O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. Prov. 22:9.
Muito tempo atrás, um rapaz que estava viajando para a região
Oeste dos Estados Unidos chegou a uma fazenda e pediu uma acomodação
onde pudesse passar a noite. O proprietário recebeu-o com boa vontade.
Pouco depois, outro viajante e sua esposa pararam e perguntaram se poderiam
pernoitar ali. O jovem marido, que sofria de tuberculose, explicou que tinha
somente quatro dólares para pagar o alojamento. O fazendeiro convidou-os
a entrar e disse que não cobraria nada pelo pernoite.
O primeiro rapaz, sentindo pena do viajante enfermo, ofereceu-lhe sua cama e
disse que dormiria no celeiro, o que ele realmente fez. Na manhã seguinte,
quando o homem doente e sua esposa estavam partindo, o fazendeiro colocou 100
dólares na mão dele e disse que os usasse, sem preocupar-se no
caso de não poder devolvê-los.
Vinte anos se passaram. O primeiro rapaz viajava perto da fazenda onde havia
pernoitado tantos anos atrás e decidiu ver se o proprietário ainda
morava no mesmo lugar. Morava. Enquanto recordavam aquele dia, outro visitante
bateu à porta. Por uma dessas coincidências únicas na vida,
era o outro viajante! Havia recuperado a saúde, e a fortuna lhe havia
sorrido. Tomara conhecimento, recentemente, de que seu generoso anfitrião
havia sofrido sérios reveses financeiros. Estava passando por ali para
pagar a generosidade dele.
- Amigo - disse ele ao fazendeiro - você me deu 100 dólares quando
eu estava necessitado, e agora quero pagar-lhe 100 dólares para cada
dólar que me deu.
Bem que eu gostaria de saber os nomes das pessoas dessa história, mas
não sei. Tudo o que sei é que ela foi "contada pelo rapaz
que chegou primeiro àquela casa de fazenda".
A generosidade tem suas recompensas, até mesmo nesta vida. Jesus disse:
"Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante,
generosamente vos darão." S. Luc. 6:38. Mas não espere que
sempre aconteça dessa maneira. Seja generoso porque isso faz parte da
regra áurea - e espere bênçãos espirituais, não
materiais.
A Recompensa de Quem Trabalha nos Bastidores
Haverá uma parte igual para os de cada grupo - uma parte para os que
foram à batalha, e outra para os que tomaram conta do equipamento. I
Sam. 30:24 (A Bíblia Viva).
Um livro que fala das condições de trabalho nos estaleiros britânicos
menciona duas classes de operários; uma é conhecida como os "cravadores"
e a outra como os "pegadores". Sabemos quem são os cravadores.
Os golpes ensurdecedores de seus martelos de ar comprimido soam de cada nova
embarcação que está sendo fabricada. Os pegadores, cujas
tenazes agarram os parafusos de aço aquecido ao rubro e os deixam prontos
para o uso dos cravadores, fazem um trabalho menos emocionante e aclamado.
Os dois tipos de operários são semelhantes aos cristãos
que labutam na causa do Senhor. Alguns, como os cravadores, parecem trabalhar
à luz dos refletores e recebem toda a glória. Outros, como os
pegadores, não fazem nenhum alarde mas são absolutamente essenciais
para a realização do trabalho, embora recebam pouco ou nenhum
crédito.
Na parábola dos trabalhadores, os operários que foram contratados
de manhã concordaram em trabalhar na vinha por um denário - o
pagamento normal de um dia de trabalho. Os que foram contratados mais tarde,
inclusive os da undécima hora, receberam a garantia de que obteriam um
pagamento justo. No fim do dia, quando o proprietário efetuou o pagamento
dos trabalhadores e deu aos que chegaram por último a mesma quantia dada
aos que haviam trabalhado o dia todo, aqueles que tinham trabalhado mais tempo
reclamaram que deveriam ter recebido mais. Essa parábola, explicou Jesus,
representa o reino dos Céus.
Não devemos supor que no dia em que for dada a recompensa, aqueles que
trabalharam mais se queixarão de que a vida eterna não é
suficiente e de que deviam receber mais "pagamento". A questão
é que todos os salvos receberão a mesma recompensa - a vida eterna.
Suponho que alguém insatisfeito com essa recompensa nem mesmo estaria
vivo para recebê-la. Todos nós, tenho certeza, ficaremos felizes
até mesmo com o fato de termos sido salvos para a eternidade. Se alguns
nesta vida receberam mais crédito que outros, o que é isso em
comparação com o "eterno peso de glória" que
será o prêmio dos fiéis? (Ver II Cor. 4:17.)
Depois de Muitos Dias
Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos
dias o acharás. Ecle. 11:1.
Em 1568, quando a rainha Maria da Escócia fugiu para a Inglaterra, levou
consigo um colar de raras pérolas negras. Dezenove anos mais tarde, quando
foi executada, o ornamento desapareceu. O governo britânico ordenou uma
busca, mas o colar jamais foi encontrado. Depois de muito tempo e considerável
esforço, teve de ser suspensa a busca, mas o caso não foi esquecido.
Mais de 350 anos depois, duas mulheres americanas, viajando pela Grã-Bretanha,
entraram numa velha loja de presentes à procura de uma lembrancinha para
levar para casa. O encarregado da loja mostrou-lhes um colar de contas pretas
encardidas, que ele ofereceu por um xelim (vigésima parte da libra).
As senhoras o adquiriram e o levaram a um joalheiro, para que limpasse as continhas.
Vários dias mais tarde, quando as mulheres passaram por lá para
retirar o "souvenir", um representante do governo britânico
informou-lhes que as contas constituíam o colar da Rainha Maria, perdido
fazia tanto tempo. Para reavê-lo, o governo pagou às senhoras a
quantia de cinco mil libras esterlinas.
