Deus cumpre a Sua promessa e não deixará que sofram tentações além das suas forças. Ao contrário, quando vier a tentação, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim poderão sair dela. I Cor. 10:13 (BLH).
Foi no Porto de Funchal, Ilha da Madeira, que observei pela primeira vez a
linha de flutuação, nas laterais de navios britânicos. Só
muitos anos mais tarde, entretanto, é que essa marcação
fez sentido para mim. Essas curiosas linhas e círculos, como você
talvez saiba, indicam a capacidade que um navio tem de transportar carga com
segurança em águas de várias temperaturas e salinidade.
Samuel Plimsol, que inventou essa marcação, foi um político
britânico e um reformador social. Preocupou-se especialmente com navios
sobrecarregados e com más condições de navegabilidade,
conhecidos como "navios-esquife". Em 1875, foi conduzido ao Parlamento
um projeto de lei que Plimsol considerou inadequado, mas com o qual ele concordou
até que se pudesse providenciar algo melhor. Entretanto, quando o Primeiro-Ministro
Disraeli arquivou o projeto de lei, Plimsol achou que aquilo era demais e chamou
os membros do Parlamento de "vilões". Plimsol perdeu aquele
"round" mas o país concordava com a idéia dele e no
ano seguinte o Parlamento aprovou uma lei exigindo que os navios apresentassem
aquela marca.
Deus colocou em cada um de nós uma "marca" semelhante à
linha de flutuação de Plimsol. As provas e tentações
que Ele nos permite suportar podem algumas vezes parecer uma sobrecarga para
o nosso "naviozinho", mas Deus nos conhece as limitações
e faz algo que nem a marca de Plimsol pode fazer. Quando nossos fardos são
pesados demais, Deus nos convida a lançá-los sobre Ele, na certeza
de que poderá sustentar-nos (ver Sal. 55:22; Deut. 33:27). Que mais pode
alguém pedir? Veja:
"Está velando sobre ti, tremente filho de Deus. Estás tentado?
Ele te livrará. Estás fraco? Ele te fortalecerá. És
ignorante? Ele te esclarecerá. Estás ferido? Ele te há
de curar. ... 'Vinde a Mim', eis Seu convite. Sejam quais forem vossas ansiedades
e provações, exponde o caso perante o Senhor. Vosso espírito
será blindado para a resistência. O caminho se vos abrirá
para vos desvencilhardes de embaraços e dificuldades." - O Desejado
de Todas as Nações, pág. 312.
Sim, Deus conhece a sua "linha de flutuação". Lembre-se:
"Por baixo de ti estende os braços eternos." Deut. 33:27.
Eu vou lhe dar tesouros escondidos, riquezas secretas; assim você vai saber que Eu sou o Senhor... Quem o chamou pessoalmente - pelo seu nome. Isa. 45:3 (A Bíblia Viva).
Na década de 1950, pastoreei uma pequena igreja em Cloverdale, Califórnia.
Ao norte da cidade, havia um túnel singular da estrada de ferro. O que
distinguia esse túnel era o fato de que, segundo o programa "Acredite
se Quiser", era o único túnel do mundo que ficava sob um
cemitério.
Os túneis são construídos com um propósito definido.
Não são escavações sem saída, que não
levam a lugar nenhum. O túnel Simplon, por exemplo, foi escavado em granito
sólido nos Alpes suíços para facilitar o transporte entre
a Suíça e a Itália. É o túnel mais longo
do mundo (com 18 km de comprimento) e economiza para os viajantes dezenas de
quilômetros e várias horas de viagem. Em 1980, minha esposa, eu
e nossa filha mais jovem viajamos através desse túnel da Suíça
para a Itália.
Um túnel muito mais longo foi construído sob o Canal da Mancha
para ligar a Grã-Bretanha ao continente.
Os túneis longos, de alguma forma, são semelhantes à vida
cristã. A menos que sejam iluminados, ficam escuros como a meia-noite.
Assim também os túneis espirituais são escuros, a menos
que sejam iluminados por Cristo, a Luz do mundo. Outra coisa: assim como os
túneis levam a algum lugar, assim também em nossas experiências
"de túnel" Deus nos leva a um destino glorioso. Do mesmo modo
como os túneis encurtam o tempo da viagem, as experiências espirituais
de túnel podem abreviar o período de aprendizado em nossa peregrinação.
A razão pela qual nosso Pai celestial nos permite passar por experiências
de túnel, é dar-nos "tesouros escondidos, riquezas secretas"
que aumentarão o valor de nossa alma.
Está você passando por uma experiência de túnel? Não
pense que é algo estranho (I S. Ped. 4:12). Todos nós passamos
por essas experiências de vez em quando. Lembre-se, entretanto, de que
receberemos delas os maiores benefícios quando as aceitarmos sob a devida
Luz (ver Heb. 12:11).
Estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente. II Cor. 3:3.
Nos dias em que Paulo escreveu essas palavras, as cartas eram geralmente escritas
sobre papiros, um material feito de um junco que crescia ao longo das margens
do rio Nilo. Nossa palavra "papel" é derivada de papiro. Já
vi muitas dessas cartas nos grandes museus do mundo; talvez você as tenha
visto também.
O tipo do manuscrito indica que a maioria dessas cartas era escrita não
pelo remetente da mensagem, mas por um escriba cuja função era
justamente escrever cartas. Os escribas eram uma necessidade naquela época,
porque poucas pessoas sabiam ler ou escrever. Algumas dessas epístolas
são cartas comerciais; outras tratam de assuntos de vida ou morte; outras,
ainda, são cartas de amor.
Quando comecei a trabalhar como aspirante ao ministério em Santa Rosa,
na Califórnia, deram-me uma escrivaninha e uma velha cadeira que tinham
pertencido a um antigo pastor. Davam evidências de terem sido guardadas
por longo tempo e de não terem sido limpas por muitos anos.
