Respostas às seguintes perguntas:
Prezado irmão,
Que a graça do Senhor esteja contigo.
Mencionou que a igreja onde freqüenta e lidera está passando por sérios problemas
em relação à unidade doutrinária que deveria haver entre os irmãos. Na medida
em que se aproxima o fim dos tempos, aumentarão o número de hereges, pessoas
não santificadas cuja atenção principal está voltada para a crítica ao invés
de direciona-la ao Senhor Jesus. Basta perguntarmos a estes quantas vezes ao
dia elas oram e com que freqüência estudam a Bíblia e veremos o porquê de suas
atitudes serem assim...
Analisando os pontos de controvérsia
Oração deva ser dirigida apenas a Jesus e não ao Pai
Afirmar que a oração deva ser dirigida apenas a Jesus e não ao Pai é falta
de conhecimento. Pode-se dizer que isto é de certa forma uma afronta a Deus.
Ora, Cristo afirma que "Ele e o pai são um" (João 10:30) e, portanto,
orar a Pai é orar a Jesus, pois Ele também é Deus e conhecido como o "Pai
da Eternidade" (Isaías 9:6). Vejo que estes irmãos que pregam estas coisas
estão separando a divindade, o que é totalmente errado. Mesmo que tenhamos de
orar em nome de Jesus (João 14:13) e que Ele seja nosso intercessor (I Timóteo
2:5), podemos ir ao Pai como se estivéssemos indo a Cristo, pois o sacrifício
dele nos possibilita isto: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei,
e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem
bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho
lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto
mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?"
(Mateus 7:7-11 grifo meu). "Naquele dia, pedireis em meu nome; e não vos
digo que rogarei ao Pai por vós. Porque o próprio Pai vos ama, visto que me
tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus". (João 16:26-27).
"Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás
a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que
pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque
Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. (Mateus
6:6-8)
"Que conforto, que alegria, sentiríamos se aprendêssemos diariamente as
lições que Ele deseja que aprendamos Devemos conhecê-Lo por meio de conhecimento
experimental. Ser-nos-á benéfico gastar mais tempo em oração secreta, em relacionar-nos
pessoalmente com nosso Pai celestial. Em nossa fraqueza, podemos ir a Ele, e
pedir-Lhe que nos dê a compreensão do que Ele fará em nosso favor ao afastar
de nós tudo o que é dessemelhante de Seu próprio caráter". Review and Herald,
15 de agosto de 1907. [Medicina e Salvação, p. 102]
"Os ministros de Cristo devem vigiar em oração. Eles podem ir com ousadia
ao trono da graça, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. Podem, com
fé,
suplicar do Pai celestial sabedoria e graça, a fim de que possam saber trabalhar
e lidar com o espírito das pessoas". [Obreiros Evangélicos, p.254]
Orar de Joelhos
Ao estudarmos os livros escritos pela irmã White devemos seguir algumas regras
de interpretação para que equívocos não sejam cometidos. Uma delas é a de levar
em conta todo contexto de suas declarações, não formulando opiniões sem levar
em consideração outros textos que falem acerca do mesmo assunto.
Vejamos o que ela diz a respeito da posição apropriada na oração:
"Quando em oração a Deus a posição indicada é prostrado de joelhos. Este
ato de culto foi exigido dos três hebreus cativos na Babilônia. ... Mas tal
ato era preito que só devia ser prestado a Deus - o Soberano do mundo, o Dominador
do Universo; e esses três hebreus recusaram-se a dar essa honra a qualquer ídolo,
mesmo que fosse de ouro puro. Ao fazer assim, estariam, para todos os efeitos,
a prostrar-se ao rei da Babilônia. Recusando-se a fazer como o rei ordenara,
sofreram o castigo, e foram lançados na fornalha de fogo ardente. Mas Cristo
veio pessoalmente e andou com eles no meio do fogo e nada de mal lhes sucedeu.
