Meu nome é Moacir Elcio Bereta Junior, sou Pastor
e atualmente exerço meu Ministério no Colégio Adventista de
Belo Horizonte, como capelão e professor de Ensino Religioso.
A história que
passo a relatar aconteceu comigo, no dia 07 de maio de 1992,
e tem como objetivo engrandecer o nome do Senhor grandioso
e misericordioso a quem adoramos, além de exaltar o fato de
que Ele continua realizando milagres espetaculares em nossas
vidas, ainda hoje, assim como realizara no passado e nos revelara,
através da Bíblia Sagrada.
COMO
TUDO COMEÇOU
Eu me encontrava
no auge de minha adolescência, possuía então 16 anos de idade.
Nós - eu e minha
família - morávamos na cidade de São Paulo. Era uma quinta-feira
à noite, e já passava das 22:30h. Saí para a rua a fim de
juntar-me a alguns de meus amigos, com os quais eu estava
acostumado a ficar conversando na esquina da casa de meus
pais, até altas horas da noite.
Naquele dia,
em especial, saímos de bicicleta, eu e mais dois amigos. Decidimos
nos divertir com as mesmas, pulando as "tampas de bueiros",
destas que encontramos em quase todas as ruas da cidade, e
cuja extremidade não ultrapassa dez centímetros do nível do
asfalto.
Meu irmão, Thiago,
então com 11 anos de idade, brincava naquele momento com alguns
pedaços de madeira, arremessando-os para o outro lado da rua.
Mas em determinado momento, obviamente sem qualquer intenção
para o mal, por não haver percebido que eu me aproximava com
minha bicicleta, uma das madeiras que o menino lançou veio
em direção à minha trajetória; aquela madeira entrou por entre
o raio da roda dianteira, travando-o, a uma velocidade superior
a 45km por hora. Este fato causou minha queda por sobre a
bicicleta. Eu havia tido a chance de vislumbrar aquela madeira
em se curso, na direção da bicicleta e, como que por reflexo,
soltei uma das mãos para proteger-me. Mas isto fez com que
o guidão da mesma se virasse, ficando uma ponta do mesmo voltada
para a frente, e a outra voltada na direção de meu abdômen.
O ACIDENTE
No momento em
que a roda foi travada, a bicicleta virou, e a ponta do guidão
que estava voltada para a frente precipitou-se em direção
ao chão, causando assim um impacto muito forte da ponta oposta
contra meu abdômen. Tal impacto não foi suficiente para perfurar-me,
porém, o necessário para romper um órgão interno, causando-me
assim uma hemorragia interna!!!
Às pressas meus
amigos carregaram-me até minha casa, distante cerca de 50
metros do local, e então fui levado a um pronto-socorro próximo
dali, onde fui examinado. Devido aos sintomas que apresentava,
entre as várias vezes em que desmaiava e voltava a si, após
algum tempo os médicos perceberam que inevitavelmente eu precisaria
ser operado, e com urgência. Porém precisariam transferir-me
para um grande hospital!!
Chegando ao segundo
hospital, no entanto, acabei não sendo atendido. Sem que sequer
eu houvesse sido retirado da ambulância, alguns médicos, olhando-me
de longe, perguntaram sobre alguns detalhes de meu estado,
para o médico de plantão da ambulância. E então disseram:
"Infelizmente ele não poderá ser internado aqui, pois
não há vaga na UTI (Unidade de Terapia Intensiva)".
Eu estava acompanhado
de meu pai, e o mesmo viu-se então obrigado a aceitar que
eu fosse levado a um terceiro pronto-socorro, próximo ao local
de onde procedia aquela ambulância. Devido ao tempo considerável
que se passara desde o início de minha hemorragia, era iminente
o risco de morte a qualquer instante, por insuficiência sangüínea.
Chegando ao pronto-socorro
Itamaraty, fui levado imediatamente à sala de cirurgia. Após
receber a anestesia geral, os doutores abriram-me e detectaram
que o forte impacto havia lesado seriamente meu fígado, e
que precisavam ser rápidos, pois havia-se passado tanto tempo
desde minha lesão até o início da cirurgia, que dos 4 a 5
litros de sangue que um ser humano, em geral, possui, apenas
cerca de 1 litro percorria minhas artérias. E fora exatamente
por isso que acabei, pouco tempo após o início da operação,
tendo uma parada cardíaca!...
MOMENTO CRÍTICO
Os médicos tinham
agora cerca da 7 a 10 minutos para tentarem me reanimar. Através
de vários procedimentos, como choques e massagens cardíacas,
fizeram praticamente tudo o que, em momentos como este, está
ao alcance da mão humana - porém fora tudo em vão...
