaçador, não nos
esqueçamos de que lá em cima existe luz. Consolemo-nos com o fato
de que para Deus "as trevas e a luz são a mesma coisa". Sal.
139:12. Ele vê quando nós não conseguimos enxergar nada.
Mesmo quando brilha o sol e tudo parece claro e iluminado, é sempre sensato
olhar para o Céu, de onde Deus governa, pois nenhuma estrada é
segura se não for Ele o nosso guia.
Você Está Seguro nas Mãos de Deus
Quanto a mim confio em Ti, Senhor. Eu disse: Tu és o meu Deus. Nas Tuas
mãos estão os meus dias. Sal. 31:14 e 15.
No Museu Metropolitano de Arte, na cidade de Nova Iorque, está uma das
famosas obras-primas do escultor francês Auguste Rodin. Ao nos aproximarmos
dela, parece apenas um grande bloco bruto de mármore branco. Mas ao chegarmos
bem perto, parece emergir da pedra uma grande, bela e bem cinzelada mão.
Tem-se a impressão de que aquela mão brota de dentro do mármore
- uma impressão característica que Rodin gostava de dar a algumas
de suas obras.
Se nos aproximarmos ainda mais, veremos que a mão está segurando
duas figuras humanas, os corpos ainda em formação de um homem
e de uma mulher. Se examinarmos com atenção, veremos na base da
obra uma inscrição que diz: "A Mão de Deus."
Quando vi essas palavras, elas me fizeram recordar o texto do Antigo Testamento
que diz: "Olhai para a rocha de que fostes cortados, e para a caverna do
poço de que fostes cavados." Isa. 51:1.
No Salmo 74:11, Asafe dirige-se a Deus com a queixa: "Por que retrais a
Tua mão, sim, a Tua destra?" - como se até àquele
momento Deus o tivesse protegido, mas agora, por alguma inexplicável
razão, tenha "puxado o tapete" sob seus pés. É
como se Asafe, quase irreverentemente, estivesse dizendo: "Vamos, Senhor.
Não me deixe passar por isso. Faça alguma coisa!"
Todos nós, provavelmente, já nos sentimos assim em alguma ocasião.
A urgência do momento parece exigir que Deus faça algo no mesmo
instante. Precisamos lembrar-nos de olhar para aquilo que é eterno, além
do temporal (ver II Cor. 4:18), sem esquecer que nada nos pode separar do amor
de Deus (ver Rom. 8:39).
Todo ser humano deve a sua existência e felicidade a um amorável
Criador, um fiel Pai celeste que segura a todos na palma de Sua mão.
Quando as provações e dificuldades nos oprimem, temos a tendência
de perder de vista esse fato. Assim como no caso da "Mão de Deus"
de Rodin, não podemos discernir claramente a Sua presença, a certa
distância, apesar de que Ele "não está longe de cada
um de nós". Atos 17:27.
A Namoradeira Sincera
Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: Dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva. S. João 4:10.
É meio-dia, provavelmente no fim de dezembro do ano 28 d.C. ou início
de janeiro de 29 d.C. Jesus, que estivera viajando a pé com os discípulos,
escolhe um velho poço junto ao qual sentar-Se. Enquanto Ele descansa,
os discípulos vão a uma aldeia próxima de Sicar para comprar
alimento. Jesus olha para o vale na direção da aldeia, e vê
que se aproxima uma mulher com um cântaro de água sobre o ombro.
As mulheres no Oriente Médio geralmente não buscam água
nas horas mais quentes do dia. Talvez ela esteja vindo ao meio-dia porque se
preocupa menos com os raios quentes do sol do que com os olhares fulminantes
de suas irmãs mais respeitáveis.
Quando ela chega ao poço, Jesus lhe pede um pouco de água. A resposta
dela é um tanto atrevida, talvez até galanteadora: "Como,
sendo Tu judeu, pedes de beber a mim que sou mulher samaritana?" S. João
4:9. Se ela está querendo "paquerar", Jesus não cai
no seu jogo. Em vez disso, leva o assunto para um plano espiritual.