"Tanto no culto público como no particular é nosso dever prostrar-nos de
joelhos diante de Deus quando Lhe dirigimos nossas petições. Este procedimento
mostra nossa dependência de Deus". [Mensagens Escolhidas vol.2, p. 312]
"E quando vos reunis para adorar a Deus, não deixeis de vos prostrar de
joelhos diante dEle. Que esta ação testifique de que toda a alma, e corpo e
espírito estão em sujeição ao Espírito de verdade". [Mensagens Escolhidas
vol. 2, 314]
"Não há tempo nem lugar impróprios para se erguer a Deus uma oração...
Entre as turbas de transeuntes na rua, em meio de uma transação comercial, podemos
elevar a Deus um pedido, rogando a direção divina, como fez Neemias quando apresentou
seu pedido, perante o rei Artaxerxes". [Caminho a Cristo, pág. 99].
"... Deveis ser homens e mulheres de oração. Vossas petições não devem
ser débeis, ocasionais e apressadas, mas fervorosas, perseverantes e constantes.
Para orar não é necessário que estejais sempre prostrados de joelhos. Cultivai
o hábito de falar com o Salvador quando sós, quando estais caminhando e quando
ocupados com os trabalhos diários. Que vosso coração se eleve de contínuo, em
silêncio, pedindo auxílio, luz, força, conhecimento. Que cada respiração seja
uma oração". [A Ciência do Bom Viver, p. 510 e 511]
"... O caminho para o trono de Deus está sempre franqueado. Não podeis
estar sempre de joelhos em oração, mas vossas silenciosas preces podem ascender
constantemente a Deus pedindo força e direção..." [Conselhos Sobre Saúde,
p. 362]
"Eu quisera impressionar o espírito de todo obreiro da causa de Deus com
a grande necessidade de contínua, fervorosa oração. Eles não podem estar constantemente
de joelhos, mas podem erguer o coração a Deus. Assim foi que Enoque andou com
Deus. Review and Herald, 10 de novembro de 1885" [Citado em Evangelismo,
p. 681]
Usando do bom senso, podemos chegar a algumas conclusões:
1. Que a posição indicada é de joelhos, tanto no culto público quanto no particular;
2. Porém, isto não significa que ao orarmos tenhamos que estar sempre de joelhos.
3. A irmã White lutava para que a igreja cultivasse um espírito de reverência
para com Deus; por isso, indicou a oração de joelhos como sendo a mais apropriada,
sem fazer disto uma regra aplicada em todos os momentos e ocasiões.
4. O princípio que Deus quer nos passar é que nossas orações devem ser constantes
(I Tess. 5:17).
5. Podemos ser reverentes ou irreverentes para com nosso Pai orando de joelhos,
em pé, etc... pois meus motivos ao orar podem não ser verdadeiros.
Será que a Bíblia apóia a idéia de que a oração deva ser apenas de joelhos?
Sobre a maneira como devemos orar, não há na Bíblia um só texto que indique
ser "de joelhos" a única maneira correta, mesmo sendo esta a forma
padrão.
Para Deus não importa a posição que oramos, mas que tenhamos comunhão com ele;
de uma maneira ou outra, nossa oração é ouvida por Deus: quando caminhamos pela
rua, nos momentos em que trabalhamos... Nossa vida deve ser uma constante
oração e nem sempre estaremos em locais apropriados para orar
de joelhos.
Quando Jesus ensinou os discípulos a orarem (Mateus 6:5-15), não fez a mínima
referência de que devêssemos orar apenas de joelhos. Se este fosse um assunto
vital, será que Ele não teria mencionado?
Vemos nas Escrituras diversos exemplos de pessoas que "não oraram de joelhos"
e mesmo assim foram atendidas pelo Eterno. Eis alguns deles:
Jonas (Jonas 2:1-10) - Ele orou de dentro da barriga do peixe; certamente ele
não pôde ajoelhar-se nesta situação... mesmo assim Deus o ouviu (v. 10). Neemias
(Neemias 2:4, etc). No momento em que estava perante o rei Artaxerxes, elevou
uma oração a Deus; não estava ajoelhado.
Ezequias (Isaías 38:1-5). Mesmo estando "deitado", Deus ouviu sua
oração. O ladrão na Cruz (Lucas 23:42). Ali ele estava rogando a Jesus. O Senhor
o ouviu e ainda prometeu levá-lo para Seu reino futuramente (v.43). O publicano
é apresentado na parábola como orando "em pé" (cf. Lucas 18:13).