Logo depois que a escrivaninha passou às minhas mãos, comecei
a limpá-la. Puxei todas as gavetas para fora e fiquei surpreso com o
que encontrei. Algumas cartas haviam caído por trás de uma das
gavetas. Estavam amassadas, amareladas e traziam o carimbo do correio que confirmava
sua "antiguidade".
Não tenho o hábito de ler a correspondência de outras pessoas,
mas fiz uma exceção naquela vez, porque não conhecia nem
o remetente nem o destinatário das cartas. Mas devo confessar que o conteúdo
delas me inspirou o desejo de conhecer aquelas pessoas. Que vislumbres me deram
sobre o caráter dos correspondentes!
No verso para nossa meditação, o apóstolo Paulo diz que
os cristãos de Corinto eram cartas escritas por Cristo e entregues ao
mundo. Nós também somos epístolas conhecidas e lidas "por
todos os homens". Verso 2. Quão importante, então, é
que a mensagem transmitida por nosso viver seja coerente com o que professamos.
Olhos Para os Cegos
Em todas as minhas ações eu procurava ser justo; fiz da justiça
a minha roupa de todo dia. Eu servi de vista para os cegos e de perna para os
aleijados. Jó 29:14 e 15 (A Bíblia Viva).
Nos dias de Jó, servir de olhos para o cego e pés para o aleijado
significava conduzir o cego pela mão e transportar o aleijado de um lugar
para outro. Hoje, naturalmente, podemos por vezes realizar esses atos de misericórdia
através dos transplantes de órgãos.
Stacy Geotze, de Orlando, Flórida, relatou como um transplante de córnea
alterou a sua vida de forma dramática.
Cinco anos antes, uma enfermidade nos olhos havia privado Stacy da visão.
Estudante universitária com um futuro brilhante, o seu mundo havia mergulhado
nas trevas. Até àquele momento, não lhe havia passado pela
mente a idéia de fazer doação dos olhos, mas agora, se
fosse para ela ver novamente, tudo dependeria de receber um transplante de córnea
de alguma pessoa.
Exatamente quando tudo parecia perdido, uma família que sofrera a dor
da perda de um ser querido, ofereceu o órgão e tocou a vida de
Stacy. "Hoje", escreveu Stacy, "trabalho no Banco de Olhos da
Flórida, em Orlando. Ajudo a levar a outras pessoas como eu o dom de
enxergar." E continua:
"Embora eu jamais tenha a oportunidade de conhecer o doador ou a família
que tornou possível este milagre, todas as manhãs quando desperto
e vejo o sol nascendo, sorrio e penso neles. ... Muitos outros, entretanto,
nunca poderão contemplar um lindo pôr-do-sol ou ver um arco-íris
sem a generosidade de um doador de órgão."
Vários anos atrás, quando renovei minha carteira de motorista,
apresentaram-me um formulário perguntando se eu doaria meus órgãos
para o benefício de alguém. Assinei, concordando. Não me
sinto obrigado a insistir para que outras pessoas façam a mesma coisa,
mas acho que essa é uma oportunidade maravilhosa de ajudar o próximo.
Existe ainda outra maneira de interpretar nosso verso. Por causa do pecado,
as pessoas nascem espiritualmente cegas e nós, que temos visão
espiritual, temos o privilégio de oferecer-lhes esperança. Se
essa oportunidade lhe aparecer hoje, leve a uma alma o gozo da iluminação
espiritual, através de seu testemunho.
Testemunho Fiel
Porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas
que tens visto e ouvido. Atos 22:15.
O Dr. Wilbur Chapman, renomado evangelista de outros tempos, relata que, enquanto
estudava para o ministério num colégio cristão, por quase
dois anos morou no mesmo quarto com um rapaz que não professava o cristianismo.
Tragicamente, durante aquele tempo todo, Chapman não conversou nenhuma
vez com seu amigo acerca de coisas espirituais.
Ao final daquele período, tendo concluído o curso, Chapman foi
despedir-se de seu companheiro de quarto. Podemos imaginar sua surpresa quando
o rapaz lhe perguntou:
- Por que você nunca me convidou a tornar-me cristão?
Envergonhado, Chapman tentou justificar sua omissão dizendo que não
queria impor a religião sobre alguém que não estava interessado.
- Você não sabe - disse o amigo - mas eu o escolhi como colega
de quarto porque sabia que você era cristão e esperava que você
me falasse acerca do que significa seguir a Cristo. Eu hesitava puxar a conversa,
mas garanto que teria ficado muito feliz no dia em que você tocasse no
assunto.
Chapman tentou conduzir seu amigo a Cristo nos poucos minutos que lhe restavam.
Acontecimentos posteriores, entretanto, indicaram que ele não foi bem-sucedido.
Disse ele: "Minha falha em testemunhar àquele amigo no tempo oportuno
é um dos maiores remorsos de minha vida."
Cristo conta com os Seus seguidores no sentido de testemunharem perante aqueles
que lhes são mais próximos a respeito da salvação
da alma. Esse testemunho é parte da grande comissão de pregar
o evangelho (ver S. Mar. 16:15). Aqueles que deixam de cumprir essa injunção
podem salvar-se, mas sofrerão perdas (ver I Cor. 3:12-15).
Muito melhor será que você e eu testemunhemos fielmente a outros,
para finalmente ouvirmos o Mestre dizer: "Muito bem, servo bom e fiel;
foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor."
S. Mat. 25:21.
Você Tem Medo de Testemunhar?
Não temas diante deles; porque Eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor.
Jer. 1:8.
Jeremias era "oclófobo". Tinha medo de enfrentar multidões.
Assim, não é surpreendente saber que ele não queria ser
profeta. Ser profeta significava testemunhar perante as pessoas. Ele alegou
que era muito jovem ainda e que sofria de oclofobia.