Mais Além Plus Ultra
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê
em Mim, ainda que morra, viverá. S. João 11:25.
Nas Ilhas dos Açores, onde morei quando adolescente, foram encontradas
moedas cartaginesas de algumas centenas de anos antes de Cristo. Essas moedas
apóiam a crença de que marinheiros fenícios descobriram
aquelas ilhas bem antes de terem sido reivindicadas para Portugal por Gonçalo
Velho Cabral em 1431.
No século XII da era cristã, geógrafos árabes mencionaram
a existência de nove ilhas no Oceano Ocidental, ou Atlântico. Esse
conhecimento, entretanto, perdeu-se aparentemente durante a Idade Média.
Portugal, assim, localizado na costa ocidental da península mais ocidental
da Europa, manteve por centenas de anos o seu lema Nec Plus Ultra, "Nada
Mais Além".
Naquele tempo, muitos criam que, se alguém saísse navegando para
além do horizonte, acabaria caindo pela extremidade da Terra. Mas à
medida que pescadores e outros se aventuravam cada vez mais longe no Atlântico,
iam percebendo que seus temores não tinham fundamento. Então,
quando ousados navegadores como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Cabral e outros
descobriram mais terras além do horizonte, Portugal mudou seu lema para
Plus Ultra, "Mais Além".
Para muitas pessoas, não existe nada além do mar da vida, esta
existência presente. Seu lema é, na essência, Nec Plus Ultra
ou, como disse Robert Ingersoll, bem conhecido ateu americano: "A vida
é um estreito vale entre os frios e estéreis picos de duas eternidades."
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Aquele que vos der de beber um copo de água, em Meu nome, porque sois
de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
S. Mar. 9:41.
Alguns anos atrás, Sam Foss, escritor e viajante, chegou a uma cabana
pequena e rústica situada no topo de uma colina, na Inglaterra. Viu ali
por perto uma placa que dizia: "Sirva-se. Tome água fresca."
A pouca distância ele encontrou uma fonte de água geladinha. Acima
da fonte estava pendurada uma antiga caneca, e sobre um banco próximo
havia uma cesta de maçãs e outra placa que convidava o transeunte
a servir-se.
Curioso por conhecer as pessoas que demonstravam tanta hospitalidade para com
estranhos, Foss bateu à porta. Um idoso casal atendeu, e Foss perguntou-lhes
acerca da fonte d'água e das maçãs. Explicaram que não
tinham filhos. O seu pedacinho de terra produzia uma reduzida colheita, mas
como tinham abundância de água fresca, queriam simplesmente partilhá-la
com quem passasse por ali.
- Somos muito pobres para dar dinheiro de esmola - disse o marido - mas achamos
que deste modo podemos fazer algo pelas pessoas que passam por aqui.
Conta-se que o gesto altruísta daquele idoso casal inspirou o poema "A
Casa Junto ao Caminho".
Não são os grandes presentes dados com ostentação
que o Céu mais considera, mas sim os pequenos atos de amor e bondade.
Recompensa por Fazer o Bem
Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho
e do amor que evidenciastes para com o Seu nome, pois servistes e ainda servis
aos santos. Heb. 6:10.
Num dia quente de verão, há pouco mais de cem anos, um jovem
estudante de Medicina estava indo de casa em casa numa comunidade rural do Estado
de Maryland, Estados Unidos, vendendo livros para obter dinheiro e poder pagar
seus estudos. No fim da tarde, bateu à porta de uma casa de fazenda onde
a única pessoa que encontrou foi uma garota adolescente. Depois de ele
fazer sua apresentação, a menina disse:
- Lamento muito, mas minha mãe é viúva e nós não
temos condições de comprar livros.
O rapaz então perguntou:
- Você poderia por favor me dar um copo d'água?
- É claro. Mas nós temos bastante leite fresquinho. Você
não preferiria um copo de leite em lugar de água?
- Eu ficaria muito agradecido - respondeu o jovem.
Transcorreram anos. O estudante de Medicina tornou-se um hábil médico.
Certo dia, durante o plantão, chegou à conclusão de que
uma das pacientes era aquela que, quando garota, havia sido bondosa para com
ele. A moça, entretanto, estava doente demais para reconhecê-lo.
As coisas começaram a acontecer. Aquela jovem foi removida para um quarto
particular e passou a receber a melhor atenção que a ciência
médica podia oferecer.
Depois de alguns dias, uma enfermeira lhe disse:
- Amanhã você poderá voltar para casa.
- Fico feliz - disse a paciente - mas a conta do hospital me preocupa.
- Eu vou buscá-la e então veremos em quanto ficou.
A enfermeira retornou com o tesoureiro do hospital, que apresentou a conta à
paciente. Ela olhou logo para a última linha. Ficou chocada com a elevada
quantia. Mas então viu algumas palavras escritas atravessadas sobre o
extrato de sua conta: "Plenamente pago por um copo de leite. - Dr. Howard
A. Kelly."
Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus; confirma sobre nós as obras de nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos. Sal. 90:17.
Quando Thomas Carlyle, historiador e ensaísta inglês, concluiu
o segundo volume de sua História da Revolução Francesa,
entregou o manuscrito a John Stuart Mill, para que este fizesse observações.
Mill leu o manuscrito e emprestou-o a um amigo. Esse amigo deixou-o sobre a
escrivaninha certa noite, depois de lê-lo. Na manhã seguinte a
empregada, procurando alguma coisa com a qual acender o fogo, encontrou a pilha
de papéis soltos e, pensando que fossem rascunhos antigos, usou-os para
acender o fogo. Aquilo que havia custado anos de trabalho a Carlyle era cinza
agora!