"Se conheceras o dom de Deus..." Jesus usa essa expressão com
um sentido enigmático, para despertar a curiosidade da mulher. O que
Ele quer dizer é: "Se você soubesse quem sou..." Afinal
de contas, Ele é o Dom de Deus ao mundo (ver S. João 3:16). Sua
manobra funciona! O interesse da mulher é despertado. Então, pouco
a pouco, Jesus revela cuidadosamente os segredos daquela vida de vergonha.
A mulher tenta fugir das embaraçadoras revelações, mudando
o rumo da conversa para uma discussão teológica, mas Jesus ergue
o tema para um nível mais elevado. Novamente em sintonia, a mulher reconhece:
"Eu sei... que há de vir o Messias...; quando Ele vier nos anunciará
todas as coisas." Verso 25. Essa é a oportunidade áurea de
Jesus. Indo direto ao ponto, Ele diz: "Eu o sou, Eu que falo contigo."
Verso 26.
E a mulher crê! A namoradeira sincera se converte.
Que lição de conquista de almas! Não vá para o atalho
das discussões teológicas; leve o tema para um plano espiritual.
Por Quê?
Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás? gritar-Te-ei: Violência! e não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade, e me fazes ver a opressão? Hab. 1:2 e 3.
Minha mãe costumava dizer que, quando eu era criança, quase a
deixava louca, perguntando: "Por quê?" Nem bem acabava ela de
responder, e vinha eu de novo: "Mas por quê?"
As crianças não são as únicas que ficam perguntando
Por Quê? Os adultos também perguntam. O profeta Habacuque, autor
de nosso verso, foi um deles. Muitas pessoas lêem seu pequeno livro e
deixam de entender-lhe a grande mensagem. Seu tema central é a pergunta
Por Quê?
Habacuque viveu num tempo de apostasia. Ao investigar a condição
espiritual de seu povo, ficou perplexo e quis saber por que Deus havia permitido
que permanecessem impunes.
Não demorou muito para que obtivesse a resposta. "O Senhor respondeu:
'Prestem atenção e ficarão de boca aberta! Vocês
ficarão espantados com o que Eu vou fazer muito em breve! Ainda enquanto
estiverem vivos, Eu farei uma coisa que vocês terão de ver para
crer'." Hab. 1:5, A Bíblia Viva. Imagino que Habacuque se sentiu
bastante aliviado ao saber que, por fim, Deus iria fazer algo em relação
com a impiedade de Judá!
Quando o Senhor revelou o que tinha em mente, entretanto, Habacuque ficou mais
perplexo ainda. Deus disse: "Eu estou preparando uma nova potência
mundial, os caldeus, uma nação cruel e violenta que marchará
pelo mundo e o conquistará." Verso 6, A Bíblia Viva. Deus
iria usar uma nação ainda mais ímpia que Judá para
castigar Seu povo! Por quê? Não é de admirar que Habacuque
tenha ficado mais desconcertado ainda.
Deus nunca respondeu a todas as perguntas de Habacuque, mas o profeta finalmente
entendeu que "O Senhor está em Seu santo templo". Deus estava
no trono; Ele estava no controle da situação e, sendo que Ele
estava controlando as coisas, Habacuque pôde dizer: "Cale-se diante
dEle toda a terra." Verso 2:20. Saber que o Deus de infinito poder e sabedoria
estava controlando todas as coisas era resposta suficiente.
Você alguma vez já perguntou "Por Quê?" sem obter
uma resposta satisfatória? Lembre-se: "O Senhor está em Seu
santo templo." Mesmo que as aparências digam o contrário,
Deus está controlando tudo, e para você e para mim isso é
resposta suficiente - por enquanto. As respostas completas e definitivas virão
quando estivermos no Céu.
O Custo das Convicções
Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, ... firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e... em nada... intimidados pelos adversários. Filip. 1:27 e 28.
Sam Houston, general e estadista texano, ficou conhecido por defender causas
impopulares, mesmo que o custo fosse elevado. Numa época em que era impopular
defender os índios americanos, ele foi a Washington como membro de uma
delegação dos "Cherokees" para queixar-se ao governo
das práticas corruptas dos agentes indigenistas. Opôs-se à
escravatura numa época em que era impopular fazer isso. No dia 18 de
março de 1861, foi deposto como governador de Estado porque se opunha
à secessão e recusou-se a jurar lealdade à Confederação.