Minha mãe me contou certa vez acerca do pior caso de medo do público
que ela presenciou. Um dos requisitos de uma matéria de oratória
que ela teve no colégio era apresentar uma palestra diante da classe.
Quando chegou a vez de um rapaz, ele encaminhou-se todo empertigado à
plataforma, aparentemente cheio de confiança própria, mas de repente
entrou em pânico. Não conseguiu pronunciar uma única palavra.
Ficou pálido como um cadáver e fugiu da sala de aula em total
humilhação. Todos se sentiram embaraçados por ele. Então
alguém gracejou: "Se o Roberto tivesse subido como desceu, ele provavelmente
teria descido como subiu." Esse comentário quebrou a tensão.
Davi Livingstone, o famoso missionário-explorador na África, é
lembrado por sua coragem diante do perigo. Mas você sabia que, quando
jovem, ele sofria de oclofobia?
Certa ocasião, depois de ter concordado em pregar numa pequenina igreja
de sua terra natal, a Escócia, ele foi tomado por um pânico tão
grande que abandonou a cidade. Quando seus amigos deram falta dele, começaram
a procurá-lo. Finalmente o encontraram, mas ele se recusou a voltar.
Então um deles fez com que Livingstone se lembrasse da promessa de Jesus:
"De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei." Heb.
13:5. Tomando para si essas palavras de confiança, Livingstone retornou
e falou com um poder tão convincente, que vários dos ouvintes
se converteram.
É você como Jeremias? Já deixou passar uma oportunidade
de testemunhar por Cristo por causa da oclofobia? Anime-se! Aqui estão
algumas coisas que você pode fazer para vencer o medo do público:
(1) Prepare-se cuidadosamente; (2) alongue e relaxe os músculos várias
vezes antes de enfrentar o auditório; e (3) respire profundamente algumas
vezes, antes de falar.
Mas há outras duas coisas que você pode fazer e que são
ainda mais importantes: (1) Envolva-se tanto no testemunho que chegue a esquecer-se
de si mesmo; (2) lembre-se de que Deus promete nunca deixá-lo ou abandoná-lo.
Quando você comparecer perante o público com esse estado de espírito,
assim como Jeremias você não temerá "diante deles".
Então Ele ... disse [a Paulo]: A Minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. II Cor. 12:9.
Em setembro de 1858, Henry Fawcett, um rapaz inglês de vinte anos de
idade, ficou cego de ambos os olhos quando seu pai, acidentalmente, descarregou
a espingarda enquanto caçavam.
Antes da tragédia, Henry havia sido um rapaz inteligente, ambicioso e
com um grande futuro diante de si. Depois do acidente, encheu-se de desespero.
Mas uma coisa salvou-o. Amava profundamente a seu pai e sabia que este ficara
quase louco por causa do pesar diante do que havia acontecido ao filho.
A única forma que Henry encontrou de preservar a sanidade mental de seu
pai foi escolher a esperança em lugar do desespero. Fingia estar alegre,
quando na realidade não estava. Fingia ter interesse na vida, quando
na verdade queria era desistir de tudo. Quando o desespero lhe oprimia o coração,
Henry fazia de conta que tinha esperança de ainda ser um cidadão
útil.
Então aconteceu algo estranho. O fingimento se tornou realidade! Foi
como se, por um ato da vontade, Henry tivesse exorcizado um espírito
mau. Perseguiu a carreira que havia escolhido, foi eleito para o Parlamento
e mais tarde, a pedido do Primeiro-Ministro Gladstone, foi encarregado da chefia
do sistema postal e telegráfico britânico. Nesse cargo, Henry foi
o responsável por significativos melhoramentos no serviço postal
e telegráfico de seu país.
O que Representa a Sarça Ardente?
Apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo do meio duma sarça;
Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça
não se consumia. Êxo. 3:2.
Originalmente, a Bíblia não era dividida em capítulos e versículos como os encontramos hoje. Nos tempos antigos, quando alguém desejava referir-se a alguma passagem das Escrituras, normalmente se referia a ela por meio de uma palavra-chave. Na história de Moisés e a sarça ardente, por exemplo, a referência se fazia mediante a expressão "A sarça", ou simplesmente "Sarça". Foi assim que Jesus Se referiu a ela. S. Mar. 12:26 diz o seguinte: "Não tendes lido no livro de Moisés, no trecho referente à sarça...?"
Uma sarça do deserto que pegue fogo, normalmente se queima com muita
rapidez, mas a sarça que Moisés viu não se queimava. Embora
parecesse estar ardendo, Deus impediu que fosse consumida. Aqui há uma
lição para nós.
"Os que estão sofrendo reveses, são representados pela sarça
que Moisés viu no deserto que, embora ardendo, não se consumia.
O anjo do Senhor estava no meio da sarça. Assim, na perda e na aflição,
o brilho da presença do Invisível se encontra conosco para nos
confortar e suster." - A Ciência do Bom Viver, pág. 212.
Que pensamento! O anjo do Senhor está com Seus filhos fiéis no
meio da ardente prova! Embora Ele permita que "provas de fogo" os
testem, embora eles pensem que vão ser consumidos, Deus não permitirá
que sejam destruídos pelas chamas.
Sejam amáveis e prontos para perdoar; jamais guardem rancor. Lembrem-se que o Senhor os perdoou, portanto vocês devem perdoar os outros. Col. 3:13 (A Bíblia Viva).
Na edição de julho de 1990 da revista Guidepost, Carol A. Virgil
conta como Teresa, sua filha adolescente, chegou da escola certo dia segurando
as lágrimas, enquanto jogava no colo de sua mãe um livro que acabara
de comprar. Na parte interna da capa de trás do livro estavam escritas
estas palavras: "Eu a odeio; você é feia e é um lixo."