Quando Mill, branco como um lençol, relatou a devastadora notícia
a Carlyle, este ficou tão atônito com sua perda que não
conseguiu fazer nada durante semanas. Então um dia, sentado diante da
janela aberta, remoendo sua terrível perda, observou um pedreiro reconstruindo
uma parede de tijolos. Pacientemente, o homem colocava tijolo sobre tijolo,
enquanto assobiava uma alegre melodia.
"Pobre tonto", pensou Carlyle, "como pode estar tão alegre
quando a vida é tão fútil?" Depois, repentinamente,
teve outro pensamento. "Pobre tonto", disse ele de si mesmo, "você
está aqui sentado junto à janela, queixando-se e lamentando, enquanto
aquele homem reconstrói uma casa que durou gerações."
Levantando-se da cadeira, Carlyle começou a trabalhar no segundo rascunho
da História da Revolução Francesa. Conforme seu próprio
relato, e o daqueles que tiveram a oportunidade de ler ambas as versões
da obra, a última foi bem melhor! A destruição de nossos
queridos sonhos não precisa ser o fim do mundo. Pode ser o início
de algo melhor!
Carlyle tem sido uma inspiração para muitos, no sentido de recomeçar
depois de terem visto destruído o trabalho de sua vida. É improvável,
entretanto, que o humilde pedreiro que deu a Carlyle a inspiração
de começar de novo, tenha ficado sabendo que ele teve participação
em recriar uma obra-prima literária.
Nosso inconsciente exemplo cristão pode ser exatamente o incentivo de
que alguém precisa para superar um fracasso na vida.
Vocês já leram nas Escrituras que a pedra rejeitada pelos construtores passou a ser a mais importante do edifício? Isto é obra do Senhor e é uma coisa admirável de se ver. S. Mar. 12:10 (A Bíblia Viva).
Durante milênios, uma pedra permaneceu sem ser tocada por mãos
humanas no leito de um riacho no Estado da Carolina do Norte, Estados Unidos.
Certo dia, um homem ergueu a pedra, viu que seu peso era fora do comum e decidiu
usá-la como retentor de porta em sua casa. Ali ficou durante anos. Um
dia, um geólogo passou por aquele caminho e percebeu a pedra. Seus olhos
experientes reconheceram nela uma pepita de ouro - o maior volume de ouro nativo
encontrado a leste das Montanhas Rochosas.
Uma antiga tradição rabínica diz que, quando foi construído
o templo de Salomão, as pedras maciças para as paredes e os alicerces
foram cortadas da rocha viva e modeladas na própria pedreira, sendo depois
transportadas para o monte onde se erguia o templo. De acordo com a história,
uma pedra de tamanho incomum foi levada para o local, mas os construtores não
encontraram o lugar certo para colocá-la, de modo que ficou de lado,
sem uso. Enquanto continuavam o trabalho do alicerce, aquela pedra parecia estar
sempre no caminho deles. Durante longo tempo permaneceu negligenciada e até
rejeitada.
Então, um dia, os construtores chegaram ao local onde devia ser colocada
a pedra angular. Para poder suportar o tremendo peso do templo, a pedra precisava
ter tamanho e resistência enormes. Tentaram colocar várias pedras,
mas nenhuma era apropriada. Por fim, a atenção deles foi chamada
para a pedra rejeitada fazia tanto tempo. Exposta às intempéries
durante aqueles anos todos, ela não revelava nenhum defeito ou rachadura
e, quando colocada no devido ângulo, encaixou-se perfeitamente.
O salmista, em nosso texto, alude a essa tradição, e os rabis
reconheciam que fazia referência ao Messias.
Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma. ... Estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge. Estou cansado de clamar. Sal. 69:1-3.
Nunca me esquecerei do dia 13 de janeiro de 1982. Naquela época, nossa
família morava em Beltsville, Estado de Maryland. Já fazia horas
que estava nevando, quando ligamos a televisão para saber a previsão
do tempo para a região de Washington. De repente, a previsão meteorológica
foi interrompida pela assustadora notícia de que um avião de passageiros
da Air Florida havia caído no rio Potomac, logo após a decolagem
do Aeroporto Nacional de Washington. Não chegamos a ver o que aconteceu
depois, mas ficamos sabendo mais tarde.
Larry Skutnick, um homem de 28 anos de idade, observava as pessoas que num helicóptero
tentavam resgatar a aeromoça Prescilla Tirado, que se debatia na água,
em perigo de afogar-se. Por duas vezes ela deixara escapar a corda que lhe haviam
lançado. Vendo que as forças dela estavam no fim, Skutnick tirou
sua jaqueta e as botas, saltou para dentro da água gelada e nadou quase
trinta metros até alcançá-la e arrastá-la para um
lugar seguro.
Após o resgate, a mídia perguntou a Skutnick o que o havia motivado
a arriscar a própria vida para salvar aquela moça. Skutnick respondeu
modestamente: "Poderia ser qualquer um. Simplesmente aconteceu que eu estava
lá. Já estava lá por um bom tempo, mas ninguém entrava
na água. Isso é algo que nunca pensei em fazer, mas ao olhar para
trás, acho que o fiz justamente por não ter pensado. Alguém
precisava entrar na água, e aconteceu que fui eu."
O salmista, debatendo-se no mar da vida, sentiu a coragem falhar e clamou a
Deus por socorro. Aquele que observa a queda de um pardal, ouviu o clamor. "Ele
é tocado por nossas tristezas, e até mesmo a expressão
delas Lhe comove o grande coração de infinito amor. Não
há em nossa vida nenhum capítulo demasiado obscuro para que o
possa ler; perplexidade alguma por demais intrincada para que a possa resolver."