Passados aproximadamente
10 a 12 minutos desde o momento da parada cardíaca, os doutores
desistiram de mim, e então o médico chefe de cirurgia entregou
à enfermeira-chefe a responsabilidade de passar ao meu pai
a triste realidade. Após haver ela explicado todo o meu quadro
clínico, desde a minha chegada ao pronto-socorro até os momentos
finais - das tentativas para reanimar-me da parada cardíaca
- ela acabou por informar que infelizmente eu havia falecido.
Agora ele deveria avisar a família e providenciar o funeral
- o meu funeral!!!
O choro e o desespero
foi inevitável, e em meio àquele terrível sentimento de perda,
e enquanto pensava em como dizer tal coisa ao restante da
família, meu não entendia como aquilo poderia estar de fato
acontecendo, e então começou a meditar sobre a causa de tudo
aquilo.
Meu pai foi um
cristão, adventista do sétimo dia, até seus 19 anos de idade.
Já estava longe da Igreja há aproximadamente 27 anos. E
agora ali estava ele, pensando e chorando. Chegou-lhe a conclusão
de que jamais deveria ter se afastado de Deus em sua juventude,
caminhando para tão longe, a ponto de perder a proteção divina
para si e para sua família. Há tanto tempo ele vinha dizendo
que a Bíblia fora escrita por homens falhos como qualquer
homem o é, e que, portanto, seria impossível crer nela. Dizia
também que Jesus Cristo não passara de um ativista político,
a exemplo de Che Guevara e Fidel Castro...
Mas agora suas
filosofias não faziam o menor sentido. Ele percebia quão longe
havia chegado. Um súbito e inexplicável arrependimento de
suas blasfêmias contra o Senhor, agora fazia-o sentir a necessidade
de Seu auxílio. Reconhecia a magnitude de Deus e, neste momento
desesperador, seu coração clama ardentemente pelo Salvador
e Senhor do Impossível...
A MÃO DE DEUS
O Senhor notou
o anseio de um pai afligido pela morte, entre o arrependimento
e o desespero completo. Viu Jesus uma ovelha perdida clamando
em dor, mas disposta a voltar para Seu aprisco, após haver
recebido uma lição que nunca experimentara durante sua vida
inteira, apesar de tantos convites divinos. Cristo faz isto:
entra em ação e muda totalmente o curso de nossas vidas!
Utilizando como
Seu instrumento um doutor cardiologista, além, é claro, de
atuar diretamente em mim como doador e mantenedor da vida,
Ele ofereceu-nos - a mim e à minha família - uma amostra de
Sua longânima misericórdia!
Aquele doutor
começa a percorrer o corredor que dá acesso à sala de cirurgia
onde eu jazia. Haviam-se passado 30 minutos (tempo indubitavelmente
considerável) desde o instante em que meu coração parou de
bater, e eu perdera a vida. O médico chega em frente à sala,
e olha uma última vez para aquele corpo jovem que eles, como
homens e profissionais, não conseguiram salvar. De repente,
nota algo muito estranho ali: o tremor de alguns espasmos
naquele corpo antes inerte, causou-lhe verdadeiro susto. Era
como se o próprio Jesus me tocasse, fazendo-me tremer, a fim
de que o doutor visse que havia vida novamente, e portanto
um fio de esperança!!!
O doutor começa
a gritar por socorro ao mesmo tempo em que corre em minha
direção, lançando mão de um bisturi, e então abre meu peito
na altura do coração. Em seguida, enfia uma de suas mãos por
entre minhas costelas, e agarra meu coração, começando, então,
uma massagem, "simulando" batimentos cardíacos.
Quando o restante
da equipe médica chegou, correndo, já me encontrou vivo novamente.
Graças à intervenção de Jesus Cristo, e ao auxílio daquele
cardiologista. A partir de então, todos retornaram aos cuidados
com o fígado, agora preocupando-se também com o pulmão, pois
quando aquele médico enfiou a mão no meu peito, fê-lo com
tanto ímpeto, que acabou perfurando meu pulmão com sua própria
mão. Esta última lesão causou duas paradas respiratórias no
decorrer desta cirurgia, a qual durou, ao todo, cerca de 7
horas; mas agora o Médico-Chefe era Jesus e, portanto, estas
outras paradas jamais poderiam levar-me à morte novamente!...
Ao término da
operação, um dos médicos perguntou ao meu pai, que já havia
sido informado de meu milagroso retorno, se ele confiava em
Deus - e ele respondeu categoricamente:
-
No momento, só nEle eu confio!