Duas semanas mais tarde, no discurso a uma multidão que clamava por seu
sangue, Houston declarou: "Sempre tive como regra invariável na
minha vida não formar nenhuma opinião ou dar veredicto sobre qualquer
grande questão pública antes de ouvir e considerar cuidadosa e
imparcialmente todas as evidências..., e, uma vez tendo assumido minha
posição, nenhum temor da condenação popular me poderá
induzir a modificá-la. Nunca permiti que o clamor, a paixão, o
preconceito ou a egoísta ambição popular me induzissem
a mudar uma opinião ou um veredicto que minha consciência e razão
tenham formado e considerado justos. ...
"A Vox Populi nem sempre é a voz de Deus, pois quando os demagogos
e líderes políticos egoístas conseguem excitar o preconceito
do público e silenciar a voz da razão, pode-se ouvir o clamor
popular 'Crucifica-O, crucifica-O!' A Vox Populi torna-se então a voz
do diabo."
Essas palavras foram destemidas, mas observe que, antes de tomar uma posição
conscienciosa, Houston procurava assegurar-se de que estava ao lado da justiça.
Defender o que é correto freqüentemente desperta oposição
e perseguição. Hoje em dia é popular ser cristão,
mas pode não continuar sendo assim. Para você e para mim vem a
pergunta: "Estão certas as convicções de minha consciência?
Estão em harmonia com a Palavra de Deus?" Se estiverem, apeguemo-nos
a elas, seja qual for o preço.
A Conversão Opera Mudanças
O Espírito do Senhor se apossará de ti, ... e tu serás mudado em outro homem. ... Sucedeu, pois, que, virando-se ele para despedir-se de Samuel, Deus lhe mudou o coração. I Sam. 10:6 e 9.
Com a idade de 29 anos, Charles Grandison Finney era um advogado promissor
no Estado de Nova Iorque. Os pastores que haviam tentado despertar-lhe o interesse
pelo cristianismo desistiram, concluindo que ele estava além das esperanças
- era um "caso perdido", alegavam.
Até 1821, Finney nunca havia possuído uma Bíblia, mas a
fim de tornar mais completa a sua coleção de livros, adquiriu
uma para a sua biblioteca. Mas fez mais do que isso. Começou a ler o
Livro. Ao contrário de Saul, que experimentou uma conversão instantânea,
Finney começou gradualmente a transferir seu interesse, dos Comentários
de Blackwood para a Bíblia. Finney converteu-se, despediu-se de seus
clientes e contou a seus colegas advogados que havia recebido "uma procuração
do Senhor Jesus Cristo para pleitear a Sua causa".
Durante os anos que se seguiram, Finney experimentou um sucesso fenomenal como
evangelista, tanto na América como na Inglaterra. Em 1834, estabeleceu
o Tabernáculo Broadway, na cidade de Nova Iorque, e mais tarde se tornou
o segundo diretor do Colégio Oberlin. Sua vida foi de uma dedicação
sempre crescente ao Senhor. E tudo isso aconteceu porque um "livro de consulta"
lhe foi parar na biblioteca e posteriormente no coração.
Coragem Diante da Derrota
Tendo ali [em Roma] os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso encontro até à Praça de Ápio e às Três Vendas. Vendo-os Paulo, e dando por isso graças a Deus, sentiu-se mais animado. Atos 28:15.
Quando Lucas escreveu essas palavras a respeito de Paulo, este se encontrava
a caminho de Roma, onde enfrentaria possivelmente a execução pelas
mãos de um imperador brutal e excêntrico - Nero. Paulo, contudo,
não temia essa possibilidade. Em vez disso, contemplando as primícias
de uma abundante colheita de almas, deu graças a Deus e sentiu-se animado.
O mundo necessita de mais almas corajosas como Paulo.