Teresa informou que isso tinha sido escrito por Breda, uma das valentonas da
escola.
- Não consigo imaginar o que foi que fiz para que ela me odiasse tanto
- lamentava-se Teresa, com as lágrimas a ponto de rolar.
Carol sentiu o impulso de pôr tudo em pratos limpos com a atormentadora
de sua filha. A aprovação dos colegas é muito importante
para as meninas de 13 anos. O que deveria ela dizer para ajudar sua filha? Talvez
devesse ter ensinado seus filhos a serem mais agressivos.
Carol e Teresa começaram a inventar frases mordazes para colocar Breda
no devido lugar.
- Que tal um "Relatório Diário Acerca de Breda"? - sugeriu
Carol, fazendo de conta que estava falando sério.
Uma semana mais tarde, Carol encontrou seu certificado de conclusão do
Jardim da Infância e começou a recordar aquele tempo. De repente,
lembrou-se de ter dito: "Rebeca, eu odeio você!" a uma coleguinha
sem graça e lenta para aprender. A professora, Sra. Lidke, ouviu por
acaso aquela observação cortante e disse: "Carol, isso é
uma surpresa para mim. Eu esperava muito mais de você." Apanhada
em flagrante e embaraçada, Carol pediu perdão.
Agora, enquanto refletia sobre o motivo que a levara a tratar Rebeca tão
vergonhosamente, chegava à conclusão de que tinha sido o desejo
de obter aprovação das coleguinhas. Decidiu imediatamente abandonar
a idéia dos "relatórios" acerca de Breda. Escreveu o
verso da meditação de hoje e colocou-o sobre a cama de Teresa.
Mais tarde, contou a sua filha como havia tratado Rebeca, e por quê.
- Nunca pensei nisso por esse ângulo - admitiu Teresa. - Acho que posso
ser "legal" com Breda. - Então mãe e filha se ajoelharam
e pediram que Deus lhes concedesse a graça de perdoar Breda. E Ele o
fez!
Até o momento em que a história foi escrita, Breda ainda não
havia mudado, mas Carol e sua filha, sim! E isso é que era importante.
Mudança de Coração
Porei sobre eles favoravelmente os Meus olhos. ... Dar-lhes-ei coração
para que Me conheçam, que Eu sou o Senhor; eles serão o Meu povo,
e Eu serei o seu Deus; porque se voltarão para Mim de todo o seu coração.
Jer. 24:6 e 7.
Em 1849, Jenny Lind, famosa como "o rouxinol sueco", estava cantando
num teatro de Londres quando um bêbado entrou sem ser notado. No meio
do programa, ele se encaminhou furtivamente para o palco, exclamando:
- Minha Jenny, minha querida Jenny! Fale comigo e diga-me que se lembra.
- Coloquem-no para fora! Coloquem-no para fora! - gritou o auditório,
incomodado com a interrupção.
Alguém, afobado, já se encontrava no palco, pronto para agarrar
o intruso bêbado, quando Jenny interveio.
- Por favor, não o expulsem. Quero ouvir o que ele tem a dizer.
Dirigindo-se ao homem alcoolizado, ela perguntou com voz compassiva o que ele
queria. Então, repentinamente, ela o reconheceu e exclamou:
- Max Bronzden, meu primeiro e mais leal amigo!
Jenny explicou à platéia que aquele homem era Bronzden, a primeira
pessoa que lhe havia plantado no coração o desejo de tornar-se
cantora.
- Ainda não é tarde demais, meu amigo - disse ela, encorajando-o.
- Deixe de ser um vagabundo e torne-se um homem digno de minha amizade.
Bronzden nunca mais se esqueceu daquela noite. Anos depois, falando sobre a
reação da platéia diante das palavras de Jenny, ele disse:
"O teatro ficou silencioso como um cemitério; depois, repentinamente,
explodiu em ruidoso aplauso. ... Saí daquele lugar como um novo homem,
cheio de aspirações e ânimo, e nestes anos todos, desde
aquela noite, tenho sido vitorioso sobre o pecado, com a ajuda de Deus!"
Que maravilhoso testemunho! Que mudança pode Deus produzir em uma vida
por Seu Espírito! Igualmente maravilhoso, porém, é o fato
de que Deus com freqüência usa seres humanos, você e eu, como
catalisadores para operar esse tipo de mudança.
Catalisador é um agente que produz uma significativa mudança que
de outro modo não ocorreria. Hoje poderemos encontrar alguma alma que
necessita de mudanças em sua vida. Será que Deus nos encontrará
dispostos a ser catalisadores em Suas mãos para produzir uma transformação?
O Divino Poder Transformador
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo. Atos
1:8.
A eletrificação rural em Boa Viagem, um subúrbio de Recife,
onde morei quando menino, começou a ser instalada em 1929. Lembro-me
bem dos funcionários da companhia de energia elétrica forcejando
e arfando para levantar os postes de cimento para a rede elétrica, aos
quais depois prenderam os fios. Também me lembro de ouvir as mães
na vizinhança (inclusive a minha) advertindo as crianças a não
tocarem nos fios. Podíamos sair feridos e até mortos.
Um dia, antes de concluído o trabalho, um dos meninos vizinhos segurou
um fio ligado e não conseguia soltá-lo. Ainda posso vê-lo
com os olhos da memória. Apesar de todos os seus gritos, a corrente elétrica
o mantinha preso. A mãe dele ficou desesperada. Toda vez que tentava
puxá-lo, levava um choque. Ele só foi libertado depois que sua
sábia avó enrolou uma toalha em volta da cintura dele e deu um
puxão.
Na estrada junto da qual moro hoje, há postes de alta-tensão.
Embora transmitam muitos volts mais do que os fios que me eram familiares no
Brasil quando menino, vejo com freqüência passarinhos despreocupados,
pousados sobre eles, sem que nada de mal lhes aconteça. Por quê?