E então aquele
médico diz:
-
Seu filho hoje recebeu um milagre
de Deus, pois ninguém pode ficar 30 minutos morto e depois
voltar à vida. No entanto você, bem como toda a sua família,
devem orar pedindo a Deus, se possível, mais um milagre, pois
seu filho tem apenas 1% de chance de sobreviver a uma tríplice
operação como esta, envolvendo o fígado, o pulmão e o coração;
e digo 1%, somente para não dizer que não há chances. Porém,
há algo que posso dizer com convicção, baseado em minha experiência
médica: ele não possui nem 1% de chance de voltar a ser uma
pessoa normal tal como era antes, pois absolutamente ninguém
pode ficar 30 minutos sem oxigênio no cérebro, e depois voltar
a ser uma pessoa normal; apenas Deus sabe as seqüelas que
ele vai apresentar, mas prepare-se para ter um filho em estado
vegetativo, e você e sua família terão de fazer tudo por ele."
Meu pai foi autorizado
então a visitar-me na UTI e, ao ver-me, ficou chocado com
o meu estado. Haviam vários drenos instalados em meu corpo,
dentre os quais, um no fígado e um n pulmão, a fim de que
fossem expelidos os resíduos líquidos acumulados em conseqüência
das operações.
Ao lembrar-se,
então, do milagre que Deus havia realizado, meu pai fecha
os olhos e inicia uma oração muito difícil para um pai, dizendo:
-
Senhor, se for da Tua vontade que
meu filho sobreviva, peço-Te somente uma coisa: que volte
a ser normal como era antes. Porém, se for para ele sofrer
para o resto da vida, vivendo como um vegetal, e nós, sofrendo
com seu sofrimento, Senhor, permita que ele descanse"
- orou assim e foi embora para casa...
Após a primeira
visita, minha irmã Alexandra, que havia ficado no pronto-socorro,
e fora a primeira pessoa a visitar-me, ligou para casa, para
passar as últimas notícias. Ao tocar o telefone em casa, a
apreensão foi geral, pois devido ao que o doutor disse ao
término da operação, todos já esperavam pelo pior. Minha irmã
Gláucia atendeu ao telefone, e após ouvir o relato de Alexandra,
abriu um sorriso, que fora o bastante para que meu pai entendesse
de imediato que Deus havia respondido positivamente sua oração,
e para que minha mãe e toda a família pudessem sentir-se aliviados!!!
Mais 7 dias na
UTI, e mais outros 7 dias no quarto do hospital. Considero
um claro milagre a minha recuperação. Em 2 meses voltei a
trabalhar. Entre 5 a 7 meses estava começando a ensaiar a
volta à prática de algum esporte. Não perdi sequer o ano letivo,
e o mais importante foi que em 7 meses batizei-me na Igreja
Adventista do 7º Dia de Jardim Brasil, na cidade de São Paulo,
no dia 20 de dezembro de 1992, juntamente com meu pai, que
passava pelo rebatismo, incluindo minha mãe e meu irmão Thiago!!!
Nos meses e anos
subseqüentes, toda a família foi-se entregando a Jesus: minhas
irmãs Gláucia, Alexandra e Bruna, meus cunhados Rogério e
Carlos, minha sobrinha Ingrid - e agora faltam apenas 3 sobrinhos:
Nathalie, Giovanni e Isabelle, que apenas por não terem idade
suficiente ainda não foram batizados, mas participam desta
igreja desde que nasceram!
Como resultado
direto ou indireto deste milagre, Jesus salvou, não apenas
uma pessoa, mas sim 13 pessoas, pois mais importante que uma
ressurreição física é o milagre da ressurreição espiritual
que Ele operou nas nossas vidas!!!
Se o inimigo
esperava acabar com nossa família usando uma situação que
poderia, inclusive, tornar meu querido irmão Thiago numa pessoa
infeliz e traumatizada pelo resto de sua vida, por haver causado
a morte do próprio irmão, muito embora sem a intenção de fazê-lo,
não foi assim que a história terminou. Deus muitas vezes Se
utiliza de situações temerárias causadas pelo Seu inimigo,
revertendo-as em grandiosas bênçãos. Assim, podemos entender
o texto de Romanos 8:28, que nos diz: "Todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus...".
Eu e Thiago acabamos
entregando juntos nossas vidas a Deus, e ainda recebemos Suas
bênçãos - nós dois, e também Thaís e Ester. Portanto, decidi
que não poderia pensar de outra maneira, a não ser agradecendo
a Cristo a nova vida que me deu, dedicando-a inteiramente
a Ele, através do Ministério. E hoje sou mais que feliz por
isso. E não posso deixar de testemunhar esta história, sempre
que posso, do grande milagre que o Senhor fez em minha vida.
Deus seja louvado eternamente. Amém.
(e-mail para contatos: beretajr@zipmail.com.br)