- Ellen G. White, Bible Echo, 1º de fevereiro de 1893. Não é
nenhuma surpresa, portanto, que Davi tenha concluído o salmo com uma
nota triunfante. "Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-Lo-ei
com ações de graça." Verso 30.
A que Deus maravilhoso servimos! Com freqüência, Ele salva pecadores
em perigo de vida, usando-nos como instrumento para Lhe cumprir os propósitos.
Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão... na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. I Tim. 4:12.
Muitos adultos acham difícil suportar o desprezo e o desdém de
outros adultos, mas para um adolescente é duas vezes mais difícil
suportar o desprezo e o desdém de seus companheiros da mesma idade.
Um dia, quando Leo Buscaglia estava saindo da escola, uma gangue de arruaceiros
o cercou e começou a crivá-lo de apelidos por causa de sua ascendência
italiana. Humilhado e aos prantos, rompeu o círculo de seus atormentadores
e correu para casa. Lá, trancou-se no banheiro e chorou amargamente.
Seu pai o ouviu chorando e perguntou qual era o problema. Quando Leo contou
o que havia acontecido, esperou que seu pai tomasse imediatas providências
- ou que batesse nos desordeiros ou pelo menos reclamasse com os pais deles,
exigindo que fossem castigados. Seu pai não fez nem uma coisa, nem outra.
Em vez disso, começou a mencionar algumas coisas acerca dos italianos,
das quais Leo podia orgulhar-se.
Mas isso não acalmou o garoto.
- Eu não gosto de ser diferente! - protestou ele. - Quero ser como todos
os outros.
- Como todos os outros? Você quer dizer que gostaria de ser como aqueles
garotos que o insultaram? - perguntou o pai, articulando bem as palavras.
- Não! - rosnou Leo em resposta.
- Então tenha orgulho daquilo que você é - aconselhou o
pai. - Afinal de contas, todo o mundo é diferente de todas as demais
pessoas.
Mas o conselho de Paulo ao jovem Timóteo foi além do conselho
que o pai de Leo deu a seu filho. Sendo um modelo de cristão, podemos
conquistar o respeito alheio.
Se o seu inimigo estiver com fome, dê-lhe algo para comer; se ele estiver com sede, dê-lhe um pouco de água. Assim, ele ficará arrependido do mal que fez a você; além disso, o Senhor dará a você a recompensa. Prov. 25:21 e 22 (A Bíblia Viva).
O soldado japonês típico da Segunda Guerra Mundial é lembrado
por sua cruel insensibilidade para com o sofrimento humano. Como ex-prisioneiro,
sei disso. Cheguei a compreender, entretanto, que esses homens foram vítimas
do sistema satânico sob o qual serviam, pois eram tão indiferentes
ao sofrimento de seus próprios feridos como o eram para com o dos inimigos.
Apesar dessa realidade, nem todos os soldados japoneses eram insensíveis.
Recordo bem de uma vez em que, tarde da noite, um de nossos guardas foi na ponta
dos pés até nossas barracas e cuidadosamente cobriu os presos
que se haviam descoberto durante o sono. Também fiquei sabendo que o
Tenente Tomibe Rokuro, que foi nosso comandante por algum tempo, chorou quando
viu como a Kempeitai (polícia secreta) havia torturado alguns de nossos
homens.
Houve também exemplos de compaixão revelados pelos aliados. Na
Tailândia, onde minha esposa e eu trabalhamos como voluntários
de 1990 a 1992, soubemos de um trem cheio de soldados britânicos que durante
a Segunda Guerra foi desviado para outra linha férrea para uma espera
demorada. Os britânicos ouviram os gemidos de japoneses feridos em um
trem próximo. Alguns foram investigar e viram aqueles pobres homens num
estado chocante de abandono. Sem dizer palavra, e sob protestos da guarda japonesa,
os britânicos repartiram sua ração e a água, limparam
e fizeram curativos nos ferimentos dos japoneses da melhor forma que puderam.
Ao saírem, ouviram os agradecidos soldados inimigos dizendo: "Arigato"
(muito obrigado).
Um oficial aliado que havia observado a cena criticou os bons samaritanos por
terem "prestado ajuda e dado consolo ao inimigo". Fizeram-no recordar,
entretanto, que o Bom Samaritano original ajudara um inimigo (S. João
4:9; S. Luc. 10:33) e, assim, por que não poderiam eles fazer a mesma
coisa?
Bondade Para com Estranhos
Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis. Como o
natural será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis
como a vós mesmos. Lev. 19:33.
Era domingo à noite, 29 de dezembro de 1946. A primeira edição
do jornal Miami Herald havia acabado de ir para a impressão. Timothy
Sullivan, redator, preparava-se para ir para casa e ter uma bem-merecida noite
de descanso, quando seu telefone tocou e uma voz de mulher começou a
implorar:
- Por favor, me ajude! Meu marido está tendo uma hemorragia e vai morrer!
O moribundo era Rudy Kovarik, do Estado de Michigan. Ele e sua esposa estavam
de férias na Flórida, quando a úlcera do estômago
dele começou a sangrar e ele foi levado às pressas para o Hospital
Biscayne. Uma úlcera sangrando não é necessariamente uma
ameaça à vida. A situação, no entanto, era crítica
porque o tipo de sangue de Kovarik era raro, AB com RH negativo, e não
estava sendo encontrado em toda a região. A menos que um doador com aquele
tipo de sangue fosse localizado em pouco tempo, os médicos temiam que
Kovarik não amanhecesse vivo.