Por que as aves não têm contato com a terra. Se eu ou você
tocássemos aqueles mesmos fios enquanto permanecêssemos em contato
elétrico com a terra, seríamos fulminados.
Deus é um Deus poderoso. Por Sua Palavra, mundos vieram à existência
(Sal. 33:6 e 9). Mas Seu poder manifesta-se de outras maneiras - entre elas,
o poder de transformar vidas. Não se deve brincar com esse poder.
Já percebeu quão impossível é "renovar"
pessoas que já foram "iluminadas" e provaram o dom celestial
e os poderes do mundo vindouro, mas caíram - porque tentaram ficar com
Deus e com o mundo ao mesmo tempo? (Ver Heb. 6:4-6.) Se tais pessoas viveram
espiritualmente de novo, foi só porque Deus em Sua grande misericórdia
lhes deu mais uma oportunidade.
A única maneira segura de lidar com a divina energia transformadora é
soltar as coisas do mundo e permitir que o poder de Deus se avolume dentro de
nós, ao Lhe cumprirmos a vontade.
Projetos de Aproveitamento
Sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus:
sim, solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas.
Ele, antes te foi inútil; atualmente, porém, é útil,
a ti e a mim. Fil. 9-11.
Descobriu-se uma utilidade para as águas servidas, que eram consideradas
algo totalmente inaproveitável. Certa espécie de alga que se desenvolve
nas águas de esgoto pode ser transformada em produto comestível.
Uma colher de sopa dessa alga, seca, tem valor nutritivo igual a um bife de
trinta gramas, com todas as vitaminas essenciais, com exceção
da vitamina C.
Essa planta unicelular, conhecida como clorela, quando cultivada em despejos
líquidos a uma temperatura de 40 graus C, dobra o seu peso seco a cada
duas horas e meia. Uma única planta da clorela multiplica-se em 10.000
novas plantas a cada 24 horas. O esgoto de uma cidade com 100.000 habitantes
produziu 10 toneladas de alga seca a cada 24 horas, além de fornecer
10.000 galões de água para irrigação.
Se os astronautas algum dia viajarem para planetas distantes do sistema solar,
é bem provável que utilizem coisas que antigamente eram consideradas
inúteis. Mas, voltando à Terra, essa transformação
tem o potencial de alimentar um mundo faminto.
Transformações semelhantes, do inútil para o útil,
têm ocorrido em seres humanos. Veja o caso de Onésimo. Ele era
escravo de um senhor cristão chamado Filemom. Por volta do ano 62 d.C.,
ele fugiu de seu senhor, que morava em Colosso, Ásia Menor, e foi para
Roma, onde se encontrou com Paulo, que estava na prisão. Através
do testemunho de Paulo, Onésimo converteu-se ao cristianismo e agora
Paulo devolve o fugitivo na companhia de Tíquico, que leva uma carta
a Filemom.
Na carta, Paulo faz um interessante jogo de palavras; afirma a Filemom: "Ele,
antes te foi inútil; atualmente, porém, é útil."
Verso 11.
Transformado por um Hino
Lembro as canções alegres que eu cantava à noite. Penso
muito, examinando o meu espírito. Será que o Senhor me abandonou
para sempre? Sal. 77:6 e 7 (A Bíblia Viva).
Um cântico pode exercer efeito poderoso sobre a vida espiritual de uma
pessoa. Um exemplo disso aconteceu certa noite, há muitos anos, em Macau,
território português enclavado na costa sudeste da China. O Coronel
Russell H. Conwell, um turista americano que visitava a colônia, caminhava
pelos famosos cassinos do lugar. Parou ao passar por uma mesa na qual jogavam
dois conterrâneos seus. Quando o mais velho dos dois homens ia distribuir
as cartas do baralho, o mais jovem começou a cantarolar distraidamente
a melodia do conhecido hino "Tão Grato me É Lembrar".
De repente, o mais velho parou e perguntou:
- Harry, onde foi que você aprendeu esse hino?
- Na escola dominical - respondeu o mais jovem.
Largando o baralho sobre a mesa, o jogador de mais idade exclamou:
- Joguei pela última vez! É isso aí!
Aquele homem havia ganhado 100 dólares no jogo com Harry. Tirando as
notas de sua carteira, empurrou-as para o outro jogador e disse:
- Tome, Harry. Foi o que ganhei de você no jogo. Faça bom uso desse
dinheiro e eu farei o mesmo com o meu. Lamento tê-lo desencaminhado.
O coronel, que mais tarde se tornou um pastor bem conhecido na Filadélfia,
ficou tão impressionado com a repentina mudança produzida pelo
hino, que manteve contato com os dois homens durante anos, e relatou que a reforma
pela qual passaram naquela noite foi permanente.
Não faz muito tempo, um líder da igreja foi convidado a falar
para uma congregação de uma das ilhas do Pacífico Sul.
A pregação foi precedida por um serviço de cânticos
que consistia principalmente do assim chamado "rock gospel". Quando
ele se levantou para falar, não proferiu nenhuma censura sobre aquele
tipo de música, mas simplesmente começou a cantar um antigo hino
evangélico, com a sua voz cheia, de barítono. Ninguém pôde
escapar de sua mensagem, e o efeito sobre o auditório foi palpável.
A música tem um tremendo poder para o bem - ou para o mal. Ela pode tocar
o coração humano, mais do que qualquer outra coisa. Graças
a Deus pelos cânticos que transformam vidas permanentemente, para melhor!
Um Novo Coração
Darei a vocês um coração novo, com novos pensamentos e desejos.
Darei a vocês um espírito novo. Em vez de terem corações
duros como pedra, que só queriam saber de pecar, vocês terão
corações de carne, para poderem Me obedecer. Eze. 36:26 (A Bíblia
Viva).