Durante os negros dias de junho de 1940, Winston Churchill, primeiro-ministro
da Grã-Bretanha, voou até à sede temporária do governo
francês em Tours e esforçou-se para incentivar seus hesitantes
aliados a continuarem a resistência contra o holocausto nazista. Seus
esforços foram infrutíferos. O exército francês praticamente
deixara de existir, o governo estava à beira do colapso e o futuro parecia
desesperançadamente negro.
Retornando para a Inglaterra, Churchill relatou ao seu gabinete a gravidade
da situação. Não abrandou o quadro, mas concluiu com estas
memoráveis palavras: "Nós agora enfrentaremos a Alemanha
completamente isolados. Estamos sós." A seguir, olhando desafiadoramente
ao seu redor, acrescentou: "Mas para mim isso é até inspirador!"
A coragem daquele homem, diante de avassaladoras desvantagens e derrota quase
certa, foi contagiosa. Galvanizou o povo britânico levando-o à
ação e, como todos sabemos, prosseguiu para a vitória final.
A Forma de Responder aos Críticos
Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco? Nee. 6:3.
Esse texto relaciona-se com a reconstrução dos muros de Jerusalém
após o cativeiro babilônico. A árdua tarefa foi realizada
em impressionantes 52 dias, mulheres trabalhando lado a lado com os homens.
(Ver Nee. 6:15 e 3:12.)
Daniel havia profetizado que os muros seriam reconstruídos "em tempos
angustiosos" (Dan. 9:25). Assim, Neemias talvez não se tenha impressionado
muito quando alguns críticos chegaram e tentaram impedir o trabalho.
Neemias disse que Sambalá, o horonita, Tobias, o amonita, e Gesém,
o arábio, haviam-no desprezado e zombado dele (2:19). Certo dia, um dos
críticos foi examinar o muro e ridicularizou-o: "Vindo uma raposa
derrubará o seu muro de pedra" (4:3). Mas Neemias recusou-se a interromper
a obra que Deus lhe havia confiado e a discutir com seus críticos. Essa
é uma boa forma de responder aos astuciosos.
Quando o Coronel George Washington Goethals estava construindo o Canal do Panamá,
enfrentou problemas de topografia e de doenças tropicais que teriam intimidado
um homem de menos fibra. Mas o pior problema foi que ele teve de suportar comentários
irônicos de críticos amargos de seu próprio país.
Estes tinham certeza de que ele fracassaria. Afinal de contas, não havia
o Visconde de Lesseps, famoso construtor do Canal de Suez, desistido do projeto?
Mas Goethals ignorou os astuciosos.
Certo dia, um de seus subordinados perguntou-lhe, exasperadamente:
- O senhor não vai dar uma resposta aos críticos?
- Sim, oportunamente.
- Mas quando e como?
- Com o canal.
Que bela resposta!
Quando meu pai começou a obra missionária nas ilhas dos Açores,
idealizou um plano para a conquista de almas. Consistia em ir de porta em porta
com folhetos e voltar na semana seguinte com um folheto novo para ser trocado
pelo velho. Alguns duvidaram de que o plano funcionasse com o povo conservador
daquelas ilhas. Papai nunca discutiu a questão; simplesmente saía
com mamãe e conosco, os meninos, e mostrava que aquilo podia ser feito.
Se a obra que você está realizando é aprovada por Deus,
não pare para discutir com seus críticos. Deixe que os resultados
falem por si mesmos!
Críticas à Bíblia
Se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele [o sacerdote] ordenará
que arranquem as pedras, em que estiver a praga, e que as lancem fora da cidade
num lugar imundo: e fará raspar a casa por dentro ao redor, e o pó
que houverem raspado lançarão fora da cidade num lugar imundo.
Lev. 14:39-41.
Os críticos da Bíblia no início do século dezenove
passaram um bom período ridicularizando algumas das leis de saúde
ordenadas pelo código mosaico - entre elas, a prática de remover
o reboco das casas de pacientes leprosos. Embora não tenhamos todas as
respostas para o por quê desses regulamentos, hoje não mais ouvimos
esse tipo específico de zombaria, e com uma razão.