O que poderia fazer um redator de jornal? Um homem estava morrendo. Sullivan
teve uma idéia. Telefonou para a emissora de rádio WCBS, alguns
quarteirões adiante, e pediu para falar com o locutor Walter Winchell,
que devia ir ao ar dentro de minutos com o noticiário. Relutantemente,
o telefonista permitiu que Sullivan falasse com Winchell. Dentro de poucos minutos,
Winchell irradiou a notícia acerca de Kovarik, dando o nome do paciente
e os números do telefone do hospital, do posto policial e do escritório
do redator do Miami Herald.
Dentro de minutos, esses telefones ficaram congestionados com ligações
vindas de todo o país, oferecendo doações de sangue. Um
dos oferecimentos veio de um soldado que estava de licença, hospedado
num hotel a uns dois quarteirões do hospital. Dentro de minutos, o sangue
transportador de vida fluía para dentro das veias do debilitado paciente.
A vida de Kovarik foi salva. Algumas semanas mais tarde, Sullivan obteve a recompensa
quando o agora restabelecido Kovarik entrou em seu escritório para expressar-lhe
gratidão, não mais como um estranho, mas como amigo.
Às vezes somos recompensados nesta vida por demonstrar bondade, mas não
contemos com isso. Sejamos bondosos para com os outros, não porque pode
aparecer alguma recompensa, mas porque o amor de Cristo nos constrange a fazer
o bem.
Nobre Vingança
Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário,
segui sempre o bem, entre vós, e para com todos. I Tes. 5:15.
Certo dia, um oficial do exército bateu num jovem soldado que era conhecido
por praticar artes marciais. O golpe era injustificado, mas os regulamentos
militares proibiam o revide; além disso, o jovem era cristão.
- O senhor ainda vai se arrepender disso - comentou o soldado com um sorriso.
Tempos depois, a companhia daquele soldado estava envolvida numa feroz batalha,
quando ele viu um oficial ferido tentando desesperadamente arrastar-se de volta
para a trincheira. O jovem soldado reconheceu-o como o oficial que o havia golpeado.
Arriscando a própria vida, foi em auxílio do homem ferido e ajudou-o
a ir a um posto de primeiros socorros.
Enquanto o oficial jazia deitado no chão, esperando que os médicos
o atendessem, tomou a mão do soldado, gaguejou um pedido de desculpas
e expressou-lhe gratidão. Apertando a mão do oficial, o jovem
soldado deu uma risadinha amigável e disse: "Eu tinha certeza de
que algum dia o senhor se arrependeria." Dali em diante, os dois tornaram-se
os melhores amigos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Desmond T. Doss, um soldado cristão
não-combatente, foi ridicularizado por causa de sua fé, até
mesmo por alguns dos oficiais. Durante a campanha de Okinawa, um daqueles oficiais
foi gravemente ferido. Doss também arriscou a vida para salvá-lo.
Salvou igualmente a vida de muitos outros homens feridos, alguns dos quais haviam
anteriormente zombado dele. Em reconhecimento por sua coragem, uma nação
grata concedeu-lhe a Medalha de Honra do Congresso, a mais alta condecoração
por bravura outorgada pelos Estados Unidos - e a primeira dessas medalhas a
ser dada a um não-combatente.
Pague o Mal com o Bem
Não pagando mal por mal, ou injúria por injúria; antes,
pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados. I S.
Ped. 3:9.
Li pela primeira vez acerca de Jacob de Shazer no jornal San Francisco Chronicle,
no final de 1945 ou início de 1946. Isso aconteceu apenas alguns meses
após a minha libertação do campo de concentração
nas Filipinas.
Shazer foi um dos participantes dos ataques de surpresa sobre o Japão,
no dia 18 de abril de 1942. Durante o ataque, o avião de Shazer foi atingido
por fogo antiaéreo. Ele foi forçado a acionar o ejetor e acabou
sendo capturado. Em terra, viu dois de seus companheiros sendo executados por
um pelotão de fuzilamento. Teve a certeza de que seria executado também,
mas parecia que Deus tinha outros planos para ele.
Na ocasião em que foi capturado, Shazer era ateu, mas durante os meses
de prisão começou a ponderar e querer descobrir por que odiava
seus captores e por que eles o odiavam. Ao buscar respostas, procurou recordar-se
do que havia aprendido sobre o cristianismo. Um dia, ele pediu aos guardas uma
Bíblia. Inicialmente eles riram, mas em maio de 1944 um dos guardas jogou
uma Bíblia contra ele, dizendo que podia ficar com ela por três
semanas, no máximo.
Conforme havia dito, três semanas depois o guarda tomou a Bíblia
de volta, mas naquele período de tempo a vida de Shazer mudara. Lembro-me
de ter lido no jornal sobre como ele pretendia retornar ao Japão como
missionário. A decisão dele me influenciou a desejar ir também
para o Japão como missionário, mas Deus tinha outros planos. No
caso de Shazer, entretanto, isso aconteceu e ele partiu em 1948. Ao fazê-lo,
retribuiu com o bem o mal que lhe haviam causado. Mostrou o genuíno espírito
de um cristão.
Embora eu possa dizer com sinceridade que nunca odiei os japoneses, não
posso afirmar que os tenha amado ativamente enquanto estive no campo de concentração.
Com Cristo foi diferente. Ele amou a todos com "amor eterno" (Jer.
31:3), até mesmo àqueles que O amaldiçoaram, maltrataram
e crucificaram (ver S. Luc. 23:34). Sua vida e morte são um exemplo vivo
de como devemos portar-nos em relação com aqueles que nos maltratam
(ver S. Mat. 5:44).
"Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus." Filip. 2:5.
Se deixar de lado seu amor pelo dinheiro e jogar fora seu ouro fino ganho desonestamente, então o próprio Deus, o Todo-poderoso, será a sua riqueza, o seu ouro e a sua prata. Jó 22:24 e 25 (A Bíblia Viva).