No dia 27 de dezembro de 1967, o Dr. Christiaan N. Barnard, um cirurgião
cardiologista sul-africano, executou em Louis Washkansky o primeiro transplante
de coração na história médica. Algum tempo depois,
o Dr. Barnard realizou outro transplante de coração, desta vez
no Dr. Philip Blaiberg. O que tornou essa operação um caso único
foi o fato de que, logo após Blaiberg despertar da anestesia, o Dr. Barnard
entrou no quarto dele, trazendo na mão um frasco de plástico transparente.
Erguendo-o, disse: "Dr. Blaiberg, isto aqui é o seu coração.
Percebe que o senhor é o primeiro homem na história a olhar para
o seu próprio coração morto?"
Algum tempo depois, o Dr. Blaiberg recebeu a visita da esposa do homem que,
ao perder a vida, dera a ele outra oportunidade de viver. Ele foi tomado de
surpresa por aquela visita e aparentemente não expressou a sua gratidão
"imorredoura" do modo como gostaria de tê-lo feito, pois mais
tarde refletiu: "O que é que se diz nessas circunstâncias?"
A seguir, acrescentou pensativamente: "Ela perdeu uma vida; eu ganhei outra."
Algo semelhante acontece quando Deus, que "amou o mundo de tal maneira
que deu o Seu Filho Unigênito" (S. João 3:16), nos oferece
novo coração espiritual. Ele perdeu uma Vida; você e eu
ganhamos uma vida que será eterna. Quão gratos podemos ser por
esse grande amor!
Deus tem realizado transplantes do coração espiritual desde que
a raça humana passou a sofrer da doença fatal chamada pecado.
As pessoas afligidas por problemas cardíacos graves enfrentam com freqüência
a morte iminente, a menos que recebam um coração novo. Para os
pecadores, a morte eterna é mais certa ainda. "Todos igualmente"
pereceremos (S. Lucas 13:5), a menos que Deus obtenha a permissão de
transplantar em nós corações espirituais.
Quando permitimos que se realize essa cirurgia espiritual, implantam-se em nós
novos desejos, novo espírito e uma nova maneira de pensar. Não
mais vivemos para o eu. Agora, com imorredouro amor por Aquele cujo coração
em nós está, vivemos para Ele.
Um Trabalho Interno
Trocarei seus corações desobedientes e rebeldes, duros como pedra,
por corações de carne, cheios de amor por Mim. Assim vocês
obedecerão às Minhas leis. Eze. 11:19 e 20 (A Bíblia Viva).
Alguns dos maiores e mais surpreendentes roubos têm sido aqueles em que
os ladrões contam com a ajuda de alguém que trabalha dentro da
instituição-alvo. Por exemplo, o funcionário de um banco.
A expressão "trabalho interno" adquiriu uma conotação
pejorativa (nos Estados Unidos) porque ficou associada à atividade criminosa.
Mas hoje vamos considerá-la com um significado melhor. Vamos pensar nela
como o trabalho que Deus pode efetuar dentro de nós quando permitimos
que Ele exerça o controle total de nossa vida.
Existe uma espécie de religiosidade que apresenta um exterior atraente,
mas que não muda o ser interior. Jesus estava falando desse tipo de religião
quando Se dirigiu aos escribas e fariseus: "Vocês são como
belos túmulos - cheios de ossos de homens mortos, de podridão
e sujeira." S. Mat. 23:27 (A Bíblia Viva).
O apóstolo Paulo aludiu ao mesmo tipo de religião quando escreveu
de homens que têm forma de piedade mas lhe negam o poder (ver II Tim.
3:5). As pessoas que praticam esse tipo de religião nada mais são
do que instrumentos polidos de Satanás.
Quando eu era criança, gostava de ver minha mãe fazendo pão.
Um dos ingredientes de que ela necessitava era o fermento. Fermento não
é farinha, mas para que ele possa atuar, deve ser misturado à
farinha. Só então pode fazer com que o pão cresça.
Assim como o fermento ou a levedura (ver S. Mat. 13:33), a graça divina
é algo que vem de fora de nós. Deus precisa colocá-la em
nosso interior para que atue; somente então ela produzirá uma
mudança permanente em nosso comportamento e nos transformará o
caráter. Mas Deus não fará isso sem o nosso consentimento.
É mister... recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber. Atos 20:35.
Um jovem estudante estava certo dia caminhando com um de seus professores,
conhecido por tratar os alunos com justiça em suas aulas. Enquanto caminhavam,
encontraram um par de sapatos velhos ao longo da trilha. Vendo um trabalhador
num campo próximo, entenderam que os sapatos pertenciam a ele. O homem
estava acabando seu trabalho daquele dia.
Voltando-se para o professor, o estudante sugeriu:
- Vamos pregar uma peça no velho pateta. Vamos esconder os sapatos dele,
ocultar-nos atrás destes arbustos e observar a sua reação
quando não puder encontrá-los.
- Você acha mesmo que devemos fazer isso? - perguntou o professor. - Vou
fazer uma sugestão diferente. Por que não surpreendemos o idoso
cidadão colocando uma moeda em cada sapato e depois observando sua reação
quando ele encontrar o dinheiro?
O estudante não ficou exatamente entusiasmado, mas acabou concordando
com a idéia.
Quando o pobre homem concluiu seu trabalho e calçou os sapatos, sentiu
alguma coisa dura por dentro. Surpreso, olhou as moedas e depois ajoelhou-se
para agradecer a Deus por ter provido dinheiro para sua família desesperadamente
necessitada.
- Você não se sente mais feliz assim, por ter ajudado um velho
trabalhador em vez de ter-lhe pregado uma peça? - cochichou o professor.
O estudante teve de concordar.
Como cristãos, devemos recordar não apenas que mais bem-aventurado
é dar do que receber, mas também fazer aos outros o que gostaríamos
que eles nos fizessem (ver S. Mat. 7:12).