Se orar de joelhos fosse uma regra, Cristo teria contado a parábola de modo
a apresentar o personagem de joelhos. Mesmo orando 'em pé', o publicano "desceu
justificado" (v.14)
O Senhor Jesus Cristo em certas ocasiões orou de outras maneiras, e não genuflexo:
na ressurreição de Lázaro (ver João 11:38-43), na cruz (Lucas 23:33-34), etc...
Em suma: a posição ideal é de joelhos; mas há ocasiões em que não é possível
orar desta forma. Deus ouve todas as orações, independente da posição adotada.
Isto é claramente visto nos exemplos bíblicos. Não há uma norma escriturística
que indique que o cristão deve conversar com o Pai Celestial apenas ajoelhado.
Dízimo mal aplicado pelos Administradores e seu uso na educação
Primeiramente, estes acusadores precisam provar o que estão dizendo. Isto não
é verdade.
Mesmo que o fosse, o dízimo faz parte de nosso relacionamento pessoal com Deus
e não com os administradores e pastores. Se os mesmos estivessem administrando
errado o dinheiro do Senhor (sem que o soubéssemos e que tivéssemos provas concretas
a respeito), o que isto afetaria em nossa comunhão com Deus? Será que Deus deixaria
de abençoar-nos por isto? Obviamente não, pois é uma questão individual. Se
alguém estiver fazendo mal uso do dízimo, terá de acertar com Deus depois e,
se minha vida na igreja é levantar este tipo de questionamento, é sinal de pelo
menos 2 coisas: (1) que minha comunhão com Deus não está bem (2) estou querendo
talvez dar uma "desculpa" para não dizimar. Pergunto: Deus aprova
isto? Poderei no dia de meu encontro com o Senhor "justificar meu roubo
a Deus" dizendo: "Senhor, não mais devolvi o dízimo porque estavam
administrando errado..." Avaliem bem isto os sinceros.
Sobre seu uso na Educação, nem mesmo templos devem ser construídos com dinheiro
do dízimo, muito menos escolas; deve haver outros fundos para tal. Agora, dizer
que não se pode investir no Departamento de Educação é temerário; educar é pregar
o evangelho; faz parte do plano de Deus na restauração do homem.
Em relação à Associação Geral, pergunte-se a estes irmãos se eles estiveram
lá e presenciaram algo que os deixou tão revoltados... Nossa parte não é acusar
ou cuidar da vida alheira, mas levar o evangelho. Nosso precioso tempo deve
ser bem aproveitado (não em críticas), caso contrário estaremos pecando contra
Deus, transgredindo os princípios de mordomia cristã.
A igreja não prega a doutrina da natureza de Cristo como antes
Esta controvérsia se dá por um grave erro de compreensão histórica. Na época
do milerismo pessoas de diversas crenças e denominações vieram para o grupo
que aguardava o Advento, entre estas aqueles que tinham uma concepção de Cristo
baseada no Arianismo; porém, este pequeno grupo nunca influenciou o ensamento
Adventista.
Dizer que não pregamos a doutrina acerca da natureza de Cristo como era antigamente
é um absurdo; surgimos como igreja organizada em 1863, e desde o início aceitamos
a divindade de Jesus. Não podemos basear nossa fé nos sinceros mileritas; alguns
deles achavam inclusive que era errado cortar a barba...
O Seguro de vida
O contexto histórico em que a irmã White escreveu deve ser levado em conta.
O Pastor Tércio Sarli, Presidente da União Central Brasileira da Igreja Adventista
do 7o Dia, respondeu a esta questão no site
<http://www.ucb.org.br/respostas/>
do qual extrairei algumas partes:
"Hoje, nenhuma organização, ou empresa, pode ficar sem cobertura de seguros.
Nos tempos da Sra. Ellen White, todo esse assunto de seguros estava no seu
começo, as leis não eram ainda bem definidas, e nem tudo funcionava a
contento. Mesmo assim ela se manifestou a respeito algumas vezes, sobre
alguns tipos de seguros.