O Estado de Idaho, onde moro, é popularmente conhecido como o "Estado-Gema"
por causa de seus ricos depósitos minerais. Em 1860, o capitão
E. D. Pierce descobriu ouro no ribeiro Orofino. A notícia da rica descoberta
desencadeou uma corrida do ouro para a região, que na época fazia
parte do Território do Oregon. Dois anos mais tarde, descobriu-se mais
ouro na área que agora se chama Vale do Tesouro.
Subseqüentemente, uma forma curiosa de extrair ouro foi usada com sucesso
ao longo do rio Snake. Sabia-se por muito tempo que grandes quantidades de partículas
de ouro desciam pelos rios e ribeiros, vindas de montanhas que produziam o minério,
e eram depositadas no cascalho e no leito de várias correntes d'água
no Estado. Um homem empreendedor ligou uns tubos de sucção, acionados
por máquinas a vapor, a barcas que atravessavam para lá e para
cá essas correntes. Os tubos puxavam cascalho e areia para o convés.
O material então corria por uma calha, e o cascalho aurífero era
recolhido sobre mesas cobertas com bacias de cobre. Ali o precioso minério
era amalgamado com mercúrio e posteriormente recuperado. As pedras brutas
e cascalhos maiores eram jogados de volta para o rio.
Os homens têm percorrido distâncias extraordinárias para
conseguir ouro, sacrificando por vezes a própria vida nessa busca. O
ouro, ou aquilo que ele representa - riqueza material - exerce um tipo de fascínio
hipnótico sobre muitas mentes, levando-as a agir de modo irracional.
Dois jovens estavam ocupados na prospecção perto de Placerville.
Eram irmãos carnais e sempre se haviam dado bem, mas um dia ambos viram
uma pepita de ouro ao mesmo tempo. Os dois correram para pegá-la. Ocorreu
uma luta corporal e acabaram matando-se um ao outro.
Não vale a pena perder a vida por nenhum bem deste mundo - ainda mais
a vida eterna. Se as riquezas materiais estiverem exercendo uma fascinação
desordenada sobre você, atente para o conselho de Elifaz: jogue-as entre
as pedras dos ribeiros e permita que Deus seja o seu ouro.
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rom. 12:2.
A expressão traduzida como "transformai-vos", em nosso texto,
vem da palavra grega metamorphoo, "mudar, transfigurar, alterar na aparência".
Nossa palavra "metamorfose" é derivada dessa raiz grega. Uma
das definições de metamorfose é "uma mudança
acentuada que tem a ver com desenvolvimento, na forma ou estrutura de um animal
(como uma borboleta ou rã), e que ocorre após o nascimento".
Minha esposa e eu gostamos de jardinagem, mas a menos que tomemos cuidado, certas
criaturas que passam por metamorfose arruínam aquilo que plantamos. A
natureza delas é assim. São chamadas lagartas. A maioria das pessoas
despreza essas criaturas destruidoras e rastejantes. Mas quando uma lagarta
passa pela metamorfose, sua natureza se altera e ela emerge da crisálida
como uma linda borboleta.
Nos primeiros séculos da era cristã, a borboleta era usada como
símbolo da ressurreição. A idéia era a seguinte:
assim como a natureza da lagarta se transforma pelo processo da metamorfose,
assim também aqueles que morrem em Cristo serão transformados
de mortais para imortais pela ressurreição na Segunda Vinda (ver
I Cor. 15:51-53).
Há um clube exclusivo na América, chamado Clube Lagarta; admite
somente pessoas que tenham sobrevivido à queda de um avião, sem
pára-quedas, e que tenham vivido para contar a história. Seus
membros crêem que receberam uma segunda oportunidade para viver; e não
é surpreendente que a lagarta seja o símbolo de sua "nova
vida".
A Bíblia ensina que o povo de Deus passará por uma metamorfose
por ocasião da Segunda Vinda. Se quisermos experimentar essa mudança,
precisamos primeiro experimentar a metamorfose da conversão - a transformação
que ocorre quando o Espírito Santo entra em nossa vida e nos torna novas
criaturas em Cristo. Em ambos os casos, é o poder de Deus que entra em
ação. Alguns chamam essa energia transformadora de "o poder
da ressurreição" (ver Filip. 3:10).
Todos nós precisamos desse poder hoje!
O reino dos Céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía, e a comprou. S. Mat. 13:45 e 46.
Algum tempo atrás, nas Filipinas, ocorreu a morte trágica de
um jovem pescador de pérolas em uma das ilhas do Sul. O jovem filipino
tinha apenas 18 anos de idade. Ele havia mergulhado no mar e, de alguma forma,
uma ostra gigante fechou a concha sobre um dos pés do rapaz, que ali
ficou preso até afogar-se. Quando o corpo dele e a ostra foram levados
para a superfície, descobriu-se dentro da concha a maior pérola
já encontrada. Indubitavelmente, foi vendida por um preço fabuloso,
mas o seu preço deve ter sido calculado em mais do que dinheiro. Custou
a vida de um jovem!
A pérola de grande valor em nosso texto representa a Cristo e Seu reino.
A fim de adquiri-la, devemos entregar a própria vida. Jesus expôs
essa verdade assim: "Se você se agarra à sua vida, você
a perderá; mas se a desprezar por Mim, você a salvará."
S. Mat. 10:39, A Bíblia Viva. Isso parece contraditório, mas na
verdade não é. Jesus estava usando "vida" em dois sentidos:
(1) Esta vida terrena, com seus prazeres, relacionamentos sociais e recompensas;
e (2) a vida de felicidade por vir, que não terá fim.