Ele [Satanás] enganará completamente aqueles que estão a caminho do inferno porque eles disseram "não" à Verdade; recusaram-se a crer nela e a amá-la, e a deixar que ela os salvasse, portanto, Deus permitirá que eles creiam de todo o coração nestas mentiras. II Tes. 2:10 e 11 (A Bíblia Viva).
Em 1608, John Robinson, conhecido como o "pastor dos Pais Peregrinos",
deixou a Inglaterra por causa do seu amor à verdade. Um ano depois, ele
e cerca de 100 seguidores mudaram-se para a cidade de Leiden, na Holanda, onde
o seu ministério cresceu e a congregação aumentou para
umas 300 pessoas. Falando a respeito desse grupo de cristãos, William
Bradford, governador e historiador da colônia de Plymouth, descreveu-os
como sendo possuidores de tal "piedade genuína, humilde zelo e amor
fervente para com Deus [a ponto de se aproximarem mais do que qualquer outro
grupo]... do padrão das primeiras igrejas [cristãs]".
Pouco tempo antes do dia 16 de setembro de 1620, quando o navio Mayflower zarpou
na direção do Novo Mundo com 100 passageiros, 35 dos quais eram
membros de sua congregação, Robinson pronunciou estas memoráveis
palavras:
"Insto convosco diante de Deus para que não me sigais de um modo
diferente daquele pelo qual me tendes visto seguir ao Senhor Jesus Cristo. Se
Deus vos revelar qualquer coisa por meio de outro instrumento Seu, sede tão
prontos a recebê-la como o fostes para receber as verdades por meio de
meu ministério, pois estou persuadido de que o Senhor tem ainda muito
mais verdades a revelar em Sua santa Palavra."
Essas palavras são corajosas. Freqüentemente, os líderes
religiosos proíbem que seus seguidores aceitem qualquer coisa que esteja
além daquilo que eles ensinam. Mas a verdade revelada não é
estática; é progressiva. Pela mesma razão, as novas verdades
não anulam as antigas, mas as confirmam. James Russell Lowel, poeta americano,
fala da verdade progressiva no poema "A Crise", no qual elogia as
pessoas que se identificam com a verdade.
Como podemos evitar, por um lado, dizer Não a uma nova verdade, enquanto
ao mesmo tempo evitamos ser "levados ao redor por todo vento de doutrina"?
Efés. 4:14. Há um modo somente. Devemos aproximar-nos dessa Palavra
que é "verdade desde o princípio" (Sal. 119:160) com
um coração humilde e disposto a aprender, e orar sinceramente
para que o Espírito da verdade nos guie a toda a verdade (ver S. João
16:13).
Pois, tanto o que santifica, como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso é que Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos. Heb. 2:11.
Algum tempo atrás, um estudante de um país do Terceiro Mundo
foi para os Estados Unidos e em pouco tempo adotou o estilo de vida americano.
Depois de concluir o seu curso, retornou ao país de origem. A postos,
para recebê-lo, estavam os seus pais camponeses. Também presente
estava um grupo de dignitários e oficiais do governo. Sentindo vergonha
de seus pais analfabetos, humildes e pobremente vestidos, o estudante fez de
conta que não os viu e passou por eles. Você pode imaginar como
se sentiram.
O constrangimento por ser reconhecido como membro de um grupo social ou religioso
que normalmente é desprezado ou considerado "inferior" não
é peculiaridade de pessoas de países do Terceiro Mundo. Essas
pessoas podem ser encontradas em quase toda parte.
Há vários anos, trabalhei para uma instituição cristã
juntamente com um homem que se envergonhava de ser reconhecido como cristão.
Aconteceu assim. Um dia, ele precisou submeter-se a uma pequena cirurgia e foi
internado num hospital próximo. O hospital era administrado por uma organização
religiosa diferente da dele. Enquanto esse homem se recuperava, um pastor amigo
meu foi visitá-lo.
Encerrada a visita, o pastor começou a inclinar a cabeça para
fazer uma oração pelo rápido restabelecimento de nosso
amigo. Mas antes que pudesse pronunciar uma palavra, o paciente agitou os braços
freneticamente e interrompeu-o. "Psiu! Não quero que o pessoal daqui
saiba que eu sou ----
[e disse o nome de sua filiação denominacional]."
Mais tarde se soube por que aquele homem tinha vergonha de ser reconhecido como
membro daquela igreja. Sua conduta inconveniente em relação com
as enfermeiras lhe traíra a profissão religiosa e as normas da
igreja!
Nunca se Envergonhe de seu Salvador
Não te envergonhes... do testemunho de nosso Senhor... que nos salvou
e nos chamou com santa vocação. II Tim. 1:8 e 9.
Em certos países, é costume que as famílias tenham um
brasão. Muitos desses escudos apresentam a figura de algum animal "nobre"
- um leão, um cavalo, uma águia. Mas o brasão da família
Fitzgerald, da Irlanda, traz a semelhança de um macaco babuíno
- e a família se orgulha dele! Eis a razão.
Durante a conquista da Índia, um oficial britânico chamado Fitzgerald
foi enviado para lutar em uma das campanhas. Ele deixou sua esposa e filho ainda
bebê aos cuidados de alguns criados indianos. Enquanto ele se encontrava
ausente, o inimigo atacou a casa e todos fugiram para buscar segurança,
esquecendo-se do bebê. Mas o babuíno de estimação,
evidentemente percebeu a omissão e correu para dentro da casa. O animal
tirou a criança do berço e, segurando-a em um braço, subiu
para o topo da capela. Depois que o ataque foi dominado, o babuíno desceu
e devolveu o bebê à mãe.
Quando o chefe da família retornou e soube daquilo que o babuíno
havia feito, sentiu que lhe devia gratidão. Como sinal de apreço,
mandou retratar a semelhança de um babuíno carregando uma criança
no brasão da família.