"Vejam, por exemplo, esta carta que ela escreveu a seu filho William C.
White, em 1880, sobre seguro de sua própria casa: "Quero que você
providencie para que a casa em Healdsburg seja assegurada. Fale com Lucinda
sobre isso." (Carta 17, 1880 - Arquivos do White Estate - Associação Geral).
"Quatro anos mais tarde ela escreveu: "Irmão Palmer diz que lhe escreveu
sobre o seguro. Se a casa não está no seguro, isso deve ser feito
imediatamente." (Carta 53, 1884).
"Com respeito aos bens da Igreja serem assegurados, o assunto começou a
ser
discutido desde a década de 1860, e havia muita divergência a respeito. Mas
o próprio sistema de seguros foi-se aperfeiçoando no país, e leis
reguladoras, e até obrigatórias, foram sendo promulgadas, que o assunto foi
regularizado dentro da própria Organização Adventista, e hoje funciona da
maneira mais eficiente possível.
"Já em 1860 James White, esposo de Ellen, e que foi mais tarde presidente
da
Associação Geral, escreveu: "Quanto ao seguro, dizemos (no vol. XV, nº
23),
não temos nada a declarar no momento. Até agora não asseguramos nossos
próprios prédios, e se a Igreja concordar em não assegurar os bens da
Igreja, seremos processados."
"Devemos lembrar que só em 1863 é que a Igreja Adventista se organizou
de
forma mais completa, mas mesmo antes o assunto de seguros contra fogo e
calamidades, principalmente, já estava na preocupação dos dirigentes.
"A questão mais difícil, realmente, é sobre o seguro de vida. Ellen White
desaconselhou o seguro de vida aos membros da Igreja e aos obreiros, em seu
tempo. E no entanto hoje esse tipo de seguro é praticado para os que
trabalham na Organização Adventista.
"Há um documento preparado pelo Departamento dos Escritos de Ellen White
("White Estate"), na Associação Geral, que trata do assunto, tanto
histórica
como administrativamente. Estamos colocando à disposição dos interessados
esse documento, para maiores esclarecimentos.
"Em resumo, o documento mostra que o seguro de vida, naqueles tempos, não
era algo sério e bem regulamentado, e muitos que o fizeram, ao necessitarem
dele (família) dificilmente recebiam os benefícios. Era, pois, um negócio
muito arriscado, que às vezes exigia bastante dinheiro em pagamento, mas que
não oferecia segurança. Com respeito à posição da Sra. White sobre certos
problemas de sua época, e sobre os quais ela se manifestava, há uma
declaração dela que pode servir de orientação com respeito a seus escritos.
Diz ela: "Quanto aos testemunhos, coisa alguma é ignorada; coisa alguma
é
rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados. Coisa alguma
deve ser feita inoportunamente." - Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 57.
"Muitas vezes, com o passar do tempo, as circunstâncias mudam, e é
necessário novo posicionamento sobre certos assuntos. Por exemplo: Ellen
White era contra a oficialização de nossas escolas. Ela achava que se fossem
oficializadas, perderíamos a liberdade de tê-las sob nosso completo
controle. No entanto hoje, nem é possível funcionar uma escola sem ser
oficializada. Ninguém nem discute mais isso.
"No seu tempo Ellen White declarou que as crianças só deviam ir para a
escola com 8 ou 10 anos. Hoje, a ida das crianças já para o Jardim é
inevitável, já pela obrigatoriedade social e legal (aos 7 anos é obrigatório
a criança já estar no curso fundamental), já pelas circunstâncias das
famílias, cujas mães precisam trabalhar fora. Por isso é que Ellen White
orientou, quanto aos seus escritos: " O tempo e o lugar devem ser levados
em
conta."
"Pensamos que esse é o caso também do seguro de vida. As circunstâncias
de
hoje são diferentes das que existiam naquele tempo concernentes ao assunto
de seguros. Hoje, muitas vezes, esses seguros devem ser feitos".
Irmão : espero que estas considerações tenham sido úteis. No que puder ajudar,
estou à disposição.
Deus te abençoe,
Leandro Soares de Quadros
leandro@sisac.org.br