Em outra ocasião, Jesus declarou: "E todo aquele que deixar o lar,
irmãos, irmãs, o pai, a mãe, a esposa, os filhos, ou propriedades,
para Me seguir, receberá cem vezes mais, e terá a vida eterna."
S. Mat. 19:29, A Bíblia Viva. Marcos, em seu evangelho, ensina que mesmo
nesta vida há vantagens em renunciar a prazeres, relações
sociais e recompensas do mundo por amor a Cristo e Seu reino - paz de espírito
e novos e melhores amigos, por exemplo. Mas a maior recompensa será viver
com Jesus para sempre (ver S. Mar. 10:28 e 29).
Esteja disposto a renunciar a tudo, até a esta vida terrena se necessário
for, em troca da Pérola de Grande Preço. Vale a pena!
De Volta Para o Futuro
Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e
avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo,
para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Filip. 3:13 e 14.
Os ideogramas chineses sempre me fascinaram. Enquanto estive preso no campo
de concentração, o Dr. William Mather, um erudito que havia passado
muitos anos como missionário na China, fez uma palestra a respeito. Declarou
que a maneira como os antigos chineses usavam os caracteres yin e yang - as
duas forças opostas - indica que eles estavam a par da eletricidade positiva
e negativa, muito tempo antes de o Ocidente "descobrir" esse fenômeno.
Também disse que os caracteres para significar "perigoso" e
"oportunidade", quando usados juntos, significavam "crise".
Em outras palavras, uma crise é uma "oportunidade perigosa".
Um pensamento desafiador!
Para mim, entretanto, um dos mais fascinantes conceitos do povo chinês
é de como eles concebem o futuro. Eles se vêem caminhando para
o futuro de costas e olhando para o passado. Isso nos pode parecer estranho,
mas faz muito sentido. O passado permanece no campo da visão. Podemos
"vê-lo" mentalmente. Mas o futuro está oculto de nossa
vista, como se na verdade estivesse atrás de nossas costas.
A idéia ocidental de futuro é diametralmente oposta daquela dos
chineses. Falamos de "enfrentar" o futuro. Criado no mundo greco-romano,
Paulo tinha obviamente o conceito ocidental de futuro quando falou em avançar
para as coisas que diante dele estavam.
Mas talvez haja um ponto em que Oriente e Ocidente se encontram. Num discurso
proferido em 1986, o Presidente Ronald Reagan usou a expressão "Voltar
para o futuro". Com isso ele quis dizer que já nos demoramos muito
no passado. É tempo de considerar as desconhecidas "oportunidades
perigosas" diante de nós.
A cortina do tempo desce sobre mais um ano. Deus nos trouxe de novo para a terra
do reinício. Seja o que for que o futuro nos reserve, que o nosso estudo
de Sua Palavra no ano vindouro nos ajude a conhecê-Lo ainda melhor.
Prossiga em conhecer ao Senhor, adquirindo aquele conhecimento que significa
vida eterna!
O Maior Evento de Todos os Tempos
Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de
que recebêssemos a adoção de filhos. Gál. 4:4 e 5.
Nunca poderemos ter certeza quanto à data do nascimento de Jesus. O
fato de que na Palestina é bem frio no final de dezembro, especialmente
à noite, e de que os "pastores... viviam nos campos e guardavam
o seu rebanho durante as vigílias da noite" (S. Luc. 2:8), sugere
que foi numa estação mais quente do ano. Entretanto, como observa
uma escritora cristã: "Embora não saibamos o dia exato do
nascimento de Jesus, honramos o sagrado evento." - Ellen G. White, Review
and Herald, 17 de dezembro de 1889.
O verdadeiro espírito do Natal pede entrada no mais profundo santuário
da alma e aguarda nosso convite para que entre. O espírito do Natal pode
estar ao nosso redor, mas também podemos isolar-nos da cálida
corrente de amor que celebra o evento.
O espírito da natividade veio naquele primeiro dia de Natal somente para
os que estavam preparados para receber o Redentor do mundo. Embora os sacerdotes
de Jerusalém professassem estar aguardando o Messias, foi para os expectantes
pastores dos campos de Belém que os anjos anunciaram o nascimento do
Salvador.
O pretensioso palácio de Herodes ficava ali perto, mas foi numa humilde
manjedoura que o santo Bebê nasceu de uma jovem mãe - "porque
não havia lugar para eles na hospedaria". S. Luc. 2:7. Havia muitos
grandes e sábios homens segundo o mundo em Roma, no Ocidente, mas foi
para homens sábios do Oriente, cujo coração procurava Aquele
que nasceria Rei dos judeus, que a estrela apareceu.
A Encarnação é a maior lição objetiva sobre
o amor que a mente de sabedoria infinita poderia conceber. Ao dar-nos o Seu
Filho unigênito, Deus deu à humanidade todos os tesouros do Universo
enfaixados numa trouxinha de vida. Embora o nascimento de nosso Senhor há
quase dois mil anos tenha sido o maior evento de todos os tempos, a sua essência,
o seu significado e espírito estarão perdidos se Cristo não
nascer em nós.
Um Tomado, Outro Deixado
Então dois estarão no campo, um será tomado, e deixado
o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada,
e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem
o vosso Senhor. S. Mat. 24:40-42.
Na noite de 14 para 15 de abril de 1912, o navio da companhia White Star, SS
Titanic, com mais de 2.000 passageiros a bordo, atingiu um "iceberg"
e afundou, causando a perda de 1.517 vidas. Quando a notícia do naufrágio
chegou à Inglaterra, a cena fora do escritório da companhia foi
indescritível. Familiares dos passageiros do malfadado transatlântico
congestionaram a rua na frente da entrada principal, e o trânsito parou.