Hoje em dia, muitas pessoas orgulham-se de chamar-se cristãs. Mas quando
Paulo escreveu sua segunda carta a Timóteo, evidentemente havia alguns
que se envergonhavam de serem reconhecidos como seguidores de Cristo, e não
é de admirar. Deve ter sido difícil para um cristão explicar
a seus vizinhos que ele adorava um Deus que havia sido crucificado como criminoso.
Também não é de admirar que Paulo tenha dito que a pregação
de "Cristo crucificado [era] escândalo para os judeus, loucura para
os gentios". I Cor. 1:23.
Há pessoas que professam o cristianismo mas, como Pedro, envergonham-se
de confessá-lo sob certas circunstâncias (S. Mat. 16:16; 26:69-74).
Se a família Fitzgerald não se envergonhou de expor perante o
mundo, em seu brasão, a figura de um macaco babuíno que lhe salvou
o filho, por que deveriam os cristãos envergonhar-se de confessar ao
mundo o nome dAquele que não somente os salvou, mas deu Sua vida para
fazê-lo?
E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito. Efés. 5:18.
Vários irmãos de minha mãe trabalhavam na construção
civil no final da adolescência. Sendo que o trabalho da construção
passava por uma fase ruim no Estado da Virgínia Ocidental, onde moravam,
eles costumavam trabalhar em Estados vizinhos durante a semana e voltar para
casa de trem para o final de semana. Numa sexta-feira à tarde, enquanto
viajavam para casa, viram um jovem entrar no trem, aparentemente um pouco embriagado.
Os olhos dele estavam vermelhos e ele balançava bastante com o movimento
do trem. Sentou-se do outro lado do corredor, perto de onde estavam os irmãos.
Os irmãos resolveram divertir-se um pouco. Fizeram comentários
jocosos acerca de bêbados e depois riram ruidosamente. Aquele jovem os
ignorou, mas alguns passageiros ficaram visivelmente desgostosos.
Várias estações depois, outro passageiro entrou no trem
e sentou-se ao lado daquele rapaz. Começaram a conversar. Durante o diálogo,
meus tios conseguiram ouvir o rapaz dizendo que acabara de sepultar sua esposa.
As brincadeiras pararam. Teriam os rapazes pedido desculpas? Não sei,
mas pelo menos contaram a história que não lhes era favorável,
e aparentemente lamentaram o que haviam feito.
O aspecto irônico da história é que vários daqueles
irmãos morreram como alcoólatras. Tinham certeza de poder dominar
o copo da bebida, e não havia quem os convencesse do contrário.
Mas, como diz um provérbio japonês: "Primeiro o homem bebe
um gole; depois o gole bebe um gole; depois o gole bebe um homem."
Alguns cristãos professos tomam bebidas alcoólicas e justificam
a sua prática alegando que nos tempos bíblicos era permitido beber
vinho. Talvez a melhor resposta a esse argumento seja que "não levou
Deus em conta os tempos da ignorância" (Atos 17:30), assim como Ele
não levou em conta a prática da escravatura. Mas agora, hoje,
em vista das sobejas evidências de que até mesmo uma quantidade
moderada de álcool prejudica as células do corpo humano, o ato
de beber bebidas alcoólicas com certeza não é sábio
(ver Prov. 20:1).
Sem dúvida, o consumo de bebidas alcoólicas pode causar a ruína.
O mesmo não acontece com a "bebida" que o nosso verso para
meditação recomenda. Aqueles que "se levantam pela manhã"
(Isa. 5:11) e bebem abundantemente desse "vinho", são fortalecidos
para resistir ao mal.
Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Rom. 10:2.
Quando meu pai estava na faixa dos 20 anos de idade, trabalhou durante algum
tempo como recepcionista de um grande hotel na cidade de Nova Iorque. Certa
noite, durante o horário de trabalho dele, alguém evidentemente
jogou material incandescente numa lixeira que continha papel. De repente aquilo
pegou fogo e ameaçou incendiar o prédio todo. Papai telefonou
imediatamente para os bombeiros, mas um dos hóspedes, um senhor com idade
suficiente para agir com mais prudência, tirou seu casaco e começou
a sacudi-lo na direção das chamas, espalhando o fogo em todas
as direções. Em poucos momentos, o saguão do hotel virou
um inferno.
Felizmente os bombeiros responderam com prontidão e conseguiram apagar
o fogo de modo rápido, mas não antes que ele tivesse causado muito
mais prejuízo do que seria o caso, se aquele homem houvesse esperado
e permitido que os bombeiros fizessem o seu trabalho. Aquele zeloso hóspede
não só acabou perdendo seu casaco, mas também recebeu um
sermão do chefe dos bombeiros. Aquele foi um homem que demonstrou "zelo...
mas não com entendimento".
Existem alguns cristãos professos que parecem inspirados por grande zelo
para com o Senhor, mas deixam de exercer bom senso ao falarem. Sem dúvida,
você já viu e ouviu esses indivíduos. Numa reunião,
falam de certo tema com uma linguagem tão destemperada, que incendeiam
os ânimos e prejudicam uma boa causa - talvez a própria causa que
eles defendem. Comumente, essas pessoas parecem não reconhecer suas próprias
deficiências.
Tiago fala desse aspecto em sua epístola. Diz ele que "a língua
é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua ... contamina
o corpo inteiro e não só põe em chamas toda a carreira
da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno".
S. Tiago 3:6. Em relação com isso, Salomão dá um
bom conselho. Ele diz que há "tempo de estar calado, e tempo de
falar". Ecles. 3:7. À última frase ele poderia ter acrescentado
"com entendimento".
Se você acha que tem falta de sabedoria e entendimento, um dos melhores
lugares onde encontrar essas bênçãos é a Palavra
de Deus.