Há cerca de 100 anos, antes que a teoria de Pasteur sobre os germes fosse
claramente entendida, os cientistas observaram que os cirurgiões que
realizavam amputações no Hospital Bellevue, no Estado de Nova
Iorque, estavam perdendo um número alarmante de pacientes para as infecções.
Observaram também que os mesmos cirurgiões, que realizavam o mesmo
tipo de cirurgia no recém-construído Hospital Roosevelt, no mesmo
Estado, obtinham uma elevada taxa de convalescenças bem-sucedidas.
A partir das estatísticas, os cientistas concluíram que, embora
se tomasse muito cuidado com a esterilização dos instrumentos
cirúrgicos e com a própria sala de cirurgia, de algum modo o reboco
e o assoalho do velho prédio do hospital deviam estar abrigando germes.
Estes faziam caminho até às feridas dos amputados, causando o
desenvolvimento de sepsia. Como conseqüência, o Dr. H. B. Sands introduziu
uma resolução segundo a qual dali em diante nenhuma cirurgia grande
fosse realizada no Hospital Bellevue.
A ciência posteriormente confirmou a lei levítica de Moisés.
Hoje, alguns dos germes que se tornaram resistentes aos antibióticos,
como o staphylococcus aureus, continuam a ser uma ameaça aos pacientes
porque eles se instalam no reboco e no piso dos hospitais.
Que podemos aprender de tudo isso? Que, embora não saibamos dar uma explicação
racional para tudo o que a Bíblia diz, não devemos procurar ser
mais sábios do que aquilo que está escrito (ver II Cor. 4:6).
O futuro ainda pode trazer descobertas adicionais que comprovem a autenticidade
da Bíblia.
A Crueldade Será Castigada
O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel. Prov. 12:10.
Quando eu tinha 9 anos de idade, nossa família morava na Ilha da Madeira.
As ruas de Funchal, a capital, eram pavimentadas com paralelepípedos
(ainda o são), e grande parte do transporte nas ilhas era feito em trenós
arrastados sobre aquelas pedras. Os trenós tinham longos patins de aço
e eram puxados por cavalos ou mulas. Os condutores desses trenós reduziam
a fricção sobre os patins, engraxando-os periodicamente com sebo
bovino envolto em sacos de aniagem.
Um dia, enquanto eu caminhava pelas ruas da cidade, vi uma multidão que
observava um homem com uma parelha de cavalos e um daqueles trenós, tentando
mover um grande barracão colocado na calçada de cimento. Também
parei para olhar. O condutor havia amarrado longas e grossas cordas dos cabrestos
para o trenó, e batia sem piedade nos cavalos. Meu coração
se condoeu das pobres criaturas. Por mais força que fizessem, não
conseguiam mexer a carga.
Enquanto o condutor pensava no que faria a seguir, as cordas se afrouxaram momentaneamente.
O condutor virou-se e começou a juntar as cordas, aparentemente para
açoitar um dos cavalos, o qual ele julgava estar-se negando a trabalhar.
Seu movimento assustou os cavalos. Eles deram uma guinada, esticando as cordas.
Com a rapidez de um relâmpago, o homem foi jogado para o ar. A imagem
daquele homem descendo com a cabeça para baixo está indelevelmente
gravada em minha memória. Caiu de cabeça e se machucou muito.
Eu estremeci, mas em minha mente infantil fiquei feliz porque o homem havia
provado um pouquinho de seu próprio "remédio".
Um cristão nunca deve regozijar-se com o infortúnio alheio, mesmo
que este seja o resultado dos erros da própria pessoa (ver Prov. 24:17).
Afinal de contas, a vingança pertence a Deus. Mas por outro lado, maltratar
os animais está errado e Deus vai pedir contas a quem comete essa maldade.
Se um pardal não cai ao chão sem que nosso Pai celestial o observe
(S. Mat. 10:29), com certeza Ele está acompanhando a maneira como tratamos
as Suas outras criaturas.
Se isso é verdade, não deveríamos tratar bondosamente os
nossos semelhantes, que valem mais "do que muitos pardais"? (Ver S.
Luc. 12:7.)