Em ambos os lados da entrada, foram pendurados dois grandes cartazes. Acima
de um deles, em enormes letras maiúsculas, estava impresso: RESGATE CONFIRMADO.
Acima do outro, com letras igualmente grandes: MORTE CONFIRMADA. De tempos em
tempos, vinha um funcionário da companhia trazendo uma faixa de cartolina
com o nome de mais um dos passageiros.
Um silêncio mortal abateu-se sobre a multidão enquanto observava,
com as emoções à flor da pele, para ver sob qual cartaz
seria colocado o nome. Seria afixado entre os salvos ou entre os perdidos? No
final, o nome de cada passageiro estaria num grupo ou no outro - ou salvo, ou
perdido!
No caso do Titanic, é possível que muitos que foram alistados
como "perdidos" estejam finalmente salvos no reino de Deus, e muitos
que apareceram na lista dos resgatados com vida, se percam; não é
a primeira morte que necessariamente determina o destino final de uma pessoa
(ver Heb. 9:27). É o juízo que faz essa classificação,
e essa classificação é eterna - irrevogável! Não
haverá segunda oportunidade. Este é um solene pensamento.
Sendo esse o caso, "que vidas santas e piedosas nós devemos viver!"
II S. Ped. 3:11 (A Bíblia Viva). Hoje é o "dia da salvação",
o "tempo da oportunidade". II Cor. 6:2. Amanhã poderá
ser tarde demais.
Visitantes Reais
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e
abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo. Apoc. 3:20.
Num dia do início do século vinte, ao entardecer, Eduardo VII
da Inglaterra estava caminhando no campo com a rainha, quando ela torceu o pé
e machucou seriamente o tornozelo. Sentindo muita dor, ela ficou mancando com
bastante dificuldade, apoiada no ombro do esposo. Já estava escuro quando
chegaram a uma cabana e o rei bateu à porta.
- Quem é? - perguntou uma voz de homem lá de dentro.
- Eduardo, seu rei - respondeu o monarca.
- Pare com essa besteira! - gritou o zangado morador, acrescentando: - Vá
embora!
O rei continuou batendo. Finalmente o homem exigiu:
- Quem está aí e o que deseja?
- Repito: sou Eduardo, o rei. Por favor, deixe-me entrar!
- Vou ensiná-lo a não atormentar um homem que está querendo
dormir! - rugiu o morador, levantando-se da cama.
Abrindo bruscamente a porta, descobriu, para seu grande embaraço, que
era mesmo o rei. Desculpando-se profusamente, convidou o casal real a entrar
e providenciou ajuda imediata.
Anos mais tarde, ao relatar o incidente, o homem observou: "E pensar que
quase o mandei embora sem abrir a porta!"
Há dois mil anos, os pais de outro Rei bateram à porta de uma
hospedaria e pediram acomodação. Quando o albergueiro foi atendê-los,
viu que a senhora estava na fase final da gravidez. Pelo menos, poderia ter
oferecido a eles o seu próprio quarto, naquela emergência. Em vez
disso, ofereceu-lhes o estábulo, e lá Jesus nasceu.
Hoje, neste exato momento, o Rei que um dia foi bebê em Belém,
e que agora é seu Amigo celestial, está junto à porta de
seu coração, batendo. Pede entrada. Anseia entrar e conviver com
você, do mesmo modo como deseja que você comungue com Ele e aprenda
a conhecê-Lo melhor.
"Eis que estou à porta, e bato" - diz o Rei de amor. Alguém
teria coragem de mandá-Lo embora?
Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vem a dor do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. Mas, vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa. I Tes. 5:3 e 4.
Quando nosso filho Steve nasceu, Vesta e eu morávamos em Manaus, junto
ao rio Amazonas. Nossa casa situava-se nos arredores da cidade. O serviço
de ônibus urbanos parava às 10 horas da noite e recomeçava
às 4 da manhã. Não havia telefones por perto. Ao aproximar-se
o tempo da chegada de Steve, consegui localizar três telefones cerca de
um quilômetro e pouco de nossa casa, para alguma eventualidade. Assim
mesmo, fomos apanhados de surpresa.
Não que não tivéssemos feito planos para a chegada de Steve.
Nós fizemos. Mas ele não nasceu quando esperávamos que
nascesse. As dores do parto começaram à uma e meia da madrugada.
Eu me vesti e corri para o primeiro telefone tão rápido quanto
conseguia. Era a casa de uma parteira. Bati palmas, como era costume. Como eu
continuasse a bater, alguns vizinhos acordaram e me informaram que ela estava
de férias.
Corri até uma loja onde havia telefone. Estava fechada, claro! Então
percebi uma luz que brilhava por trás da porta de uma padaria. Bati palmas,
expliquei a emergência aos dois empregados e pedi permissão para
usar o telefone. Eles se desculparam, mas eu teria que pedir licença
ao patrão, que morava na esquina. Corri até a esquina. Minhas
palmas devem ter causado mau humor no patrão, pois quando expliquei minha
aflitiva situação e pedi licença para usar o telefone,
ele me disse com termos bem explícitos que ninguém usaria o telefone
dele àquela hora da noite e bateu a janela com força.
A essa altura eu estava desesperado. Finalmente, encontrei alguns homens que
tinham estado bebendo até tarde e haviam chamado um táxi. Quando
lhes expliquei a situação, com boa vontade me permitiram usar
o táxi que haviam chamado. Quando entramos no hospital, era quase tarde
demais. Steve nasceu cinco minutos depois de termos chegado!
Seja quando for, a segunda vinda de Cristo apanhará a maioria das pessoas
de surpresa. Você não precisa deixar que isso lhe aconteça,
se estiver sempre pronto para o Seu retorno (ver S. Mat. 24:36-44).